|
Na seq��ncia da
programa��o inaugural, foi exibido, �s 21h00, o programa "Quem Faz
o Qu�", mostrando o trabalho de tr�s artistas pl�sticos. Logo
depois, �s 21h30, foi ao ar o primeiro "Sonatas de Beethoven",
com o pianista Fritz Jank. As 22h15, outra estr�ia significativa,
fechando a grade do primeiro dia: 'O Ator na Arena", com apresenta��o
do diretor polon�s Ziembinsky. Para aquela noite, foi escolhido um trecho
da pe�a "Yerma", de Federico Garcia Lorca, interpretado por
Carlos Arena e Ana L�cia Vasconcelos.
|

Ziembynski
e C�lia Helena
em "O Ator na Arena"
|

Ana Rosa e Jo�o Jos� Pompeo
em "Perspectiva"
|
Nos dias seguintes,
a emissora foi lan�ando novos programas, como as teleaulas de Ci�ncias
Humanas, Matem�tica, Ingl�s e Ci�ncias Naturais, sempre na faixa entre
20h00 e 20h40. Surgiram tamb�m os programas culturais, como o
"Mundo, Not�cias, Mocidade", com Maria Am�lia Carvalho,
"Clube de Cinema", produzido por Greg�rio Bacic e apresentado
por A. Carvalhaes e Gl�ucia Rothier, e "Perspectiva", produzido
por Helo�sa Castellar - que, com vasta experi�ncia como novelista,
utilizava elementos de fic��o para enfatizar situa��es reais do
cotidiano. No primeiro programa, que trazia uma reportagem sobre a constru��o
do Metr� de S�o Paulo, teatralizou algumas cenas para demonstrar a
necessidade de um transporte r�pido e seguro na cidade.
A
fic��o, por sinal, teria destaque com o "Grande Teatro", logo
nos primeiros tempos da TV Cultura. Marcaram �poca as montagens de
"A Casa de Bernarda Alba" (foto) e "Electra",
adaptadas e dirigidas por Helo�sa Castellar. A primeira, baseada no
original de Garcia Lorca, trazia um elenco estelar, com L�lia Abramo,
Ruthin�a de Moraes, Cacilda Lanuza e Mirian Mehler, entre outras atrizes
de sucesso nos palcos. Nos anos 70, diretores do primeiro time do teatro
brasileiro, como Ademar Guerra, Antunes Filho e Antonio Abujamra
assinariam montagens de teleteatro produzidas pela emissora.
Pol�mica
Na
primeira semana - na noite de quarta-feira - estreou tamb�m o pol�mico
"Jovem, Urgente", produzido por Walter George Durst e
apresentado pelo psiquiatra Paulo Gaudencio..
Gravado com a participa��o do p�blico, tinha a proposta de debater o
comportamento da sociedade - em particular dos jovens - numa �poca
especialmente explosiva. No ano anterior, o movimento estudantil havia
eclodido com toda a for�a na Europa. Nos Estados Unidos, nascia o
movimento hippie e pipocavam os movimentos pacifistas contra a guerra do
Vietn�. No Brasil, onde j� se ouviam os acordes dissonantes do
tropicalismo, os estudantes sa�am �s ruas para protestar contra o regime
militar e procuravam acompanhar as mudan�as culturais que aconteciam em
outros pa�ses. Nesse clima de inquieta��o e em plena vig�ncia do AI-5,
"Jovem, Urgente" buscava discutir temas como liberdade de opini�o,
virgindade, conflitos de gera��es e outros tabus sexuais e culturais.
Se o programa evidenciou a independ�ncia editorial da TV Cultura, marcou
tamb�m o in�cio dos problemas que a emissora viria a ter com a censura.
Era o risco que corria tamb�m o "Caixote de Opini�o", programa
de depoimentos cujo nome era inspirado no c�lebre costume dos ingleses,
que, quando queriam protestar contra a fam�lia real brit�nica, subiam
num caixote em pleno Hyde Park e falavam � vontade, j� que "n�o
estavam pisando solo brit�nico".
"O 'Jovem Urgente' era um programa fant�stico.
Mas toda semana era proibido pela Censura e o (presidente) Jos� Bonif�cio
ligava para Bras�lia para liber�-lo. Era gravado com anteced�ncia, mas
mesmo assim era uma loucura. Marcou �poca."
Depoimento de Yolanda Costa Ferreira.
Intercalados aos
programas feitos na pr�pria TV Cultura, eram exibidos document�rios e
programas culturais de outros pa�ses, como Canad�, Fran�a, Inglaterra,
Alemanha e Jap�o - obtidos nos consulados ou por meio de acordos
operacionais com emissoras estrangeiras.
Os
musicais
Havia
tamb�m os programas musicais criados pela equipe de Carlos Vergueiro,
formada por S�rgio Viotti, Caio M�rio Britto, Vicente Conti, Annie
Fleury e S�lvia Autuori, entre outros profissionais. Programas como
"M�sica da Nossa Terra", apresentado pelo cantor Joel de
Almeida e exibido aos s�bados, no hor�rio nobre. Entre os convidados, �ngela
Maria, Orlando Silva, Araci de Almeida e Lana Bittencourt. Outra atra��o
da �rea art�stica eram os recitais, como os que mostravam Inezita
Barroso cantando e acompanhando-se ao viol�o.
Desde o in�cio, a
TV Cultura tinha o objetivo de democratizar a m�sica, particularmente a
erudita, tentando aproxim�-la do grande p�blico. Uma iniciativa marcante
foi empreendida pelo maestro J�lio Medaglia, com produ��o de Fernando
Pacheco Jord�o. Toda semana, uma orquestra de cordas era levada a um p�tio
de escola ou de uma f�brica, para que estudantes e oper�rios pudessem
ver de perto o trabalho dos m�sicos.
E havia tamb�m a
preocupa��o com a cria��o de um acervo erudito com obras apresentadas
por grandes orquestras.
"Todos
os domingos, tinha concerto da Sinf�nica Municipal ou da Estadual, sempre
no Teatro Municipal. N�s t�nhamos um acordo e toda semana �amos l�
gravar. Algumas semanas depois, o concerto ia ao ar. Isso nos permitiu
formar o maior acervo de m�sica erudita da Am�rica Latina. N�o s� das
orquestras brasileiras, mas das estrangeiras tamb�m."
Yolanda Costa Ferreira.
|