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Os
meses que antecederam a estr�ia da TV Cultura foram de intenso trabalho.
J� davam expediente os profissionais de televis�o que moldariam a
"cara" da emissora conforme surgiu no ar a partir de junho de
69.
"Logo
no in�cio, a Funda��o se pautou pela escolha de profissionais de grande
gabarito. Foram esses profissionais que formaram verdadeiramente a
primeira escola de televis�o no Brasil. Antes da estr�ia, n�s passamos
de seis a oito meses formando conceitos, discutindo o caminho que deveria
tomar uma TV educativa. No meu setor, recebi uma equipe de cerca de vinte
pessoas, vindas do antigo Canal 2. L� estavam profissionais das mais
diferentes �reas: desenho, fotografia, contra-regra, costura,
maquiagem... Era um grande desafio montar o departamento de cenografia e
arte, que englobava tudo. Esse modelo foi at� os anos 90, e acredito que
dele nasce o designer, o diretor de arte, que precisa ter uma vis�o
global. Lembro da minha equipe: um grande pintor de arte, que era o
Isidoro Vasconcelos; um marceneiro maravilhoso, chamado Antonio Monteiro
dos Santos [em 1999, chefe do setor de cenot�cnica da TV Cultura]; o
fot�grafo Danilo Pavani, as costureiras Dercy e Antonia, a camareira
Leonor. Entre os desenhistas, t�nhamos o Maur�cio Sanches, o Vicente
Iborra e outros. Na cenografia, t�nhamos o Campello Neto [vindo da TV
Globo] e Leonor Scarano de Mendon�a. Nos anos seguintes, naturalmente,
outros profissionais juntaram-se � equipe".
Armando Ferrara, chefe do Departamento de Cenografia e Arte da TV
Cultura de 1969 a 1988.
Ap�s
dois meses de transmiss�es experimentais, iniciadas em 4 de abril, chegou
finalmente o momento de inaugura��o da TV Cultura. Era o dia 15 de junho
de 1969. Exatamente as 19h30 daquele domingo, entraram no ar os discursos
do governador Roberto de Abreu Sodr� e do presidente da Funda��o Padre
Anchieta, Jos� Bonif�cio Coutinho Nogueira.
Em
seguida, foi exibido um clipe mostrando o surgimento da emissora, os
planos para o futuro e uma descri��o dos programas que passariam a ser
apresentados a partir do dia seguinte, dia 16 de junho - quando foram
iniciadas as transmiss�es regulares da nova emissora. Estava no ar a TV
Cultura, resultado de um longo trabalho que envolveu uma legi�o de t�cnicos,
diretores, produtores e artistas.
Primeiros
dias no ar: programa��o educativa

Detalhe
de Roteiro de Abertura da Programa��o.
Nos
primeiros meses, a TV Cultura permanecia no ar por apenas quatro horas di�rias
- das 19h30 �s 23h30. O primeiro programa exibido, �s 19h30 do dia 16 de
junho, foi um epis�dio da s�rie "Planeta Terra". O document�rio
trazia como tema terremotos, vulc�es e fen�menos que ocorrem nas
profundezas do planeta.
Logo
depois do "Planeta Terra", mais uma novidade: todos os dias,
sempre as 19h55, a TV Cultura levaria ao ar um completo boletim
meteorol�gico, chamado "A Mo�a do Tempo", apresentado por
Albina Mosqueiro. �s 20h00, iniciava-se uma s�rie que viria a fazer
hist�ria: era o "Curso de Madureza Ginasial", um dos seus
maiores desafios era provar que uma aula transmitida por televis�o
poderia ser, ao mesmo tempo, eficiente e agrad�vel. Outras emissoras
comerciais haviam tentado incluir o curso em sua programa��o, sem
alcan�ar bons resultados de audi�ncia. Nas tentativas anteriores, o
esquema em vigor era o velho "giz e quadro negro".
Para
mudar esse panorama, a TV Cultura havia reunido grandes profissionais de
televis�o e contratado professores universit�rios de alto n�vel. A
primeira diferen�a: a maior parte dos professores n�o ia para a frente
das c�meras. Eles preparavam o conte�do das aulas que, em seguida, eram
transformadas em verdadeiros programas de televis�o, apresentados por uma
equipe de 18 atores selecionados entre quinhentos candidatos.
"Havia
uma disciplina que se chamava Ci�ncias Humanas e englobava Hist�ria,
Geografia, Psicologia, Ling��stica e Demografia. Era uma equipe de alto
n�vel: entre os professores, t�nhamos Gabriel Cohn, Ruth Cardoso, Paul
Singer, Rodolfo Azen, Jobson Arruda e Jos� Sebasti�o Witter. Enfim, era
um time de primeira que fazia os textos, a partir dos quais
desenvolv�amos as aulas".
Fernando Pacheco Jord�o, que em 1969 era produtor respons�vel
pelas aulas de Ci�ncias Humanas.
A primeira aula que
entrou no ar naquele 16 de junho mostrava que o desafio estava sendo
vencido. A aula de portugu�s, preparada por Walter George Durst a partir
do conte�do dos professores Isidoro Blikstein e Dino Pretti, era
ilustrada por di�logos da novela "O Feij�o e o Sonho",
produzida a partir da obra de Or�genes Lessa.
Era esta a forma que a emissora havia desenhado para transmitir suas
aulas.
No
momento em que entrou no ar, �s 20h00, a aula de portugu�s concorria com
as novelas "Beto Rockefeller", no Canal 4, "A Rosa
Rebelde", no Canal 5, e "Vidas em Conflito", no Canal 9. O
Canal 7 exibia o humor�stico "Na Onda da Augusta", produzido
por Carlos Manga, enquanto o Canal 13 mostrava o interativo "Telefone
Pedindo Bis", apresentado por Enzo de Almeida Passos. Em seu primeiro
dia, a Cultura atingiu a expressiva m�dia de 9 pontos de audi�ncia. Na
mesma segunda-feira, foram apresentadas as aulas de Geografia e de Hist�ria.
Cada aula tinha dura��o de 20 minutos..
Detalhe da programa��o do dia 16/06/69
- Revista Intervalo.
O
assessor de ensino, Antonio Soares Amora, contava com alguns auxiliares
diretos, como
Andreas Pavel - um jovem soci�logo alem�o "a frente de seu
tempo", segundo seus colegas -, George Sperber e o professor de matem�tica
Oswaldo Sangiorgi, que anos depois assumiria a chefia do departamento de
ensino. Bem assessorado, Amora estabeleceu uma parceria com a Editora
Abril, que ficou respons�vel pela elabora��o dos fasc�culos com o
conte�do das aulas, vendidos nas bancas por dois cruzeiros novos. A
Cultura tinha participa��o no pre�o de capa.
"Ainda
lembro das viagens que faz�amos por diversos Estados, principalmente do
Norte e do Nordeste. N�s, da Cultura, �amos com a 'latinha' contendo o
filme feito em TFR [Telecine Film Recording, m�quina que faz c�pias em
filme de 16 mm a partir de fitas de v�deo] com programas do curso de
Madureza, enquanto o pessoal da Abril levava os fasc�culos. O acordo para
criar os fasc�culos foi muito importante, do ponto de vista pedag�gico,
porque era mais um canal de comunica��o com os alunos. Eles podiam
manusear o material em qualquer lugar e em qualquer momento. Al�m de
assistir �s teleaulas, os telespectadores tinham a possibilidade de
estudar sozinhos ou em grupos. Em v�rios lugares de S�o Paulo e em
outros Estados, as secretarias de Educa��o e outros �rg�os oficiais
organizavam telepostos. Nesses espa�os, o aluno via o programa e estudava
a partir dos fasc�culos, contando com a presen�a de um orientador de
aprendizagem. Aqui mesmo, na TV Cultura, t�nhamos um teleposto que servia
para as avalia��es do processo. De um modo geral, aquele sistema
apresentou um retorno extraordin�rio".
Pedro Paulo Demartini, pedagogo, contratado em 1970 para dar apoio
� Assessoria de Ensino. Em 1999, assistente de Educa��o da TV Cultura.
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Fasc�culos
do Telecurso
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Teleposto
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"No
final do curso, que durava um ano, foram realizados os exames - que
valeram como conclus�o do curso ginasial. N�s sab�amos, por meio de
pesquisas, que o maior n�, o maior gargalo era justamente o madureza do
gin�sio. Havia um n�vel de repet�ncia muito alto e era preciso resolver
o problema das pessoas mais velhas. Pelo que me lembro, cerca de 60 mil
pessoas conseguiram o diploma de madureza. Foi um neg�cio
renovador".
Depoimento de Cl�udio Petraglia.
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