Título: Onde canta o sabiá
Ficwriter: Kaline Bogard
Classificação: yaoi, comédia, RA
Pares: AyaxYohji
Resumo: A trilogia se encerra com uma viagem ao maior país da América do Sul, numa missão nada rotineira...
Aviso: essa fic faz parte de uma trilogia chamada "Viagens" e é equivalente ao episódio 03 da saga (vindo logo após Dia de los muertos). Em cada 'episódio' os Weiss estarão viajando para um país diferente. Não é preciso ler as três para entender a história, ou seja, as três são independentes. Aqui se encerra mais uma insanidade!

 

Onde canta o sábia
Kaline Bogard

 

Capitulo V
Vitórias e derrotas...

 

 

O clima dentro do carro de Evil era um tanto tenso, por assim dizer.  Os quatro assassinos seguiam calados e sérios, concentrados na missão.

Akemi permanecia inconformada.  Ela acreditara que depois da atitude de Evil, confiando e querendo saber da opinião das companheiras, Lady Bogard agiria com mais maturidade, se integrando ao time de forma confiável.

A moreninha estava por demais decepcionada.  Movia-se a cada segundo, como se houvessem formigas no estofado preto.

(Akemi) Não acredito que Águia nos deixou na mão mais uma vez...

Ken, que estava sentado ao lado dela, no banco de trás, suspirou e tentou animar a colegial.

(Ken) Algumas pessoas não mudam tão facilmente.

Evil ouviu a troca de palavras, observando-os pelo espelho retrovisor.

(Evil) Não digam tolices.  Águia está participando da missão.

A surpresa foi geral.  Mesmo Aya parou de observar a rua escura através da janela e fixou as íris violeta na líder das Silber, exibindo uma muda indagação.

(Akemi) O que?

Suspirando, Evil desviou os olhos e concentrou-se na rua, fazendo os justiceiros se sentirem impacientes com a atitude.

(Aya) Vocês combinaram alguma coisa?

Evil respirou fundo, apreciando intimamente aquele instante de vantagem sobre os outros, principalmente sobre o espadachim sempre tão frio.  Depois resolveu explicar-lhes tudo.

Pelo visto nem todos estavam em perfeita sintonia.

(Evil) Bombay disse que desenvolveu um sistema anti-hacker muito bom, e que gostaria de testá-lo com Suryia... Mas tenho certeza de que ele desenvolveu algo mais.

(Ken) Ele disse isso?

(Evil) Claro que não.  Mas pela maneira que Bombay olhou pra mim, entendi que tinha algo muito bem calculado, e que seria a oportunidade perfeita para por em prática.

(Akemi impressionada) Oh!

Então Aya apontou a caixa de Pandora, que vira Evil guardar dentro do porta luvas do carro.

(Aya) E Águia colaborou com isso?

(Evil impaciente) Não só isso.  Como vocês são lentos no pensamento, hein?

(Aya) -.-*

(Akemi) Evil, desculpa, mas acho que vocês é que são muito rápidos.

(Evil) Então tentem me acompanhar: Bombay faz um plano.  A oportunidade perfeita chega.  Colocamos o plano em prática, sem que Suryia desconfie, porque não falamos sobre nosso objetivo em voz alta.  Agimos por instinto, através de trocas de olhares significativos.

(Akemi) Continue.

(Ken) Nossa...

(Evil) Aqui entra a teoria: supondo-se que o plano de Bombay funcione e ele descubra o paradeiro de Suryia... Isso não adiantaria muito, não é?  Ele não pode deixar o micro, e Balinese não pode entrar em ação... Pelo menos não sozinho.

(Ken) Entendi!

(Akemi surpresa) Águia recusou a missão, porque se Bombay tiver sorte vai precisar da ajuda dela!  Ela vai atrás de Suryia!

(Evil) De nós três, Águia é a pessoa que mais descarta missões.  Agindo assim, Suryia não vai desconfiar de nada.  Se Akemi ou eu recusássemos, poderia colocar essa garota em alerta.

(Ken) Porra, vocês fizeram tudo isso sem combinar nada?  Foi apenas agindo por instinto e intuição?

(Evil) Exato.

Akemi e Ken não puderam conter sua surpresa, soltando exclamações em voz alta.  Não podiam acreditar naquilo!

Evil desviou os olhos da estrada por um segundo e olhou pra o lado de Aya, bem a tempo de flagrá-lo observando-a com um traço de admiração nas íris ametista.  Também fora pego de surpresa pela revelação dos planos de Evil, Lady Bogard e Bombay.

Teve a certeza de que se continuasse assim, logo, logo a Silber Kreuz seria uma equipe tão boa quanto a Weiss, levando-se em conta o potencial que duas das integrantes haviam acabado de demonstrar...

oOo

(Lady) Uuuuuuuaaaaa!!  Que sono da porra... O que ‘cê tá fazendo aí, Omi?

A morena entrou na sala das missões bocejando e se espreguiçando toda, com uma latinha de cerveja na mão esquerda.  O loirinho estava sentado ao micro, digitando códigos em linguagem de programação.

Yohji estava sentado todo tenso em uma das poltronas, aguardando que o outro finalmente ligasse os comunicadores.

(Omi sorrindo) Esperando o pessoal entrar em ação.  Em poucos segundos acho que já posso conectar os aparelhos de comunicação.

(Lady) Ah...

O desinteresse era óbvio.

(Yohji) Você não se preocupa nem um pouquinho com a situação?

(Lady sorrindo) Me preocupo.  Sim... Muito até.  Garotos, eu vou dar um pulo no supermercado.  A cerva acabou e não podemos ficar sem...

(Yohji o.o””)!!

(Omi) Não quer nem acompanhar o desenrolar da missão?

A pergunta veio seguida por um olhar extremamente significativo.

(Lady n.n) Não.  Estou saindo.

(Omi) Entendo.  Ah, por favor, pega o laptop da Kemi?  Não vou usá-lo.  Já fiz tudo o que tinha que ser feito, mas não vou ficar mais tempo com ele.

(Lady) E você quer que eu fique com isso até ela voltar?

(Omi) É por pouco tempo.

Fazendo uma careta, a garota pegou o micro portátil que estava na escrivaninha bem ao lado de Omi.  No entanto fez com tanta má vontade, que o aparelho lhe escapou dos dedos e caiu sobre o carpete, com um som abafado.

(Lady) Merda!  Isso era do pai da Kemi... Se quebrou, ela nunca vai me perdoar.

(Yohji) Nossa, mas você praticamente o jogou no chão...

(Omi) Yotan!

(Yohji) O que foi?  Eu disse a verdade.

(Lady) Vou aproveitar que tem uma loja de informática de um amigo meu no caminho do bar.  Tenho certeza que ele concerta pra mim sem cobrar nada.

(Omi)...

(Yohji)...

(Lady sorrindo) Vem comigo, Ku!  A gente bebe algo por aí, vai ser divertido.

O convite veio seguido por um olhar mais que significativo, tanto para Omi quanto para Yohji, porém o loiro mais velho pareceu não perceber.

(Yohji) Não.

(Lady) Ah, qualé?  Conheço um barzinho que é ótimo!

(Yohji) Prefiro ficar aqui.

(Lady) Tomar uma cerveja não fará mal algum.  Você vai ver...

(Yohji) Já disse que não!  Pode não se importar com a segurança das suas companheiras... Mas eu me importo com os meus!

(Lady)!!

(Omi surpreso) Yohji!

(Yohji) Ser bem humorada não justifica esse pouco caso com suas amigas.

(Lady) Há, pode parar por aí, loirão.  Você não tem direito de me dar sermão só porque não quero fazer uma missão.  Não sou boa pra esse lance de trabalho em equipe.  EU decido qual trabalho aceito ou não.

(Yohji)!!

(Lady) Sou uma água solitária, e gosto de dar meus vôos sem ninguém me torrando a paciência.

(Yohji) Está confundindo tudo.

(Lady) O que?

(Omi preocupado) Yohji... por favor...

(Lady) Não, Omi.  Deixa o loiro continuar.  Pode me dar lição de moral, Yohji, se isso te deixa mais feliz.

(Yohji) Pra gente, pouco importa se faz uma missão ou não, Lady.  Eu faço parte de algo... tenho a minha equipe.  Devia se perguntar onde é que a Silber vai parar, se vocês continuarem com essa pose de ‘não-tô-nem-aí’.  Recusar uma missão não é a questão, mas a partir do momento que escolheu a Kritiker, você assumiu responsabilidades.

(Lady) Sei.  Pega esse seu discurso barato e volta pro Japão.  Se quiser até ligo pro aeroporto.  Assim adianto o serviço.

(Yohji) Tsc.  Não entendeu nada.  O importante não são as missões, nem mesmo o trabalho em equipe.  Mas saiba que um dia tudo se acaba.  Você também não vai viver pra sempre.

(Lady)...

(Yohji) E quando seu fim chegar, você estará sozinha, ‘Águia Solitária’... ninguém lamentará por você... ninguém derramará uma única lágrima...

Omi engoliu em seco, achando que Yohji havia pegado pesado.  Os antagonistas apenas se encararam um segundo.  Mas foi um segundo tenso, que terminou com a garota dando de ombros, mantendo uma expressão indecifrável na face.  A única coisa evidente é que ficara com raiva.

(Lady furiosa) Tá, tudo isso só por causa da porra de um convite.  Ok, vou chapar sozinha, e nem precisam esperar eu voltar... Não dou as caras por aqui enquanto esses japas não voltarem para a puta que pariu!

(Yohji)!!

(Omi)...

Muito irritada, a morena pegou o laptop do chão e saiu pisando duro.  Estava quase saindo da sala quando se voltou para o loirinho e arremessou a latinha vazia pra ele.

(Lady) Vê se serve pra alguma coisa e joga isso no lixo.

(Yohji) Ei!  Você é mesmo uma folgada!

A garota não respondeu.  Deu o fora antes do playboy continuar com as exclamações indignadas.  Totalmente incrédulo, o loiro voltou-se para o companheiro.

(Yohji) Não jogue isso fora!  Omi, você não é empregado dela!

Para surpresa do ex-detetive, Omi pegou a latinha na mão e sorriu amplamente.

(Omi) Está tudo bem, Yohji.

Ao segurar a lata de cerveja, Omi notara que a mesma tinha um peso acima do normal.  Lady tinha colocado alguma coisa ali dentro.

oOo

Resmungando, a morena de tranças ligou o carro e saiu cantando os pneus.

(Lady) Essa é boa.  O cara fica meia hora dando sermão, mas me deixa sair à caça de uma hacker perigosa sozinha... Cadê o trabalho em equipe nessas horas?

Dirigiu uns vinte minutos sem rumo definido, e acabou estacionando em um beco meio sombrio.

(Lady) Eu é que não vou enfrentar Suryia sem armar um excelente plano B.

Saiu do carro e abriu o porta malas, tirando uma caixa de ferramentas de bom tamanho.  Retirou um canivete, e o usou para rasgar o banco de trás do Discovery 03.  Escondia um pacote com uma quantidade razoável de C4 entre o estofamento.

Arrastou-se para debaixo do carro, raspando as costas, afinal não estava com roupas das missões, e sim uma comum do dia a dia.

Sabia que isso era fundamental para a perfeição do plano.

Desde o momento em que vira os olhos de Omi brilhando de emoção, Lady entendera que o jovem tinha um Ás na manga... e ela sabia perfeitamente que era a única que podia recusar uma missão sem causar assombro em ninguém.

(Lady) He, he, he... sou fodona mesmo.

Recusara com tanta naturalidade, que todos, exceto Evil e Omi, haviam caído na sua lábia.  Contava ainda com a ceninha com Yohji de mais cedo.  Com aquele golpe de misericórdia, tinha certeza de que Suryia cairia nas garras da Silber Kreuz feito um patinho!

Enquanto ia repassando seus passos, a morena implantava a carga de explosivo em seu automóvel, preparando-o para uma emergência.

Assim que ajustou e a colou com fita adesiva, saiu debaixo do carro e sentada no chão coçou o queixo.

(Lady) Ótimo.  Já tinha o receptor preparado no piso do carro... Mas preciso de um emissor... um emissor pequeno, fácil de esconder e que eu possa camuflar.

Apesar de pensar muito não encontrou em nada apropriado.  A não ser...

(Lady) Merda!  Esse som me custou os olhos da cara!

Sem alternativa voltou ao interior do carro e dando uma última olhada ao aparelho de som com MP3, suspirou.  Logo o canivete entrava em ação e o moderno mecanismo era destruído.

(Lady) Tudo por causa da porra de um chip transmissor.  Enfim... vou adaptá-lo a automática e fico com a semi-automática pra uma... MERDA!

A morena lembrou-se de que a semi ficara na Angels, caída no chão depois da luta contra Evil... Esquecera-se completamente de pegá-la outra vez.  Isso significava que tinha apenas uma arma em suas mãos...

(Lady) Merda... merda mesmo...

Respirando fundo, enfiou a mão debaixo do banco do motorista e tirou a arma que mantinha escondido ali.  Sem opção apertou o botão que liberava o pente, e pesou-o na mão.

Em seguida retirou uma a uma todas balas, colocando-as no porta luvas.  Teria que partir pra ação com uma arma descarregada.  Talvez não fosse um empecilho muito grande, afinal, tinha ordens de pegar Suryia viva.

(Lady) Que seja...

Com cuidado e paciência, começou a montar um pequeno emissor com as peças do aparelho de som MP3.  Adaptou-o ao pente da automática e ajustou-o ao pino que liberava a munição.

(Lady sorrindo) Hum... que obra de mestre.  Se for preciso, eu aperto esse botão e mando um terço do bairro pelos ares.

Os olhos castanhos caíram sobre o Discovery 03.

(Lady) Pena que o seguro não cobre explosões... enfim, eu já estava cansada dele mesmo.

Colocou a arma no cós da calça e recolheu rapidamente as ferramentas espalhadas.

(Lady) Agora vamos ver o que Bombay preparou para mim.

Sua intuição lhe alertara para o fato de que havia algo naquele laptop.  O loirinho fora muito categórico ao afirmar que já havia feito tudo o que era preciso.

Sentou-se no banco do carona, colocou-o sobre as pernas longas e ligou o aparelho.  Assim que iniciou, Lady quase caiu pra trás.

(Lady) Porra, Omi!  Eu tomo surra do Windows, e você me vem com Linux?!!

Desolada, moveu os olhos castanhos pela tela do micro portátil.  No entanto não foi preciso mover um único dedo.  Como rotina pré-programada, um sistema começou a rodar.

A tela exibiu a simulação tosca de um mapa sobreposto a um labirinto, em linguagem C+, muito semelhante aos antigos jogos atari.

E no cantinho inferior direito do labirinto, tinha um pontinho vermelho com a palavra ‘você’ piscando intermitente.

(Lady sorrindo) Eu!  He, he, he...

Em seguida o interior do automóvel foi tomado por um som baixo, monótono e repetitivo, que fez a Silber arregalar os olhos.

(Lady) Isso parece... missa!  Transmitida via rádio AM?!

Cada vez mais confusa, a garota afundou o corpo no banco.  O que quer que Omi havia tramado envolvia: atari e um padre monologando.

oOo

(Omi) Abyssinian...? Corvo...?  Na escuta?

Os referidos se entreolharam.  Finalmente Omi ligara os comunicadores.

(Aya) Hn.

(Omi) Onde vocês estão?

(Evil) Nos aproximando do galpão.  Não encontramos o caminhão na rodovia.  É óbvio que já chegou ao destino.

(Omi) Certo!  Vou acessar os dados do galpão e ver se há algo de estranho.

(Evil) Tenho certeza que não vai encontrar nada.

(Ken) Principalmente porque estão com cobertura dos federais.

(Akemi) Águia fará falta nesta missão...

Foi a forma da moreninha entrar num assunto delicado.  Não podiam perguntar diretamente, pois não sabiam se alguém estava na escuta.

Interiormente, Evil e Aya aprovaram a atitude de Akemi.  A caçula fizera a afirmativa na hora certa.

Omi não perdeu tempo.  Pegou a deixa e esclareceu.

(Omi) Ela não está aqui.  Saiu...

Os assassinos se entreolharam e balançaram as cabeças.  O plano estava em perfeito andamento.

(Ken) Perdemos uma chance de ouro de pegá-los na rodovia.  Seria providencial e mais fácil.

(Aya) Hn.

(Evil) Eles se adiantaram ao horário esperado.

(Akemi) Er, Bombay...?

(Omi) O que foi, Beija-flor?

(Akemi) A Suryia já deu sinal de vida?  Afinal, você disse que preparou um sistema anti-hacker, mas se ela não agir, não adianta nada.  Isso e o fato das Freaks... será que vamos enfrentá-las?

(Omi) São perguntas difíceis de serem respondidas... Suryia ainda não fez nada, mas isso não significa que não esteja nos rastreando.  Sobre as Freaks... é preciso se preparar para qualquer eventualidade.

(Ken) O problema maior é chegar ao galpão sem sermos descobertos.  Depois disso a caixinha com a bomba fará todo o serviço... hum... bem que a Kritiker podia treinar um de nós com isso, não é?  Seria bem mais fácil...

(Aya)...

(Omi)...

(Akemi sorrindo) O problema da nossa equipe não são as habilidades... pelo contrário... Nossos obstáculos começam com a falta de boa vontade de algumas integrantes.

(Evil)...

(Ken) Discutir isso agora não vai ajudar em nada.  Se você está incomodada converse com suas companheiras quando chegar em casa.

(Omi) Pessoal, Corvo estava certa.  Não consta nada em relação ao galpão em questão.  Ele está no nome de uma firma fictícia, mas isso consta no relatório que a Kritiker nos enviou.

(Ken) Pra agir ilegalmente os bandidos sempre tomam todas as providências.

Os assassinos silenciaram.  A rodovia estava com tráfego muito fluente.  Haviam poucos carros viajando aquela hora, o que deixava o trajeto limpo.

Foi pouco tempo depois que se aproximaram das redondezas do galpão.  Imediatamente Evil tomou o retorno e desviou, diminuindo a velocidade.  Desligou os faróis, redobrando o cuidado ao avançar.

(Ken) Bombay... é hora da ação.  Vamos nos dividir!

Silêncio.

(Akemi) Oh, não!

(Ken) Bombay?  Bombay?!

Imediatamente os quatro perceberam que os comunicadores estavam mudos.  Dessa vez Suryia havia agido com tanta perfeição, que era impossível dizer o momento exato em que haviam sido isolados.

(Evil) Essa garota é esperta mesmo.

(Aya) Hh.

(Ken) Mas temos que fazer algo.  Como vamos agir?  Nós quatro somos especialistas em armas para ataques a curta distância.

(Akemi sorrindo) Se engana.  Também uso uma foice... é ótima para atingir alguém mais afastado.  E Corvo usa Sai.  São armas que podem ser arremessadas.

(Ken) Realmente habilidade não é o ponto fraco da Silber Kreuz.  Então vou com Corvo, e Abyssinian vai com Beija-flor...

O moreninho sabia que deixar os dois líderes sozinhos não era uma boa idéia.  O clima poderia ficar tenso.

(Evil -.-*) Hn.

(Aya -.-*) Hn.

(Ken o.o”) Er... continuem traçando o plano... líderes...

O moreninho se arrepiou diante do olhar de ambos os ruivos.  Nenhum deles havia gostado de sua intromissão.  Apesar de saberem tão bem quanto qualquer um que aquela divisão era a mais acertada.

(Aya) Corvo e Siberian devem distrair os inimigos.  Beija-flor e eu colocamos a bomba.

(Evil -.-*) Siberian e eu colocamos a bomba.  Vocês dois distraem os inimigos.  A armadilha foi montada por um membro da MINHA equipe.  Logo EU vou detoná-la.

(Aya) -.-*

(Ken) Tudo bem!  Tudo bem!  Essa estratégia é boa!

(Akemi) Então vamos logo.  Quanto antes terminarmos isso, melhor.

Concordando com a moreninha, Evil parou o automóvel de uma vez.  Aproveitou-se de alguns arbustos, para escondê-lo das vistas de qualquer pessoa.

(Ken) Bombay?!  Bombay?

O jogador ainda tentou, no entanto a falta de pronunciamento só provava uma coisa: mais uma vez, Suryia parecia um passo a frente deles.

oOo

Quando o sinal dos comunicadores foi cortado, Omi se pôs em alerta, pronto para ativar seu programa anti hacker.

No segundo seguinte, a tela do seu micro piscou.

(Omi) Não vou cair no mesmo truque!

O sistema se recuperou da investida, e o monitor voltou a funcionar.

(Yohji) É ela, Omi?

(Omi sério) Sim.  Está me atacando com carga total, felizmente consegui fazer frente a ela.

(Yohji aborrecido) Que merda! Aposto que Aya e os outros não podem entrar em contato com a gente...

(Omi) Sinto muito.

(Yohji) Não estou jogando a culpa sobre você, chibi.  Mas admito que essa guria é bem inconveniente!

(Omi) Por enquanto meu programa está dando conta...

(Yohji) Mas o que adianta apenas ‘dar conta’?!  Isso não nos deixa mais próximos a ela.

O loirinho não respondeu.  Ele não podia dizer que na verdade, seu programa anti-hacker era apenas uma camuflagem...

Os grandes olhos verdes se desviaram para o cantinho da tela.  Havia um pequeno ícone piscando, indicando que um outro programa estava em operação.  E esse sim, era de vital importância.  Era nesse pequeno e obsoleto arquivo, desenvolvido em ultrapassada linguagem C+, que o Weiss colocava todas as suas esperanças.

(Omi) Oh!

Sua atenção voltou para o programa principal, que servia de chamariz e distração.  O micro das missões estava sendo atacado com força total.  O System32 por pouco não fora danificado fatalmente.  E sem ele todo o esquema já era.

Felizmente o arqueiro previra uma estratégia nociva dessas, e estava pronto para alterar o caminho de acesso ao arquivo, criando uma porta alternativa que despistou o vírus enviado por Suryia.

(Omi) Ela entende mesmo disso...

(Yohji) Está te dando uma surra!  Olha ali...

O playboy apontou a tela: todos os ícones começaram a se desmanchar, e pouco a pouco se transformavam em código binário, com os dígitos variando entre 0 e 1 com seqüências aparentemente aleatórias.

(Omi) Vírus agressivo... pior que um Trojan Horse!

(Yohji) Ih... ela vai dar um pé na sua bunda e varrer você da net!

Quando a linguagem de máquina atingia mais da metade da tela, subitamente parou de converter os arquivos do PC das Silber.

(Omi) Travei o avanço.

Mais rápido do que antes, a tela voltou ao normal, mostrando que as defesas de Omi eram mais velozes que os ataques de Suryia.

(Yohji surpreso) Nossa.  Eu não estou participando de nenhuma ação de risco, mas me sinto empolgado!  Parece uma batalha...

(Omi) E é uma batalha, Yotan.

Os olhos azuis se fixaram sobre o ícone de seu segredinho.  Ele continuava piscando velozmente, mostrando que atuava como o previsto e seguia invisível.

(Omi pensando) Céus... tenho que me manter conectado por mais algum tempo!  O suficiente para que Lady entenda os sinais enviados! Precisamos vencer pelo menos essa!

oOo

Arregalando os olhos, Lady entendeu que havia cochilado!  Olhou para ambos os lados.  Não podia acreditar que realmente dormira sentada dentro do carro, com as portas abertas naquele beco escuro.

(Lady) Porra, garota!  Onde você está com a cabeça?

Mas a verdade é que ficar esperando um sinal, olhando para aquela tela imutável com ‘cara de Atari’, e ainda por cima ouvindo a missa, era tão chato que Lady não resistira: caíra nos braços do Morfeu por uns bons vinte minutos.

(Lady) He, he, he... taí uma coisa que ninguém precisa saber.

Por um segundo usou a ironia para camuflar um pensamento chato que lhe cutucou: esperar durante uma missão, sozinha, era muito chato.  Lembrou-se da noite de vigia ao lado de Ken.  Fora divertido pegar no pé do moreninho...

(Lady suspirando) Trabalho em equipe...?  Eu poderia me acostumar com isso...

Então notou uma coisa que antes não estava na tela no micro: uma bolinha verde surgira praticamente do nada, e piscava.  Sobre ela estava escrito ‘Suryia’.

(Lady impressionada) Oh!  Como foi que Bombay fez isso?!

Percebendo do que se tratava, Lady arrastou-se para o banco do motorista, depois de bater a porta do Discovery 03.  Ligou o motor e arrancou de ré a toda.

Nos primeiros instantes teve muita dificuldade para se localizar no ‘labirinto’ criado por Omi.  Depois que se acostumou com os sentidos e direções, foi fácil descobrir que deveria seguir rumo a zona leste.

À medida que se aproximava do pontinho que indicava a localização de Suryia, a Silber sentia o coração disparar, animado pela emoção da caçada.

(Lady) Putz, é um bom lugar pra se viver...

Observou as casas daquele bairro classe média alta.  Eram residências grandes e espaçosas, bem cuidadas.

Quando ia passando por uma rua especifica, o laptop disparou um alarme que lhe causou um susto.  Brecou o automóvel, parando no meio do asfalto.  Sorte que não vinha nenhum outro carro...

(Lady) Deve ser por aqui!

Os olhos castanhos admiraram a rua com precisão quase analítica.  De um lado, havia uma escola, que tomava todo o quarteirão.  Do outro lado, haviam três residências.

Guiando devagar, Lady Bogard foi observando as casas.  A primeira era de dois andares, muito bonita e sólida.  Tinha luzes acesas no andar de cima.

A do meio se mostrava menor, porém tão bonita e bem construída quanto a outra.  Duas crianças brincavam com um cão na área da frente, apesar do adianto da hora.

Por fim, a última casa estava toda fechada e as escuras.  Uma placa de ‘aluga-se’ era visível pregada na grama um tanto alta.  A caixa de energia possuía uma trava, daquelas que bloqueiam a energia.  Assim como o registro de água.  Aquela residência estava inabitável.

Logo...

(Lady sorrindo) Nosso pombo se esconde na primeira... he, he, he...

Ainda dirigindo lentamente, voltou de ré e estacionou na frente da casa suspeita, mas na calçada da escola.  Não se importou de parar na contra mão.

Nesse instante seu celular tocou.

(Lady) Merda!

Vasculhou o automóvel atrás do pequeno aparelho, e foi encontrá-lo no porta luvas, junto com as balas da pistola automática.  Soltou uma imprecação ao reconhecer o número.

(Lady) Fala sério, Edu!  Vê se isso é hora de ligar pra mim!  Que merda... e, aliás,  como foi que conseguiu o número do meu celular?!  Ah... eu fiz isso, é?  Certo... mas... não justifica!  Não enche o saco!

Desligou o celular e respirou fundo.  Porém no instante seguinte abriu o flap e discou para o rapaz.

(Lady) Edu!  Desculpa... eu... to num período ruim... acho que é TPM... olha, não posso falar agora, mas a gente marca algo pro fim de semana, tá bom?  Me liga sábado!  Beijo...

Desligou novamente.  Aquele Edu era um gato!  Não podia correr o risco de perdê-lo só por causa do estresse de uma missão idiota.  Sentindo-se feliz consigo mesma, enfiou o aparelho no bolso da calça capri e desceu do carro cheia de precauções.

Mal deu dois passos em direção a casa que julgava ser o esconderijo de Suryia e parou.  Podia ouvir as vozes das crianças brincando.

(Lady) Merda.

A carga de C4 acabaria atingindo aqueles dois, se fosse detonada quando ambos estivessem na área da frente.

Agora não estava mais no Iraque.  Não precisava fingir que as vidas dos inocentes eram descartáveis... havia outra opção.

Decidida, mudou o rumo e aproximou-se da casa onde dois garotinhos brincavam com o cão de estimação.

(Lady) Ei, guris!

Ambos olharam para a estranha com os olhos arregalados.  Ficaram imediatamente assombrados pela marca de queimadura no braço.

(Lady) Vão chamar a mãe de vocês.  Digam que tem uma policial querendo falar com ela.

Os moleques saíram correndo. “Policial?  Mas que porra de disfarce é esse?”  Porém era tarde para recriminações.  Logo uma jovem senhora aparecia pela porta da frente.  Tinha as grossas sobrancelhas franzidas, demonstrando preocupação.  Os meninos ficaram espiando de um vão na janela.

(Mulher) Pois não?

(Lady séria) Desculpe o incomodo... sou uma policial, estou trabalhando a paisana e segui um criminoso perigoso até aqui.  Já pedi por reforços, mas enquanto eles não chegam, quero que você e seus filhos se escondam em um lugar seguro.  De preferência um cômodo com laje resistente.

(Mulher)!!

(Lady) Fique lá até ouvir as sirenes do reforço, entendeu?

(Mulher) Mas...

(Lady) Rápido!  Eu tenho que caçá-lo, antes que ele fuja!

A pobre mulher balançou a cabeça e foi se esconder.  “Que sorte que ela não pediu o distintivo!!”  Cada vez mais feliz consigo mesma Lady retomou seus objetivos.

Agora sim podia partir para a ação de uma vez!

Toda cautelosa aproximou-se da casa em questão.  Era quase um tiro no escuro, afinal só tinha o programa desenvolvido por Omi para confiar, mas se chegara até ali, era por algum motivo.

Sondou a frente da residência.  Parecia uma moradia comum... não tinha nenhuma câmera de segurança.

(Lady) Se é aqui, essa Suryia é bem confiada...

Deu a volta andando na mesma calçada.  Apenas seguiu para os fundos, saltando o muro com habilidade, após verificar se tinha algum cachorro.  Felizmente não tinha.

Atravessou a área meio escura, e alcançou a porta dos fundos.  Não havia sinal de vigilância por ali também.

(Lady desconfiada) Já pensou se eu invado a casa errada?

Com o coração aos saltos resolveu mandar tudo a merda.

(Lady) É vai ou racha.  Não tem essa de ficar assustada... O que uma hacker pode fazer contra mim?

Meteu a mão na maçaneta e escancarou a porta, contando com o elemento surpresa.

Entrou em uma ampla cozinha... vazia e escura.

Avançou lentamente passando pelas cadeiras, tentando não esbarrar em nada, tão grande era a escuridão.  Acabou saindo em uma sala mais iluminada, devido às janelas sem cortinas.

Lady percebeu que tinha luz vindo da direção do andar superior.  Se Suryia estava mesmo por ali, com certeza era em um dos cômodos altos.

Novamente com o coração aos saltos, a Silber galgou as escadas de madeira, pisando de leve, testando com a ponta do pé, evitando a todo custo ranger algum degrau.

(Lady baixinho) Até que enfim!

A única porta iluminada era também a única aberta.  Um som de digitação era possível ser ouvido.  Emocionada, a morena rumou para lá, não sem antes empunhar a automática.

Invadiu uma espécie de quarto-escritório, onde uma garota loira, aparentemente baixinha, permanecia sentada na frente de um micro computador, de costas para a porta.

(Lady sorrindo) Olá dona Suryia... Afaste esses dedinhos do teclado, e vire-se bem devagar.

Pega de surpresa, a garota obedeceu, retesando as costas de pura tensão.

Assim que ela virou a cadeira giratória, Lady a reconheceu como a mulher da praia.  Ali estava Suryia: loira, meio baixa, com as chamativas mechas verdes no cabelo.  As sobrancelhas estavam franzidas, denotando surpresa e certa curiosidade.

(Suryia) Como foi que você chegou aqui...?

(Lady) Ah, ah... Eu faço as perguntas... Vai empurrando essa cadeira bem devagarinho...

(Suryia)...

Presa pela mira da automática, a hacker não teve alternativa a não ser obedecer.  Arrastou a cadeira até afastar-se completamente do PC.  Apesar da situação, Suryia estava bem calma.

Sem tirar os olhos da outra, Lady foi até a tomada e a puxou com um tranco, usando a ponta do sapato.  O micro foi desligado.

(Lady) Prontinho... sua brincadeira acabou.

(Suryia sorrindo) E agora?  Vamos sair para beber?  Conversar?  Você gosta dessas coisas, não é?

(Lady) Ora, não me provoque pirralha.

(Suryia -.-*) Sou mais velha que você.

(Lady u.u) Mas é mais baixa.  Me respeite.

(Suryia)...

(Lady) Agora vou levar você pra Angels... Tenho certeza de que vai ADORAR conversar com Evil... he, he, he...

Ambas se encaram por um segundo.  Apesar de tudo, Lady não podia esconder a admiração pela capacidade demonstrada por Suryia, assim como a hacker não podia deixar de dar um crédito a Silber, por ela ter chegado tão longe, mesmo que com a ajuda dos outros justiceiros.

(Suryia) Hn...

(Lady) Nem pense em gracinhas, não vou hesitar em disparar, a Kritiker quer você viva, mas isso não quer dizer necessariamente inteira... Se é que me entende.

Uaaaaaa, eu devia ganhar um Oscar.  Sou uma atriz perfeita.”

No entanto para assombro de Lady, Suryia cruzou os braços e sorriu de orelha a orelha.

(Suryia) Não vou a lugar algum.

(Lady)...

(Suryia) Vou ficar aqui mesmo.  EU vou lhe fazer umas perguntas, e quero respostas a todas elas.  Respostas satisfatórias... é claro.

(Lady)!!

A morena ficou pasma com a atitude altiva e autoritária.  Como Suryia podia ser tão abusada?

(Suryia) Pode começar dizendo como foi que chegou aqui.  Acompanhei cada um dos passos de vocês... Não compreendo onde foi que eu errei.

(Lady XD) Garota... Não sei se percebeu... Estou apontando uma arma pra você...

(Suryia sorrindo) Ah, claro.  Abaixe essa pistola devagar, ou vai se machucar.

(Lady surtando) ESTÁ ME AMEAÇANDO?

(Suryia) Eu não... ele.

A Silber virou o rosto na direção da porta.  Então seu coração falhou uma batida, tamanha a incredulidade e decepção que a acometeu.  Aquilo só podia ser um pesadelo.

(Lady) Rox... você?

O moreninho, secretário da Kritiker acabara de chegar, e empunhava uma pistola, aparentemente do mesmo calibre da arma da morena.

(Rox sorrindo) Desculpe a demora!  Eu tinha ido ao mercado, por isso deixei Suryia sozinha... Pelo visto foi uma sorte oportuna.

(Lady) Rox... não acredito que nos traía esse tempo todo.  Você ajudou com as câmeras, não foi?

(Rox) Ah, desconfiaram delas?  Claro, eu tinha acesso ao local, muita liberdade.  Foi tão fácil...

(Lady furiosa) Colocaram nos banheiros também?

(Suryia)...

(Rox)... Não...

(Lady) Menos mal.  Senão eu matava os dois agora mesmo!

(Rox) Bom, um dia da caça, outro do caçador.  Abaixe essa arma, e comece a falar: como descobriu nosso esconderijo?

(Lady) He, taí uma coisa que não falo nem sob tortura.

(Rox n.n) Tortura?  Isso pode ser providenciado...

Sentindo a face ficar lívida, Lady trincou os dentes.  Estava numa senhora enrascada, mas uma coisa que não faria jamais era dedurar suas companheiras.  Jamais estragaria tudo revelando as estratégias criadas com tanto cuidado.

Não viera ali para brincar, e se aprendera algo crescendo no Oriente Médio, era que, numa situação daquelas, ou se matava o inimigo ou morria lutando.  Cair como prisioneira de guerra era inadmissível!

(Lady sorrindo) Tem razão Rox.  Um dia da caça, outro do caçador...

Enquanto falava, Lady erguia os braços devagar, deixando evidente que pretendia pressionar o botão que liberava o pente e a munição.  Botãozinho ao qual estava acoplado seu desesperado plano B...

Suryia e Rox relaxaram... No momento errado.

Quando a morena pressionou o botão, o transmissor foi acionado e a carga oculta no piso do Discovery 03 explodiu com força total.  Apesar do veículo estar do outro lado da rua, o impacto da explosão foi tal, que tremeu as redondezas, fez o vidro das vidraças das casas próximas explodir em mil pedaços.  Cacos voaram para todos os lados, pedaços de reboco, assim como blocos de cimento de vários tamanhos, misturados com pedaços de tijolo.

Suryia acabou caindo da cadeira, enquanto Lady e Rouxinol apenas perdiam o equilíbrio, movendo-se para desviar-se dos destroços.

É agora!!

A Silber notou que Rox desviava a arma um milímetro... Espaço suficiente para que arriscasse uma investida.  Agindo velozmente, tentou saltar sobre ele.

Porém o moreninho percebeu a intenção da garota, e moveu-se por puro instinto.  Ainda meio desequilibrado, ergueu a mão com a arma, e mal fazendo mira, puxou o gatilho.

Lady arregalou os olhos mais de admiração do que de surpresa.  Rox tinha uma mira incrível!  Era surpreendente que apesar de toda a situação, de estar desequilibrado e com o rosto meio virado, o moreninho conseguisse alvejá-la em cheio, no lado esquerdo do peito.

(Lady)...

Suas pernas fraquejaram, e a garota tombou para o lado, entre poeira e cacos de vidro, sem deixar nem mesmo um lamento escapar.

Suryia balançou a cabeça com força, tentando afastar a tontura e o zunido nos ouvidos. Alguns caquinhos e poeira caíram dos fios loiros.

(Rox) Você está bem, Suryia?

(Suryia) Sim!  Foi por pouco...

O rapaz usou a ponta da pistola para coçar a cabeça.  Parecia impressionado.

(Rox) Chegaram perto dessa vez.

(Suryia séria) E garanto que não haverá uma próxima.

Enquanto fazia essa afirmação grave, a hacker tinha os olhos fixos na garota que fora vencida.

(Rox suspirando) E essa agora... Onde fica a tortura?

A loira deu de ombros e levantou-se do chão.

(Suryia) Vamos limpar nossas pistas e dar o fora daqui.  Logo a polícia vai cheirar essa confusão.

(Rox) Hn... e que tal deixar o pessoal da Silber e da Weiss bem confusos?

(Suryia sorrindo) Claro!  Deixá-los confuso é a minha diversão preferida!

oOo

Evil e Ken avançaram pelo terreno escuro.  Poderia Nuryco ser responsável pelas sombras que dominavam o campo de ataque?  Muito provavelmente não...

Era época de lua nova, e haviam poucas estrelas no céu noturno...

Enquanto matutava esses pensamentos, a líder das Silber apertava a caixinha com explosivos na mão.  Ainda não tinha contato com Bombay e Balinese, o que significava que Suryia estava agindo, e que a inútil da Lady não conseguira levar sua tarefa ao final... Talvez tivesse abandonado tudo.

Só imaginar isso causava um furor em Evil.  Se pudesse expulsar a morena da equipe... com certeza o faria!

(Ken) Corvo... atenção!

O moreninho estendeu o braço e impediu a ruiva de continuar.  Ambos haviam parado entre uma espécie de vegetação, protegidos por árvores e folhagens altas.

Concentrando-se na missão, Evil notou o galpão, cercado por cinco guardas armados.  Todos carregavam semi metralhadoras.

(Evil) Merda!

(Ken) Isso nos atrapalha um pouco.  Vamos esperar que Abyssinian e Beija-flor causem alguma distração.  Não podemos correr o risco de enfrentar esses cinco caras.  Com certeza deve ter alguém ali dentro e ficará em alerta.

(Evil) Eu vou dar a volta e ver se encontro uma janela de acesso.  Quando Beija-flor começar com o show, você aproveita a surpresa e ataca esses caras.  Encontre-se com eles e voltem imediatamente para o carro.

(Ken surpreso) E você?

(Evil) Vou invadir, neutralizar os possíveis inimigos e instalar a bomba.

(Ken) Quanto tempo terá pra sair de lá?

(Evil) Trinta segundos.

(Ken surpreso) Trinta segundos?  Não é suficiente!

(Evil) Agradecerei Águia depois.

(Ken) Após armar a bomba terá de correr muito.

(Evil) Eu me preocupo com isso.  Faça a sua parte.

(Ken)...

Como se fosse cronometrado, viram quando os guardas armados se colocaram em alerta, parecendo se concentrar em algo que acontecia atrás do galpão.  As vozes dos homens se elevaram, e eles pareceram indecisos sobre o que fazer.

Finalmente dois deles se destacaram, e avançaram, enquanto o restante se mantinha em alerta, meio de costas para o local onde os assassinos estavam.  Não poderia ser mais perfeito.

Entendendo a deixa, Ken avançou, ajustando a bugnuck para uma ação infalível.  Evil seguiu para o outro lado, com a espada na mão direita, e a caixa de Pandora na mão esquerda.

O primeiro inimigo tombou sem saber o que havia acontecido.  O jogador fora tão rápido que aniquilara o infeliz em segundos.  O próximo teve uma leve noção do perigo, porém sucumbiu antes de qualquer reação, tendo seu corpo retalhado pelas garras afiadas.

O último que restara, virou-se e conseguiu apontar a arma contra Ken, chegando inclusive a travar o gatilho.  Infelizmente para o coitado, o Weiss era dono de reflexos invejáveis, além de possuir uma condição física excelente.

As garras mortais retalharam o corpo a sua frente, fazendo-o cair em uma poça criada com o próprio sangue.

Em poucos segundos estavam todos liquidados.

(Ken) E agora...?

Olhou indeciso na direção do galpão.  Devia seguir Evil e ajudá-la?  Ou continuaria com o plano e daria reforço a Aya e Akemi?  Estava nessa dúvida, quando ouviu um tiro soando para o lado onde supostamente o líder da Weiss e a caçula das Silber estavam.

(Ken)!!

Imediatamente correu em socorro dos dois.

oOo

Aya e Akemi estavam caminhando silenciosamente entre a vegetação alta que ladeava aquele terreno em volta do galpão.  Precisavam dar tempo suficiente para que Ken e Evil se posicionassem, para só então entrar em ação.

(Akemi baixinho) Veja, Abyssinian.  Contei seis inimigos.

(Aya) Hn.

(Akemi baixinho) Estou preocupada.  Pensei que Bombay tinha um plano contra Suryia... Mas se ainda estamos sem comunicação é porque talvez essa menina seja melhor do que pensávamos.

O ruivo não disse nada.  Concordava em partes com Akemi.

Ele sabia muito bem que Omi era bom o bastante para vencer a hacker, porém, como Evil deixara evidente, ele não poderia atuar sozinho... E na verdade Aya tinha inúmeras dúvidas sobre a eficiência de Lady...

(Akemi baixinho) Acho que já demos tempo suficiente para aqueles dois, não acha, Abyssinian?

(Aya) Hn.

(Akemi baixinho) O que vamos fazer?  Eles estão atentos, e são seis... o que acha de nos dividirmos?  Eu cuido dos três da direita, e você dos três da esquerda.

Por um segundo os olhos ametista brilharam, não achando certo deixar Akemi se envolver sozinha na batalha.  Seria mais apropriado dar-lhe cobertura...

A Silber percebeu claramente a indecisão de Aya.  Torceu os lábios de maneira irritada e respirou pesado.

(Akemi baixinho) Ah, entendi.  Você pensa como Corvo e Águia, não é?  Não acredita que eu seja capaz de fazer essa missão sem ajuda.

(Aya) Elas se preocupam com você.

(Akemi amargurada) Não quero esse tipo de preocupação.  Elas não precisam diminuir minhas habilidades.  Não sou uma garotinha que precisa de proteção.

(Aya u.ú) Vamos ver se é verdade.

(Akemi O.O)!!

(Aya) Cuide dos da direita.  Eu elimino os da esquerda.

(Akemi sorrindo) Entendi!

Ambos se dividiram, procurando posições que fossem mais favoráveis a suas investidas.

Experiente nesse tipo de situação, Aya investiu primeiro, acercando-se dos três inimigos mais próximos, num momento oportuno em que estavam distraídos.  Com isso pretendia chamar toda a atenção para si, deixando o caminho livre para Akemi.

Pegos de surpresa, mal tiveram tempo de reagir.  Dois deles caíram feridos no peito, tendo os tórax cortados na horizontal pela lâmina afiada da katana do ruivo.

O último ergueu a arma, mas não chegou a disparar.  Pela terceira vez a katana do líder da Weiss bebeu do sangue de um inimigo, atravessando-o no abdômen de forma dolorosa e fatal.

Entrementes, Akemi não perdeu tempo.  Provou que sua bugnuck era tão invencível quanto a de Ken.

Aproveitando a distração temporária que Aya havia criado, Akemi moveu-se rapidamente, graças aos inúmeros treinos nas artes marciais, esporte em que era campeã.

Numa demonstração impressionante de sangue-frio e agilidade venceu os três inimigos, retalhando-os sem piedade, causando uma pequena chuva de sangue que manchou o chão de terra onde os cadáveres despencaram.

O ruivo agitou a espada, espirrando sangue no chão.  Estava surpreso pela postura mostrada por Akemi.  Se enganara muito com ela.  Evidentemente era uma Silber Kreuz por completo.

Antes que pudessem dizer alguma coisa, os justiceiros ouviram sons de passos que se aproximavam correndo.  Logo avistaram mais três inimigos que chegavam com armas em punho.

(Akemi) Abyssinian, cuidado!

O ruivo se colocou em guarda.  Tinha que pensar rápido, antes que fosse tarde demais.

(Aya) Maldição!

Arremessou a katana e conseguiu cravá-la no peito do cara que vinha na frente.  Restavam dois.

Akemi mostrou que era campeã de agilidade.  Deu uma arrancada e em dois saltos alcançou um dos sobreviventes, abrindo-lhe o estômago numa cena de dar náuseas.

Só que não foi suficiente.  Ainda restara um inimigo, e o mesmo abriu fogo, mirando em Aya.

O disparo gelou o sangue na veia dos assassinos, e tudo piorou quando o líder da Weiss soltou uma imprecação e levou a mão ao braço, indicando que havia sido atingido.

Agindo mais rápido que o próprio pensamento, a jovem colegial sacou a foice de cabo dobrável que trazia na parte detrás do cinto e girando-a nos dedos lançou-se contra o guarda infeliz.

Sem chance de defesa, a lamina da foice deslizou pelo pescoço do sujeito, rasgando a carne com uma facilidade espantosa.  Sangue jorrou da jugular, antes que a cabeça se despregasse do corpo e tombasse no solo.

(Akemi) Ninguém machuca um amigo meu.

Ao fim da frase o corpo sem vida tombou, caindo sobre uma poça de sangue.

(Aya)...

(Akemi) Você está bem, Abyssinian?

Antes que o ruivo respondesse, Ken surgiu pelo outro lado, sustentando preocupação nos olhos castanhos.  Vasculhando o local e precavendo-se contra um provável inimigo.

(Ken) Estão bem?

(Akemi) Abyssinian foi ferido.

(Aya) Não foi nada.  É apenas um arranhão.

E era verdade.  Puderam ver através de um rasgo no sobretudo: a pele estava arranhada e sangrava um pouco, mas não era nada grave.

(Ken sorrindo) Um esparadrapo cuida disso.  Vamos dar o fora daqui, porque Corvo deve estar prestes a armar a bomba.  Depois disso teremos apenas trinta segundos antes das explosão.

(Akemi surpresa) Apenas trinta?!

(Ken) Exato!  Vamos, o local de encontro é no carro.

(Akemi) Mas, Corvo deve estar...!

Aya não deu tempo da colegial reclamar.  Pegou-a pelo braço e saiu correndo, seguido por Ken.

(Aya) Se Corvo fez um plano, não atrapalhe.

(Ken sorrindo) Guarde sua preocupação, a líder da Silber sabe o que faz!

Engolindo em seco, Akemi lançou um olhar na direção do galpão, depois deixou-se levar para a segurança do automóvel.

oOo

Sem grande problemas Evil invadiu o local.  Lá estava o grande caminhão baú, bem fechado, provavelmente com todo o tipo de arma encomendado pelos bandidos do PCC.

Olhando de um lado para o outro deu-se conta de que as Freaks não haviam aparecido.  Ou seja, elas não estavam envolvidas naquela ação.  Menos mal, afinal era uma preocupação a menos para os justiceiros.

Segurando a caixinha com a mão esquerda, Evil avançou em direção ao caminhão.  Ia armar a bomba e afastar-se dali rapidamente.  Já imaginava que seus companheiros haviam dado conta dos inimigos.

Quase se aproximava de seu alvo, quando um homem alto e forte surgiu, segurando uma pistola calibre 38 na mão.

(Homem sorrindo) Ora... o que temos aqui?

(Evil)...

Apontando a arma para ela, o cara abriu um sorriso muito malicioso.

(Homem) Pode soltar essa espada bem devagar.  Vou lhe fazer umas perguntinhas, e esse brinquedinho não me deixaria à vontade.

A ruiva estreitou os olhos, mas obedeceu.  Abriu a mão direita, sentindo a espada escorregar por seus dedos.  Analisava friamente sua situação, calculando suas chances.

(Evil) Sabia que eu estaria aqui?

O homem pareceu surpreso.

(Homem) Sou eu quem faz as perguntas.  Mas, não.  Não esperava uma franguinha ruiva para essa noite... Mas sabe que eu adoro ruivas com cara de malvadas?  O que acha de nos divertimos um pouquinho?

A Silber não respondeu.  Sua expressão se fechou ainda mais.

Julgando-se seguro, só porque a garota não estava com a katana na mão, o grandalhão abaixou a arma alguns centímetros.  Mas que foi o suficiente para Evil agir.

Ela levou a mão livre à parte de trás do cinto e tirou um sai, a segunda arma que usava, arremessando-a certeiramente contra o inimigo.

As três lâminas se cravaram no pescoço do homem, que arregalou os olhos de maneira incrédula e caiu pra trás, morto.

(Evil) Espero que se divirta no inferno, imbecil.

Sem perder mais tempo certificou-se de que não havia mais ninguém por ali.  Ouviu o som de um tiro, que apressou seus movimentos, fazendo-a sentir pressa em terminar logo com aquilo.

Ajoelhou-se próximo ao caminhão e depositou a caixinha no chão com extremo cuidado.  Lembrando-se das palavras de Lady, deu corda até o limite, girando a pequena alavanca.

Então os olhos ametista calcularam a distância até a janela por onde entrara.  Mais ou menos vinte metros.  Teria tempo apenas de correr e jogar-se por ela, torcendo para que os companheiros tivessem eliminado quaisquer inimigos.

(Evil) Céus.

Puxou a travinha que acionava a contagem regressiva, ergueu-se de um salto e saiu correndo.  Mentalmente começara a contar até trinta, tentando calcular quanto tempo teria.

Quando sua contagem chegava ao dezoito, ela alcançou a janela e jogou-se pela mesma.  No vinte e cinco, tocou o solo, rolando sobre o próprio corpo, até se afastar o máximo possível.

Ao chegar no trinta uma grande explosão se fez ouvir, de maneira forte o bastante para abalar o chão e tremer tudo.  Partes do galpão voaram pra todas as direções, assim como escombros, vidro e poeira.

Uma nuvem de fumaça se elevou, e logo um incêndio se iniciava, iluminando a noite escura.  Com certeza as armas tinham sido destruídas.  Nada escaparia de uma explosão tão potente.

Sentando-se no chão, a ruiva passou a mão pela testa, limpando a fuligem e poeira que aderira a pele pálida.  O coração estava acelerado.

Desviou-se de um pedaço de madeira que pegava fogo e voara em sua direção.

(Evil) Ótimo.

Apesar da adrenalina, dos imprevistos e do risco da explosão, tudo saíra maravilhosamente bem.  Conseguira se adaptar a situação com uma rapidez e segurança impressionantes.

Depois de tantos contratempos, finalmente a equipe tivera um resultado positivo, cuja única perda fora sua preciosa e inestimável katana.

Uma vitória, afinal, espadas haviam aos montes por aí.

Era hora de encontrar os outros e voltar para casa, para repartir a glória da ação bem sucedida...

 

 

Continua...

 

 

Gente, eu não morri ainda!  Eu to apenas com um ligeiro problema de total falta de tempo.  Não vou abandonar meus projetos, mas vou mais devagar!

Freya, Akemi e Evil muito obrigada pela enorme paciência!

Aproveitando: Pipe, se você ler isso... ONDE ESTÁ A CONTINUAÇÃO DE PEQUENOS GRANDE PROBLEMAS 2.0?

Eu PRECISO ler aquilo!!

Até o próximo capítulo!  Ah, eu disse que tinha surpresas, nesse, não disse?

 

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