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A Papisa

 

Acima
O Mago
A Papisa
A Imperatriz
O Imperador
O Papa
O Enamorado
O Carro
A Justiça
O Eremita

 

"O que está embaixo é semelhante (não igual) ao que está em cima, e o que está em cima é semelhante ao que está embaixo, para perfazer as maravilhas da coisa única"

Tábua Esmeraldina

 

O letra correspondente à PAPISA é Beth , e seu valor numérico é 02. O hieróglifo desta letra representa A BOCA HUMANA, através da qual nos vêm a palavra (VERBO), conforme descrito no arcano I. É também um refúgio, acesso ao interior, local escondido. Observando a letra Beth, notamos que sua parte superior é parecido com a inferior, mas elas não são iguais. O Segundo arcano traz os mesmos valores essenciais que o primeiro, porém modificados segundo sua natureza passiva. Um complementa o outro.

Os títulos do arcano no Ternário Teosófico são:

DIVINA SUBSTÂNCIA

FEMINA

NATURA NATURATA

Na introdução deste arcano, dissemos que seu nome erudito é GNOSIS (conhecimento), bem como falamos de sua correspondência astrológica - LUA. Este planeta é símbolo também da água, estando ligado às mares. Este movimento da água, e a própria natureza deste elemento é identificado com o inconsciente, com o mundo desconhecido dentro de nós. Em última análise, o segundo arcano nos faz pensar em como nos relacionamos com este mundo, que embora nos pertença, possui sua maior parte funcionando com independência, opondo-se inclusive à consciência. Por tudo isto, o conhecimento oculto nas vestes da Papisa, bem como em seu livro e por trás da cortina presa nas colunas, é o conhecimento acerca de nós mesmos. Desvendá-lo é um processo que percorrerá todo o caminho do tarôs, nos próximos arcanos, até o último - O MUNDO, símbolo da realização total.

Estas informações esclarecem bastante, mas são ainda insuficientes para a total compreensão da natureza desta carta. Sendo assim, levemos em consideração o ternário ESPÍRITO - ASTRAL - MATÉRIA: o meio astral serve como mediador entre o mundo espiritual puro e o mundo material denso.Possui características tanto de um quanto de outro, atenuando as diferenças e aproximando dois estados de energia que a princípio diferem tanto entre si.

O mundo espiritual, também conhecido como MUNDO DAS IDÉIAS, é por definição puro e sutil,  sendo o criador dos conceitos que mais tarde podem se materializar. Estas idéias, entrando em contato com o mundo astral, tomam FORMA, adquirindo uma natureza mais densa, embora ainda não tão densa quanto se estive na matéria. Estes conteúdos ideáticos refletidos no astral são chamados ASTRO-IDÉIAS, e ficam a disposição para que possamos apreendê-los, como um cientista que de repente consegue formular sua teoria, na qual a tanto tempo vinha pensando. 

Da mesma forma, os pensamentos ou ações havidos no plano material possuem seu correspondente no astral, resultando no chamado CLICHÊ ASTRAIS, que é uma idéia revestida por material astral mais denso, como um corpo, de tal maneira que pode ser considerado um ente à parte. Este ente (ou larva), fixa-se à pessoa que o idealizou, alimentando-se de seus pensamentos e realimentando as idéias desta pessoa. Exemplo disto são as idéias obsessiva, comuns nos vícios, que parecem ter uma personalidade própria, subjugando seu criador. Tais clichês podem ser destruídos ou enfraquecidos se a pessoa conseguir desviar-se de sua influência por meio de outra idéia contrária, mais nobre, deslocando assim o fluxo de energia para outro objetivo.

Os clichês podem também ser de natureza positiva, fortalecendo seu criador com o valor de que é portador.

Se imaginarmos um conjunto de pessoas pensando as mesmas coisas, com objetivos em comum, chegamos à noção de EGRÉGORA, que é um clichê coletivo, formado pela somatória dos clichês individuais. Da mesma maneira, a egrégora realimenta seus integrantes, com seus conteúdos bons ou maus, de acordo com sua natureza.

Outro conceito próprio do Arcano II é o de oposição de forças iguais em sua natureza mas de sentidos contrários. O ativo e o passivo, o masculino e o feminino. Poderia existir a luz se não existissem as trevas ? Como nos  apoiarmos em um objeto que não nos oferece resistência alguma ? A noção do bom precisa da existência da noção do mal, e assim sucessivamente, podemos afirmar que a pluralidade do universo só existe porque a energia primordial (que vimos no arcano I - a divina essência) encontrou uma força contrária, forçando-a a modificar-se, e assim infinitamente, esta energia primordial foi dando forma a tudo o que existe - a divina substância.

Este princípio é representado por símbolos como o Yin-Yang, o Lingam Hindu, o Staurus gnóstico, onde o elemento ativo fecunda o elemento passivo receptor: O nome de Deus, tetragrama sagrado IOD-HE-VAU-HE (IEVE = Javé) é formado pelo IOD (Adão) que fecunda o HE-VAU-HE (Eva)...o que era UM, transforma-se em DOIS, para tornar-se fecundo.

Lingam Staurus

Finalizando, cumpre citar ainda outra correspondência do Arcano II agora com relação à Alquimia. Todo o conceito de recolhimento e pureza da PAPISA liga-se ao conceito de virgindade, sendo a mesma tida como uma mulher virgem. Daí vem sua identificação com o "Leite de Virgem", substância dada à PEDRA FILOSOFAL em seu processo de purificação. Lembramos que pedra é símbolo de espírito, essência, e como já vimos no Arcano I,  O MAGO é esta essência, esta matéria primordial a ser trabalhada. Logo o Arcano II é o primeiro "alimento" do Arcano I no processo alquímico do Tarô, seu primeiro contato com o mundo exterior e ponte para sua transformação.

 

Próximo arcano: A IMPERATRIZ

Simbolismo básico deste arcano: clique aqui

Clique aqui para conhecer a interessante lenda da Papisa Joana

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