TRILHOS DA MISSÃO

 

O DIÁRIO DE UM MISSIONÁRIO

 

Ser missionário é se entregar, se comprometer e, sobretudo viver a Palavra de Deus. E foi para viver esta entrega e esse compromisso que seguiram em busca da missão os seminaristas da Consolata. Alguns partiram do Seminário Filosófico em Curitiba, Paraná, e outros do Seminário Teológico de São Paulo, capital, em missão para a cidade de Monte Santo, interior da Bahia.

 

Ao chegar ao destino me deparei com uma realidade diferente da vivida antes. “Amar o próximo mais do que a nós mesmo: eis o programa de um missionário”, e foi baseado nesta frase do fundador Jose Allamano, que pude sustentar os meus objetivos.

 

Ficamos hospedados na casa de famílias da comunidade. Muitas dessas famílias eram grandes, como a que fiquei, composta de 10 pessoas, num lugar seco onde o sol e o sofrimento compõem a vida das crianças, jovens e adultos da região.

 

Nestes dias convivendo com os jovens foi possível notar que o desejo de 90% é de se casar. Não têm certeza de nada na vida, a única garantia ao se levantar pela manhã é o sol, a chuva que sempre ameaça cair, mas os 30 graus não deixam.

 

Há falta de estimulo nos jovens daquele local. Na preparação da novena de Natal e nas celebrações todos queriam colaborar, aprender, conhecer Jesus mais profundamente e ainda, conversar e conhecer alguém da “cidade grande”.

 Enquanto a saudade apertava no quarto escuro, às vezes esta era interrompida pela claridade surgida com a luz de um candeeiro, vela ou da lua cheia. Na claridade do dia ela era transformada em forças para participar da rotina da família que lutava a todo instante para não passar fome nem sede.

 

A água que é usada tem uma tonalidade amarelada e todos utilizavam do liquido para suas necessidades , inclusive para beber, na falta de uma água limpa e digna. Muitas famílias cavam poços na tentativa de encontrar água. Mas a água não vem e a cada dia a temperatura aumenta.

 

A juventude do local é responsável pelas tarefas pesadas. Uma juventude que mal sabe unir as letras para ler e muitos não sabem nem escrever o próprio nome. Esta mesma juventude participa, em todos os sentidos, na celebração do Natal e na novena em preparação do mesmo de uma forma diferente.

 

Não há luz no Bom Sucesso, povoado de Pedro Vermelha - Monte Santo, nem árvore de natal ou presépio nas casas. Não tem alimentos natalinos e o Papai Noel não sabe da existência desse local, pois, não há presentes. Mas, o que realmente existe é a união entre todos na celebração natalina e no cotidiano.Há a esperança de chuva no dia seguinte ou da vinda da água após os 10 metros de profundidade de um poço cavado pelas lágrimas e pelo suor, a exemplo da família do senhor Domiguinhos.

 

Após alguns dias neste povoado, assim como os demais seminaristas em outras localidades se despedem dos seus lugarejos em busca de novas missões. Mas, nunca podemos esquecer de uma realidade que poucos conhecem. Vamos embora, mas na memória permanece a dor e a esperança de que um dia a chuva possa cair e tudo se transforme.

Que da vegetação seca, a terra com aparência cinzenta possa surgir o verde, a alegria de poder plantar e colher, de poder comer bem o feijão, o milho, a melancia, o aipim e tantos outros alimentos adquiridos com a água. E se possível, permanece a esperança de que dia um jovem sonhe e voe mais alto para mudar a história deste lugar que tanto sofre.

 

Draiton José Vieira, é seminarista cursando filosófico em Curitiba, PR.

 

 

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Postulantado, eu

Uma viagem ao Monte Santo

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Uma entrevista com um seminarista

Uma entrevista com um seminarista II

Padre Gaspar, o pioneiro

 

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