TV Cultura

 

A hist�ria
Primeira Parte - per�odo de 1969 a 1971
O surgimento da TV Cultura

Os meses que antecederam a estr�ia da TV Cultura foram de intenso trabalho. J� davam expediente os profissionais de televis�o que moldariam a "cara" da emissora conforme surgiu no ar a partir de junho de 69.

"Logo no in�cio, a Funda��o se pautou pela escolha de profissionais de grande gabarito. Foram esses profissionais que formaram verdadeiramente a primeira escola de televis�o no Brasil. Antes da estr�ia, n�s passamos de seis a oito meses formando conceitos, discutindo o caminho que deveria tomar uma TV educativa. No meu setor, recebi uma equipe de cerca de vinte pessoas, vindas do antigo Canal 2. L� estavam profissionais das mais diferentes �reas: desenho, fotografia, contra-regra, costura, maquiagem... Era um grande desafio montar o departamento de cenografia e arte, que englobava tudo. Esse modelo foi at� os anos 90, e acredito que dele nasce o designer, o diretor de arte, que precisa ter uma vis�o global. Lembro da minha equipe: um grande pintor de arte, que era o Isidoro Vasconcelos; um marceneiro maravilhoso, chamado Antonio Monteiro dos Santos [em 1999, chefe do setor de cenot�cnica da TV Cultura]; o fot�grafo Danilo Pavani, as costureiras Dercy e Antonia, a camareira Leonor. Entre os desenhistas, t�nhamos o Maur�cio Sanches, o Vicente Iborra e outros. Na cenografia, t�nhamos o Campello Neto [vindo da TV Globo] e Leonor Scarano de Mendon�a. Nos anos seguintes, naturalmente, outros profissionais juntaram-se � equipe".
Armando Ferrara, chefe do Departamento de Cenografia e Arte da TV Cultura de 1969 a 1988.

Ap�s dois meses de transmiss�es experimentais, iniciadas em 4 de abril, chegou finalmente o momento de inaugura��o da TV Cultura. Era o dia 15 de junho de 1969. Exatamente as 19h30 daquele domingo, entraram no ar os discursos do governador Roberto de Abreu Sodr� e do presidente da Funda��o Padre Anchieta, Jos� Bonif�cio Coutinho Nogueira.

Em seguida, foi exibido um clipe mostrando o surgimento da emissora, os planos para o futuro e uma descri��o dos programas que passariam a ser apresentados a partir do dia seguinte, dia 16 de junho - quando foram iniciadas as transmiss�es regulares da nova emissora. Estava no ar a TV Cultura, resultado de um longo trabalho que envolveu uma legi�o de t�cnicos, diretores, produtores e artistas.

Primeiros dias no ar: programa��o educativa


Detalhe de Roteiro de Abertura da Programa��o.

Nos primeiros meses, a TV Cultura permanecia no ar por apenas quatro horas di�rias - das 19h30 �s 23h30. O primeiro programa exibido, �s 19h30 do dia 16 de junho, foi um epis�dio da s�rie "Planeta Terra". O document�rio trazia como tema terremotos, vulc�es e fen�menos que ocorrem nas profundezas do planeta.

Logo depois do "Planeta Terra", mais uma novidade: todos os dias, sempre as 19h55, a TV Cultura levaria ao ar um completo boletim meteorol�gico, chamado "A Mo�a do Tempo", apresentado por Albina Mosqueiro. �s 20h00, iniciava-se uma s�rie que viria a fazer hist�ria: era o "Curso de Madureza Ginasial", um dos seus maiores desafios era provar que uma aula transmitida por televis�o poderia ser, ao mesmo tempo, eficiente e agrad�vel. Outras emissoras comerciais haviam tentado incluir o curso em sua programa��o, sem alcan�ar bons resultados de audi�ncia. Nas tentativas anteriores, o esquema em vigor era o velho "giz e quadro negro".

Para mudar esse panorama, a TV Cultura havia reunido grandes profissionais de televis�o e contratado professores universit�rios de alto n�vel. A primeira diferen�a: a maior parte dos professores n�o ia para a frente das c�meras. Eles preparavam o conte�do das aulas que, em seguida, eram transformadas em verdadeiros programas de televis�o, apresentados por uma equipe de 18 atores selecionados entre quinhentos candidatos.


"Havia uma disciplina que se chamava Ci�ncias Humanas e englobava Hist�ria, Geografia, Psicologia, Ling��stica e Demografia. Era uma equipe de alto n�vel: entre os professores, t�nhamos Gabriel Cohn, Ruth Cardoso, Paul Singer, Rodolfo Azen, Jobson Arruda e Jos� Sebasti�o Witter. Enfim, era um time de primeira que fazia os textos, a partir dos quais desenvolv�amos as aulas".
Fernando Pacheco Jord�o, que em 1969 era produtor respons�vel pelas aulas de Ci�ncias Humanas.

A primeira aula que entrou no ar naquele 16 de junho mostrava que o desafio estava sendo vencido. A aula de portugu�s, preparada por Walter George Durst a partir do conte�do dos professores Isidoro Blikstein e Dino Pretti, era ilustrada por di�logos da novela "O Feij�o e o Sonho", produzida a partir da obra de Or�genes Lessa. Era esta a forma que a emissora havia desenhado para transmitir suas aulas.

No momento em que entrou no ar, �s 20h00, a aula de portugu�s concorria com as novelas "Beto Rockefeller", no Canal 4, "A Rosa Rebelde", no Canal 5, e "Vidas em Conflito", no Canal 9. O Canal 7 exibia o humor�stico "Na Onda da Augusta", produzido por Carlos Manga, enquanto o Canal 13 mostrava o interativo "Telefone Pedindo Bis", apresentado por Enzo de Almeida Passos. Em seu primeiro dia, a Cultura atingiu a expressiva m�dia de 9 pontos de audi�ncia. Na mesma segunda-feira, foram apresentadas as aulas de Geografia e de Hist�ria. Cada aula tinha dura��o de 20 minutos..

Detalhe da programa��o do dia 16/06/69
- Revista Intervalo.

O assessor de ensino, Antonio Soares Amora, contava com alguns auxiliares diretos, como
Andreas Pavel - um jovem soci�logo alem�o "a frente de seu tempo", segundo seus colegas -, George Sperber e o professor de matem�tica Oswaldo Sangiorgi, que anos depois assumiria a chefia do departamento de ensino. Bem assessorado, Amora estabeleceu uma parceria com a Editora Abril, que ficou respons�vel pela elabora��o dos fasc�culos com o conte�do das aulas, vendidos nas bancas por dois cruzeiros novos. A Cultura tinha participa��o no pre�o de capa.

"Ainda lembro das viagens que faz�amos por diversos Estados, principalmente do Norte e do Nordeste. N�s, da Cultura, �amos com a 'latinha' contendo o filme feito em TFR [Telecine Film Recording, m�quina que faz c�pias em filme de 16 mm a partir de fitas de v�deo] com programas do curso de Madureza, enquanto o pessoal da Abril levava os fasc�culos. O acordo para criar os fasc�culos foi muito importante, do ponto de vista pedag�gico, porque era mais um canal de comunica��o com os alunos. Eles podiam manusear o material em qualquer lugar e em qualquer momento. Al�m de assistir �s teleaulas, os telespectadores tinham a possibilidade de estudar sozinhos ou em grupos. Em v�rios lugares de S�o Paulo e em outros Estados, as secretarias de Educa��o e outros �rg�os oficiais organizavam telepostos. Nesses espa�os, o aluno via o programa e estudava a partir dos fasc�culos, contando com a presen�a de um orientador de aprendizagem. Aqui mesmo, na TV Cultura, t�nhamos um teleposto que servia para as avalia��es do processo. De um modo geral, aquele sistema apresentou um retorno extraordin�rio".
Pedro Paulo Demartini, pedagogo, contratado em 1970 para dar apoio � Assessoria de Ensino. Em 1999, assistente de Educa��o da TV Cultura.


Fasc�culos do Telecurso


Teleposto


"No final do curso, que durava um ano, foram realizados os exames - que valeram como conclus�o do curso ginasial. N�s sab�amos, por meio de pesquisas, que o maior n�, o maior gargalo era justamente o madureza do gin�sio. Havia um n�vel de repet�ncia muito alto e era preciso resolver o problema das pessoas mais velhas. Pelo que me lembro, cerca de 60 mil pessoas conseguiram o diploma de madureza. Foi um neg�cio renovador".
Depoimento de Cl�udio Petraglia.

 

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