- A Viúva ;
- O mordomo inglês ;
-
Tsunami carioca .
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A viúva
“Deixo-me
levar em desejo ardente insaciável. Meus olhos buscam
formas indizíveis que se desenvolvem na mente de mulher
em permanente estado de paixão. Meu objetivo é
encontrar alguém que carregue no peito a força
de um vulcão, e consiga sussurrar aos meus ouvidos a
sonora canção do vento. Alguém que me submeta
e aprisione em anseios tantos, e possa apaziguar o fogo que
me consome o corpo, mantendo meus poros e minhas partes dispostas
na expectativa da festa continuada dos sentidos” (trecho
do diário da viúva).
Dia
dos Mortos. Quem saberia dizer o que se passava na cabeça
de uma mulher que perdera, em série, três maridos?
Casada oficialmente na igreja e no cartório, ela pressentia
o burburinho da vizinhança enquanto caminhava muito aprumada
em cima de um salto alto de sete centímetros. Rosto bem
maquiado, roupas levemente transparentes, cabelos soltos ao
vento, deixando ao passar um rastro de exótico perfume
que despertava os homens abrigados no recesso do boteco, jogando
conversa fora, tomando cerveja.
Suburbana assumida e sacudida, ela não pretendia esconder
os atributos físicos pra lá de vantajosos que
a mãe natureza lhe havia concedido.
O desejo dos circundantes era tão escancarado que não
havia recato nos seus comentários. Tão logo avistavam
o vulto de mulher dobrando a esquina para passar calculadamente
na calçada do bar do Seu Domingos, seus olhares ávidos
se voltavam como que realizados diante de tamanha formosura.
Entre os garçons e os clientes – alguns bêbados,
outros sóbrios - alguém conseguia sussurrar entre
lábios:
- É ela.
De certa maneira despertava medo, apesar da determinação
firme de alguns freqüentadores que demonstravam coragem
acima da medida, jurando que topariam qualquer tipo de pacto
em troca de algumas carícias. Porém, ninguém
assinava em baixo, temendo o destino igual dos amantes levados
para o outro lado do mundo, “com um baita sorriso na cara”
- segundo comentários mais detalhados que descreviam
a expressão dos defuntos estirados nos caixões
enfeitados de flores.
Daí, a imaginação rolava solta e não
havia quem não concordasse com a profecia:
- Pedaço de mulher! Quem sabe, parente do demo, incorporação
da pomba-gira, sorriso diabólico que paralisava quantos
ousassem alguma intimidade...
Era assim que tocava a banda quando a viúva desfilava
todo santo dia pela rua bucólica de muitas árvores
e pouco trânsito, que mais parecia uma vila napolitana,
onde todos se conheciam e entravam em polvorosa diante da figura:
- Lá vem ela!
Ninguém questionava para onde estaria seguindo.
- Vai perturbar a cabeça do turco! - alguém ironizava,
referindo-se ao Yussef, o árabe dono da lojinha de frutas,
sempre desmanchado em gentilezas, o linguajar arrastado tentando
fazer entender que ela poderia levar a loja inteira sem pagar.
Tudo em troca de nada, pago com o sorriso singelo e algum desdém...
Com esse jeitinho, ela despertava uma dezena de olhares inquisidores,
indiferente ao que eventualmente pudesse ouvir, seguindo firme
para lugar ignorado. Parando curiosa diante da vitrine onde
havia um vestido vermelho exposto, como se fosse carinhosamente
arrumado para a ocasião; ela retirava uma pequena dobra
do tecido, alisando a textura delicada, acalentando sonhos de
consumo e prazer.
Parte do seu cotidiano transcorria longe dos olhares vigilantes
de quem não havia conseguido impressioná-la, mas
sonhava com o fardo delicado, um projeto de mulher perfeita.
A curiosidade era o mote de sempre. A partir da passagem dela
o mistério ganhava contornos inesperados. Como teria
sido o convívio com os companheiros mortos que freqüentaram
o leito da casa onde co-habitava uma única testemunha:
o gato rajado de olhos azuis e nome exato - Tominho? O felino
só fortalecia a inveja alheia, quando ela escancarava
a janela da casa, colocando-o no parapeito de mármore
para tomar sol, os dedos longos de unhas vermelhas, acariciando
com sofreguidão o bichinho de estimação.
- Provavelmente ele dorme enroscado nas pernas dela - alguém
sugeria, quase babando de inveja.
Mas, ninguém sabia sobre algo que se passasse para além
da soleira da porta que não havia sido cruzada, nem mesmo
pelo entregador da lojinha de frutas - um nordestino curioso
que exaltava as próprias qualidades. Eles não
conseguiam despertar alguma insinuação, menos
ainda um olhar direto com o qual sonhavam os garanhões
da rua baldia.
O turco Yussef, que fazia entregas eventualmente, já
havia desistido de algo além de um agradecimento discreto,
quando a porta se fechava sem outra palavra adicional; nenhuma
demonstração de atenção explícita,
apenas o trivial, quase uma reiterada melodia:
- Muito obrigada.
Estivera casada três vezes e a cada tentativa de felicidade,
tão logo o falecido partia para o cemitério, ela
reaparecia bem disposta e rejuvenescida.
Esse era o foco do mistério nas rodas de fofoca da comunidade
- aparecer renovada após cada relação,
fomentando a determinação do comentário
habitual:
- Os maridos morrem e ela fica cada vez melhor!
Parecia mais apetitosa após um relacionamento que durava
em média um ano, porém, não amenizava a
distância com os moradores locais. Os maridos anteriores
vinham de outro estado, eram homens bem postos na vida e nos
negócios, donos de alguma fortuna que, obviamente, ganhava
destino certo após a morte: a conta bancária da
viúva contumaz.
Assim como existem algumas funções que se transformam
em profissões, a de síndico, por exemplo, a maioria
dos vizinhos acreditava que a viúva era uma profissional
com direitos trabalhistas garantidos – férias,
décimo terceiro, fundo de garantia.
Porém, apesar do entusiasmo generalizado, ninguém
se arriscava a tentar o contato direto ou mesmo um pedido de
compromisso. Qualquer atitude pareceria demais para a cabeça
de uns suburbanos, no fundo, extremamente bem comportados, vigiados
de perto pelos familiares.
Certo mesmo era aquele ritual de passagem, todo santo dia, estimulando
o desejo escancarado que acometia os velhos e os moços
diante da visão de um espetáculo de mulher. Havia
até uma preparação prévia, uma disposição
das cadeiras voltadas para o mesmo ângulo da esquina que
ela dobraria olhando em frente, balançando o corpo de
formas exatas com desenvoltura, despertando a súcia de
sonhadores e o comentário de algum observador mais exaltado:
- Eu pagava pra ver!
Assim, os dias se passavam na rua arborizada da pequena comunidade
suburbana, diante das mangueiras vigorosas que davam frutos
e projetavam sombra nas calçadas mal cuidadas.
Enquanto algum menino estivesse atento à pipa colorida
que bailava no fundo azul do céu impecável, outros
jogavam bola de borracha no quadrado de terra que ficava diante
da casa dos negros, segunda geração de africanos,
chegados há muito tempo na comunidade. O sobrado estava
em péssimo estado, com as paredes desbotadas, porém,
havia um quintal repleto de fantásticas árvores
frutíferas que faziam a alegria da criançada:
cajás, tamarindos, carambolas e até um raríssimo
pé de groselha, uma frutinha muito azeda, capaz de fazer
sucos ardidos e um delicioso licor que pontificava nas festas
juninas, quando os moradores mais renitentes se reuniam em torno
da fogueira e de enormes panelas de milho cosido e quentão.
O único açougue da rua era do Seu Artur, um guapo
lusitano de Trás-os-Montes. Ele seria o único
desinteressado nas formosuras de Dalva Maria (esse era o nome
da viúva). Tudo por conta do olhar vigilante da mulher,
uma portuguesa que lhe dera três filhas e, após
muitas frustrações, um varão, bendito fruto
masculino, herdeiro do clã formado por mulheres.
Mais abaixo, ficava o botequim do Seu Domingos, com cadeiras
da Brahma espalhadas na calçada, uma escultura bem feita
do Chico - jogador do Vasco, bola na mão, reclamando
com o juiz - dominava o ambiente de carteado e muita bebida.
A imagem de gesso ficava sobre um oratório de madeira,
onde só faltavam o vaso de flores e a vela acesa para
festejar o fanatismo explícito ao time do Vasco da Gama,
orgulho da colônia portuguesa numerosa e festeira.
Na metade da rua, ficava a badalada “esquina do pecado”,
onde se reuniam os malandros e a polícia, nessa ordem.
Havia sempre por perto um moleque de plantão, pronto
para anunciar o imprevisível carro da polícia,
alertando, no grito, os apontadores do jogo do bicho: - Olha
o Flamenguinho, gente! - era esse o apelido da viatura em vermelho
e preto.
Na esquina oposta, ficava a Padaria Tivoly, onde filas matinais
se formavam para pegar o pão quentinho, alegria do café
da manhã de todos os dias. Mais a Leda Maria, filha do
dono, que tomava conta da caixa, cabelos ruivos e pernas grossas
dispostas atrás de um biombo, por onde o olhar excitado
de algum menino vigiava, sonhando ultrapassar a madeira divisória.
Quem sabe, em busca do detalhe pecaminoso que desencadearia
a masturbação coletiva que rolava debaixo da ponte
do rio. Ali, nas horas de lazer, um bando de meninos conferia
as medidas íntimas. Ocorriam as brincadeiras típicas
dos garotos suburbanos daquele tempo de mangas pintadas, balões
coloridos e muita bonança.
As
meninas, ao contrário, levavam uma vida sem interesse,
controladas de perto por parentes determinados que presumiam
o pecado, sob disfarces sutis. As gordas senhoras e os sisudos
senhores tinham malícia própria aos meninos afoitos,
envolvidos com figurinhas eróticas e revistas de baixíssimo
nível que propunham posições amorosas e
bobagens iguais.
Uma festa para os olhos daqueles que não tinham qualquer
experiência amorosa. Os pêlos das pernas invadindo
a área sexual, os órgãos se desenvolvendo,
os mamilos estufados, velados com curiosidade por todos, como
se fossem imagens de santos de barro, preservados no recesso
mofado das sacristias...
Daí, estimulados pelo que fosse – uma imagem mais
ousada, o texto de uma revista que divulgava a intimidade de
artistas que se mostravam do joelho para baixo – a Revista
do Rádio e a Fon-Fon eram fontes de prazer e estímulo
visual de meninos e meninas. Olhos cerrados caçando o
gozo espontâneo que se abrigava nas partes pudendas do
corpo que os mais velhos exorcizavam, propondo excomunhão
e pecado.
Quanta mentira!
Nada impedia o vulcão que entrava em erupção
na intimidade do banheiro, debaixo dos lençóis
na hora de dormir, nos travesseiros com cheiro de sabonete Eucalol,
na imaginação solta, viajando por caminhos nunca
dantes navegados. Um frisson que parecia não ter fim,
a sensação de alcançar um orgasmo que ninguém
conhecia, porque os jornais da época não publicavam
nada sobre o assunto. Nos diários coloridos que circulavam
de mão em mão nas escolas, apenas pontificavam
perguntas inocentes:
- Quem você levaria para uma ilha deserta?
- O Alain Delon - a jovem desavisada respondia, e era penalizada
com novenas intermináveis...
Parece estranho que os fatos ocorressem na mesma época
em que uma apetitosa viúva desfilava atributos físicos
invejáveis nas calçadas de um bairro da Leopoldina,
semeando desejo e excitação entre os homens.
Enquanto isso, umas meninas mais curiosas segredavam:
- Quem é essa cegonha que carrega crianças presas
ao bico?
Havia quem guardasse na memória as diferenças
e os contornos de órgãos sexuais tão escondidos;
os bicos estufados dos seios sensíveis ao toque; o clitóris
enrijecido despertando aquele prazer que mantinha o hábito
da masturbação entre meninos e meninas.
Neste cenário de proibições ditadas por
escolas e igrejas, bem poucos supunham a intimidade da viúva
vestida em lingerie cor-de-rosa, imagem refletida no espelho
colocado estrategicamente diante da cama, onde a visão
privilegiada dos antigos amantes havia se fartado.
Quantos momentos passados ali, com diferentes parceiros ensandecidos
diante do corpo da bela mulher, afogados nos seios adocicados,
respirando o hálito da boca sensual insaciável.
Quiçá, sufocados no emaranhado de pêlos
cor-de-ébano, o suor misturando-se à saliva, as
mãos deslizando os contornos da pele morna, os dedos
tocando na intimidade escondida, invadindo o caminho orvalhado,
órgãos intumescidos, inundados com o mel continuado...
Para alguns afortunados, agora em permanente estado de repouso,
que tiveram o privilégio de partilhar da alcova ardente,
como teria sido?
Que tipo de prazer revelador eles desfrutaram na suavidade dos
lençóis macios, onde um corpo mais que perfeito
se esparramava, miando feito uma gata, pedindo sempre mais?
A imaginação rolava solta no papo de botequim
onde a imagem efervescente da viúva fora eleita rainha
– como se não existissem outras mulheres na rua,
despeitadas diante da preferência que alcançava
nível comunitário desregrado.
No
decorrer do poente, quando grossas nuvens desenhavam o céu
de vermelhidão intensa, já não pairavam
dúvidas. A presença da deusa suburbana não
aconteceria mais naquele dia, salvo na janela da casa - braços
morenos apoiados no batente da janela, o gato peludo agasalhado
no colo exuberante, olhar perdido despedindo-se da rua, no aguardo
da noite de segredos e silêncios que qualquer um pagaria
para desvendar.
Após fechar a janela cuidadosamente, ela adentrava aquele
mundo somente seu. Despindo-se mansamente, ia largando as roupas
preservadas em perfume sobre a cômoda do quarto, caminhando
nua até o espelho, examinando-se de corpo inteiro, conferindo
o formato dos seios, as mãos em concha, acariciando-os.
Caminhando dolente até o banheiro cor-de-rosa, os dedos
verificando a temperatura da banheira espaçosa onde depositava
sais de alfazema e mirra importada, mergulhando até o
pescoço, suspirando como se gemesse de prazer.
A bucha cor-de-rosa percorria a textura do corpo farto em movimentos
suaves, tocando os mamilos rosados, enquanto os dedos vasculhavam
as partes, ensaboando-as com delicadeza e generosidade. O olhar
morno acompanhava as mãos deslizando no corpo febril
estimulado por caricias exatas. O pensamento ébrio viajava,
buscando lembranças de um passado povoado pelos vultos
que a desejaram tanto...
- Até quando esta saudade renitente de todos os dias?
- ela lamentava.
Dizer que aquela mulher desejada na comunidade de homens ávidos
passava as noites em solidão, esparramada no leito espaçoso
abraçada aos travesseiros, ouvindo novelas da Rádio
Nacional.
Quase em orgasmo, ela se deixava conduzir nos braços
do galã de voz macia, imaginando-o travestido de espadachim,
levando-a nos braços fortes ao recesso do campo florido
onde se deitariam, entregues ao torpor dos amantes, empenhados
no prazer, lábios nos lábios, corpos ajustados
ao desejo mais que perfeito.Assim, ela adormecia, entregando-se
de corpo e alma aos sussurros da noite longa, levada nos braços
de Morfeu para um mundo de sonhos até ao despertar e
à rotina de um novo dia – o gato sonolento enroscado
nos lençóis amarfanhados de cetim, ronronando
entre perfumes e carícias.
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O Mordomo INGLÊS
O MORDOMO REAL*
CONTO SURREAL ESCRITO POR UM ELEITOR OTÁRIO
INSPIRADO
EM QUEM SUBTRAI CONTOS REAIS DO ERÁRIO
* Qualquer semelhança com fatos e pessoas reais não
será mera coincidência...
Ele
nasceu onde ninguém desejaria nascer – em Karuaru
City, zona do agreste, lugar com fama de forjar homens valentes
e destemperados. Logo tomaria o rumo da capital industrial do
Reino, como faziam seus pares, buscando maiores oportunidades
e trabalho.
Desnecessário dizer da penúria em que vivia; porém,
havia determinação naquele homem que desejava
formar família e quiçá, brilhar de algum
modo na multidão de iguais que sonhavam com a profissão
de Mordomo Real. Oriundo de um povoado com tantas desigualdades
sociais, ele antevia que nada seria fácil...
Após tantas investidas frustradas, onde o fracasso parecia
parte do sonho e ninguém acreditava na vitória
- nem mesmo os companheiros radicais forjados no trabalho vigiado
dos sindicatos, ele conseguiria emprego no castelo feudal. Ali,
onde Sir e Lady Birmingham, conselheiros do Castelo de Buckingang,
súditos da intimidade da Coroa reinavam sem gostar de
reinar. Tanto ele quanto ela, delegariam ao novo mordomo o controle
do cotidiano do castelo meio que alvoroçado, por conta
da incompetência de serviçais anteriores.
Diante da visão imponente do castelo iluminado e imponente,
a cena parecia um sonho. Ele percebia que conviver com algo
tão grandioso, no centro de tanto poder, seria tarefa
difícil. Porém, logo empossado no cargo, demonstrava
jeito e gênio eloqüente, promovendo sabatinas cansativas
com a criadagem mais habituada a ficar quietinha no seu canto
fazendo tudo que seu mestre mandar.
No púlpito das reuniões maçantes, Louis
Ignation descobria capacidade para o discurso, o dom da prosa
e da ironia verbal - para desgosto da criadagem que passara
a viver em reboliço e apreensão. As crianças
seriam as primeiras vitimas, com destaque para os meninos de
cabeça ruiva e cara pintada privados, subitamente, do
prazer da gula: nada de tortas de chocolate nem hot dogs; nem
um copinho do xarope diluído mundo afora, cuja receita
contém o sumo daquelas folhas que os famintos da Cordilheira
dos Andes mascam para ludibriar a fome crônica que é
comum aos oprimidos que vivem na linha que fica abaixo do Equador.
Logo seria a hora e a vez das camareiras e cavalariços
menos refinados, muito hábeis no manejo indevido das
finanças de quem paga a ração do Reino,
comprada, por motivos óbvios, no câmbio negro.
O castelo passou a ser administrado por medidas provisórias
e discursos, muitos discursos. Sempre que alguém acenava
com um chapéu, o Mordomo Real, incontinenti, testava-o
na própria cabeça para ver se lhe caía
bem, exibindo aquela simplicidade filha da mãe, típica
dos tiranos que conduzem os miseráveis na rédea
curta da demagogia. Apesar dos cargos distribuídos ao
bel-prazer para companheiros e companheiras, das mordomias denunciadas
na imprensa alternativa que não recebia verba da Coroa,
de alforrias que estimulavam a impunidade reinante com objetivo
claro de esvaziar denúncias de malversação
do Erário que começavam a vazar, o Mordomo não
alcançava qualquer unanimidade nem mesmo entre os comandados.
Os complôs em torno da administração ganhavam
força: a passadeira queimava a borda dos lençóis
de fino linho egípcio, com brasões reais bordados
a ouro. O encanador afrouxava as juntas do bidê da intimidade
do casal, criando constrangimento real. As selas, onde se assentavam
os traseiros mais requintados do Reino, viviam ensebadas. A
própria Lady Birminghan passara pelo desconforto de irritar
as partes íntimas no galope. Enquanto outras raparigas
virgens temiam por sua rara condição - ainda em
uso na época - ameaçada pelo desleixo da criadagem.
Um jovem cavalariço foi despedido, flagrado, por assim
dizer, deslizando a mão no pudor alheio.
Em suma, todos pareciam sofrer com reuniões e discursos
enfadonhos, onde o Mordomo Real tecia comentários jocosos
sobre tudo, intrometendo-se em tudo, ditando regras para tudo:
- “Não é bem assim, companheiros vassalos.
Nenhuma estatística descreve quem tem fome. Quem tem
fome não diz que sente fome, porque tem vergonha de dizer
que está com fome”, enfatizava, batendo na barriga
protuberante.
Mais além, diante da platéia interiorana das origens
modestas, ele enfatizava que a elite não conseguiria
apeá-lo do cavalo: “os corruptos do Reino serão
punidos, doa a quem doer; vou cortar na própria carne
se preciso for”, berrava em ato de pura verborragia, objetivando
manter o cargo privilegiado.
O castelo, outrora um paraíso, se transformara num inferno!
Os súditos que comungavam com o mordomo – a maioria
espertamente, em benefício próprio ou em troca
de favores pessoais inconfessáveis – sobreviviam
com alguma paz. Alguns, surpreendidos no delito do ofício,
iguais ao tesoureiro Dilúvius nos Ares, mais o agente
Malérius Maléficus, por exemplo, eram mantidos
na impunidade, acobertados pelo longo véu da camaradagem
pessoal e partidária.
Assim, o castelo foi ficando mais silencioso. Enquanto o mordomo
discursava com maior competência e apurado domínio
das palavras, uma oposição radical e raivosa estava
se formando. Os donos reais, Sir e Lady Birmingham ausentes
como sempre da cena feudal, mantinham a ilusão de que
tudo estava como antes no castelo de Abrantes, cultivando vastos
campos de chá no sul da Índia colonizada.
A criadagem fingia que se revoltava, enchendo o bolso com a
grana verde despachada em malas pretas, recebendo reais de procedência
duvidosa, inclusive vistosos dólares foram descobertos
na cueca de um simplório vassalo. Enquanto outros, do
escalão superior, sacavam na boca do caixa do Banco Feudal
para depositar nas contas fantasmas de paraísos fiscais.
Apesar dos índices de aprovação divulgados
por estatísticos reais, eles próprios colocavam
em xeque os palpites do Mordomo - oh, pecado inominável!
– contestando até mesmo os percentuais financeiros
ministeriais. Porém, o jocoso Louis Ignation jurava que
aqueles índices não revelavam a realidade que
ocorria no íntimo mais profundo de quem tinha fome e
não declarava: os sem terra, os sem-teto, os sem grana
e, mais recentemente, os sem sexo!
Mais uma vez o Mordomo Real se imiscuía na seara do conhecimento
alheio, criticando estatísticos a serviço da Coroa,
garantindo que ninguém entendia mais de fome que ele
próprio. Intempestivamente, tocava a administração
sem qualquer currículo, na base do discurso demagógico,
da incompreensão dos métodos do Castelo de Buckingang
que mais parecia uma construção de periferia,
distante daquele charme poliglota deixado pelo antecessor Lord
Ferdinand Henriques, o Impávido, embarcado, como os demais
(que não constavam nas listas de benesses nem do chamado
“Mensalão”) na oposição mais
ferrenha, patrulhando as intempéries discursivas do Mordomo
Real.
A partir das evidências, alguns sentiam na pele os efeitos
dos discursos exaltados, da mudança nas regras por conta
de medidas provisórias ditadas ao prazer do Mordomo.
Segundo a criadagem mais antiga, por falta de habilidade e pura
impertinência, o Castelo de Buckingang entrava em processo
de degradação. Rachaduras pipocavam aqui e acolá,
produzidas pelas denúncias surpreendentes de Sir Bob
Jeff, cavaleiro feudal dos mais antigos, destemperado representante
da Câmara dos Lordes, vinte e tantos anos de participação
no tilintar mais íntimo da Corte. Enquanto parte da criadagem
permanecia fiel ao Mordomo, a vassalagem indignada assaltava
os cômodos do castelo, criando problemas ao discurso intermitente
que não resolvia as dificuldades essenciais dos servidores
reais: baixos salários, falta de assistência médica
e moradia, aperto fiscal, aumento de impostos, impunidade generalizada.
Em nome da ordem, o discurso demagógico tentava dizer
à massa que tudo estava azul, no caminho da redenção
e do progresso.
Por outro lado, a maledicência rolava impiedosa nos porões
mofados da corrupção que emanava do castelo. Porém,
o Mordomo sabia que as festas natalinas chegariam, mais o carnaval,
as festas juninas, os feriadões que fazem a alegria da
turba e o desespero das finanças reais, combalidas por
conta da malversação do Erário e dos homens
públicos. O Mordomo não percebia que a impunidade
de Sir Wald Niz, especializado em achacar contraventores, colocara
a administração em xeque, por conta do alvará
de soltura expedido pela Eminência Parda que absolveu
os companheiros acusados de incursões aos reais da Coroa.
Daí brotou a denúncia do Correio Real e o mundo
veio abaixo. Sir Bob Jeff flagrou o agente Mau Marinho com a
mão no pacotinho e abriu o bico largo. Enfático
e teatral, porém certeiro, ele desferiu socos e pontapés
na vassalagem, derrubando mitos, apeando poderosos da montaria.
Até que alguém jogou um armário nele, provocando
um olho preto daqueles. Justo em cima de quem, igual a tantos
cavaleiros do passado, alardeava ter aquilo roxo...
As denúncias lançariam notáveis ao limbo:
Joseph Tesseu, Jão Talo Tunha, Joseph Genuinus, Buda
Nem Dança e outros. Um time completo com oito reservas!
Neste carrossel de revelações, acabou sobrando
para figuras do primeiro escalão que renunciaram espertamente,
visando imunidade e direitos políticos. Outros foram
forçados a renunciar, enquanto a Corte reunida extraordinariamente
pensava em cassações e masmorra, desencadeando
um escândalo digno do Reino!
Porém, logo rolariam a bola e os campeonatos de futebol,
mais a tradicional queima de fogos na passagem de ano, e tudo
voltaria ao marasmo de sempre no castelo do faz de conta. Os
súditos continuariam vivendo em paz, graças aos
céus, pagando juros antecipados ao FIM, é verdade,
porém, salvos do pandemônio das guerras, do terrorismo
e da poluição global que rola no restante do Planeta.
Todos saboreando uma cerveja estupidamente gelada, às
margens do grande lago Pára-noar!
Deus é brasileiro e os súditos já sabiam.
Ninguém é de ferro nem honesto o suficiente para
se manter acima de qualquer auditoria. Breve, aconteceriam a
CPI dos Correios, o “Mensalão”, os dólares
na cueca, as malas do Reino de Deus, o “apagão”...
O Castelo dos sonhos ruía diante dos olhos pasmos de
quem ainda sonhava com a ordem e a eqüidade nas cavalariças
do Reino. Aliás, lotada de vassalos ansiosos - desde
o tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça
- para botar os beiços na ração privilegiada
dos situacionistas da Corte.
Após 25 anos de ostracismo e muito cassetete nas costas,
a oposição tomava assento no poder para alegria
de uns e desespero de outros que arrumavam malas negras estufadas
de grana verde, no rumo do Exterior - ameaçando quebra
na Bolsa e naufrágio das finanças reais que, apesar
dos pesares, navegavam em mar de almirante, controladas por
Lord Pallocius – o incorruptível que terminou cassado!
Daí, não deu outra. Os fiéis depositários
da velhíssima democracia, visceralmente atentos ao exercício
do novo poder, se empenhavam em subjugar hostes palacianas dominantes,
flagrando a equipe do Mordomo Real com a mão no feno
transgênico, na massa, propriamente dita, manipulando
cargos e finanças, praticando expediente escuso para
desfrutar das mordomias da Coroa. Arrancando impostos aos torcedores
do esporte bretão criado para deleite da massa oprimida
de operários, sem-terra e sem-nada, sempre às
turras com algum protesto popular.
A invenção do futebol virou epidemia e solução
para amenizar dificuldades com habitação, saúde,
transportes, justiça e malversação de fundos
oficiais, dilapidados pelos próprios agentes da Coroa,
eleitos pelo voto democrático sem vergonha, popular e
obrigatório, que reelegeu toda a súcia por mais
quatro anos!
Salvo o controle da inflação, mantida com olhar
seminarista e mão de ferro por Lord Paloccius, o chefão
da “Casa do Lago”, a administração
do Castelo de Buckingang ardia em chamas, tão graves
as descobertas de malversação e roubo propriamente
dito.
As denúncias de Sir Bob Jeff implodiram o Castelo! Mallérius
Maléficus, Vernanda Carabina, Semnome Vai Com Celos e
Buda Nem Dança, se transformaram em alvo da mídia
poderosa, habitualmente controlada por verbas polpudas da Coroa
que paga os anúncios de página inteira em jornais
e revistas, mais a propaganda televisiva em horário nobre
- caríssima!
Evidente que a mídia se revoltava contra os mantenedores
oficiais, residentes do suntuoso e iluminado Castelo de Buckingang,
contra a própria regência de Sir Louis Ignation
– o Destemido, agora chamado de “último a
saber”. Segundo a oposição mais encastelada
e empedernida, ele seria “um corrupto, quiçá,
um idiota”...
Tantas denúncias lançadas ao vento, mais a titica
atirada sem dó nem piedade no ventilador real, uns e
outros ainda se esforçam para retirar a lama do castelo,
visando as eleições que dependeriam do resultado
das CPIs em curso. Porém, os súditos que aguardavam
justiça desde os tempos do Império e os anos de
chumbo grosso, votou desastradamente, pela manutenção
do Estado corrupto.
E tudo se transformou numa pizza do tamanho de um bonde, como
tantas outras arquivadas no limbo da história nacional
por excesso de denúncias, imunidade parlamentar e excesso
absoluto de provas...
Toni
Marins, jornalista
|
Tsunami carioca
Vivo
com esse pensamento na cabeça, quase um medo crônico.
Abro as janelas e, de repente, estou diante do cataclisma: ondas
gigantes vindas da praia do Flamengo, varrem a extensão
da rua Almirante Tamandaré, levando de roldão
os automóveis estacionados e os flanelinhas do prefeito,
as barracas de camelôs e o lixo da civilização
que rola agitado num redemoinho imenso – garrafas plásticas
e toda sorte de sujeira civilizada que se possa imaginar!
Aconteceu ontem, em plena Quarta-feira de Cinzas, logo após
o final das festividades de carnaval (com exceção
de Salvador, Recife e Olinda, cidades medievais, onde o período
é prolongado, independente dos protestos de uma certa
cantora baiana que pede aos berros, em cima do trio elétrico
e debaixo de chuva torrencial, “mais uma semana de carnaval
– pelo amor de Deus!”
Na praça José de Alencar, ainda se esparramava
o lixo resultante da passagem do “cachorro cansado”,
um desses blocos de bairro que sobe a rua Marques de Abrantes
para descer pela rua Senador Vergueiro, estacionando com a língua
de fora na praça, perturbando o sono secular das figuras
feudais, exarcebando a ira do marques e a empáfia do
senador.
Mais adiante, na confluência com a rua do Catete, o trânsito
pesado já empacava e carros trepavam uns sobre os outros,
enquanto passageiros desesperados pulavam dos coletivos pela
janela, escapando da prisão do ônibus para se debaterem
nas águas poluídas, tentando alcançar um
porto seguro que não existia.
Alguns já se acomodavam no topo das árvores frondosas,
cortadas sistematicamente no verão e com a ajuda epistolar
da vereadora local (uma senhora do Rio Grande do Norte que insiste
dizer que é do Flamengo), para que os galhos frondosos
não atrapalhem a visão dos letreiros comerciais.
Uma mulher se agarrava com unhas e dentes num galho, deixando
aparecer a calcinha cor-de-rosa que focou a atenção
de um bacana, metido num caiaque amarelo, tentando tirar proveito
da situação de calamidade pública:
- Vamos lá, gatinha, desce daí! Cabe mais um no
caiaque...
Enquanto a jovem mulher com o traseiro de fora esperneava:
- Só saio daqui com ajuda dos Bombeiros!
Em algum lugar do aguaceiro que entupia as ruas abaixo, alguém
comentava ter visto um enorme volume se debatendo na fúria
de um redemoinho. Segundo garantiam as más linguas de
plantão era o síndico do prédio que despertava
risos, se não fosse trágico. Persona non grata,
por conta das altas taxas do condomínio, acusado de manter
na pauta das votações algumas procurações
de proprietários falecidos, o pesado cidadão rodopiava
na corrente sem que alguém ousasse lhe prestar socorro.
Uma temeridade!
Por mero acaso, retirei o fone do gancho e ouvi o ruído
de discar. Estranhamente o aparelho funcionava, apesar das circunstâncias.
Decidi ligar para Araruama, onde era o infeliz proprietário
de um daqueles imóveis que nos dão duas alegrias
na vida: a hora de comprar e o momento de vender. Situado num
condomínio “de luxo”, na confluência
das praias dos Amores e do Hospício – local onde
me sentia inteiramente a vontade por força de meter-me
nas encóspias - comprara o imóvel de uma senhora
rabugenta que me negava, inclusive, uma procuração
com plenos poderes, enquanto não passava o imóvel
para o meu nome. Afora tantas irregularidades na documentação
que me foi apresentada, pelo advogado dela, somente após
a compra.
Disquei para a casa do síndico e me identifiquei, indagando
se não estava acontecendo uma tragédia com a lagoa
conhecida que se transformara em esgoto a céu aberto.
Ele gargalhou, pensando que eu estava gozando a sua ilustre
pessoa.
- Tô falando sério, meu! O Rio está debaixo
de um tsunami que deve ter vindo de mares vulcânicos do
Pacífico. Está tudo alagado, uma tragédia.
E aí?
O
cara não estava nem aí e não parava de
gargalhar. A felicidade devia ocorrer por conta do dízimo
elevado do condomínio, cobrado de alguém, como
eu, que não abria a porta da casa há mais de um
ano!
- Filho da mãe! pensei alto e ele escutou. E eu desliguei.
O tsunami carioca ainda não havia chegado na lagoa poluída
que recebe o esgoto de toda a região bacana dos Lagos.
Cabo Frio e Búzios, incluídas. Apodrecida em vida,
nenhum peixe, nem um pitu para enfeitar a mesa dos pescadores
do lugar.
Do nono andar onde desfrutava da visão privilegiada de
uma tragédia que, desgraçadamente, acontecia debaixo
da minha janela, pensei que não podia fazer nada além
de ligar para os Bombeiros e a Polícia, porém,
ninguém atendia ao meu chamado. Ademais, tudo deveria
estar debaixo da água do mar que já ultrapassava
uns três metros de altura, ganhando as marquises das lojas
comerciais, as ondas chicoteando de encontro aos muros dos edifícios,
invadindo garagens onde carros de luxo boiavam.
No quinto andar, um vizinho mais afoito, visivelmente embriagado
e gozador, lançava o anzol dentro das águas, munido
de vara de pescar e molinete.
Alguns meninos da rua, infratores incluídos, munidos
de coloridas pranchas de surf, faziam algazarra, muito longe
da compreensão dos fatos pouco ortodoxos. Uma senhora
do terceiro andar, animada com a subida das águas, enchia
o parapeito da janela com uma dezena de vasos e plantas. Enquanto
um dos mais estranhos moradores da comunidade despejava pães
velhos na torrente, quem sabe, para atrair as tainhas que habitualmente
circulam na beira da rebentação da praia distante.
No mínimo, poucos se davam conta da tragédia.
A diversão prevalecia na cabeça de alguns, animados
com o fenômeno fora de hora. Afinal, tomar banho de mar
na porta de casa parecia uma grande novidade e merecia alguma
comemoração.
Enfim,
um bando de loucos estava à solta sem se dar conta da
extensão da tragédia de conseqüências
imprevisíveis. Nem custava tentar o elementar, ligar
a tevê, quem sabe...
Estava no ar!
Em todos os canais se noticiava o óbvio com fotos espetaculares
tiradas de helicóptero, inclusive um vídeo amador
cheio de detalhes, porque no exato instante da ocorrência
algum maluco estava por ali, com o celular maldito dotado de
filmadora e o escambau! fotografando o bondinho ou caminhando
pelo aterro do Flamengo e, záz!
Filmou tudo ao vivo e a cores...
Mas, que cena chocante, gente fina: o Pão de Açúcar
– aquela montanha imensa que de certa forma é um
símbolo da cidade dita “maravilhosa”, implodindo
e mergulhando nas águas calmas da Baía de Guanabara,
provocando um abalo tamanho e ondas gigantes que devem ter gerado
o tsunami carioca!
Técnicos, experts e toda sorte de gente que se acredita
entendida no assunto, defendia suas teorias cada qual com o
palpite inarredável: atentado dos xiítas do Irã,
por conta do Brasil ter assinado embaixo na condenação
à fabricação de armas nucleares. Vingança
da turma do Bin Laden, pra sacanear os judeus que insistem em
manter cordialidade e até laços familiares com
os árabes da rua da Alfândega – e vice versa.
Quem sabe, vibrações descomunais do próprio
carnaval, todo aquele baticuntum mais as mulatas e as caçadoras
de fama e do BB sacudindo o traseiro freneticamente ao som de
baterias enfurecidas – afora os blocos de bairro, trezentos
ao todo, segundo as estatísticas. Todo mundo bombando!
O cara que defendia essa teoria em particular era o mais inflamado
e garantia por a + b que o presidente Lula deveria baixar medida
provisória imediata, para tentar conter a sodomia do
evento, promotor de vibrações espetaculares, capazes
de fazer desmoronar o belo monumento rochoso.
Nossa, coisa de louco sô!
Quanta perversidade nas afirmações....
Alguns exaltados puristas garantiam que o carnaval não
é mais aquele, que precisava existir uma lei específica
para controlar aquilo que ele chamava de grande orgia sexual
e suruba!
Outros que ficavam de canto nas rodas de entrevista, acusavam
o produto que é propagado no programa da Luciana - aquelas
barras e sopas que juram emagrecer e estariam anorexando e bulímilando
mulheres casadas e caçadoras siliconadas de dotes.
Ao fundo, a turma das religiões, Bíblia apertada
nas mãos, propondo o sinal da chegada do segundo dilúvio
bíblico, agora representado por tsunamis colossais que
afogariam a cidade nas águas do inferno e por culpa do
carnaval – ave!
Neste ponto da narrativa, nas páginas subseqüentes
e em branco, o leitor está convidado para colocar um
epílogo nessa estória difícil de acabar.
Escrevi a metade do conteúdo e deixo a outra metade por
conta da imaginação de cada um. Quem sabe, não
exista um escritor talentoso guardado no mais íntimo
do leitor?
Mãos a obra! Pode ser uma experiência bastante
divertida.
O
autor – Toni Marins
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