TV Cultura

 

A hist�ria
Primeira Parte - per�odo de 1969 a 1971
Primeiros dias no ar: programas culturais

Na seq��ncia da programa��o inaugural, foi exibido, �s 21h00, o programa "Quem Faz o Qu�", mostrando o trabalho de tr�s artistas pl�sticos. Logo depois, �s 21h30, foi ao ar o primeiro "Sonatas de Beethoven", com o pianista Fritz Jank. As 22h15, outra estr�ia significativa, fechando a grade do primeiro dia: 'O Ator na Arena", com apresenta��o do diretor polon�s Ziembinsky. Para aquela noite, foi escolhido um trecho da pe�a "Yerma", de Federico Garcia Lorca, interpretado por Carlos Arena e Ana L�cia Vasconcelos.


Ziembynski e C�lia Helena
em "O Ator na Arena"


Ana Rosa e Jo�o Jos� Pompeo
em "Perspectiva"


Nos dias seguintes, a emissora foi lan�ando novos programas, como as teleaulas de Ci�ncias Humanas, Matem�tica, Ingl�s e Ci�ncias Naturais, sempre na faixa entre 20h00 e 20h40. Surgiram tamb�m os programas culturais, como o "Mundo, Not�cias, Mocidade", com Maria Am�lia Carvalho, "Clube de Cinema", produzido por Greg�rio Bacic e apresentado por A. Carvalhaes e Gl�ucia Rothier, e "Perspectiva", produzido por Helo�sa Castellar - que, com vasta experi�ncia como novelista, utilizava elementos de fic��o para enfatizar situa��es reais do cotidiano. No primeiro programa, que trazia uma reportagem sobre a constru��o do Metr� de S�o Paulo, teatralizou algumas cenas para demonstrar a necessidade de um transporte r�pido e seguro na cidade.

A fic��o, por sinal, teria destaque com o "Grande Teatro", logo nos primeiros tempos da TV Cultura. Marcaram �poca as montagens de "A Casa de Bernarda Alba" (foto) e "Electra", adaptadas e dirigidas por Helo�sa Castellar. A primeira, baseada no original de Garcia Lorca, trazia um elenco estelar, com L�lia Abramo, Ruthin�a de Moraes, Cacilda Lanuza e Mirian Mehler, entre outras atrizes de sucesso nos palcos. Nos anos 70, diretores do primeiro time do teatro brasileiro, como Ademar Guerra, Antunes Filho e Antonio Abujamra assinariam montagens de teleteatro produzidas pela emissora.

Pol�mica

Na primeira semana - na noite de quarta-feira - estreou tamb�m o pol�mico "Jovem, Urgente", produzido por Walter George Durst e apresentado pelo psiquiatra Paulo Gaudencio.. Gravado com a participa��o do p�blico, tinha a proposta de debater o comportamento da sociedade - em particular dos jovens - numa �poca especialmente explosiva. No ano anterior, o movimento estudantil havia eclodido com toda a for�a na Europa. Nos Estados Unidos, nascia o movimento hippie e pipocavam os movimentos pacifistas contra a guerra do Vietn�. No Brasil, onde j� se ouviam os acordes dissonantes do tropicalismo, os estudantes sa�am �s ruas para protestar contra o regime militar e procuravam acompanhar as mudan�as culturais que aconteciam em outros pa�ses. Nesse clima de inquieta��o e em plena vig�ncia do AI-5, "Jovem, Urgente" buscava discutir temas como liberdade de opini�o, virgindade, conflitos de gera��es e outros tabus sexuais e culturais. Se o programa evidenciou a independ�ncia editorial da TV Cultura, marcou tamb�m o in�cio dos problemas que a emissora viria a ter com a censura. Era o risco que corria tamb�m o "Caixote de Opini�o", programa de depoimentos cujo nome era inspirado no c�lebre costume dos ingleses, que, quando queriam protestar contra a fam�lia real brit�nica, subiam num caixote em pleno Hyde Park e falavam � vontade, j� que "n�o estavam pisando solo brit�nico".



"O 'Jovem Urgente' era um programa fant�stico. Mas toda semana era proibido pela Censura e o (presidente) Jos� Bonif�cio ligava para Bras�lia para liber�-lo. Era gravado com anteced�ncia, mas mesmo assim era uma loucura. Marcou �poca."
Depoimento de Yolanda Costa Ferreira.

Intercalados aos programas feitos na pr�pria TV Cultura, eram exibidos document�rios e programas culturais de outros pa�ses, como Canad�, Fran�a, Inglaterra, Alemanha e Jap�o - obtidos nos consulados ou por meio de acordos operacionais com emissoras estrangeiras.

Os musicais

Havia tamb�m os programas musicais criados pela equipe de Carlos Vergueiro, formada por S�rgio Viotti, Caio M�rio Britto, Vicente Conti, Annie Fleury e S�lvia Autuori, entre outros profissionais. Programas como "M�sica da Nossa Terra", apresentado pelo cantor Joel de Almeida e exibido aos s�bados, no hor�rio nobre. Entre os convidados, �ngela Maria, Orlando Silva, Araci de Almeida e Lana Bittencourt. Outra atra��o da �rea art�stica eram os recitais, como os que mostravam Inezita Barroso cantando e acompanhando-se ao viol�o.

Desde o in�cio, a TV Cultura tinha o objetivo de democratizar a m�sica, particularmente a erudita, tentando aproxim�-la do grande p�blico. Uma iniciativa marcante foi empreendida pelo maestro J�lio Medaglia, com produ��o de Fernando Pacheco Jord�o. Toda semana, uma orquestra de cordas era levada a um p�tio de escola ou de uma f�brica, para que estudantes e oper�rios pudessem ver de perto o trabalho dos m�sicos.

E havia tamb�m a preocupa��o com a cria��o de um acervo erudito com obras apresentadas por grandes orquestras.

"Todos os domingos, tinha concerto da Sinf�nica Municipal ou da Estadual, sempre no Teatro Municipal. N�s t�nhamos um acordo e toda semana �amos l� gravar. Algumas semanas depois, o concerto ia ao ar. Isso nos permitiu formar o maior acervo de m�sica erudita da Am�rica Latina. N�o s� das orquestras brasileiras, mas das estrangeiras tamb�m."
Yolanda Costa Ferreira.

 

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