Na introdução deste
arcano, dissemos que seu nome erudito é GNOSIS
(conhecimento), bem como falamos de sua correspondência
astrológica - LUA. Este planeta é símbolo também da água,
estando ligado às mares. Este movimento da água, e a própria
natureza deste elemento é identificado com o inconsciente, com o
mundo desconhecido dentro de nós. Em última análise, o segundo
arcano nos faz pensar em como nos relacionamos com este mundo, que
embora nos pertença, possui sua maior parte funcionando com
independência, opondo-se inclusive à consciência. Por tudo
isto, o conhecimento oculto nas vestes da Papisa, bem como em seu
livro e por trás da cortina presa nas colunas, é o conhecimento
acerca de nós mesmos. Desvendá-lo é um processo que percorrerá
todo o caminho do tarôs, nos próximos arcanos, até o último -
O MUNDO, símbolo da realização total.
Estas informações esclarecem bastante, mas
são ainda insuficientes para a total compreensão da natureza
desta carta. Sendo assim, levemos em consideração o ternário
ESPÍRITO - ASTRAL - MATÉRIA: o meio astral serve como mediador
entre o mundo espiritual puro e o mundo material denso.Possui
características tanto de um quanto de outro, atenuando as
diferenças e aproximando dois estados de energia que a princípio
diferem tanto entre si.
O mundo espiritual, também conhecido como
MUNDO DAS IDÉIAS, é por definição puro e sutil, sendo o
criador dos conceitos que mais tarde podem se materializar. Estas
idéias, entrando em contato com o mundo astral, tomam FORMA,
adquirindo uma natureza mais densa, embora ainda não tão densa
quanto se estive na matéria. Estes conteúdos ideáticos
refletidos no astral são chamados ASTRO-IDÉIAS, e ficam a
disposição para que possamos apreendê-los, como um cientista
que de repente consegue formular sua teoria, na qual a tanto tempo
vinha pensando.
Da mesma forma, os pensamentos ou ações
havidos no plano material possuem seu correspondente no astral,
resultando no chamado CLICHÊ ASTRAIS, que é uma idéia revestida
por material astral mais denso, como um corpo, de tal maneira que
pode ser considerado um ente à parte. Este ente (ou larva),
fixa-se à pessoa que o idealizou, alimentando-se de seus
pensamentos e realimentando as idéias desta pessoa. Exemplo disto
são as idéias obsessiva, comuns nos vícios, que parecem ter uma
personalidade própria, subjugando seu criador. Tais clichês
podem ser destruídos ou enfraquecidos se a pessoa conseguir
desviar-se de sua influência por meio de outra idéia contrária,
mais nobre, deslocando assim o fluxo de energia para outro
objetivo.
Os clichês podem também ser de natureza
positiva, fortalecendo seu criador com o valor de que é portador.
Se imaginarmos um conjunto de pessoas pensando
as mesmas coisas, com objetivos em comum, chegamos à noção de
EGRÉGORA, que é um clichê coletivo, formado pela somatória dos
clichês individuais. Da mesma maneira, a egrégora realimenta
seus integrantes, com seus conteúdos bons ou maus, de acordo com
sua natureza.
Outro conceito próprio do Arcano II é o de
oposição de forças iguais em sua natureza mas de sentidos
contrários. O ativo e o passivo, o masculino e o feminino.
Poderia existir a luz se não existissem as trevas ? Como
nos apoiarmos em um objeto que não nos oferece resistência
alguma ? A noção do bom precisa da existência da noção do
mal, e assim sucessivamente, podemos afirmar que a pluralidade do
universo só existe porque a energia primordial (que vimos no
arcano I - a divina essência) encontrou uma força contrária,
forçando-a a modificar-se, e assim infinitamente, esta energia
primordial foi dando forma a tudo o que existe - a divina
substância.
Este princípio é representado por símbolos
como o Yin-Yang, o Lingam Hindu, o Staurus gnóstico, onde o
elemento ativo fecunda o elemento passivo receptor: O nome de
Deus, tetragrama sagrado IOD-HE-VAU-HE (IEVE = Javé) é formado
pelo IOD (Adão) que fecunda o HE-VAU-HE (Eva)...o que era UM,
transforma-se em DOIS, para tornar-se fecundo.