Título: Onde canta o sabiá
Ficwriter: Kaline Bogard
Classificação: yaoi, comédia, RA
Pares: AyaxYohji
Resumo: A trilogia se encerra com uma viagem ao maior país da América do Sul, numa missão nada rotineira...
Aviso: essa fic faz parte de uma trilogia chamada "Viagens" e é equivalente ao episódio 03 da saga (vindo logo após Dia de los muertos). Em cada 'episódio' os Weiss estarão viajando para um país diferente. Não é preciso ler as três para entender a história, ou seja, as três são independentes. Aqui se encerra mais uma insanidade!

 

Onde canta o sábia
Kaline Bogard

 

Capitulo VIII
Game Over

 

 

Suryia olhou pelo retrovisor, observando as faces tensas de Aya e Evil.  Os líderes das equipes seguiam com ela, no Opala preto; enquanto Akemi, Ken e Omi seguiam com Rouxinol no Golf vermelho.

Os carros contornavam a periferia de São Paulo, evitando entrar nos grandes bairros.  A hacker se divertia em fazer um caminho tão longo, pois isso apenas aumentava a agonia de suas presas.

Podia ver que os ruivos estavam prestes a perder o controle, e só se seguravam por causa do coringa que guardara na manga, prova de que tinham muito apreço por Yohji.

(Suryia) Estamos chegando, garotos.  Foi interessante, não foi?  Mas tudo que é bom dura pouco.

A provocação fez o sangue de Evil ferver.  Ela torceu os lábios e resmungou:

(Evil) Vai pagar por isso.

(Suryia sorrindo) Não faça promessas que não irá cumprir.  É algo muito maior do que você imagina.  Suas mãos estão atadas.

A ruiva recostou-se no banco e lançou um olhar tão ameaçador para a hacker, fazendo-a estremecer de leve.

(Evil) Aproveite enquanto pode.  Já vivi coisas demais para saber que sempre há a chance de um revés...

A loira olhou de Evil para Aya, que permanecera quieto, o tempo todo de olhos fechados, apenas ouvindo.  Ambos não poderiam irradiar maior periculosidade.  A hacker deu graças aos céus por estar com todos os ases na mão.  Pelo menos naquela jogada...

No outro carro o clima era tão tenso quanto no Opala.  Akemi, Omi e Ken estavam sentados no banco de trás, aguardando que chegassem logo ao seu destino.

O silêncio se prolongava de forma agoniante, até que a moreninha resolveu quebrá-lo:

(Akemi) Rouxinol... Eu gostava de você... Era parte da equipe...

(Rox)...

(Ken) Akemi... Seja forte...

(Akemi pensativa) Minha família foi traída por um dos acessores que meu pai mais confiava.  Ele os entregou para a Máfia sem nem pestanejar... papai não desconfiou do embuste até ser tarde demais.

(Ken) Eu também fui traído por alguém a quem considerava um irmão...

A moreninha olhou para Ken, dando um sorriso triste.  O arqueiro respirou fundo antes de afirmar:

(Omi) Nós acompanhamos parte da história de Ken.  Foi realmente doloroso, Akemi...

(Akemi) Meu pai sempre dizia que o melhor de uma pessoa é poder confiar em outra pessoa, e quando se perde isso, nada vale a pena.

Rox acelerou um pouco o automóvel, aproximando-se do Opala, depois olhou para a moreninha através do espelho retrovisor:

(Rox) Sinto muito, Kemi.

(Akemi furiosa) Não me chame assim!  Não vou considerá-lo mais do que um verme!  Você nos traiu!  Você matou Lady!

(Rox pesaroso) Não tenho culpa se Lady Bogard nunca mediu o peso de seus atos.  Não pode dizer que a matei.

(Akemi) Aqui se faz, aqui se paga.  Não pense que escapará ileso dessa.

(Rox suspirando) Não leve para o lado pessoal.

(Akemi furiosa) Ah, mas é pessoal, Rouxinol.  Se tornou pessoal a partir do momento em que matou uma das minhas amigas.  E está prestes a entregar os outros pros nossos inimigos...

(Rox) Se coloca as coisas dessa maneira... vejam, estamos chegando.

Apontou para um prédio de dois andares, muito branco.  Uma placa indicava ser a sede de uma agência de publicidade.

(Rox sorrindo) Vamos descer e nos comportar como pessoas civilizadas.  Por enquanto eu estou no controle, e se não obedecerem, um amigo de vocês pode sofrer um bocado antes de morrer...

Os dois Weiss se entreolharam.  A ameaça era clara.

Akemi trincou os dentes.  Jamais se perdoaria caso algum dos japoneses de tão boa vontade se ferisse, apenas por que viera ao Brasil ajudar a Silber Kreuz.

(Akemi) Desculpem, Weiss.  Eu juro que nada vai acontecer com Balinese.

(Ken) E se algo acontecer, pessoas vão pagar.

Rox olhou para os dois e para Omi, que estivera muito quieto.  O loirinho permanecia concentrado, pensativo... Parecia avaliar tudo.

Rox sorriu aprovando.  Aquele jovenzinho era um hacker de inteligência realmente equivalente à de Suryia.  Dois verdadeiros prodígios.

Desceu do carro e fez um sinal para que os prisioneiros o imitassem.

(Rox sorrindo) Bem vindos ao nosso esconderijo, justiceiros.  Esse é o fim do jogo...

oOo

Suryia também desceu do automóvel, sendo seguida pelos ruivos.  Sorria com um brilho estranho nas íris.

(Suryia) Bem vindos.  Não se espantem com o que estão vendo.  Aqui é a nossa segunda base de operações.  A principal foi destruída por Lady Bogard, como vocês viram no vídeo.

Esperaram que Rox e os outros saíssem do veículo e viessem com eles.

Em silêncio seguiram para dentro do prédio.  Não havia ninguém no hall de entrada.  O local era dominado por um balcão escuro e velho, que parecia cair aos pedaços e a esquerda dele, um elevador.

Foi para o elevador que Suryia seguiu.  Encostou a ponta dos dedos em um painel preso a parede e imediatamente a porta se abriu.

(Omi impressionado) Leitura de impressão digital!

Cada vez estava mais surpreso com as tecnologias apresentadas por aquele país de terceiro mundo.  Aquilo parecia coisa de Estados Unidos e Japão, mas nunca de Brasil...

(Rox) Primamos pela segurança, Omi.  Mandamos implantar depois que Lady Bogard destruiu o outro complexo.  Percebemos que a segurança estava falha.  O setor principal não foi atingido, mas a entrada, que era minha responsabilidade na ocasião, foi arrasada.

(Ken) Implantaram em tão pouco tempo?!

(Evil) Por medo do que podemos fazer?

(Suryia sorrindo) Não.  Não temos medo de vocês.  Mas se crianças chegaram tão longe apenas brincando, o que não dizer dos inimigos de verdade?

A ruiva trincou os dentes com força, ao ouvir a hacker debochando de seus esforços como se não fossem nada.  O sangue ferveu, e ela lembrou dos sai em sua bota.  Pena que não podia fazer nada, ainda.

(Suryia) Estamos perdendo tempo.  Venham logo.

Entrou no elevador.  Os outros foram atrás.

A surpresa não teve tamanho: o painel apresentava andares de  um a dez.  A hacker apertou o quinto.  Imediatamente começaram a descer.

(Omi baixinho) Subsolo...

(Ken) Por que tem tudo isso construído?  O que pretendem, afinal de contas?

(Rox) Vão descobrir em breve.

O elevador parou e a porta se abriu.  Eles saíram em uma sala muito branca, com poltronas de estofado claro e uma grande TV de plasma presa à parede a esquerda.

Logo embaixo da televisão havia uma grande escrivaninha de madeira clara, e ao lado uma estante repleta de mídias DVD e VHS.

(Ken) Mas que merda!

(Aya)...

(Evil) O que está acontecendo aqui?

(Akemi) Oh!

(Omi) Não pode ser!

Yohji estava sentado em uma das poltronas, parecia preocupado, porém bem.  O que pegara aos justiceiros de surpresa, e os deixara completamente sem ação era o fato de que, ao lado de Yohji, estava sentada Lady Bogard.  Enrolada em uma manta, meio pálida e com expressão preocupada, mas muito viva.  Bem viva.

(Suryia sorrindo) Queiram se sentar, garotos.  Essa conversa será realmente longa.

oOo

Hunter foi o primeiro a chegar ao esconderijo.  Freya de Niord estava ocupada em uma reunião, não poderia atendê-lo naquele instante, por isso o garoto buscou refugio no alto terraço, onde se debruçou sobre a grade de proteção e ficou apenas observando.

Nunca precisava se garantir muito de suas ações.  Tinha plena confiança de que as Ondas Espirituais seriam suficientes para cumprir o seu papel.  Acreditava firmemente que não seriam poucas as vítimas fatais do descontrole e da insanidade.

Estava concentrado observando os pontinhos pequenos lá embaixo, quando sentiu alguém se aproximando.

Era Nuryco, líder dos Freaks.

(Nuryco) Hunter... imaginei que já estaria aqui.

(Hunter suspirando) Pessoas são as mesmas, em qualquer lugar.

(Nuryco) Hn.

Silenciaram.

Nuryco debruçou-se sobre a amurada igual a Hunter.  Deixou que os olhos inexpressivos observassem a cidade lá embaixo.  Por um segundo teve a tentação de libertar as Trevas mais uma vez, destruindo tudo o que via, mas controlou-se.  Tal sentimento não era raro, e Nuryco o manipulava a cada ocasião.

Ao invés de agir de forma imprudente, perguntou em voz baixa, como se não tivesse realmente interessada:

(Nuryco) O que procura, Hunter...?

Hunter a olhou de canto de olho.  Um brilho incomum passou pelos olhos violetas.  Aquele brilho faria muita gente tremer de medo...

(Hunter) O que você procura, Nuryco?

A francesa deu de ombros.

(Nuryco) Liberdade, talvez?

Interessado, Hunter se virou para encarar a líder da equipe.

(Hunter) Liberdade?

(Nuryco) Liberdade.  É uma palavra muito forte.  É o que eu busco.  A liberdade que apenas a Luz pode oferecer...

O garoto pareceu ficar confuso com o que ouvira.  Olhou de forma aguda para a companheira antes de questioná-la:

(Hunter) Como vai encontrar a Luz, se vive nessa escuridão?

A líder retribuiu o olhar, analisando a face tão jovem.  Ele era apenas um garoto... assim como ela fora um dia.  Então odiou Freya e todos que os tratavam como aberrações, mas a sensação logo passou.  Já superara aquela fase uma vez.  Podia superar novamente.

(Nuryco pensativa) A verdadeira Luz nasce da mais pura Escuridão.  Isso o que vê, é uma linda ilusão...

(Hunter surpreso) Como vai enxergar algo dentro da Escuridão...?  Você pode perder o que procura...

(Nuryco) Quando se vive muito tempo nas sombras uma pessoa aprende a sentir.  Não dependo somente do que meus olhos vêem.  As Trevas não são apenas destruição, Hunter.  Existe Luz aqui dentro.  E é quente... e é acolhedor.  Me faz ter coragem.

O garoto franziu as sobrancelhas, tentando entender o que ouvira.  Desistiu.

(Hunter) Não compreendo...

(Nuryco) Eu também não entendia.  E temia.  Até que um dia toda a Escuridão invadiu meu coração e eu compreendi.  Eu aceitei.  Se alimentar as Trevas, poderei encontrar a Luz.  Esse é meu destino.

(Hunter) Por isso serve a Freya?

A esse ponto a francesa riu baixinho.

(Nuryco) Nós servimos a Freya, ou ela nos serve?

Hunter riu de lado, de maneira debochada.

(Hunter) Tem razão.  É muito conveniente...

(Nuryco) E você, garoto, o que tanto procura?

Hunter pensou por um momento.

(Hunter) Um elo perdido.

(Nuryco) Elo?

(Hunter) Um elo... Sabe, minha mãe morreu sem que pudéssemos nos conhecer direito.  Ela nunca se envolvia.  Em um momento o mundo a atingiu de tal forma que ela mostrou o seu pior lado.

(Nuryco) Que motivo emocional.  Faz isso por sua mãe?

(Hunter) Não a conheci, e não posso mudar o que aconteceu... mas quero desvendar tudo sobre ela.

(Nuryco) Ela devia ser muito boa.

Ao ouvir aquilo Hunter gargalhou.  Lágrimas se juntaram nos belos olhos ametistas e as bochechas coraram de leve.  Nuryco admirou a beleza juvenil até a voz debochada tirá-la de seu devaneio.

(Hunter) Boa?  Minha mãe era uma das pessoas mais cruel que jamais existiu.  Ela escravizava e torturava pessoas.  Abriu mão do próprio coração... aprisionou seus próprios amigos...

Nuryco ergueu uma sobrancelha.

(Nuryco) Quem era sua mãe?

(Hunter) Ela era chamada de Warumono.

(Nuryco pensativa) Warumono...

(Hunter) Quero descobrir o que pode fazer uma pessoa trair os próprios amigos...

(Lilik) Hunf... Amigos...?  Amigos...?  Quem precisa de amigos?

A sueca de cabelos azuis chegara de mansinho, sem que os outros dois se apercebessem dela.  Trazia uma expressão de satisfação no rosto, e suas roupas manchadas de sangue exalavam um cheiro repulsivo.

(Lilik) A Escuridão que abriga a Luz, e o coração das pessoas que traem seus amigos... tudo isso faz parte da essência do ser humano.  Tudo isso destrói e machuca.  Quero fugir disso... Os animais são nossa única salvação.  Eles olham por nós.  Eles nos compreendem.  Abandone sua busca, Hunter, ou vai apenas se ferir.  Desista da Luz, Nuryco, nada é mais certo do que a Escuridão absoluta.

Aproximou-se de Hunter e tocou-lhe o ombro.

(Lilik) Hunter... por favor... faz...?

O garoto olhou com grande piedade para a sueca.

(Hunter) Hum...

Fechou os olhos e enviou uma onda psíquica na direção de Lilik.  A Freak de cabelos azuis sorriu amplamente, como se estivesse vendo algo muito agradável.  E na verdade estava.  Hunter manipulara-lhe o cérebro, criando uma doce ilusão: na mente de Lilik, Dr Mau ainda estava vivo, e ele lhe fazia festa naquele minuto.

Manipular a mente das pessoas era algo muito fácil para Hunter.  Era uma doutrina que aprendera com um mestre das artes marciais.  Qualquer pessoa desenvolveria a perícia exata com muito treino e esforço.

Seu real poder era algo que nenhuma das outras Freaks conhecia.  Só revelaria a verdade na hora certa...  quando e se lhe fosse conveniente.

Nuryco olhou Lilik que sentara no chão e brincava com um animal invisível.

(Nuryco) Todos procuram alguma coisa, não é, Hunter?

(Hunter) E quando encontram, sempre há o risco de perder outra vez.

(Nuryco suspirando) Porque não posso desejar algo tão simples quanto um cão vira-latas?

O único integrante masculino do Freaks sorriu de leve.

(Hunter) Talvez, Nuryco, sejamos apenas loucos buscando um pouco de sanidade.

(Nuryco sorrindo) Ou talvez, meu menino, sejamos os únicos sãos nessa loucura toda.  Os únicos donos da razão...

Hunter olhou para Lilik, que agora rolava pelo chão, e balançou a cabeça.  Dessa última opção, tinha sérias dúvidas...

(Hunter) E o que fazemos agora?

Nuryco ia responder, quando a voz de Freya de Niord a interrompeu:

(Freya) Agora, criança, armamos a emboscada... vocês lançaram uma isca espetacular.

(Nuryco) Mystik não voltou ainda.

Ao ouvir a afirmação, Freya avançou e aproximou-se deles, permitindo-se admirar a bela vista. Parecia feliz com alguma coisa.

(Freya) Mystik não voltará.  Ela foi enviada para uma missão especial.

(Nuryco) Missão?

(Freya sorrindo) Eu já esperava por isso...  as iscas serão irresistíveis para essas crianças.  Não escaparão ao desafio!

Hunter e Nuryco se entreolharam, parecendo intrigados com algo.

(Hunter) Quer que façamos alguma coisa?  Essa missão de Mystik tem algo a ver com as iscas?

A loira moveu as mãos indicando pouco caso.

(Freya suspirando) Não.  Trata-se de um assunto paralelo.   Graças a informações que recebi de meu irmão.  Concentrem-se nas Silbers.  Elas têm que ser detidas.

(Lilik) É específico para a tal Suryia?  Você disse que ela era o ponto fraco da Silber... descobriu como capturá-la?

(Freya suspirando) Impossível.  Nenhum caminho leva a Suryia.  Contratei hackers experientes, e apesar de tanto conhecimento todos fracassaram.  Suryia é um beco sem saída.

(Hunter) Por outro lado...

(Freya sorrindo) Da última vez, provocamos as Silbers com uma falsa negociação, e elas saíram da toca.  Talvez seja a solução mais efetiva.

(Lilik) Como ratinhos na ratoeira... e esmagarei todas... todas... todas...

Os outros olharam para a sueca de cabelos azuis que parecia resmungar para si mesma, ignorando as demais pessoas.  Lilik sempre viveria em um mundo à parte, compartilhando a realidade em poucas ocasiões quando sua mente perturbada permitia.

(Nuryco) Então voltamos ao princípio da história, quando as Silbers eram o alvo principal.  Seja lá quem for, Suryia nos atrapalhou, e vai continuar atrapalhando...

(Hunter) Mas pelo que você me disse, ninguém contava com a interferência dessa pessoa.  Agora será diferente.  Teremos que agir mais rápido que Suryia.

Falou isso de forma calma, como se comentasse o clima.  Nada no rosto infantil demonstrava a vontade assassina que o dominava.  Já se instigara pelo desafio, queria ver quem poderia ser aquelas garotas, que haviam sobrevivido a um confronto direto com Nuryco, Mystik e Lilik.

Freya reconheceu o brilho nos olhos ametista de Hunter e sorriu de forma diabólica.  Sabia que as aberrações que controlava dariam tudo de si na próxima batalha.

(Freya) Fantástico.  Quero a cabeça daquelas garotas!

(Nuryco) Onde?

(Freya) Complexo 9.

(Hunter) Quando?

(Freya) Hoje.

Então os três ouviram uma risadinha aguda.  Olharam para Lilik, que parara de rolar pelo chão e acariciava um ser imaginário, olhando para ele com imensa satisfação.

(Lilik) Viu, Dr Mau... Você terá a sua vingança... Sua vingança...

A história acabaria aquela noite mesmo...

oOo

(Akemi) Céus!  Lady Bogard!  Lady!  Nós pensamos que você...

Avançou sem esperar que Suryia ou Rouxinol permitissem, indo ver se estava tudo bem com a companheira de equipe.  A morena apenas balançou a cabeça e sorriu desanimada.  Desenrolou-se da manta, ficando livre para acenar.

(Lady ) Yo, Kemi.  É bom revê-la...

(Ken) Yohji!

O loiro sorriu para o moreninho, e balançou a cabeça para o líder da Weiss, que não demonstrou o quão aliviado estava.

Omi olhava para todos os presentes sem saber o que dizer. 

(Evil) O que está acontecendo aqui?  Vimos Lady Bogard morrer.

Rox caminhou até a escrivaninha, deu a volta por trás e sentou-se.  Abriu uma gaveta e retirou uma arma da gaveta.  Parecia ser a mesma que usara para disparar em Lady na fatídica noite.

(Rox) Sentem-se.  Fiquem à vontade.  Vamos esclarecer tudo de uma vez.

(Suryia sorrindo) A conversa será longa.  Não explicamos nada para Yohji e Lady.  Esperamos todos se reunirem.

Evil e Aya se entreolharam, trocando impressões através de um profundo olhar.  A postura dos captores mudara totalmente.  Eles não pareciam mais ameaçadores.  Estavam até mesmo amigáveis...

E a surpresa por ver a morena aparentemente retornar dos mortos era tão grande que ainda lhes roubava a ação.

Aya sentou-se primeiro, ao lado de Yohji.  O playboy sorriu para o amante e colocou a mão boa sobre a perna dele.

(Yohji baixinho) Desculpe preocupá-lo.  Eles me disseram o que falar ao celular, eu não tive opção.

(Aya) Hn.

Não importava mais.  Tudo o que realmente importava era o fato do loiro estar bem.

Akemi sentou-se entre Aya e Lady Bogard.  Ken, Omi e Evil foram sentar-se na outra poltrona.  Suryia caminhou até a escrivaninha, apoiando-se nela.

(Suryia) Puxa, por onde começamos?

(Evil irritada) Que tal pelo começo?

A hacker loira sorriu:

(Suryia) Pelo começo?  Que coisa sem graça!

(Rox) Vamos por essa arma.  Eu realmente a adoro... Ela é um protótipo, ainda não foi testada satisfatoriamente... Não usamos balas, mas tranqüilizantes sintetizados.

(Omi surpreso) Mas... Naquela gravação não vimos nenhum dardo atingir Lady!  Como...

(Suryia) Não são dardos.  A droga é sintetizada até atingir a espessura de agulhas de acupuntura.  São tão finas que é impossível enxergá-las à distância.  A pistola adaptada as dispara com a velocidade e força de um tiro de verdade, para que possam atravessar as roupas e penetrar no corpo.

(Rox) A única desvantagem é que, para sintetizá-las nessa forma, é preciso uma grande quantidade da droga.  Uma quantidade quase fatal.  Lady esteve inconsciente por todo esse tempo, e realmente quase a perdemos.

(Suryia) Ela estava naquele galpão, mas achamos melhor trazê-la para cá.  As instalações aqui são muito melhores.  Por isso disse que ‘ela se foi’ naquele momento.  Desculpem.

(Rox sorrindo) E vamos mandar a arma de volta para pesquisas.  Ela foi feita para nocautear, não para matar.  Protótipo reprovado.

Guardou a arma novamente na gaveta.

(Ken) Mas que merda!  Por que tudo isso?

(Evil) Quem são vocês?

(Akemi) Não entendo!

(Aya) A não ser que...

O ruivo calou-se e olhou para Omi.  O Weiss caçula parecia tão incrédulo quanto o líder.  Passou a mão pelos fios de cabelo loiro e abriu a boca pra falar, mas nenhum som saiu.

Aya voltou a olhar para Rox, cujo sorriso apenas aumentara.

(Rox) Meu codinome é Rouxinol, sou secretário da Kritiker, como bem sabem.  E essa, é Suryia, a primeira integrante oficial da Silber Kreuz.

Um ataque dos Schwarz em conjunto com os Freaks naquele momento, teria causado surpresa menor do que a grave revelação.

(Evil) O que?

(Akemi) Ela?  Mas... como assim?

(Yohji) Kritiker?  Ela também é uma Silber?  E por que fez tudo isso?  Por que não entrou pra equipe?

(Omi baixinho) A primeira...?

(Ken) É melhor explicarem isso direito.  Ninguém entendeu nada.

(Rox) Descobrimos os talentos de Suryia há dois anos atrás.  Ela faz parte da Kritiker desde então.  Tentamos formar a equipe duas vezes, mas foram grandes fracassos.  Podem deduzir disso, que agora estamos na terceira formação.

(Akemi) Céus!  Não faz sentido!

(Suryia) Ah, faz... a Kritiker é rigorosa em sua seleção.  Eu cuido de escolher cada membro do time um a um, e se não me apresentei antes, é porque Faisão ainda tinha dúvidas a respeito do potencial de cada uma de vocês.

(Rox) Por isso trouxemos os Weiss, os melhores da Kritiker, eles não estão aqui apenas para ajudá-las, e sim para testá-las.  Descobrir até onde são capazes de ir... mas deu errado.

(Suryia suspirando) A equipe japonesa não é lá essas coisas também.  Aya, você deixa muito a desejar como líder.  Somente Omi me pareceu à altura do titulo de melhor da Kritiker.

O arqueiro corou sem jeito, e continuou em silêncio, em dúvida sobre o que dizer a respeito das revelações.

A expressão de Aya deixou claro que não se importava nem um pouco com o que Suryia achava ou deixava de achar.

(Ken) Azar o de vocês.  A verdade é que a fórmula funciona, e a gente consegue concluir as missões.

(Suryia) Ponto pra Weiss.

(Yohji) Então tudo não passou de armação... As câmeras, a caçada à Suryia... Era apenas um teste?

(Suryia) Sim.  Estamos no mesmo time.  Todos nós.  Lady quase pôs tudo a perder.  E foi aí que resolvi me revelar.  Todas vocês têm potencial.  Apenas não deixam que se revele.  Evil, você é a líder da equipe, precisa se envolver, ou não manterá sua equipe unida.  Você tem que se importar.  O mesmo serve pra Aya.  Vocês são mais que colegas ocasionais.  Vocês moram juntos, convivem dia-a-dia.  Vocês eliminam o mal juntos!

(Rox) Devem aceitar que um vínculo nasceu entre vocês.  É um processo natural, e não vai torná-los fracos.

(Suryia) Ken e Akemi, por outro lado, se envolvem demais.  Deixam-se levar como um barco à deriva.  Não é pessoal.  As missões não tem nada a ver com vocês, são apenas um trabalho.  Envolver-se é parte do processo, mas do jeito que vocês fazem, tornam tudo muito mais doloroso.  Tentem manter cada coisa no seu devido lugar.

(Rox) E finalmente Lady Bogard.  Preciso dizer alguma coisa?  Você nem estaria aqui, se não fosse apenas um teste.  Estaria enterrada em algum lugar, como indigente.  Se não dá valor a sua vida, o problema é seu.  Mas respeite a vida de suas colegas.  Não tem direito de colocá-las em risco.  Não há lugar para egocentrismo no trabalho em equipe.

A morena desviou os olhos amuando.  Era a primeira vez que Rox falava com ela nesse tom, e Lady não gostara nem um pouquinho.

(Suryia) Não posso avaliar o desempenho de Yohji, porque não o vi em ação.  A falta de dados torna o algoritmo incompleto.  Omi é o único que merece o meu respeito.  Graças a você as Silbers conseguiram me encontrar, e devo dizer que a despeito do desfecho trágico, foi uma ação e tanto.  Nunca imaginei que os três agiriam com tamanho sincronismo...

A hacker parou um segundo para respirar.  O ar estava tenso e ninguém na sala gostara do sermão.  Mas era tanta informação que os justiceiros não pareciam capazes de processar tudo.

Rox levantou-se e deu a volta na escrivaninha, parando no meio da sala.

(Rox) Talvez um remanejamento... poderíamos mandar Akemi para o Japão, no lugar de Omi...

Imediatamente Aya ficou em pé:

(Aya) Minha equipe não será desfeita.  Quem veio do Japão, volta para o Japão.

(Evil) Como se eu quisesse um japonês metendo-se nos nossos assuntos.

(Suryia) Basta!  Quem vai decidir isso é o Omi.  Pense com calma, garoto.  Não precisa dar a resposta agora.

Omi apenas balançou a cabeça.  Não precisava pensar naquilo, o Japão era a sua casa.  E para lá voltaria.  Suryia teria aquela resposta.

(Lady resmungando) Me mandar pro Japão ninguém quer...

Evil ficou com vontade de enforcar a morena, porque a primeira coisa que dissera durante a séria conversa fora uma gracinha totalmente inconveniente... imaginou que todos se aborreceriam ela, mas para surpresa da líder brasileira, Akemi, Ken e Yohji riram.  Aya pareceu relaxar um pouco, enquanto Rox e Suryia balançavam a cabeça, longe de parecerem reprovadores.

(Aya ¬¬) Não preciso de estorvos na minha equipe.

(Lady suspirando) Vá pra puta que... ops, palavra imprópria para o horário nobre.  E agora?

(Rox) Agora...

(Evil) Damos as mãos e vivemos felizes para sempre?  É isso?

Mas foi Akemi que falou, parecendo incrédula:

(Akemi) Tudo faz sentido.  Agora sim entendo porque você nos salvou das Freaks.

A afirmação foi feita direto para Suryia, que concordou com a cabeça.

(Suryia sorrindo) Sim.  Eu não podia deixar que fossem massacradas.  Não tinha idéia do que as Freaks podiam fazer.  Sei que atirei no escuro, mas funcionou.  Consegui mantê-las a salvo e coletar dados para pesquisa.

(Rox) Apostamos alto em vocês meninas.  Suryia se mudará para a Angels e a equipe estará completa.  É a última chance.

(Suryia sorrindo) Mas eu sei que a busca terminou.  Vocês são a equipe que o Brasil precisa.  Só temos que treiná-las um pouco mais.

(Ken) E as Freaks?

(Rox) Vamos cuidar delas.  Do nosso jeito.

(Suryia) Do jeitinho brasileiro.  Graças a vocês temos dados suficientes para análise das Freaks.  Pude montar profiles sobre cada uma delas.  Não seremos pegos de surpresa.

(Yohji) Então nossa contribuição acabou?

(Suryia) Concluíram a missão com êxito.  Sabemos que apesar de todas as falhas apresentadas, a Weiss é a melhor equipe da Kritiker.  Queríamos que dessem cobertura a Silber, para que nada acontecesse às meninas.  E nisso foram muito eficientes.

(Rox sorrindo) Seremos gratos a vocês sempre.  Podem voltar para casa, para o Japão quando quiserem.  Proponho...

A televisão de plasma ligou-se automaticamente, cortando a frase que Rox dizia.  Uma silhueta escura tomou a tela, e a voz rouca de Faisão se fez ouvir:

(Faisão) Justiceiros, reportem a situação.

(Suryia) Sob controle.  Eles já sabem da verdade, e aceitaram melhor do que eu esperava.

(Rox sorrindo) O plano B nem foi preciso.

Silbers e Weiss se entreolharam, intrigados com aquela menção a um desconhecido plano B.

(Faisão) Ótimo.  Então preparem-se.  Prestem atenção nessas notícias.

A imagem dele desapareceu, e uma gravação se iniciou.  Mostrava uma repórter famosa de uma rede de TV nacional, fazendo um plantão especial.  Ela tinha a expressão séria e contraída.

(Repórter) “... nessa que foi, sem dúvidas, a maior e mais ousada investida do PCC de que se tem notícia. Os integrantes do Crime Organizado têm se utilizado cada vez mais de recursos surpreendentes. Especialistas afirmam que a ‘Tragédia Sombria’ no centro da cidade foi resultado de uma arma bioquímica desconhecida. Animais treinados com agressividade invadiram a rede de metrô durante à tarde e, de acordo com os professores da USP, ondas de rádio freqüência foram emitidas de forma a causar o descontrole na Avenida Paulista. A polícia não se pronunciou quanto ao número de vítimas e desaparecidos, mas acreditamos que o mesmo possa ultrapassar...

A cena foi cortada e Faisão voltou.  A voz rouca preencheu a sala, com inquestionável gravidade:

(Faisão) O que dizem disso?

Suryia e Rox olharam em expectativa para os justiceiros, que deduziram a mesma coisa:

(Aya) Freaks.

(Lady) Treinadores de animais o caralho!

A face da morena pareceu perder um pouco da palidez graças a uma súbita agitação.  Agitação que contagiou os outros.

(Ken) Isso é obra de Lilik.

(Evil) Tragédia sombria... só pode ser Nuryco.

(Omi) Mas... é estranho... ondas de radio freqüência?

O chibi levantou a dúvida que ainda não fora questionada.

(Yohji) Não combina com a outra, não é?  A tal dos raios...

(Akemi) Mystik.  Ela usa eletricidade.  Não, ela afirmou controlar fios elétricos.  É diferente... o que será que significa?

Rox mordeu os lábios e passou a mão pelos cabelos:

(Rox) Mudança de poderes?  Adaptação?

Suryia estreitou os olhos:

(Suryia) Uma nova integrante?

Exclamações de espanto puderam ser ouvidas, enquanto os justiceiros digeriam aquela informação.  Preferiam que a tal Mystik tivesse sofrido uma evolução a acreditar que as inimigas haviam recebido reforço.

Porém a mente rápida de Omi já estava um passo a frente de todos:

(Omi) Devemos concluir que algo aconteceu a Mystik.  Não houve nenhuma manifestação por parte dela.

(Evil) Não seja tão otimista.  É melhor contar sempre com o elemento surpresa.

(Rox) Ótima observação, Evil.  Vamos supor que Mystik é um “Ás” na manga das Freaks.  Ou... talvez a nova manifestação seja o trunfo.

(Suryia) Esse ataque não foi gratuito.  As Freaks agem sobre ordens extremamente inteligentes.  Creio que agiram assim esperando resultados rápidos.

(Yohji) Ou seja, armadilha.

(Faisão) Excelente, justiceiros.  Vejo que estão tomando conta da situação.  Providenciarei passagens para que os Weiss retornem ao Japão.  Silbers, isso não é uma missão nos moldes a que estão acostumadas.  Considerem um último teste a que devem superar.

Os Weiss ficaram silenciosos, olhando para Aya, que parecia pensar seriamente em algo.  Os olhos violetas estavam fixos na silhueta de Faisão.  Finalmente suspirou, cansado de ser o alvo dos olhares de seus companheiros e afirmou:

(Aya) Ficaremos dessa vez.

(Ken) Vamos ajudá-las!

(Yohji) E pode deixar o troco por nossa conta! He.

(Aya) Você não participará de nada, Kudou.

(Yohji o.o) Mas... mas...

(Omi) Seria ótimo uma nova oportunidade de vê-las em ação.  Sem interferências...

Sorriu para Suryia, que retribuiu parecendo feliz com alguma coisa.

(Faisão) Não seria uma ação de praxe...

(Ken) Ora, a gente tava dando cobertura até agora.  Não vamos atrapalhar.  Fomos chamados para isso, não?

(Yohji) Hunf.  Eu vou ficar de molho de qualquer jeito.  Pensei que daria tempo de tirar o gesso.  Manx disse que seria um treinamento.  E treinamentos são longos...

(Rox) Não deixa de ser.  Vocês ajudaram muito, desde que chegaram.  A mudança no comportamento das Silbers é impressionante.

(Akemi n.n) Isso significa que vão ficar mais um pouco.

(Faisão) Está bem.  Participem dessa nova investida, Weiss.  Rox ficará no comando e supervisão da missão, já que são duas equipes com dois líderes.  Não quero desavenças.  Aguardo o relatório com boas notícias.  Agora é com vocês.

A tela escureceu e desligou.  Rox voltou-se para Suryia e acenou com a cabeça.  A loirinha pegou a deixa imediatamente:

(Suryia) Se isso é mesmo uma armadilha, então as Freaks implantaram iscas para nós.  Deixem comigo.

(Omi) Vou ajudá-la.

(Rox) Ótimo.  Usaremos esse prédio da Kritiker como base de operações enquanto a Angels será desinfectada.

(Evil) Descinfectada?

(Rox n.n) Estamos retirando as cameras de segurança.  Não serão mais necessárias.

(Akemi) Oh!  Tinha me esquecido disso!

(Ken) Enquanto Suryia e Omi fazem essa busca por ‘iscas’, nós faremos o que?

(Rox) Recomendo que peguem suas armas na vídeo-locadora, para o caso de precisarem agir ainda essa noite.

(Lady) Boa idéia.  Eu estou me recuperando, então Evil e Aya podem ir buscar as coisas.  Hihihihihi... por gentileza, é claro.

Os ruivos olharam feio pra ela, e iam responder algo ao mesmo tempo, quando Akemi os impediu, aproximando-se de Suryia com o olhar meio sem graça.

(Akemi) Desculpe ter sido tão dura com você aquela hora.  Agora eu entendo seus motivos... espero que possamos ser amigas.

Suryia sorriu de modo afável e verdadeiro pela primeira vez aquele dia.  Olhou demoradamente uma a uma das Silbers e respirou fundo.

(Suryia) Tudo bem, você agiu de forma previsível.  E não espero que mude seu jeito, apenas que se controle mais.  Você é jovem, e tem muito o que aprender.

(Evil) Hn...

(Yohji) Traduzindo o resmungo: alguma coisa nessa longa frase desagradou a Evil...

O loiro fez uma careta ao ver que todos olharam pra ele.  Yohji acabou dando de ombros como se descartasse alguma coisa:

(Yohji) Todos esses anos ao lado de Aya ensinaram alguma coisa.

(Lady suspirando) E recomeçam os sermões.  Como se já não bastasse a Evil, agora tem essa loira do cabelo verde.  Espero que não sobre pra mim.

(Akemi n.n) Ei!  E como é o seu codinome, Suryia mesmo?

(Suryia n.n) Não.  O meu é Coruja.

(Lady u.u) Sei, a ave sábia.  O meu ainda é o melhor... Águia...

Ninguém deu atenção a afirmação sonhadora.  Logo Ken, que ficara muito quieto o tempo todo, resolveu dizer alguma coisa:

(Ken) Já entendi que tudo está resolvido, mas eu ainda não sei se ficou bem claro uma coisa...

(Rox) O que seria, Ken?

(Ken coçando a nuca) Evil ainda é a líder?

Por algum motivo indefinido, o ar ficou tenso.  Lady e Yohji mexeram-se incomodados no sofá.  Aya cruzou os braços e Rox ergueu uma sobrancelha.  Akemi e Omi lançaram olhares profundos de Evil para Suryia.

(Suryia) Claro que é. Eu sou apenas uma integrante da Silber Kreuz.  Não tenho o potencial que Evil tem para liderança.

Imediatamente todos relaxaram.  E a ruiva integrante da equipe brasileira não perdeu tempo:

(Evil) Excelente.  Akemi e Ken vêm comigo até a Angels.  Omi e Suryia encontrem logo as pistas que devem estar espalhadas por aí.  Lady, desista dessa história de que ainda está em recuperação.  O único dispensado das atividades aqui é Yohji.

(Lady resmungando) Tava demorando.  Eu quase morri, fui drogada, sedada, levada de um lado para outro inconsciente e... e... e... ROX!

O grito agudo e quase histérico pegou todos de surpresa.

(Rox o.o) O que foi...?

Pra surpresa de todos, Lady colocou as mãos nas bochechas e tentou fazer-se de encabulada, fracassando vergonhosamente, afinal o sorriso depravado acabava com suas intenções.

(Lady n.n) Espero que não tenha se aproveitado de mim, enquanto eu estava inconsciente, seu espertinho... admita, vai, esse era seu sonho secreto!

Os justiceiros podiam jurar que nunca haviam visto alguém ficar tão vermelho em tão pouco tempo.  Imediatamente o rapaz começou a tentar se defender, sentindo o rosto pegar fogo:

(Rox O.O) Não!  Eu nunca faria uma coisa dessas!!

(Evil) Hunf.

A ruiva rolou os olhos e saiu da sala pisando duro.  Akemi e Ken a imitaram e saíram correndo atrás da líder brasileira.

(Akemi) Ei, Evil... você conhece o caminho... Evil...?!

 (Rox) Eu mostro.  Evil, eu te mostro o caminho!

Rox aproveitou a deixa e, extremamente corado, saiu rapidinho dali também.

(Lady n.n) Ele é tão fofo e tímido... nem me deu tempo de agarrar...

Aya torceu os lábios e olhou feio para a morena, que fez de conta que não viu.

oOo

Após o retorno de Evil, Akemi e Ken com as armas, roupas e acessórios das equipes, eles se reuniram outra vez, prestes a entrar em ação.

(Suryia) Evidentemente só pode ser armadilha.

(Lady o.o) Tem certeza disso, Peter Pan?

(Suryia) -.-“

(Evil ¬¬) Vai se acostumando.  Pessoalmente ela é mais insuportável que pelas câmeras.

(Lady n.n) He... Mas quem manda tu usar essa roupinha... tá parecendo uma fusão de Peter Pan com Robin Hood...  E num diga que essa mecha verde é pra combinar!  Huahuahua!

Lady Bogard debochou olhando o uniforme de missões que Suryia vestia. (1)  Yohji tentou segurar a risada, e acabou recebendo olhares de advertência de Ken e Omi, preocupados com a expressão séria de Aya.

(Suryia ¬¬*) Posso continuar explicando a missão?

(Lady) Claro, claro, em frente, Tinkerbell!  Huahauhauaua!  Desculpe, Coruja, você é parte da equipe e tals, mas não posso perdoar facilmente a história das câmeras.  Vai agüentar minhas piadas até expiar todos os seus pecados!

(Suryia) ¬¬*

(Evil ò.ó) Cale a boca, imbecil.  Continue com isso, Coruja.

Suryia lançou um último olhar agudo para Lady Bogard, que ignorou completamente, continuando a rir baixinho junto com Yohji, e voltou a olhar para o monitor.

Os justiceiros estavam reunidos numa das salas da Kritiker, no prédio onde tudo se esclarecera.  Mas permaneciam em um ambiente diferente: dominado por dois super computadores de última geração, nos quais estavam sentados Suryia e Omi, concentrados nos programas exibidos simultaneamente em ambos os monitores de LCD.

Evil, Aya, Ken, Akemi e Lady Bogard estavam em pé, logo atrás deles, olhando as telas, vestidos e prontos para uma ação imediata, mesmo sem saber direito o que esperar.

Yohji estava esticado em uma poltrona, com uma cara de poucos amigos, aborrecido por que ficaria fora de mais uma ação perigosa.  Essa viagem estava lhes trazendo tantas surpresas, e ele mal tivera tempo de ficar junto de Aya... (2) Preferia que estivesse ao lado dele, ajudando-o. Maldito gesso!

(Omi) Foram deixadas pistas grosseiras sobre uma possível renegociação entre o PCC e a Máfia Organizada por Freya de Niord.  É tão mal feito, que só pode ser uma armadilha.  Um chamariz para nós.

(Suryia) Essa é a planta do complexo.

Digitou rapidamente algo no teclado e a planta de uma grande construção surgiu na tela.

(Omi) Como podem ver, o Complexo 9 é uma instalação usada por uma fabrica fictícia.  É formada por três andares, além do subsolo.  Toda a segurança se encontra no nível dois...

(Suryia) Se existe algo ilegal.  É aí.

(Yohji suspirando) Ou talvez queiram que pensemos assim...

(Omi) Isso mesmo, Yohji.  Será um risco e tanto.

(Akemi) Rotas de acesso?

Omi clicou com o mouse e três linhas coloridas se destacaram na planta.  Uma azul, uma vermelha e uma verde que se bifurcava da vermelha e seguia para o subsolo.

(Omi) A entrada oeste, marcada em azul, é a principal e a mais vigiada.  A vermelha é a entrada leste e é menos vigiada, mas mesmo assim existem guardas.  Além disso, pelo leste é possível chegar ao subsolo, de acordo com a marca verde.

(Evil) O acesso ao subsolo só é possível pela passagem leste?

(Suryia) Não.

Clicou com o mouse e uma linha amarela contornou uma quarta rota.

(Ken) Isso é...

(Suryia) Esgoto.

(Evil) Perfeito.  Siberian e eu invadiremos pelo leste.  Abyssinian e Beija-Flor entrarão pelo oeste.  O objetivo é único: segundo andar.  Criaremos distrações para que Águia entre pelo esgoto e implante explosivos no subsolo.

(Lady o.o) Esgoto...?

(Akemi) Tudo terá que ser bem cronometrado.  Para dar certo no momento da explosão.

(Omi) Coruja e eu guiaremos vocês daqui.  Se seguirem nossas orientações nada vai dar errado.

(Ken) Objetivo da missão...?

(Suryia) Nenhum.  É apenas uma armadilha.  Não creio estar ocorrendo real negociação.

(Evil) Não agiremos com base em suposições.  Deduziremos que é possível encontrar o Crime Organizado.  Não quero surpresas.

(Aya) Hn.

O ruivo, que apenas observara, apoiou a decisão da líder brasileira.  Ele estava disposto a ajudar, mas apenas dando cobertura, deixando que as meninas agissem por si mesmas, como uma equipe de verdade.

Por isso não opinara na formação das duplas nem na distribuição das tarefas.  Apesar de preferir estar no comando, abrira mão daquela vez.

Suryia acenou com a cabeça, concordado com o que Evil dissera.  Melhor pecar pelo excesso...

(Suryia) Certo.  Vamos esperar qualquer coisa nessa missão.  Mas o ponto principal é cair na armadilha preparados para enfrentar as Freaks.

Omi distribuiu os comunicadores, enquanto todos checavam suas armas.

Yohji aproximou-se Aya e tocou-lhe o ombro de forma discreta.

(Yohji baixinho) Tenha cuidado, Aya.

(Aya) Hn.

O loiro virou os olhos e riu de lado.

(Yohji baixinho) Vou entender esse resmungo como “sim, Yotan, terei muito cuidado porque eu te amo e não quero que sofra ao me ver machucado...”

Foi a vez de Aya revirar os olhos e não rebater.  Yohji insistiu:

(Yohji) Cuidado...

(Aya suspirando) Sempre tenho.

O mais velho mordeu os lábios e acabou por afastar-se, resistindo a tentação de abraçar o amante.  Guardaria os beijos e as carícias para quando Aya retornasse.  A salvo. (3)

Alheios ao clima romântico, os outros justiceiros se entreolharam.  Não foi preciso nenhuma palavra para todos saberem que era hora da ação.

oOo

Hunter cruzou as mãos atrás das costas e começou a andar entre os guardas que vigiavam a entrada norte.  Nos belos lábios, um sorriso de satisfação...

Os olhos violetas observavam atentamente cada um dos seguranças uniformizados.

Todos pareciam hipnotizados.  Olhavam fixamente para frente, e nem mesmo piscavam, permanecendo enfileirados em grupos de cinco.

A terrível verdade chocaria as Silbers.

Não eram guardas de verdade.  Eram pessoas comuns que Hunter raptara na rua com seu poderoso golpe mental, e usaria na armadilha montada contra as inimigas.

Estreitando os olhos, o garoto enviou uma onda psíquica para os quinze homens sob seu comando.  No mesmo instante, eles sacaram suas armas e apontaram para um ponto em comum.

Agiram tão rápido que pareciam experts em tiro ao alvo.

No entanto Hunter sabia que não era assim.  Eram apenas pessoas inocentes que seriam massacradas pelas Silbers...

(Hunter) Sigam as instruções.

(Guardas) SIM SENHOR!

O sorriso do garoto aumentou.

Hunter cruzou os braços atrás das costas e virou-se, dando meia volta.  Aquela distração seria o suficiente para atrasar as pretensas justiceiras.

Hora de partir para a segunda fase do plano...

oOo

Lilik cantarolava baixinho uma canção que ouvira muito quando era criança.  Por algum motivo a cantiga retornara a sua memória naquele minuto.

(Lilik) Lalalala la la.  La la lalalala.

Movia os dedos indicadores, como se fosse um maestro, agachada no canto do corredor.

(Lilik) Lalalala la la.  La la lalalala.

Fechou os olhos e balançou a cabeça ao ritmo da suave cantiga.

(Lilik) Lala...

Calou-se de repente.  Ainda de olhos fechados, sentiu a presença de alguma coisa a sua frente.

(Lilik sorrindo) Chegaram, meus bebês?

Abriu os olhos e as íris brilharam de alegria e sadismo, ao identificar os animaizinhos aglomerados à sua frente.

(Lilik) A vingança começará em breve!

A risada diabólica ecoou por toda penumbra do corredor, enquanto Lilik se levantava e ajeitava as vestes amarrotadas.

(Lilik) Divirtam-se com essas Silbers... mas não as mate.  Deixe isso para o próximo ato...

Virou-se e seguiu para o fim do corredor.  Contava os minutos para a chegada das amaldiçoadas inimigas.  E elas sofreriam muito, na segunda fase daquele plano diabólico...

oOo

Nuryco brincava com as sombras, criando desenhos abstratos para as mesmas.  Os olhos permaneciam sem foco, enquanto sua mente divagava sobre coisas sem sentido.

Não estava ansiosa.  Nem preocupada.

Tinha autorização para usar seu poder na totalidade.  Não sobraria nada daquelas malditas Silbers.

Criaturas infelizes...

Passos a tiraram de seus pensamentos.  Ergueu a cabeça para flagrar Hunter e Lilik chegando pela única porta que dava acesso ao nível dois do Complexo, local que seria a parte principal da armadilha contra as Silbers.

Nuryco olhou de um para o outro e acenou com a cabeça.

Estava tudo montado de acordo com o que fora planejado... era a vez dela completar o cenário.  Fechou os olhos e abriu as portas que mantinham as Trevas trancadas dentro de si.

Lilik recuou um passo e Hunter encolheu-se de leve quando a Escuridão se libertou e os envolveu.  A sensação era tão terrível que por um segundo acreditaram estar morrendo.

Aquele era o mundo de Nuryco.

Um mundo de sombras, onde somente o vazio existia...

 

 

Continua...

 

 

(1) Sou má.  Para mais detalhes acessem o meu profile.  Omi kun (vulgo Rox) ilustrou as Silbers e as Freaks (tenho links no profile).  Olhando o desenho dá pra entender a piada.  E os desenhos ficaram lindos!! #aperta Rox#

(2) ¬¬ Essa fic num perdeu a cara de yaoi? XD~  Mas é!  Ainda é!

(3) o.o Não me olhem assim.  To tentando salvar a fic... ela é yaoi, lembram?

Warumono: literalmente ‘demônio’ ou ‘coisa ruim’.  Homenagem ao Kyo um dos meus amados Diru... XD~  Ano chibi wa totemo kawaii deshooooo!!!

 

Nota da autora: Capítulo estranho, acho que por causa do longo tempo sem digitar essa fic.  Só pra deixar claro: Rox é baseado no Omi kun, da ML de Weiss Kreuz da Suryia.  Até o presente momento ele e o Faisão (inspirado em meu irmão) não estavam sendo zuados, não era uma vingança contra eles.

Mas Rox me provocou, e a partir de agora, vai sofrer as conseqüências.  Ele também está na mira. Ò.Ó

 

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