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Os Meio-elfos, descendentes de Eärendil e Elwing, por terem sangue tanto de elfos quanto de homens em suas veias, podem escolher o caminho que desejam trilhar.
Uma vez feita, a escolha não pode ser revogada por arrependimento. O Meio-elfo que escolhe o caminho dos Eldar permanece com sua alma presa ao mundo, encarando incontáveis Eras sem um fim à vista e seus herdeiros permanecem com a mesma possibilidade de escolha por também serem Meio-elfos.
Os Elfos podem morrer, no entanto, de três formas: por um ferimento que torne a carne incapaz de se curar; por uma profunda tristeza; e por cansaço de longos anos vividos.
Embora menos comum, a terceira possibilidade, o cansaço por longos anos vividos, diz respeito ao acúmulo de lembranças e pela própria essência do mundo. Os Elfos de nada se esquecem e são afetados por essa carga emocional acumulada. Além disso, por terem uma ligação maior com o mundo em corpo e alma, eles são capazes de absorver melhor o amargor que existe no mundo com relação à passagem do tempo. Melkor, no início dos tempos, lançou sua própria essência maligna no mundo para corromper as raízes de toda a Criação na Terra-média e os elfos sentem os efeitos desgastantes da passagem do tempo. Por isso, a passagem do tempo é o fardo dos Elfos.
Por esse motivo, os Elfos começaram a sentir necessidade de partir para o Oeste, para que seus corpos não definhassem com o tempo e a alma não mais suportasse sustentá-lo, pois lá a influência do poder de Melkor não existe e a passagem do tempo é mais leve de suportar sob a influência dos poderes dos Valar.
Já o Meio-elfo que escolhe o caminho dos Edain, segundo o livro A Natureza da Terra-média, adquire a expectativa de vida do seu cônjuge mortal, pois é necessário que haja um vínculo com o mundo mortal para que a escolha se efetive, e é equiparado a ele no processo de envelhecimento.
Elros, primeiro Alto Rei de Númenor, morreu com aproximadamente 500 anos, e ao que tudo indica seu corpo de fato envelheceu como de um mortal. Elros talvez seja a exceção à regra do envelhecimento em relação à expectativa de vida do cônjuge mortal, pois não temos informações sobre sua esposa. Ele de fato teve sua capacidade de suportar a passagem do tempo drasticamente reduzida como a de um mortal, ainda que abençoado com a longevidade.
Arwen, por outro lado, morreu de uma profunda tristeza, um ano após a morte de Aragorn. Ela adquiriu a expectativa de vida de Aragorn após o casamento, a expectativa de vida dos dúnedain, e ainda poderia ter vivido alguns anos a mais antes que a passagem do tempo pesasse em sua mente, mas o primeiro fator foi decisivo.
Os herdeiros do Meio-elfo que escolheu a mortalidade se tornam incapazes de continuar a exercer o direito de escolha e são todos mortais desde o nascimento. Não há qualquer evidência de que se tivesse havido outro caso de relacionamento entre elfos e humanos em outra linhagem a graça da escolha também teria sido dada aos seus filhos. Neste caso, considera-se que os Meio-elfos nascidos de outros pais que não pertencessem à linhagem de Eärendil eram todos mortais desde o nascimento.
E por fim, o que também muda para o Meio-elfo que escolheu a mortalidade é o destino depois da morte. Os Elfos permanecem presos ao mundo e vão para os Salões de Mandos descansar. Eventualmente, e com a permissão de Námo, podem retornar e viver uma nova vida por mais incontáveis Eras. Já os Homens, segundo o que acreditam os Elfos, ficam por um breve período em Mandos e logo são chamados para além dos limites do mundo, para um lugar que, segundo O Silmarillion, Námo e Manwë sabem, mas não sabem dizer o que acontece depois.
Elrond e Elros, arte de Kinko-White em DeviantArt