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TREM
DA MISSÃO – Como você
define a palavra VOCAÇÃO?
JOB
- É uma força interior, uma força
que desafia a pessoa a partir do seu interior levando-a a optar por
um estilo especifico de vida, serviço, um seguimento dedicando a
vida toda sem interesses. Esta força, então na vida religiosa, é
chamada forca Divina.
TREM
DA MISSÃO – Como você
descobriu a sua vocação religiosa?
JOB
- Criei-me numa família
bem católica e a gente rezava muito em casa. Depois fiz os meus
estudos (segundo grau) numa escola religiosa. É ali, vivendo junto
com os padres e rezando a missa todos os dias que descobri
concretamente o desejo de ser sacerdote. Admirava muito também os
missionários que trabalhavam na minha paróquia. Queria ser uma
pessoa humilde, inteligente e rezar a missa como eles.
TREM
DA MISSÃO – Por qual razão você
escolheu os Missionários da Consolata para tornar o seu sonho em
realidade?
JOB
- São eles que trabalham na minha
paróquia até hoje. Naquela época não havia missionários das
outras congregações. Assim, a única congregação que existia no
meu mundo era a Consolata. Lia muitas revistas e artigos que falavam
sobre as experiências dos missionários da Consolata no mundo e
participava nos encontros vocacionais.
TREM
DA MISSÃO – Para você é difícil
ser missionário num mundo globalizado como o nosso?
JOB
- O “ser missionário” num mundo
globalizado é difícil. É difícil porque não se sabe mais o
lugar do Sagrado. O Sagrado tornou-se outra coisa: Dinheiro,
consumismo, poder econômico e político, luxuria, passeios, etc. E
o Templo (igreja) tornou-se, por exemplo, o shopping center.
Assim, em síntese é difícil devido às próprias características
de globalização, modernidade e pós-modernidade: Individualismo,
busca de prazer e satisfaze-lo, consumismo, comodismo etc. Mesmo
assim, o ser missionário e a evangelização são mais importantes
mais do que nunca.
TREM
DA MISSÃO – Você falou do “ser
missionário” num mundo de globalização. Mas quais os aspectos
destas revoluções sociais que mais dificulta a sua vocação
religiosa?
JOB
- Acho que já mencionei estes
aspectos na reflexão anterior: As próprias características da
globalização, modernidade, e pós-modernidade. Os candidatos para
a vida missionária nascem e crescem nesta situação/ambiente,
assim a vida religiosa que insiste em renúncia de muitas coisas
deste tipo, fica difícil.
TREM
DA MISSÃO – Muitos seminaristas
enfrentam a família, os amigos e a sociedade em geral quando
decidem seguir este caminho. Qual foi o maior desafio da sua vida
quando chegou para seus pais e disse: Quero ser padre!?
JOB
- Primeiro era e ainda é a
minha cultura que proíbe o homem viver sem uma mulher, ou melhor,
sem filhos. Uma pessoa desta é considerada maldita. Assim, até
hoje a maioria dos meus parentes não são de acordo com a minha
escolha. Outro problema era de escolher a congregação que tinha a
carisma próprio da minha personalidade. Conhecia muitas congregações
religiosas, e cada uma tinha o seu carisma assim era difícil saber
qual carisma seria melhor para mim.
TREM
DA MISSÃO – Sua família é católica. Mesmo depois de alguns
anos de estudo eles aceitaram ou ainda resistem?
JOB
- Apesar do fato da minha
família ser católica, houve muita resistência no lado dos meus
pais quando decidi ser um missionário, sem falar sobre os outros
parentes (tios, tias, avô, avó, primos, etc) poucos me apoiaram,
mas só por respeito a minha decisão, não porque gostaram.
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