Título: Onde canta o
sabiá
Ficwriter: Kaline Bogard
Classificação: yaoi, comédia, RA
Pares: AyaxYohji
Resumo: A trilogia se encerra com uma viagem ao maior país da
América do Sul, numa missão nada rotineira...
Aviso: essa fic faz parte de uma trilogia chamada "Viagens" e é
equivalente ao episódio 03 da saga (vindo logo após Dia de los muertos). Em cada
'episódio' os Weiss estarão viajando para um país diferente. Não é preciso ler
as três para entender a história, ou seja, as três são independentes. Aqui se
encerra mais uma insanidade!
Onde canta o sábia
Kaline Bogard
Capitulo VI
Tirocínio Avançado
(Yohji) Céus, Aya! Você foi atingido...
(Aya) Não foi nada.
Ignorando as palavras indiferentes do ruivo, Yohji tratou de se acercar do amante, querendo descobrir se estava mesmo tudo bem.
A equipe havia acabado de voltar da ação, e foram recepcionados por Omi e Yohji no auge da preocupação e curiosidade.
Akemi e Evil trataram de se jogar em um dos sofás, enquanto Ken e Omi se sentavam no outro. Aya e Yohji só foram se juntar a eles depois que o playboy se certificou de que o ferimento do líder da Weiss era mesmo um arranhão de nada, que nem chegara a sangrar.
Durante alguns minutos o pesado silêncio dominou a sala. Nenhum dos assassinos parecia disposto a quebrar a paz ilusória, no entanto tranqüilizadora.
Mas é claro, precisavam trocar informações e reportar o fim da missão. Sem contar que todos tinham detalhes não acertados a se encaixarem naquele grande e sinistro quebra-cabeças.
(Akemi) Nossa missão foi um sucesso. Em partes.
(Yohji) O que quer dizer?
(Ken) Eliminamos os traficantes de armas, e destruímos tudo... mas... as Freaks nem apareceram.
(Omi) Oh!
(Yohji) Maldição!
(Akemi suspirando) Aya foi ferido no braço, e Evil perdeu a katana, isso foi tudo. Saímos muito bem da enrascada.
(Evil) Sim, fazia tempo que não executávamos uma missão com tanta precisão.
(Omi) Que bom! Agora... sobre... Suryia...
(Ken) Podemos... falar...? É seguro?
(Yohji) Você está preocupado com as câmeras?
(Ken) É. Não quero que Suryia...
O moreninho calou-se, achando que falara demais. Porém Omi suspirou e passou a mão pelo cabelo loiro. Parecia muito cansado.
(Omi) De qualquer maneira isso não importa mais.
(Evil) Tem alguma notícia sobre a hacker ou sobre Lady?
(Omi) É melhor começar a explicar tudo do princípio.
(Akemi) Mas... Suryia...
(Yohji) Pelo que pudemos acompanhar, alguma coisa interrompeu as atividades de Suryia, ela foi... desconectada do sistema. Creio que só pode ter sido intervenção de Lady.
(Evil) Ela não entrou em contato?
(Omi) Ainda não.
(Aya) Como foi que conseguiram descobrir a localização dessa hacker?
(Omi) Oh!
O chibi assumiu uma expressão pensativa. Pelo visto os justiceiros estavam impacientes para saber de todos os detalhes. Apesar de tudo, o jovem ainda fez um último esforço...
(Omi) Não querem esperar a Lady?
(Todos) NÃO!
(Omi O.O””) Porque?
(Evil) Depois você conta tudo outra vez para ela.
(Akemi) Por favor, Omi, não nos deixe curiosos...
(Omi) Entendo... então...
Durante alguns segundos a atenção de todos se fixou no caçula dos Weiss. Ao se ver alvo dos olhares famintos de explicações, o loirinho sorriu espontaneamente pela primeira vez na noite(1).
(Omi n.n) Que tal um café?
(Evil) Claro!
A empolgação da ruiva não passou despercebida.
(Akemi XD) Evil... você detesta café...
(Evil) Shine.
(Aya) ò.ó
(Yohji) Está cada vez mais assustador...
A líder da Weiss não respondeu. Levantou-se do sofá com um salto e rumou para a cozinha, pensando em preparar a cafeteira.
oOo
(Ken n.n) O café está delicioso.
Novamente os assassinos se reuniram, mas dessa vez na mesa da cozinha. Cada um tinha uma xícara cheia com o líquido preto, forte e amargo, do jeitinho que Omi gostava, à frente de si.
(Omi) Akemi, você não conseguiu ainda falar com Lady?
(Akemi) Não. O celular cai na caixa postal. Deve estar desligado.
Ao ouvir isso Evil fez um gesto de descaso com a mão livre, enquanto levava a xícara de café aos lábios.
(Evil) Aquela imbecil não tem noção de nada mesmo. Aposto que está fazendo de propósito.
(Omi) Bem, vamos as explicações...
Imediatamente todos abandonaram a postura indiferente e assumiram um ar de puro profissionalismo.
(Omi) Desde o momento em que descobrimos os esquemas de Suryia, sabíamos que qualquer plano dito em voz alta poderia ser ouvido pela garota.
(Ken) Seria um risco e tanto.
(Yohji) Nhé. Mesmo que não tivesse auto-falante, as câmeras iam pegar nossas conversas e sabe-se lá se essa Suryia lê lábios... aliás, espero que ela tenha gravado meu lado esquerdo... é o melhor ângulo.
(Omi n.n) Yotan!
(Evil) Cale-se, Ku!
(Todos) O.O”
(Evil -.-) Céus... escapou...
(Aya ò.ó) Continue, Omi.
(Omi) Er... eu tinha um programa de defesa excelente, que criei, mas apenas me defender não era suficiente. Eu entendi que tinha de atacar o PC de Suryia ao mesmo tempo. Então me lembrei de um programa que desenvolvi e chamei de SSNV(2). É um sistema muito bom de rastreamento baseado em alguns arquivos do Pentágono.
(Yohji) Epa! Como foi que você conseguiu esses arquivos do Pentágono?
(Omi)...
(Yohji suspirando) Esse moleque é mesmo cheio de truques.
(Akemi) Evil disse que você teria algo na manga, Omi. Foi surpreendente descobrir isso. Você, Evil e Lady trabalharam em perfeita sintonia.
(Omi) Foi primordial a atuação das duas. Qualquer um que descartasse uma missão chamaria a atenção, exceto Lady é claro. Ninguém acharia suspeito se ela não participasse. Depois pedi um laptop emprestado para instalar o programa de rastreamento. Entregá-lo a Lady foi fácil e acho que não fizemos Suryia nem mesmo desconfiar.
(Ken) Foram perfeitos!
(Aya) Hn.
(Omi sorrindo) Ah, mas a dificuldade maior foi camuflar o sinal do rastreador. Eu não podia usar o satélite sem temer que Suryia esbarrasse nele, mesmo sem querer. Pensei em usar código Morse, mas... a seqüência repetitiva com certeza chamaria a atenção. Se não de Suryia, de algum outro hacker, o que seria muito pior.
(Yohji) Então como você fez?
(Akemi) Se não podia usar o satélite e nem código Morse, não sobram muitas opções.
Foi então que o chibi sorriu de modo misterioso e voltou a encher a xícara de café.
(Omi) Amplitude Moderada.
Os outros se entreolharam sem entender lhufas.
(Ken) Amplitude Moderada? Como assim?
(Aya) Está se referindo a ondas de AM?
O ar vitorioso do assassino caçula não deixou margens a dúvidas.
(Omi) Exato. Peguei o sinal e o camuflei em ondas AM de uma emissora local. É obsoleto o suficiente para não utilizar o satélite e não tem cadência repetitiva, o que diminui as chances de chamar atenção de alguém indesejado. O terminal que instalei no laptop pegava os sinais ‘camaleão’ da emissora de rádio e os convertia em algaritimos de linguagem C+ para indicar o caminho até a casa de Suryia.
(Ken confuso) Mas... como? Se você não estava ligado a um satélite, não tinha que ter alguma coisa na casa dessa Suryia, para indicar o caminho?
(Yohji) Boa pergunta.
Apesar das dúvidas, o chibi não se apertou. Pelo contrário, ficou feliz em poder mostrar que estava a altura daquela hacker brasileira.
(Omi) Claro, Ken Ken. Eu não podia ‘adivinhar’ a localização da Suryia, e é aí que entra o SSNV mais uma vez... esse aplicativo invade o sistema inimigo e se multiplica pelo provedor quase como uma praga, contagiando com um vírus agressivo. E é totalmente indetectável. Por isso Suryia não o descobriu. Enquanto se reproduz, o vírus emite ondas camufladas em AM para o terminal receptor, ou seja, o laptop de Akemi.
(Ken) Oh!
O moreninho não tinha certeza de ter entendido. Mas Evil foi em seu socorro.
(Evil) Ou seja: você injetou um vírus que se aproveitou da intenção de[da] Suryia de atacá-lo. Enquanto ela se dedicava a derrubar você, seu programa delatava a localização da hacker.
(Omi) Basicamente isso. Eu usava dois programas: um para chamar a atenção, de forma bem evidente, e o outro escondido, camuflado, que passou despercebido.
(Akemi) Mas Lady não manja muito de computador... como foi que ela sacou o que tinha de fazer?
Lembrando-se da aparência do programa receptor, Omi sorriu e recostou-se na cadeira. Não havia como errar!
(Omi) Não se preocupe. Programei tudo em Linux, para que dificultasse ainda mais a ação de Suryia, pois ela parecia concentrada em atacar com tudo usando os recursos do Windows - mais fácil de manusear, porém mais difícil de rastrear devido a grande incidência entre os internautas - e o programa de localização tinha uma aparência bem... er... fácil de se ler...
Na verdade parecia um joguinho do Atari. Lady tinha literalmente que ‘seguir a seta’.
(Aya) Mas se foi tão fácil, porque ela ainda não deu as caras?
(Omi suspirando) Eu nunca disse que foi fácil, Aya.
(Aya)...
(Evil) Suryia não deu mais sinal de vida?
(Omi) Não. Nenhum.
(Evil) Então Lady deve ter descoberto Suryia e levado a infeliz pra encher a cara em algum lugar. Maldição.
(Omi) Ah... acabei de me lembrar de algo!
O loirinho levantou-se correndo antes que alguém perguntasse alguma coisa. E em poucos minutos estava de volta com uma latinha de cerveja nas mãos.
(Yohji o.o) Oh, isso...
(Akemi) O que é?
(Evil) Está bebendo agora, Omi?
(Omi) Não! Foi Lady quem me deu. Não se trata de uma simples lata de cerveja, mas eu ainda não a abri...
E sob olhares atentos, o hacker tratou de abrir aquela latinha, que tinha uma espécie de tampa de rosquear. Realmente era um objeto disfarçado. E a surpresa dos assassinos não teve tamanho.
(Ken) Isso é...
(Omi) Localizador! Um aparelho localizador...
(Evil) E o que está dizendo?
(Omi) Tem um sinal fraco aqui... pode ser... Lady pode estar lá agora.
(Evil) Eu vou até lá. Ken você...
(Omi) Não! Eu irei com você, Evil.
(Evil)!!
(Yohji) O que houve, chibi?
(Omi) Se for para encontrar com Suryia... eu... quero fazer isso, Yotan.
(Aya) Hn.
(Ken) Entendemos, Omi. Pode ir no meu lugar, apenas tome cuidado. Vocês dois.
(Akemi) Certo. E eu tomarei um banho. A missão foi cansativa.
(Ken) Com certeza!
(Yohji) Cuidarei desse ferimento, Aya.
(Aya -.-)... não foi nada...
(Yohji u.u) Não discuta. Eu sei o que faço.
(Akemi) Vou pegar a caixa de primeiros socorros.
Enquanto o grupo se dispersava, Evil tirou as chaves do carro do bolso e tratou de se dirigir a garagem. Omi perdeu um segundo observando o sinal do localizador, que se enfraquecia a cada segundo, sem poder entender o que acontecia.
(Omi) Oh!
Balançou a cabeça com força, afastando as dúvidas. A adrenalina corria solta em suas veias, o aquecendo e animando. Finalmente se encontraria frente a frente com Suryia, a hacker que o intrigara além de qualquer limite.
Qual seria a sensação de olhar alguém tão talentoso nos olhos?
(Omi) Vamos ver... vamos ver...
E sem perder mais tempo correu atrás da líder das Silber.
oOo
Decepção. Surpresa. Confusão.
Esses foram os sentimentos que dominaram Omi e Evil ao chegarem ao local indicado no localizador que a justiceira morena deixara com o Weiss. Naquele momento o sinal era tão fraco que quase desaparecia na tela de duas polegadas.
Omi colocou o aparelho no bolso e deu um puxão na blusa de Evil, indicando a baderna geral que dominava o quarteirão.
Ambos permaneciam parados em uma esquina, um pouco distantes de tudo, de um ponto estratégico, podendo observar o cenário completo, mas sem entender quase nada.
Haviam carros de polícia estacionados ao longo da rua. Assim como ambulâncias e um carro de bombeiros. Diversos oficiais se moviam de um lado para o outro se esforçando para por um pouco de ordem no caos quase absoluto.
Centenas de curiosos se aglomeravam em volta, tentando ver o que acontecia por entre alguns focos de incêndio e muita fumaça.
(Omi) O que é isso?
(Evil) Nem imagino.
A ruiva não podia esconder sua surpresa, assim como o colegial.
(Omi) Espere aqui. Vou tentar descobrir algo.
E sem esperar resposta o loirinho embrenhou-se entre a multidão de curiosos, policiais, bombeiros e enfermeiros, movendo-se com agilidade felina, conseguindo se misturar a massa com eficiência calculada.
Evil observou-o se afastar até que desapareceu entre os transeuntes. Depois desviou os olhos ametista, fixando-os na negritude noturna. Como sempre o céu estava coberto por uma névoa densa e nostálgica, resultado da poluição desmedida jogada dia-a-dia na metrópole ululante.
(Evil) E mais essa...
Seu instinto lhe avisou que aquela confusão toda tinha algo a ver com a companheira desbocada e levemente desaparecida. Teve certeza de que ela tinha posto tudo a perder de alguma maneira.
(Evil) Porque ela sempre estraga tudo?
A morena era a peça impertinente que impedia sua equipe de se concretizar. Se não fosse por ela... se Lady não existisse, ou talvez, se resolvesse deixar a Silber... pedir transferência quem sabe...
(Evil) Eu não teria tanta sorte. Não mesmo...
Inclinou o corpo para o lado e encostou o ombro esquerdo no muro da esquina. Franziu as sobrancelhas ao sentir o concreto frio. Começava a se impacientar, achando que Omi demorava um pouco demais para executar aquela pequena tarefa de espionagem.
Estariam as coisas tão ruins assim?
Como uma resposta ao pensamento irritado, percebeu Omi vindo em sua direção, desviando-se de dois ou três curiosos que tentavam se aproximar da confusão.
(Omi suspirando) Nossa, as coisas foram feias!
(Evil) O que aconteceu?
(Omi) Um automóvel importado e incomum explodiu. Um policial comentou que poderia ser um Discovery 03... não sobrou muita coisa dele... é um milagre que o localizador tenha funcionado até agora.
(Evil)...
A ruiva não comentou absolutamente nada. Porém as íris ametistas incentivaram o jovem arqueiro a prosseguir o relato.
(Omi) Pelo que escutei, os policiais estão tratando como um ataque do PCC, eles acham que é uma declaração de guerra dessa facção do crime organizado. No momento da explosão estava passando um ônibus e o veículo foi atingido, Evil... tem muitas vítimas... vítimas fatais.
A ruiva apertou os lábios em sinal de contrariedade. O que Lady tinha na cabeça? Porque tudo aquilo? Como pudera ir tão longe?
(Omi) A explosão foi mais próxima a uma escola, que felizmente não funciona a noite. Então eu acho que apenas esse ônibus foi seriamente atingido, o que já é demais.
(Evil) Algum sinal dela? Ou de Suryia?
(Omi) Não sei dizer com certeza. Pode ser que elas estejam entre as vítimas, ou pode ser que não.
A líder das Silber desencostou-se da parede e colocou as mãos nos bolsos. Deu uma olhada sorrateira ao céu escurecido, depois se virou de costas a Omi e avançou.
(Evil) Vamos embora.
(Omi surpreso) Mas...
(Evil) Não importa. Não faz diferença.
(Omi) Evil!
A ruiva parou de andar, mas permaneceu de costas para o Weiss.
(Evil) Ela não está entre as vítimas. Nenhuma das duas. Sabe o que eu acho, Omi?
(Omi)...
O loirinho engoliu em seco. Nunca antes a ruiva soara tão hostil.
(Evil) Eis minha teoria: Lady Bogard conseguiu foder o esquema todo. Aposto que deixou Suryia escapar bem diante de seus olhos e depois... depois armou esse espetáculo que você está vendo. Simples assim.
(Omi) Você pensa mesmo isso, Evil?
(Evil) Eu a conheço, Omi. Convivi tempo o suficiente para saber que não posso confiar. Não nela. Espere dois dias... e ela volta, com aquela cara de pau e uma desculpa esfarrapada... achando que tudo ficará bem.
(Omi) Oh!
(Evil) Claro, você pode fazer uma busca na Internet amanhã, invadir os terminais dos hospitais e ver se uma das duas foi registrada.
(Omi) Farei isso.
(Evil) E tenho certeza de que não encontrará nada.
Com essas palavras a líder das Silber avançou, pisando duro e com as costas eretas, quase tensas. Omi lançou uma última olhadinha para o lado destruído pela explosão.
(Omi baixinho) Seria possível? Toda essa destruição apenas para se livrar de uma missão fracassada?
Então o loirinho balançou a cabeça com força e saiu correndo para alcançar Evil, que já ia longe. Bem longe...
oOo
No outro dia, um clima mais que estranho dominava os assassinos. Como Evil previra, Omi simplesmente não encontrara nada a respeito de Lady Bogard ou Suryia na Internet. Porém isso não significava nada, afinal, não se tratavam de nomes verdadeiros.
Se a Silber morena estivesse hospitalizada seria com outro nome... ou quem sabe como ‘não identificada’...
Não que tal lógica demovesse o julgamento estabelecido pela líder brasileira. Para Evil, Lady era culpada e ponto final.
E isso não era o fim. Haviam providências a serem tomadas, afinal Suryia podia estar a solta por aí... sem contar a súbita estagnação das Freaks...
(Akemi) Acho que vou para a Angels...
A moreninha suspirou. Depois da explosão da madrugada, todos os ônibus estavam parados. A cidade de São Paulo temia mais supostos ataques do PCC. A população se assustara com as proporções do ‘ataque’ noturno, achando que os bandidos ultrapassaram todo e qualquer limite. Aulas foram suspensas, lojas permaneciam fechadas... indícios do mais completo caos...
Mesmo as autoridades pareciam temer que mais veículos explodissem a qualquer momento.
Angustiante era não ter um ponto de partida. Toda a vantagem que possuíam sobre os inimigos foram destruídas na noite passada. E o desânimo refletia pesadamente nos assassinos.
(Yohji suspirando) Vou com você, Kemi.
Aya desviou os olhos da xícara de café por um segundo, antes de voltar a observar o líquido que começava a esfriar. Uma última pergunta de Ken fez Yohji e Akemi pararem de avançar e olhar o jogador.
(Ken) Vamos apenas... ficar parados aqui, esperando?!
(Evil irritada) E o que você propõe? Aceito sugestões.
(Ken) Eu... merda!
(Aya) Não fale assim com ele.
(Evil) Não me dê ordens, não aceitarei mais esse seu tom de voz.
O espadachim depositou a xícara na mesa e passou a mão pelos fios ruivos e macios. Parecia cansado, ou melhor, extremamente cansado.
(Aya) Sério? E agora? A gente rola pelo chão e puxa os cabelos um do outro? Pois parece que é assim que você resolve seus problemas...
Os olhos violetas de Evil escureceram perigosamente, enquanto ela dava um passo a frente. A tensão que se apossou da cozinha foi quase sufocante.
(Evil) Ora seu...
(Yohji) Calma. Calma, pessoal. Temos que fazer algo, mas não nos agredir!
(Evil) Ah, claro. Desculpe, sábio guru.
(Yohji)!!
(Akemi) Evil, o que está acontecendo? Porque essa agressividade toda?
(Ken) Estamos todos frustrados, porque não podemos fazer nada. Não desconte a raiva na gente.
(Evil)...
A espadachim resmungou algo que não foi compreendido e seguiu para a vídeo locadora.
(Yohji) Nossa, ela ficou mesmo afetada pelo que aconteceu.
(Akemi) Mais do que todos... não entendo...
(Omi) Eu acho que compreendo.
(Ken) Ela falou com você, Omi?
(Omi) Não, Ken... mas é óbvio se você pensar com calma.
(Yohji) Do que está falando.
(Aya) Decepção?
(Akemi surpresa) Decepção? Não creio que seja.
(Omi) Mas é, Akemi. Na noite passada, por algum tempo, Evil se deixou envolver pelo desejo de que vocês poderiam ser mesmo uma equipe. Sim, acho que foi isso...
(Akemi) Oh!
Não podia ser isso, podia?
(Omi) Agora vejo perfeitamente. Mais do que qualquer uma, Evil esperava que vocês se tornassem um time. Uma equipe de verdade... acho que ela criou mais expectativas do que deveria... se afobou.
(Akemi) Oh, Evil!
(Yohji) Isso é mau! Mau mesmo...
(Omi) É péssimo, Yohji. Agora ela acredita que Lady destruiu essa possibilidade, estragando o plano e fugindo para não arcar com as conseqüências.
(Ken) E agora?
(Omi) Não sei. Não sei...
(Akemi) Vindo de Lady tudo é possível, Ken.
(Yohji) Devíamos falar com Evil... tentar consertar.
A moreninha se adiantou e seguiu em direção a Angels com passos firmes, curtos e apressados.
(Akemi) Vou falar com ela! Esperem aqui... acho que vai ser mais fácil pra mim contornar a situação...
Os japoneses se entreolharam, percebendo que estavam a sós pela primeira vez desde que se envolveram tanto na situação tão complicada.
(Yohji) E então, o que acham dessa merda toda?
(Omi suspirando) Se você diz da missão de ontem, com certeza as coisas fugiram do controle.
(Yohji) Isso é óbvio! Se Lady tivesse conseguido capturar Suryia já teria vindo aqui se vangloriar...
(Ken pensativo) Tem razão, Yotan. Sugere que Evil tem razão?
(Aya) Hn...
Os três justiceiros se voltaram para o líder ruivo, que voltara a bebericar o café já quase gelado.
(Yohji) Ah, antes que eu me esqueça... Aya, controle essa sua falta de educação genérica, ok? Você não está ajudando em nada!
O ruivo ergueu uma sobrancelha e lançou um olhar inquisidor a seu amante.
(Aya) E quem disse que eu quero ajudar?
(Ken) Porra!
(Omi surpreso) Mas... Aya... essa é a nossa missão... foi por isso que viemos do Japão, pra ajudar a Silber Kreuz... esqueceu disso?
(Aya)...
Sim. Esquecera completamente.
(Yohji irritado) Mister Cubo de Gelo, não vá colocar tudo a perder agora. Já temos confusão em dose suficiente...
(Aya) Kudou...
(Ken) Yohji está certo, Aya. Porque aceitou a missão então? Se não quer ajudar, nem devia ter vindo!
(Omi) Pessoal, por favor... os desentendimentos da equipe brasileira bastam... não vamos começar a brigar entre a gente também...
Resignado, o playboy balançou a cabeça e aproximou-se de Aya, colocando as mãos sobre os ombros tensos e começando a massagear com experiência.
(Yohji) Vamos ouvir o chibi. Temos que ter um plano traçado e começar a pensar muito bem no que fazer. Acho que levamos as coisas em banho-maria por muito tempo, e essas foram as conseqüências.
(Ken) Merda. Não levamos a missão a sério, não é? Também temos uma parcela de culpa. Merda, merda, merda!
O ruivo respirou pesado e inclinou a cabeça pra frente, aproveitando a massagem que Yohji lhe fazia. Um silêncio dominou aos justiceiros japoneses, que se renderam aos pensamentos mais íntimos, porém em comum: os quatro tentavam encontrar as soluções para todos os problemas que os envolvia.
Torcendo os lábios, Aya abriu os lábios para falar algo, mas acabou se calando. A porta de comunicação que ligava a cozinha a sala foi aberta e uma pessoa entrou.
oOo
Akemi chegou a Angels e encontrou Evil guardando algumas caixinhas de DVDs nos devidos lugares. Na verdade a ruiva socava as mesmas de encontro as prateleiras, num modo de extravasar a raiva.
(Akemi) Evil... tudo bem...?
A espadachim não respondeu, porém jogou uma caixinha com mais força, derrubando as que estavam do lado.
(Akemi) Quer ajuda aí?
(Evil) Não.
(Akemi) Oh! Então vou varrer... não fiz isso ontem...
(Evil) Faça como quiser.
A moreninha engoliu em seco, mas pegou uma vassoura e se pôs a varrer o chão com movimentos vigorosos e calculados. Não sabia como iniciar uma conversa, afinal, preferia fugir dos problemas, deixando as assassinas mais velhas encontrarem as soluções, nem sempre pacíficas, necessárias para a convivência atribulada.
Porém Ken tinha razão. Nunca deixaria de ser vista como uma colegial imatura, se não deixasse de agir como tal. Estava crescendo, aprendendo e adquirindo experiência. Era hora de deixar isso bem claro.
(Akemi) Sei como se sente...
(Evil)...
Não disse nada, mas parou de socar as capinhas dos DVDs.
(Akemi) Ontem, durante a missão, eu fiquei com um pouco de inveja de vocês, Evil... quando disse que haviam criado um plano tão brilhante, usando apenas o instinto. Apenas o instinto! Puxa, fiquei impressionada, feliz e... assustada.
(Evil) Assustada?
As garotas não se encaravam. Talvez se sentissem mais a vontade daquela maneira.
(Akemi) Sim. Foi um pensamento egoísta, mas... vocês duas agiram como uma equipe, e eu nem de longe consegui me sincronizar... achei que a equipe estava sim definida e que eu... eu... não me encaixava. Que não seria boa o bastante para agir com vocês.
(Evil)...
(Akemi) Eu desejei que nos tornássemos uma equipe com todo o meu coração, e quando isso pareceu acontecer, fiquei com tanto medo de não estar a altura de vocês, que desejei o fim de tudo! Sinto muito, Evil...
(Evil) Está dizendo...
(Akemi) Me sinto culpada. Horrivelmente culpada. Como se tudo isso fosse uma resposta ao meu desejo idiota. Porque se eu não estou a altura, devo ser descartada... Mas... agora não parece mais haver nenhuma chance de formarmos uma equipe, não é?
(Evil pensativa) É...
(Akemi) Porque... eu não sou boa o bastante... talvez nunca seja. Lady não é confiável, e talvez nunca seja... você é a única que entende as coisas... sinto muito que tenha de passar por isso... já que...
A mais velha fez um gesto de impaciência com a mão, que cortou o pedido de desculpa.
(Evil) Não é sua culpa. Eu nunca esperei que uma colegial despertasse os instintos de uma assassina num passe de mágica. Sei que você tem potencial, Akemi, mas tem que ser tudo no tempo certo. Por isso você está fazendo o treinamento junto com os melhores especialistas da Kritiker.
(Akemi surpresa) Oh!
(Evil) E você não deve ser descartada apenas porque não se acha boa o bastante. Conheço as pessoas e sei que pode ir longe nesse ramo. Claro que não a incentivo a desperdiçar sua vida matando as pessoas. Não...
(Akemi) Evil. Obrigada.
(Evil suspirando) De nós três você é a que tem menos culpa. É inexperiente em áreas que Lady e eu não somos. E sinceramente, eu pensei que poderia contar com ela... Mas é impossível.
Nesse ponto Akemi passou a vassoura distraidamente por debaixo do balcão, e acabou puxando um objeto metálico.
(Akemi surpresa) Oh, isso é...
A líder brasileira virou o pescoço e espiou por cima do ombro. Akemi acabara de encontrar o revólver que Lady usara no fim da tarde anterior. O mesmo ficara esquecido no chão da locadora.
A moreninha abaixou-se e recolheu a arma. Ia colocá-la sobre a tampa do balcão, mas parou, intrigada com algo.
(Akemi) Ei... isso...
(Evil) O que foi?
Antes de responder, Akemi examinou cuidadosamente a pistola e sorriu de modo divertido. Depois apontou a arma para a ruiva, e, para surpresa imensurável da mais velha, puxou o gatilho.
Por puro instinto Evil fechou os olhos, esperando pelo impacto. Que não veio...
(Akemi rindo) Está descarregada! Logo vi pelo peso.
(Evil surpresa) O que?!
Então Lady a ameaçara com uma arma sem balas? Não a ameaçara de verdade? E o que aquilo queria dizer? Que se tratava de um blefe? Uma piada? Ou que talvez...
(Akemi pensativa) Pessoas mudam, não é, Evil?
A ruiva alternou o olhar da arma para Akemi, enquanto meditava sobre a questão. Abriu a boca para dar uma resposta, mas acabou se calando, porque a porta de acesso entre a casa e a locadora se abriu e Ken espiou por um vão.
(Ken) Garotas... precisam vir aqui... Rouxinol chegou e ele diz que tem novidades.
As brasileiras se entreolharam e concordaram com a cabeça. Pelo visto a conversa teria que ser adiada.
oOo
Assim que as equipes se ajeitaram na sala de missões, todos os olhares se fixaram sobre Rouxinol, o jovem secretário da Kritiker no Brasil.
(Rox) Falta Lady...
(Akemi suspirando) Ela não voltou ainda.
(Rox) Oh, não importa, afinal não participou da última missão... então...
(Akemi) Participou sim, não foi, Evil?
Olhou para a ruiva que estava sentada entre Yohji e Omi, no sofá. Aya permanecia sentado sozinho em uma poltrona, enquanto Akemi e Ken haviam se acomodado na outra poltrona. Rox se mantinha em pé.
(Evil) Hn.
(Yohji) Acredite, Rox. Temos muita coisa pra contar. Você vai ficar de boca aberta!
(Rox) Sou todo ouvidos.
Akemi, Omi e Ken trataram de colocar o rapaz a par de todas as informações, desde o momento exato em que deixara a casa das Silber, após confiar-lhes a missão de caça às armas, ao momento atual, em que estavam enfrentando a mais completa falta de notícias a respeito da Silber morena e da hacker.
O moreninho apenas escutava, deixando escapar uma ou outra exclamação de incredulidade, controlando maravilhosamente toda a sua surpresa pelo que estava escutando.
Ao fim da longa narrativa, Ken encostou-se no sofá e colocou as mãos na cabeça. Akemi respirou fundo e Omi esfregou o rosto, evidenciando seu cansaço físico e mental.
Rox, por sua vez, tinha as sobrancelhas levemente contraídas, deixando o rosto aristocrático meio obscurecido.
(Rox baixinho) Então foi assim...
A frase foi dita em tom tão sussurrado, que ninguém entendeu nada.
(Aya) O que disse?
(Rox sorrindo) Nada! Estou apenas impressionado com a atuação de vocês...
(Yohji) Mas agora estamos de mãos amarradas. Temos algumas teorias... mas por outro lado... er...
O playboy deu uma olhadinha para Evil e respirou pesado.
(Rox) Evil acha que Lady falhou e vai se manter afastada até a poeira baixar?
Ken balançou a cabeça. Haviam relatado exatamente tudo a Rox. Até mesmo as dúvidas que irritavam tanto a líder das Silber.
(Akemi) Das duas uma: ou ela fez mesmo isso ou... se feriu e está internada... em todo caso não sabemos o que fazer...
(Ken) Achamos que no caso de uma internação, ambas devem estar no mínimo como indigentes...
(Omi) Poderíamos ir a alguns hospitais, pessoalmente é...
(Rox) Eu concordo com Evil. Lady é bem desse estilo, sumir sem dar explicações.
(Aya) Hn... (3)
(Akemi) Tentamos ligar para o celular dela, mas só cai na caixa postal...
(Omi) Oh!
Aquela exclamação chamou a atenção de todos, que fixaram seus olhos no loirinho. De repente Omi pareceu se animar, seu rosto assumindo talvez uma nova esperança.
(Aya) O que foi?
(Omi) Lembrei do SSNV... e suas múltiplas funções! Evil, Akemi... alguma de vocês duas saberia dizer se o celular de Lady é novo?
As referidas se entreolharam. Evil deu de ombros e Akemi ficou pensativa.
(Akemi) Bom, não tenho certeza... acho que ela comentou algo sobre trocar por um melhor... não sei se chegou a fazer, mas duvido que seja algo antigo...
(Omi animado) Precisa apenas ser desses modelos que funcionam interligados a correio de voz.
(Ken) Por que?
(Omi) As novas tecnologias utilizam sinal de satélite para gravar a mensagem de voz e redirecioná-la à caixa de entradas de cada número da telefonia celular.
(Yohji) E o que isso quer dizer?
(Omi empolgado) Se ligarmos para o celular de Lady e ele ainda estiver desligado, podemos gravar uma mensagem na caixa de entradas. Daí enquanto o satélite redireciona para o correio de voz, eu posso usar o SSNV para capturar o sinal do celular! Céus! Porque não pensei nisso antes?
(Aya) Vai funcionar?
(Omi) Em teoria sim... ainda não usei o SSNV para isso... seria uma boa oportunidade.
(Akemi) Se você captar o sinal do celular da Lady, mesmo ele estando desligado, saberemos onde ela está! Brilhante, Omi!
(Evil) Então faça.
(Rox) Esperem!
(Todos)!!
(Rox) Esperem...
(Evil) Porque?
(Akemi) Não vamos perder tempo, Rouxinol. É importante.
(Rox) Mas... eu... vim trazer uma missão.
Exclamações da parte de todos puderam ser ouvidas.
(Ken) Uma missão?
(Rox) Sim. Surgiu de última hora, desculpem não ter dito nada até agora. Vocês vão perceber que nem DVD eu trouxe, porque a missão não é complicada.
Muito desconcertados, os assassinos se entreolharam. Aquilo estava soando tão estranho...
(Evil) Do que se trata?
(Rox) Mais armas... talvez as Freaks apareçam dessa vez. Não foi planejado essa ação tão precipitada... por isso vamos precisar de todas as habilidades do senhor Omi para nos ajudar a resolver.
(Omi) Mas...
(Akemi) Temos uma chance de encontrar Lady. Devemos aproveitar o mais rápido possível. Enquanto isso vocês podem ir descobrindo mais coisas sobre a missão e...
(Rox sério) Não. Os traficantes vão se encontrar hoje para a troca de armas. Não teremos outra chance. Omi precisa descobrir o local da entrega, e vocês precisam impedir que o PCC se aproprie dessas armas, ou será terrível.
(Ken) O que vocês vão fazer?
Evil cruzou os braços e deu de ombros.
(Evil) Fico com a missão.
(Todos)!!
(Akemi) Evil, não pode! E se Lady precisar de...
(Rox) Akemi, por favor. Não misture as coisas. A prioridade da equipe é impedir o mal de conseguir se multiplicar. E dessa vez é preciso interferir outra vez com a negociação de armas.
(Yohji) Ora, e Lady? Ela desapareceu.
(Rox) Oh, senhor Yohji. Não conhece as Silber como eu as conheço. Akemi, poderia dizer aos Weiss que não seria a primeira vez que Lady Bogard some assim, sem dar explicações?
(Akemi)...
(Ken)... isso é verdade?
(Evil) É.
(Akemi suspirando) Uma semana depois de entrar para a equipe... Lady saiu e não deu notícias por uns cinco dias. Evil e eu descobrimos o carro dela batido e ficamos preocupados.
(Evil) Procuramos por todos os locais.
(Akemi) Ela demorou mais três dias para voltar.
(Todos)!!
(Ken) E o que aconteceu?
(Akemi)...
(Yohji) Porque ela desapareceu tanto tempo? Estava ferida da batida?
(Evil -.-) Conte a eles, Akemi.
(Akemi) Bem... er... ela saiu com uma turma na praia à noite, e eles beberam tanto que se misturaram a uma excursão e por engano embarcaram num ônibus que ia para o Rio de Janeiro... foi isso...
(Todos)!!
(Omi) E o carro batido?
(Akemi suspirando) Ela esqueceu de trancar... um bêbado roubou, bateu no primeiro poste e fugiu...
(Yohji) Você tá de brincadeira!
(Evil) Ridículo, não acham?
(Rox) Nada garante que ela não tenha feito algo assim, ido parar em outra excursão...
Akemi olhou para Rox, parecendo magoada, mas permaneceu em silêncio. Os argumentos pareciam irrefutáveis.
(Evil) E a missão?
(Ken) Vai dar muito trabalho? Se não tem nada definido ainda... precisamos de um ponto de partida.
(Omi) Talvez o SSNV ajude. Não, ele é um programa para rastreamento de alvos específicos. Não resolverá nada nesse caso.
(Yohji) Merda! E mais uma vez eu tenho que ficar olhando. Será que já posso tirar o gesso?
(Aya) Não.
(Yohji)...
(Aya) Ainda faltam quinze dias pra tirar.
(Omi) Então vou...
(Akemi) Não!
(Todos)!!
(Akemi) Não. Não aceito essa missão! Acho que devemos rastrear o celular da Lady.
(Ken) Nas atuais circunstancias acho que não seria boa idéia.
(Aya) Cale-se, Hidaka.
(Ken) O.O
(Aya) Deixe que elas resolvam esse problema.
(Rox) Akemi, entenda a situação. Você acha justo prejudicar uma missão por uma atitude tão leviana?
(Evil) A prioridade da equipe é executar as tarefas.
(Akemi) Há, há. Equipe? Onde você está vendo uma equipe aqui? Só se for a Weiss Kreuz, porque equipe de duas pessoas não existe.
(Todos)!!
(Akemi) De que adiantam prioridades? Pra mim o que vem em primeiro é a amizade... e que merda de amizade é essa? Evil, percebeu que eu não sei nem a porra do teu nome?!
(Evil) Akemi...
(Akemi) E se fosse eu? Você daria preferência à missão ao invés de ir me ajudar.
(Evil) Não.
(Akemi)...
(Evil) Eu iria atrás de você. Mas não é o caso, porque você é uma garota responsável. Nunca sumiria sem dar notícias, a não ser que algo grave tivesse acontecido.
(Akemi) E porque não podemos pensar isso de Lady? Sabe, os casos são diferentes! Da primeira vez que Lady sumiu, ela não estava em uma missão!
(Evil)...
(Akemi) Temos muitos problemas, Evil. Antes de dar um passo tão grande, precisamos resolvê-los. Eu juro que se não aconteceu nada com Lady eu mesmo faço uma carta a Kritiker pedindo o desligamento dela. Mas caso contrário...
Evil ficou em silêncio. Parecia meditar sobre a questão. Os Weiss se mantiveram a margem dos acontecimentos. Estava tudo tão confuso, e a explosão da justiceira caçula os deixara ainda mais atordoados. Finalmente a jovem resolvera se impor e deixar claro quando não concordava com alguma coisa.
Ken, particularmente, sentiu orgulho de tanto progresso.
(Rox) Então, garotas? O que vai ser: a missão ou Lady?
(Akemi) Eu recuso a missão!
(Evil)...
(Rox) Evil, o que você vai fazer?
A ruiva parecia travar uma batalha internar. Estava dividida entre seu senso de justiça e a vontade de atender o pedido de Akemi. Estaria ela certa? Poderia mesmo Lady estar precisando de ajuda?
Num ponto a moreninha acertara: da primeira vez Lady havia sumido, mas não durante uma missão. Talvez aquele fosse um sinal que havia ignorado, levada por todas as suas idéias pré concebidas.
Deixara-se levar pela raiva, permitindo que um véu encobrisse seus olhos. Um carro que explode durante uma missão... aquilo era realmente grave.
Então, para o choque de todos os presentes, Evil sorriu de lado e descruzou os braços.
(Evil) Kemi, você quer mesmo saber meu verdadeiro nome?
(Todos)!!
(Akemi n.n) Não. Desculpe a raiva e por ter sido rude... vamos deixar o mistério assim mesmo...
(Evil) Ótimo. Rox, sinto muito, mas passamos a vez. Não podemos aceitar essa sua missão, porque já temos uma outra mais importante.
O jovem secretário da Kritiker empalideceu um pouco, mas acenou com a cabeça.
(Rox) Essa é a decisão final? Vou comunicar a Kritiker.
E sem esperar resposta, o moreninho deu meia volta e foi embora, parecendo um pouco apressado.
(Omi sorrindo) Vou ligar o micro e acionar o SSNV! Se meus cálculos estiverem certos, poderemos encontrar o sinal do celular de Lady em pouco tempo!
(Akemi animada) Combinado! Eu vou ligar para o telefone dela, e começar a gravar a mensagem no correio de voz.
Com a saída dos caçulas, Ken virou-se para Evil e sorriu.
(Ken) Foi uma decisão sábia. Difícil, mas sábia.
(Evil) Hn.
(Yohji) Só espero que Lady não estrague tudo...
No fundo Evil também esperava por isso...
oOo
Entrementes, mal saiu da locadora, Rox tirou o próprio celular do bolso e discou alguns números.
(Rox) Suryia? Sabe onde está o celular de Lady Bogard? Oh... me escute com muita atenção...
oOo
Num dos prédios mais altos do centro de São Paulo, uma espécie de reunião secreta acontecia.
Uma mulher elegante e alta andava de um lado para o outro, como uma verdadeira fera engaiolada.
(Freya) Maldição! Pensei que conseguiria desviar a carga do caminhão, mas as malditas Silber atrapalharam tudo!
(Nuryco) Como da última vez.
(Freya) Há, continue dizendo coisas estúpidas assim.
A loira lançou um olhar furibundo para a Freak e continuou com a marcha irritada.
(Mystik) Vamos colocar o plano em ação, de uma vez por todas.
A italiana brincava com o fio elétrico do aparelho de fax, balançando-o de um lado para o outro.
(Freya) É. Talvez tenha razão...
(Mystik) Algumas vezes o ataque é a única solução. E durante o caos, podemos conseguir alguma grana...
E impacientando-se acabou causando uma sobrecarga no fio, que percorreu o aparelho e o queimou, fazendo sair uma fumaça negra e mal cheirosa.
Freya observou aquela fumaça e franziu as sobrancelhas, preocupada com a atitude de Mystik. A Freak demonstrava uma ganância cada vez maior... talvez se tornasse um empecilho no futuro. Claro que se ocuparia disso depois, caso viesse a ser um problema.
Em todo caso cuidaria disso depois. Por hora a prioridade eram as malditas Silber... havia um plano em mente, no entanto colocar aquele plano em ação acabaria chamando muita atenção para suas atividades, mas por outro lado, seria a única maneira de acabar com aquelas moscas insignificantes chamadas Silber.
(Lilik) Quero minha vingança. Doutor Mau não pode derramar seu sangue em vão! Se você não vai fazer, eu vou!
Freya torceu os lábios de modo irritado. Não precisava de um motim logo agora!
(Nuryco) Está acontecendo uma guerra lá fora. Deixar tudo como obra do PCC seria providencial.
(Freya suspirando) Você pode ter razão. Sim... vou mandar chamá-lo... trarei aquele garoto aqui e então causaremos o caos!! Aproveitando essa onda de ataques do crime organizado. É hora de dar inicio a operação Hunted!
Ao ouvir aquilo Nuryco passou a língua pelos lábios e Lilik voltou ao estado quase catatônico, enquanto Mystik entendia que era hora de colocar o seu plano em ação...
Continua...
(1) Alguém aí já tentou escrever uma fic relativamente séria com o pentelho do irmão caçula azucrinando as idéias? Não? Então não tente... ò.ó
(2) Suuuuuuuuuuuuuuuuuuu espero que você entenda essa! ~.~
(3) o.o Porra, sabe que eu até esqueci que o ruivo estava na sala? Resolvi colocar um resmungo só pra mostra que ele não dormiu durante a explicação... n.n“”
Agradeço a Udak que me ajudou a dar o nome desse capítulo! Valeu, garotinho! XD~
Hum, a explicação sobre o SSNV pareceu muito mais plausível na minha cabeça... vou jogar a bomba para minha beta, e ver se ela acha q ficou bom... XD~
Capítulo meio enrolado, não é? Fiz de propósito, não aconteceu muita coisa importante, porque eu queria dar mais ênfase as Silber. E até que eu gostei do resultado final, apesar de parecer um pouco com encheção de lingüiça...
No próximo capítulo... finalmente Evil, Akemi e os Weiss vão descobrir o que realmente aconteceu com Lady e perceberão o quanto todos estavam enganados!
Preparem os corações para altas emoções. O ponto máximo da fic está chegando!