O reino de Númenor, quarto milênio e queda
Ar-Gimilzôr (
2960-3177 S.E.), neto de Ar-Zimrathôn, foi o maior inimigo dos Fiéis. Ele proibiu terminantemente o uso dos idiomas élficos em Númenor e aplicou punições aos que ainda recebiam navios dos Eldar vindos de Tol Eressëa secretamente. Para evitar futuros contatos entre eles e vigiar os Fiéis mais de perto, ordenou que eles se deslocassem do oeste da Ilha para o leste.
Além disso, Ar-Gimilzôr também negligenciou os cuidados com a Árvore Branca e foi o primeiro rei a não subir Meneltarma, a montanha sagrada, para reverenciar Eru. Ele acabou se casando com Inzilbêth, da casa dos Senhores de Andúnië, sem saber que ela era uma dos Fiéis e pouco amor havia entre eles. Inzilbêth acabou por educar seu filho mais velho Inziladûn secretamente nos costumes dos elfos, enquanto que o mais novo era mais parecido ao pai.
Inziladûn (
3035-3255 S.E.) ascendeu ao trono como Tar-Palantír, uma atitude mal vista pelos apoiadores do rei na época, pois resgatou o costume de assumir o trono com um nome em Quenya. Isso desencadeou uma guerra civil silenciosa em Númenor, uma vez que permitiu que os Fiéis vivessem em paz. Tar-Palantír também recobrou os cuidados com a Árvore Branca, pois em sua sabedoria previu que se ela fosse negligenciada a linhagem dos reis também chegaria ao fim. Os Valar não enviaram emissários para renovar a amizade com Númenor, pois a oposição ao Oeste ainda era forte. Seu irmão mais novo Gimilkhâd liderou os apoiadores dos novos costumes contra os elfos e Tar-Palantír viveu dias difíceis e tristes.
Tar-Palantír teve uma única filha, Míriel, que deveria ter sido Rainha de Númenor, mas o filho de Gimilkhâd, Pharazôn (
3118-3319 S.E.), assim que o tio morreu, forçou um casamento contra a vontade dela, contra as leis de Númenor e sem apoio popular para usurpar o Cetro e ocupar o trono. Ar-Pharazôn, foi o mais ganancioso dos reis e soube que Sauron estava atacando as colônias númenoreanas para empurrá-los de volta ao mar. Rumores de que ele planejava destruir a própria Númenor e teria se declarado "Senhor dos Homens" enfureceram o novo rei. Ar-Pharazôn navegou para o porto de Umbar e marchou em direção a Mordor.
Sauron não ofereceu resistência e se entregou de boa vontade como prisioneiro. Seus planos estavam caminhando conforme sua vontade, pois em pouco tempo Sauron passou de prisioneiro a conselheiro do rei, envenenando a mente dos númenoreanos contra o Oeste. Com falsas promessas de imortalidade, pois Ar-Pharazôn temia a morte e a perda de seu poder, ele implantou o culto a Melkor. De início, Ar-Pharazôn se mostrou relutante ao ser aconselhado a queimar a Árvore Branca, o último vínculo da amizade dos Valar com os Homens, pois temia a profecia de Tar-Palantír sobre a queda dos reis.
Por fim, a vontade de Sauron foi cumprida, mas não antes que Isildur, filho de Elendil, conseguisse se infiltrar na cidade e salvar uma semente da árvore. Um templo foi construído em Meneltarma e lá os adoradores de Melkor faziam sacrifícios (dos Fiéis) em seu nome. Nenhum meio, no entanto, parecia salvar Ar-Pharazôn do envelhecimento e, em 3310, Sauron jogou a última carta em sua rede de mentiras, convencendo-o de que a única forma de conquistar imortalidade era navegando e tomando o Reino Abençoado de Valinor. Nove anos depois, a Grande Armada ficou pronta.
Ar-Pharazôn chegou a desembarcar em Valinor e proclamar seu direito sobre aquele reino. Os Valar, prevendo a catástrofe que se seguiria, invocaram Eru. A Ilha de Númenor foi engolida pelo Mar, as embarcações que ainda seguiam em direção de Valinor naufragaram e Ar-Pharazôn e seus seguidores, conforme contam as histórias, foram soterrados na borda do reino e jazem lá no que se chamou de Gruta dos Esquecidos. Assim se deu a queda de Númenor.
Os Fiéis, por sorte ou pelo destino, foram salvos ao serem transferidos do oeste para o leste da Ilha durante o reinado de Ar-Gimilzôr. Prevendo o futuro e o destino sombrio que os aguardava, se prepararam a tempo de fugir. Elendil, filho de Amandil, o último dos Senhores de Andúnië, junto de seus filhos I