Título: Onde canta o
sabiá
Ficwriter: Kaline Bogard
Classificação: yaoi, comédia, RA
Pares: AyaxYohji
Resumo: A trilogia se encerra com uma viagem ao maior país da
América do Sul, numa missão nada rotineira...
Aviso: essa fic faz parte de uma trilogia chamada "Viagens" e é
equivalente ao episódio 03 da saga (vindo logo após Dia de los muertos). Em cada
'episódio' os Weiss estarão viajando para um país diferente. Não é preciso ler
as três para entender a história, ou seja, as três são independentes. Aqui se
encerra mais uma insanidade!
Onde canta o sábia
Kaline Bogard
Capitulo VII
Situações inesperadas - Parte 2
(Ken) Pode parar de ligar, Akemi. Omi diz que capturou um sinal.
Imediatamente a moreninha desligou o telefone e seguiu o jogador em direção a sala das missões, onde já estavam os outros integrantes, todos parados em volta do micro, observando o hacker digitar furiosamente alguns comandos.
(Akemi) E então? Funcionou?
(Yohji) Parece que sim. Omi... o que você está fazendo agora?
(Omi suspirando) O SSNV conseguiu captar a emissão para o correio de voz enquanto você gravava uma mensagem, Akemi. Agora estou rastreando o sinal para descobrir o endereço. Ele... oh!
(Aya) O que foi?
(Evil) Falhou?
(Yohji) Perdeu o sinal?
O loirinho franziu as sobrancelhas e balançou a cabeça sem parar de observar a tela em momento algum. Dizer que ficara surpreso com o resultado era usar de eufemismo...
(Omi) Não. O endereço... estranho... não consta em lugar algum. Nem mesmo nos registros da prefeitura...
(Aya) A propriedade não está no nome de alguém?
(Omi) Não consta nada... é como se tudo referente ao endereço tivesse sido apagado.
(Ken) Merda! Parece coisa de hacker...
(Yohji) Se foi mesmo apagado, pode ter sido obra de Suryia, não concordam?
(Aya) Hn.
(Akemi nervosa) Céus... isso não é bom... eu sabia que alguma coisa estava errada!
(Omi) Estou sobrepondo um mapa da cidade de São Paulo sobre as coordenadas fornecidas pelo SSNV. Assim teremos um ponto por onde começar. Logicamente falando.
(Aya) Qual a margem de erros desse programa?
(Omi)...
(Ken) Poderia ser uma armadilha?
Todos se entreolharam. Ken fizera uma pergunta interessante, na qual não haviam pensado antes. Poderia aquela tal de Suryia estar tramando algum tipo de cilada, e usar Lady Bogard como isca?
Não fazia sentido. Principalmente levando em consideração a falta de envolvimento da Silber. Os justiceiros não haviam se importado com a falta de notícias da garota, e se não fosse a teimosia insistente de Akemi não teriam feito nada no sentido de localizá-la.
Resumindo, Lady era uma péssima isca.
(Yohji) Se fosse um truque, Suryia com certeza usaria Akemi. Seria a melhor solução, a isca perfeita.
(Aya) Hn. Talvez ela não tenha planejado nada disso. Como poderia saber que a encontraríamos ontem?
(Yohji pensativo) Você quer dizer que Suryia está usando os recursos que tem em mãos? Ah, qual é... ainda soa frágil demais. Estamos nos baseando em suposições. Ninguém é tão bom no improviso...
(Ken) Yotan, admita que é muito estranho essa hacker manter o celular de Lady, não é? Ou ela não percebeu que está com ele, ou... ou... sei lá! Que história complicada!!
Evil e Aya trocaram um olhar. De qualquer jeito o jogador tinha certa lógica. As coisas pareciam se encaixar de maneira um tanto torta, como se tentassem montar um quebra-cabeças usando peças erradas.
(Omi) Travei a localização.
(Akemi) E onde fica?
(Omi) Fora da área metropolitana de São Paulo, sentido interior. Comparando com o SSNV é um grande terreno abandonado, cercado por outros terrenos baldios...
(Yohji suspirando) Porque sinto um ‘mas’ vindo...?
(Omi) Porque a descrição é baseada apenas no mapa que cruzei com as informações do SSNV. Segundo a prefeitura esse pedaço de terra nem existe. Não está cadastrado...
(Aya) E ninguém nunca percebeu isso?
(Yohji) Aya, acho que poucas pessoas tem acesso a um SSNV... e nós só descobrimos isso graças a uma série de coincidências.
(Evil -.-) Bem vindo ao Brasil. Terra do samba e da incompetência.
(Todos)...
(Akemi) Podemos ir logo? Se ficarmos aqui perdendo tempo, podemos bolar mil e uma teorias e não vai resolver nada! Vamos ver o que tem nesse maldito terreno... e... e... céus.
A moreninha ficou lívida. Apertou as mãos com força e desviou os olhos. A atitude preocupou a todos, sobretudo ao jovem hacker.
(Omi) Acalme-se Akemi. Concordo com você, não precisa ficar tão agitada...
Ainda evitando olhar os outros, a brasileira caçula perguntou com voz sumida, hesitante:
(Akemi) Omi, sabe o que eu acabei de pensar?
(Yohji) Que Lady está mesmo dando o golpe?
Aya revirou os olhos e torceu os lábios. E foi imitado por Evil Kitsune. Pelo visto o playboy ainda não entendera que aquela suposição estava totalmente descartada. Por todos.
Ou então o loiro tentara fazer uma piada de péssimo gosto. Akemi descartou o humor negro e passou a mão pelos cabelos escuros.
(Akemi) Acho que... trabalhar em uma locadora e ser assassina ao mesmo tempo não é bom.
Enquanto a moreninha sussurrava, procurava um lugar para se sentar. Os outros justiceiros estranharam a atitude desanimada.
(Evil) O que aconteceu, Akemi?
Agindo totalmente contra seu jeito normalmente frio, Evil deixou a preocupação transbordar em sua voz.
(Akemi) Eu... só... pensei... que...
(Omi) Está se sentindo bem?
(Akemi) Céus... Lady desaparece durante uma missão. Tentamos localizá-la através do celular e... vamos descobrir que ela pode estar em um terreno abandonado, longe de tudo, que surpreendentemente não consta nem nos registros da prefeitura... o que concluem disso tudo?
Durante um segundo ninguém falou nada. Aquele foi o segundo mais longo da vida dos Weiss e das Silber. Ken reagiu primeiro. O moreninho engoliu em seco duas vezes antes de conseguir falar algo.
(Ken) Não... não está dizendo que...
(Evil)...
(Akemi) Não é óbvio? Quer um lugar melhor para queima de arquivo?
(Omi) Por Deus... Akemi tem razão. Ela está certa... esse lugar tem as características de...
(Evil)...
(Yohji) Ora, não acredito nisso. Não pode ser que Lady esteja... que ela tenha sido... e... depois...
Nenhum deles queria falar em voz alta as suspeitas que foram levantadas pela perspicácia de Akemi. Até que Evil pôs as cartas na mesa. Fitou a todos os rostos presentes ali, notando o quanto estavam pálidos, ignorando que ela própria estava lívida.
(Evil) Akemi, você quer dizer que Lady Bogard foi estúpida o bastante para se deixar matar e ainda por cima se deixar enterrar em um terreno baldio?
(Akemi o.o) Basicamente.
Evil não disse mais nada. Akemi estava certa. Assustadoramente certa: aquela era uma possibilidade passível de ser verdadeira. Lady podia ter se machucado naquele confronto... se machucado mortalmente e nesse caso...
(Omi) Vamos pra lá de uma vez.
(Aya) Preparados para tudo.
(Evil) Hn.
(Yohji) E dessa vez eu também irei! E nem adianta reclamar, Aya! Nada do que você me disser vai me manter em casa.
(Evil) Pode ir se quiser.
(Aya) -.-*
(Akemi) Certo. Vamos preparados para uma emboscada, para encontrar Lady chapando em um bar ou... pra... pra... quaisquer outras coisas...
A voz da moreninha falhou na última declaração e seus olhos brilharam, mas ela saltou da poltrona depressa, e correu escada acima, indo para o seu quarto com a intenção de pegar suas armas.
Evil demorou-se um segundo e seguiu a companheira. Perdera a katana, mas ainda tinha os sai.
(Omi) Com essa eu não contava.
(Yohji) Povo pessimista...
(Aya) Realista.
(Ken) Você só é frio assim porque não é integrante da Silber Kreuz. Se fosse um de nós...
O ruivo não respondeu a provocação, mas os outros perceberam que o jogador tocara em um ponto mais que delicado. O olhar shine era a prova cabal desse fato.
oOo
A vista do alto daquele prédio era mesmo impressionante. O maior, mais exuberante e mais caro das redondezas... poderia causar náuseas a uma pessoa mais sensível.
Admirar tal cenário, do telhado do edifício devia ser um privilégio de poucos... de pouquíssimos na verdade.
Aquelas três, evidentemente, faziam parte dessa minoria sortuda.
Nuryco observou a vista, debruçada na pequena grade de segurança, sentindo o vento forte agitar seu cabelo. Aquele lugar era realmente alto! Assustava.
Lilik estava espremida entre uma caixa de controles de energia e a parede. Mystik andava de um lado para o outro, com as mãos cruzadas atrás da cabeça, parecendo impaciente.
Nenhuma delas tinha vontade de falar nada. Só aguardavam um acontecimento, que se concretizou quando a porta de acesso se abriu, e um garoto avançou pelo telhado.
Era alto, com mais ou menos um e oitenta de altura e magro, porém forte. Trajava um casaco de caçador marrom, com algodão branco na gola e cujas mangas haviam sido arrancadas. Por baixo vestia blusa negra justa de mangas longas e gola alta. O visual se completava com calça meio larga negra, cheia de bolsos, e coturno.
(Nuryco) Seja bem vindo, Hunter.
O garoto passou a mão pelo cabelo loiro escuro, tirando-o de seus olhos acinzentados. Os fios sedosos quase chegavam ao ombro largo.
(Hunter) Nuryco... Lilik... Mystik... estão todas aqui...
A voz soara calma mas poderia causar arrepios. Imediatamente as Freaks ficaram atentas. Elas nunca, nunca relaxavam na presença daquele garoto. Aquele rosto pálido, de contornos perfeitos e harmônicos se assemelhavam ao de um anjo. Mas as três sabiam: se Hunter fosse comparado a um anjo, seria ao Anjo da Morte. Belo e fatal...
(Mystik) Finalmente. Estávamos esperando você.
(Hunter) Tive... problemas antes no aeroporto.
(Nuryco) Sabe das ordens?
Sem responder, Hunter voltou-se para Lilik, parecendo lamentar algo.
(Hunter) Sinto por Doutor Mau.
Lilik balançou a cabeça e levantou-se. A presença do único garoto que integrava o grupo Freaks havia animado-a de maneira incalculável. Isso e... as ordens que receberam, é claro.
(Nuryco) Faz um ano desde a última vez que o grupo se reuniu. Lembram-se?
(Mystik) Claro. Foi em uma aldeia próxima a Luanda em Angola.
(Hunter) Foi divertido.
Os quatro não precisaram de esforço algum para se relembrar do incidente em Luanda. A primeira e única vez que haviam tido permissão de Freya de Niord para agir como bem entendessem.
Todo o problema fora causado por diamantes. Uma grande e produtiva reserva de diamantes descoberta na aldeia de Malauam ao qual Freya queria comprar do governo angolano.
No entanto os moradores da aldeia se recusaram a concordar com a desapropriação. Não queriam abandonar seus lares.
Houve uma revolta.
Cerca de trezentos aldeões contra quatro Freaks.
Resultado: quatro sobreviventes. Todos Freaks. Nenhuma testemunha. Freya de Niord em posse de uma milionária mina de diamantes.
Tal incidente foi documentado pelo governo de Angola como uma trágica guerra civil. Em pouco tempo ninguém se lembrava mais.
Depois disso Freya temeu reunir seus guarda costas novamente, pois os quatro juntos podiam causar destruição sem precedentes. Claro, isso até aqueles insetos chamados Silber cruzarem seu caminho.
Agora, eles tinham pela segunda vez, liberdade total para agir.
(Mystik amuada) Tanto só por causa daquelas três pirralhas. Não que eu esteja reclamando, afinal... vai ser divertido estraçalhá-las...
O garoto ergueu uma sobrancelha ao mesmo tempo que permitiu que um suave sorriso contornasse os lábios finos.
(Hunter) Vergonhoso. Perder para crianças sem poder algum...
(Lilik furiosa) Não diga isso! Não diminua Doutor Mau! Ele não seria morto por qualquer um! Não!
(Hunter) Doutor Mau deu a vida dele. Não será em vão.
(Nuryco) Devolvam a elas dez vezes aumentado. Pegamos leve... pela última vez!
(Mystik) Ai, ai. Vou usar e abusar dos fios elétricos! Há, há, há!
(Lilik) Vai usar seu poder de verdade, Hunter?
O rapaz ficou pensativo. Depois meneou a cabeça.
(Hunter) Não nessa situação. Não hoje.
(Lilik desanimada) Droga. Eu queria tanto ver o seu poder de verdade! Você fica nos distraindo com truques... joga sujo!
Incomodado, o loiro deu de ombros e desconversou.
(Hunter) Não percamos mais tempo.
A líder das Freaks balançou a cabeça para tirar uns fios de cabelo que o vento agitava em seu rosto. A postura ficou incontestavelmente séria.
(Nuryco) Eu limpo o centro.
(Hunter) Eu vou para a Avenida Paulista...
(Lilik sorrindo) Cuido do metrô.
(Mystik) Deixem o aeroporto internacional comigo... Vou desinfetar as pistas...
Cada um sabia exatamente o que fazer. E como fazer.
As ordens? Não deixar sobreviventes.
oOo
(Yohji) Temos um problema... e dos grandes...
Os assassinos estavam reunidos na garagem da Angel’s, e olhavam desolados para o carro de Evil Kitsune, a líder da Silber. Caberiam apenas cinco pessoas nele, e não haviam outros veículos por ali, a não ser a bis da locadora. E não poderiam utilizá-la numa viagem tão longa.
(Aya) Você fica, Kudou.
(Yohji -.-*) Nem pensar! Isso não é justo!
(Evil) Ninguém disse que seria (1)
(Yohji) Mas...
(Omi) Não tem jeito, Yotan. Não cabemos todos no carro, e você está impossibilitado no caso de uma ação...
O chibi apontou para o braço engessado. Vendo que todos concordavam com aquela questão, o playboy deixou os ombros caírem derrotados. Teria que ceder mais uma vez e deixar de participar de outra missão.
(Yohji) Que porra! Mas vou pegar alguns filmes e ficar assistindo. E só quero ver lançamento!
A explosão do loiro pegou todos desprevenidos, e acabou servindo para descontrair o ambiente tenso. Só mesmo o loiro para ter tanto alto astral. Em certas situações era quase um dom.
(Akemi n.n) Pode assistir todos o que conseguir.
(Yohji) Hnf.
O ex-detetive cruzaria os braços se pudesse, mas respirou fundo tendo certeza de que não conseguiria se concentrar num filme, mesmo que tivesse feito graça. Ficaria preocupadissimo.
Parando de desperdiçar o tempo que tinham, as equipes brasileira e japonesa entraram no carro, com Evil Kitsune tomando o volante, Omi ao lado da ruiva, segurando um grande mapa rodoviário e impressos tirados do SSNV que davam a indicação do caminho. O hacker teria que seguir o mapa guiando-se pelo seu sistema invasivo.
Aya e Ken sentaram-se atrás, com Akemi entre eles.
(Evil) Kudou, feche a porta da garagem.
O loiro assentiu sem dizer nada, e logo assistiu os companheiros ganharem a rua. Tudo o que ele mais detestava estava reunido nessa situação: não poder fazer nada e... ter de esperar.
Evil foi guiando de acordo com as instruções que Omi lhe passava. Logo venceram o trânsito monstruoso de fim de tarde e se afastaram do centro de São Paulo, ganhando a Rodovia Presidente Dutra.
A paisagem mudava drasticamente, a medida que os prédios se escasseavam, as casas findavam, e a selva de concreto parecia desaparecer. Ao final de algum tempo restava apenas o cenário monótono da interestadual.
(Aya) Quer que eu dirija?
(Evil) Não.
(Aya) Hn.
Aquele foi o único diálogo de toda a viagem. Até que Omi suspirou pesado e fechou o mapa.
(Omi) A próxima placa indica que chegamos ao terreno.
Evil balançou a cabeça indicando que entendera a mensagem. Pegou o próximo retorno, seguindo por uma estrada de chão batido. Poeira encobriu o caminho deixado para trás, e aquilo chamava a atenção, principalmente porque não havia ninguém além deles transitando em ambos os sentidos.
(Aya) Esconda esse carro.
(Evil -.-*) Claro. Se você me disser onde...
O aborrecimento de Evil era mais que justificado, pois a estrada de terra findava subitamente em um extenso campo arado. Não havia vegetações, nem folhagens ou árvores que pudessem esconder o automóvel.
(Akemi) Ei, olhem lá!
Apontou pela janela do carro, passando o braço pela frente do corpo de Ken, na direção de uma espécie de construção, pequena pela grande distância a que se encontrava.
(Omi) Parece um... celeiro...?
(Ken) Não dá pra ver com certeza... não enxergo...
(Akemi) Será que tem alguém por lá? Se for o caso podem ter nos visto... por causa dessa maldita nuvem de poeira...
A moreninha estava tensa, exatamente como se sentia antes de alguma missão particularmente complicada.
Os assassinos se entreolharam. A área não dava base para uma investida segura, a não ser que fossem se arrastando pelo chão de terra. O que obviamente estava fora de cogitação.
(Omi) Vamos circular aquela construção.
(Evil) Dividir as forças? Não creio que seja sensato. Se eles nos viram, já é tarde para quaisquer precauções.
(Aya) Mas nem por isso vamos nos jogar na armadilha.
(Evil) -.-*
(Akemi) Andem logo. Quanto mais enrolamos, mais tempo damos a eles para se organizarem.
(Ken) Sigam vocês a frente. Enquanto os distraem, eu dou a volta e os surpreendo.
Ambas as equipes se entreolharam e concordaram silenciosamente com a proposta. Não tinham muitas opções.
Cheios de precauções, Omi, Aya, Evil e Akemi venceram os metros até a construção de madeira. Realmente outrora devia ter sido um resistente galpão. Atualmente parecia meio abandonado, apesar das paredes de madeira resistirem ao mal tempo.
O líder da Weiss fez um sinal indicando a porta dupla que era a única entrada para a construção. Akemi e Evil se precipitaram para arrombar a folha de madeira, enquanto Aya e Omi tomavam posições de modo a dar cobertura às garotas(2)
Um forte pontapé combinado das Silber colocou a frágil porta abaixo, deixando livre a entrada para um local amplo, muito limpo e preservado, totalmente oposto ao que o exterior levava a crer.
Haviam estantes de alumínio do lado esquerdo e do lado direito, e no centro, uma escada em forma de caracol que leva a um segundo andar. Algumas cadeiras estofadas em modelo giratório permaneciam encostadas próximas a uma mesa de mármore negro.
E é claro, havia ainda uma escrivaninha onde um novíssimo monitor, ligado a três CPUs era usado por uma garota loira, que parecia ser meio baixinha. Só podia ser Suryia.
A hacker virara-se ao ouvir o estrondo da porta arrombada e agora sorria para as equipes de assassinos.
Aya e Evil se entreolharam e avançaram, de armas em punho, prontos para a ação. O líder da Weiss empunhava sua bela katana e Evil mantinha shurikens nas mãos.
Omi e Akemi seguiram os assassinos mais velhos, espantados pela facilidade com que tinham invadido o local e surpreendido a inimiga.
(Evil) Suryia...
(Suryia) É um prazer finalmente conhecê-los. Pessoalmente, quero dizer.
A loira passou a mão pela franja, ajeitando as madeixas tingidas de verde.
(Akemi) Onde está Lady Bogard?
Sacudindo a cabeça com pesar, Suryia fez de conta que sentia muito.
(Suryia) Ela se foi. E a culpa é dele...
Apontou para cima. Rox permanecia calmamente apoiado sobre a grade de segurança do segundo andar. Também sorria.
A surpresa foi tão grande, que Evil e Aya quase deixaram suas armas cair. Akemi deu um passo a frente, com a fúria dominando suas feições.
(Akemi) Rox! Então havia mesmo um traidor!
(Suryia sorrindo) Yep. Lady fez uma cara parecida com a de vocês, quando me pegou desprevenida. Dessa vez eu esperava visitas.
(Aya) Claro. Dissemos a Rox nossos planos.
(Omi) E ele contou pra você!
(Akemi irritada) Caímos como patinhos.
(Suryia) Posso mostrar-lhes o que aconteceu... querem ver? Tem estômago pra isso?
Weiss e Silbers se entreolharam. Teria sido tão ruim assim? Akemi engoliu em seco, enquanto Evil ficou um pouco pálida.
Aquela frase “Ela se foi” dita por Suryia de repente lhes deu uma sensação incômoda.
(Suryia sorrindo) Quem cala consente.
Sem perder mais tempo, a hacker loira apertou uma tecla do computador e uma tela de exibição em datashow iluminou a parede à esquerda dos invasores. Cada vez mais surpresos, eles puderam acompanhar tudo o que acontecera na noite da missão. Desde a invasão de Lady Bogard ao esconderijo de Suryia até o momento da explosão em que a Silber de tranças usara uma última e desesperada cartada.
Ao fim da exibição, Akemi estava muito branca, lívida. Evil parecia não ter se abalado, mas um brilho intenso no olhar violeta dizia que a líder estava furiosa.
Omi abriu a boca pra dizer algo mas não conseguiu. Com os olhos arregalados fitou Aya, a espera de que o frio espadachim fizesse algo. Até o ruivo fora pego de surpreso pela cena.
(Rox) Quase... quase Lady Bogard consegue virar o jogo. Mas seria vergonhoso pra mim perder numa situação dessas. Não tive escolha.
(Akemi) Maldito... Maldito traidor! Nunca o perdoarei, Rouxinol!
(Rox sorrindo) Garota precipitada. É um terrível defeito. Esse time é tão fraco. Uma decepção. Todas vocês têm defeitos pelos quais se deixam guiar. Lady nunca leva nada a sério, nem mesmo a própria vida. Akemi se envolve demais, e muda as prioridades de uma missão, confunde os sentimentos que tem. Evil, ao contrário, evita envolver-se. Mas para ser líder é preciso ter uma certa dose de empatia. Não pode tratar suas parceiras como se fossem apenas objetos.
As Silbers se enfureceram ainda mais diante daquilo. Quem Rox achava que era para lhes dar sermão? Evil apertou os sai com tanta força que suas mãos tremeram. Akemi, não menos furiosa, deu passo a frente, porém um olhar extremamente frio de Suryia a fez congelar.
(Suryia) Que tal irmos para outro lugar? Aqui é muito quente, me incomoda.
Aya apertou a katana. Suryia e Rox estavam desarmados! Como podiam ser tão confiantes?
(Aya) Não vamos a lugar algum!
(Rox) Senhor Aya... de todos, é o que menos tem direito de recusar...
(Aya)...
(Evil) Que quer dizer?
(Rox) Que agiram de forma patética, confiada e inocente!
(Todos)!!
(Suryia) Ou se super estimam, ou... são burros no sentido total da palavra. Aya, você é um fiasco de líder também. Eu teria vergonha de fazer parte da sua equipe.
Aya empalideceu muito. Era evidente que estava prestes a atacar Suryia e fazê-la pagar pelo atrevimento.
Porém Rox não deixou. Deu uma risadinha que não combinava nada com ele, escarnecendo das emoções transparecidas no rosto geralmente inexpressivo do espadachim.
(Rox) Não se mova, Aya. Vocês confiaram demais. Acham mesmo que Suryia e eu agimos por conta própria? E teve a coragem, ou melhor, a petulância de deixar Yohji sozinho na Angels, praticamente indefeso?
De pálido, o ruivo ficou ligeiramente esverdeado.
(Aya) Não se atreveria a...
(Akemi) Inferno!
(Evil enojada) São sujos demais!
(Omi) É um golpe muito baixo.
(Rox) Talvez Aya queira tentar a sorte. Use seu celular...
(Suryia) Você sabe o número da locadora. Se quer ter mais certeza ainda, liga para o celular de Yohji.
(Aya)...
Imediatamente o espadachim tirou seu aparelho celular do bolso e recorreu a discagem rápida, tendo o número do amante memorizado. Yohji atendeu ao segundo toque.
(Aya) Kudou onde... hn. Hn... hn.
Durante o eloqüente ‘discurso’ a expressão de Aya tornou-se mais e mais carregada. Era óbvio que Rox não mentia. O líder da Weiss desligou o aparelho.
(Aya) Maldito. Se machucá-lo...
Deixou a ameaça no ar. Rox e Suryia se entreolharam e sorriram mais. Era ótimo ter o controle sobre duas equipes de assassinos tão bem treinados. Eles nunca se esqueceriam da lição.
(Rox) Se concordarem em nos seguir, nada acontecerá a Yohji. Não queremos causar mal, e se Lady não está aqui, é por culpa dela mesma, porque se precipitou e perdeu a cabeça.
(Suryia) Oh, Akemi, poderia chamar Ken, por favor?
Ela apontou para o monitor, onde estava exibido o jogador moreno, que espreitava a entrada dos fundos do galpão, esperando o momento certo para atacar.
(Akemi irritada) Não me trate com tanta intimidade.
(Suryia n.n) E como devo chamá-la?
(Akemi sombria) Não fale comigo. Não se dirija a mim. Fale apenas com Evil.
Evil e Aya olharam para a moreninha. Naquele momento Akemi parecia um pequeno vulcão prestes a entrar em erupção.
(Suryia)...
(Omi) Akemi...
(Akemi) O mesmo serve para Rouxinol. Sabia que a coisa que eu mais detesto é a traição? Eu nunca o perdoarei por isso.
Rox ficou sério. Suryia também. Parecia que era hora de acabar com a brincadeira.
(Suryia) Vamos embora. Temos que resolver esse maldito assunto de uma vez por todas.
(Rox) E já sabem: qualquer ato impensável e é Yohji quem vai pagar o pato. Espero que entendam que isso é uma ameaça.
Os assassinos se entreolharam e não disseram nada. O que lhes restava a não ser obedecer?
oOo
Nuryco fechou os olhos e sentiu o ar estagnado do centro de São Paulo. Como detestava aquele lugar. Sentimento, aliás, que era compartilhado por todos os integrantes Freaks.
Os olhos astutos se abriram, começando a analisar aquelas pessoas que desfilavam pelo centro da maior metrópole brasileira, num fluxo continuo de ir e vir, todos preocupados demais com suas próprias vidas, distraídos demais com os próprios narizes para se dar conta de algo mais.
A líder Freak estava parada bem no meio da larga calçada, sem se preocupar com as pessoas que passavam e acabavam empurrando-a hora para frente, hora para trás.
Novamente fechou os olhos. Precisava concentrar-se. Inconscientemente a cabeça pendeu para frente, derrubando os cabelos castanhos sobre os olhos. Seu corpo começou a tremer, como se ela fosse acometida por um frio intenso e incontrolável. Eram as Trevas que tinha em seu coração, e que começavam a se manifestar.
A Escuridão tinha fome. Alimentava-se de Luz. Exauria a Vida.
A Escuridão tinha fome. E Nuryco a alimentaria.
Como uma onda surgida do nada, uma sombra gigantesca desabou sobre o movimentado centro da cidade de São Paulo. As pessoas nem tiveram tempo de gritar, ou de perceber o que acontecia, antes de serem tragadas pela mais profunda Escuridão.
oOo
Quem notou o pequeno tumulto foi um dos controladores. O rapaz, recém admitido no último concurso público viu na tela do painel de controles, algumas adolescentes se descontrolarem e darem um verdadeiro escândalo aparentemente sem motivo algum.
Sem perder tempo, o rapaz pegou o rádio para se comunicar com o segurança mais próximo do metrô, um negro alto que trabalhava ali há anos.
(Rapaz) QAP, Moura, CP?
(Moura) Positivo, CP.
Respondeu o guarda através do rádio.
(Rapaz) Pode verificar um distúrbio próximo a entrada do Terminal Rodoviário? CP.
(Moura) Positivo. Minha mãe! Quero ser demitido se já vi isso antes... de onde esses monstrinhos saíram?!
O rapaz franziu a sobrancelha, de maneira confusa.
(Rapaz) Moura, relate o que está acontecendo? CP.
(Moura) Ratos! Enormes! Mãe do céu! Estão vindo da... arghhh!
(Rapaz surpreso) Ratos? No metrô Tiête? Tá de gozação?
Pelo monitor, o rapaz viu o momento em que Moura foi atacado por vários ratos que vinham correndo do sentido dos túneis.
Abobalhado, estremeceu de horror. Eram centenas. Milhares de ratos, camundongos... Ratazanas!
O caos tomou conta total.
Sem saber o que fazer, o rapaz estendeu a mão para pegar o interfone e comunicar seu superior o que estava acontecendo.
Antes que conseguisse seu intento, o painel teve um curto e sofreu uma pequena explosão. Todos os monitores se apagaram. Logo uma cabecinha cinzenta apareceu entre os fios e a fumaça. O rato estava chamuscado, mas sua carcaça fresca foi empurrada por outro rato, ainda maior, e outro, e outro.
O funcionário do metrô deu um salto para trás e virou-se pronto para abandonar o posto e fugir, mas a única porta de saída estava arreganhada e mais ratazanas entravam por ela.
Um arrepio de pavor deslizou pelas costas do rapaz. Ele teve tempo de soltar um grito horripilante, antes que os ratos fossem todos em sua direção, atacando-o como se comandados por alguém. Sem chances de defesa caiu no chão e foi soterrado pela massa viva de roedores.
No meio do salão de embarque rodoviário, uma garota de cabelos azuis e roupas exuberantes rodopiava de um lado para o outro, valsando ao som dos gritos de terror e angústia, parecendo adorar o som que os roedores faziam ao cravar os dentinhos afiados em suas vítimas.
As pessoas tentavam fugir, mas era impossível se mover no meio daqueles animais. Já haviam corpos no chão. Misturados a sangue, pêlos e pedaços de carne humana arrancadas a dentadas.
O cheiro era horrível. O cenário era horrível. Os gritos de angústia, dor e medo eram horríveis.
Lilik adorava aquilo.
(Lilik) Doutor Mau. Tudo isso é por você...
Sorridente e bailante, a Freak de cabelos azuis pisou sobre o corpo de uma moça e sujou seus sapatos de sangue.
(Lilik) Mas a verdadeira vingança... ainda está por vir...
Deixaria seus adorados ‘camundongos’ cuidando do Tiête. Levaria seus amados Morcegos para um passeio... pra onde agora? Talvez Aclimação? Claro... era longe o suficiente... e os morceguinhos poderiam se divertir bastante no percurso até lá...
oOo
Hunter passou a mão pelos cabelos sem deixar de observar os transeuntes. O garoto estava encostado na parede de um prédio, os olhos presos com ansiedade na construção do outro lado da enorme avenida.
Um banco.
Com um banco sempre seria mais divertido.
Sem um pingo de pressa cruzou os braços a frente do corpo.
Perda de tempo idiota
Ele não podia tolerar perder tempo realizando os caprichos de uma mulher rica e arrogante, acostumada a mandar e desmandar. Hunter tinha um propósito muito maior do que satisfazer aquelas ordens.
Só as tolerava porque sua busca seria muito mais fácil com todos os recursos que Freya de Niord podia disponibilizar.
Quando sua busca chegasse ao fim, ele poderia descansar. E descansar era o que ele mais queria...
Foi nesse momento que viu o carro-forte estacionando em frente ao banco. Logo três homens fortemente armados desceram do veículo, começando a vigiar tudo e todos com expressões hostis.
Respirando fundo e pesado, Hunter desencostou-se da parede e estralou os dedos.
(Hunter) Emoções... Sentimentos... Tudo não passa de impulsos nervosos. Sinais criados por neurônios. Tão patético...
Um sorriso gélido se desenhou nos belos lábios. Podia não gostar da atual situação, mas que apreciara das ordens recebidas, apreciara.
(Hunter) Emoções...
Uma onda de energia emanou de seu corpo, e se espalhou invisível por toda a Avenida Paulista atravessando os corpos das pessoas que transitavam nos dois sentidos.
Por um segundo nada aconteceu.
No próximo segundo, um dos guardas sacou sua pistola e começou a atirar nas pessoas a esmo. Um homem de terno e gravata engalfinhou-se com um outro que passava ao seu lado.
Uma mulher deixou-se cair no chão, chorando inconsolável.
O segundo segurança também começou a atirar, acertando as pessoas próximas. Brigas pipocaram em todos os sentidos.
De repente foi como se as pessoas estivessem cheias de ódio, e a única maneira encontrada para extravasar, fosse socando-se, agredindo-se, chorando. Em pouquíssimo tempo a conceituada Avenida Paulista parecia um ringue de luta-livre.
(Hunter sorrindo) Ódio... Raiva... Rancor... Não existe nada mais fácil do que manipular essa parte do ID... Os instintos... Patético.
Naquele instante uma viatura que fazia patrulha por perto, e fora atraída pelos tiros, chegou cantando os pneus. Porém mal os policiais desceram do carro, tiveram contato com a onda psíquica de Hunter, e se corromperam.
Mais tiros ecoaram no caos que reinava na Avenida Paulista.
Os olhos de Hunter ficaram subitamente opacos. E ele começou a se afastar. Sabia que sua onda psíquica era forte o suficiente para agir por horas. Talvez dias, caso realmente se esforçasse.
Não precisava ficar ali para saber da eficiência de seu ataque. Começou a se afastar a passos lentos, sendo acompanhado pela sinfonia de morte e violência.
(Hunter baixinho) Realmente patéticos...
oOo
As garotinhas não podiam tem mais de oito anos. Apesar dos cabelos brancos e das rugas nas mãos, seus olhos eram tão puros quanto o de crianças inocentes.
Mas a multidão enfurecida não dava importância a esse detalhe. Centenas de pessoas rancorosas cercaram as gêmeas.
Levavam paus e pedras nas mãos, dispostos a linchar aquelas duas crianças.
(Alguém) Matem!
(Mulher) Vamos acabar com elas!
As expressões endurecidas refletia a rudeza daqueles moradores ignorantes, de uma vila no interior do Paraguai, na América do Sul.
Eles se deixavam levar pelo pânico, pelo medo... estavam apavorados e acreditavam que apenas a morte daquelas ‘aberrações’ poderia livrá-los do mal.
Um homem muito forte avançou, com um ancinho na mão. Ia acertar o primeiro golpe.
As gêmeas se encolheram. Estavam muito próximas uma da outra, mas apesar disso não se tocavam. Naquele momento temiam pelas próprias vidas: sabiam que não teriam chance.
Porém, antes que o grandalhão cumprisse sua intenção, um desconhecido muito bem vestido abriu passagem a força. As pessoas saiam de seu caminho, como se fossem empurradas por mãos invisíveis.
A multidão silenciou.
O homem aproximou-se das meninas e abaixou-se em frente a elas.
(Homem) Meu nome é Felton. Ouvi falar que vocês são muito especiais...
As gêmeas se entreolharam. Tinham alívio nos olhos azuis. Pareciam salvas! Aquele homem alto e loiro, de olhos verdes estava salvando suas vidas!
A multidão permanecia paralisada, como se tivesse sido congelada num quadra. Apenas os olhos assustados e rancorosos acompanhavam o que acontecia.
(Felton) Eu tenho uma amiga, que gosta de cuidar de pessoas especiais. Querem vir comigo?
Novamente as irmãs se entreolharam. Os cabelos brancos muito finos chegavam aos ombros e balançavam na brisa leve da noite.
(Litha) Meu nome é Litha. Essa é minha irmã Samie. Somos especiais?
O rapaz sorriu e estendeu a mão.
(Felton) São. Muito especiais. Venham comigo e conhecerão outros como vocês. Vou levá-las para um lugar seguro. Nunca mais serão caçadas!
Litha avançou um passo e fez um sinal com a cabeça para sua irmã. Recusou a mão que o loiro lhe estendia.
(Litha) Não vai gostar de tocar em nós, Tio.
Muito confiante, a garotinha seguiu em frente. Samie olhou desconfiada para Felton e correu atrás da irmã.
Felton ficou em pé. Sorriu diante da atitude das gêmeas. Com o perigo imediato afastado, pareciam muito confiantes.
Ele ouvira falar sobre as garotas quando viajava a capital do Paraguai atrás de talentos. O poder delas era interessante... E sabia que Freya adoraria aquela nova aquisição para seu Circo dos Horrores.
(Felton) Cara, Freya... vou lhe mandar um presentinho...
Afinal era pra isso que era pago...
Apertou o passo para alcançar as gêmeas que já iam longe. Nem se dignou a olhar a multidão, que permanecia congelada. Nem uma gota de suor correra nas faces daquelas pessoas. Não havia nada que mostrasse o quão assustadas estavam.
Continua...
(1) -.- Maldita frase idiota, estúpida, traiçoeira e irritante. Sabe de onde saiu? “Conto de fadas” de autoria dessa que vos fala... se tem uma fic que se voltou contra mim, foi essa...
(2) Como sou bondosa... u.u