04/11/02
:::: ric, da gaywatch
Céus! Pasteurizaram a gaiola do Massivo
| fichinha básica |
| noite que fui |
sexta |
| qtas horas? |
três e pco |
| endereço |
alameda itu (ah!
vai dizer que vc nao sabe onde eh?) |
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| psychoanálise |
| som |
!! |
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| pretês |
!! |
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| trepês |
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| sauna!people |
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| wpaper!people |
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| conforto |
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| carão |
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!! |
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| beleza@staff |
!! |
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!! |
!! |
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| como ir |
| Roupa |
visu verão |
| nem encane muito em se produzir /
barbies locais desconhecem o conceito de camisa / camiseta |
| Humor |
pra zoar |
| se você se
leva a sério demais, esqueça |
| |
| dúvidas? |
| :::
entenda este troço |
Tá no dicionário e até pouco tempo atrás
nas embalagens de leite longa vida : pasteurizar significa,
mais ou menos, ferver alguma coisa até uns 70 graus Célsius
e depois congelar a uns 70 graus negativos, só pra ter certeza
de que todas as bactérias morreram MESMO. Suponho que se os
vírus tivessem vida estariam mortos também depois deste
processo. Pois foi exatamente o que fizeram com o Massivo depois da
reforma. Tentaram matar as bactérias ou, melhor dizendo,
a sujeira, a frequência nem sempre tão ótima,
o banheiro com aquela portinha de madeira caindo aos pedaços
e a pista de dança que certamente precisava trocar o piso -,
mas acabaram eliminando também os vírus que existiam
por ali, simbolizados pela gaiolinha.
Pelo menos para a minha geração, nascida na década
de 80, o Massivo sempre foi o símbolo de uma era que tinha
passado, mas permanecia meio que como um ideal. Quando eu estava
no colégio, ir ao Massivo era o supremo ato da viadagem e
da promiscuidade. Tinha uma mística maior, na verdade: era
estar em um mundo totalmente à parte, super hype (antes mesmo
de a palavra existir) e com um quê de decadência londrina
concentrada naquela gaiolinha (que eu tive que imaginar muito antes
de conhecer) e nas almôndegas quilométricas.
Nos últimos anos da década de 90, quando eu já
tinha idade suficiente para me dizer "liberal" e acompanhar
alguns amigos em baladas não tão ortodoxas, foi o
Massivo a primeira boate gay onde fui. Fiquei sinceramente chocado.
Não pela decoração, que já era decadente,
nem pela gaiolinha, que demorei um pouco para reconhecer. Mas sim
pelas pessoas que estavam dentro. É clichê, é
chavão, é frase-feita, mas eu meio que me senti em
casa. Ninguém se levava muito a sério mesmo, o carão
era uma coisa de poucos e as barbies sem camisa formavam realmente
um espetáculo à parte.
Quando eu assumi, em 98, comecei, porém, a frequentar a
noite gay pelo B.A.S.E., até relembrando os meus momentos
de mauricinho-adolescente (isto é um capítulo especial).
Mas logo depois descobri as noites de terça de Massivo e
ficou forte o que eu sempre senti pelo clube: simpatia e a certeza
de que lá poderia ser um lugar pra chamar de lá em
casa. O fechamento do B.A.S.E., então, fez com que eu adotasse
a gaiolinha como lá em casa mesmo e virasse hóspede
frequente das terças. Até o menininho lindo que eu
sempre paquerei à distância no B.A.S.E. começou
a aparecer no Massivo e, enfim, a rotina voltou ao normal: toda
terça-feira (ao invés de sábado), eu saía,
o encontrava, ficava sem coragem de dizer nada, ficava olhando e
esperando que ele olhasse de volta (acho até que ele olhava,
mas a insegurança nunca dá certeza) e me prometia
que da próxima vez eu iria falar com ele.
A merda é que essa próxima vez não chegou.
Um dia, depois de quase um mês sem ir ao Massivo, eu resolvi
ir pra balada e falar com o menininho. E dou com a cara na porta,
com o clube fechado e com um cara avisando que só em dois
meses reabriria. Bom, vão trocar o piso, pensei. E talvez
dar uma melhorada no bar, mas duvido que eles mesmos encostem a
mão nas poltronas
mas não foi bem isso o que
aconteceu.
Na semana retrasada juntei coragem e paciência, porque
a fila estava enorme demais e fui ao clube numa sexta-feira.
Fora o fato de ter que ficar esperando por quase meia hora embaixo
de garoa, o que eu vi dentro foi um puta choque (quase pior que
ver o B.A.S.E. transformado em EmptyJive). A reforma transformou
o antes centro da perversão gay paulistana (e brasileira!
E brasileira!) em arremedo de Lov.E.
O que já estava ruim na versão anterior conseguiram
piorar: a acústica da pista de dança ficou mais terrível
e o jeito de circular, ainda mais claustrofóbico (mesmo com
os espaços supostamente mais amplos). O que era bom, fodeu
de vez. As pessoas, que antes ou eram feias e simpáticas
ou bonitas barbies com carão, devem ter surgido de sabe-lá-Deus-onde.
Parece que as pessoas feias simplesmente tingiram os cabelos de
loiro, fizeram chapinha, vestiram umas roupinhas de grife by loja
de departamento e passaram a se achar muito importantes.
De realmente bonitos, vi um ou dois caras alternativozinhos que
estariam bem enquadrados entre os (poucos) lindos dA Lôca.
Nem quero começar a falar do som, uma tentativa estranha
de eletrônico / house / alguma coisa assim. O que mais me
deixou passado foi ver um grupo de pessoas com o nível alcoólico
pra lá do Marrocos acompanhados por senhoras lindas como
a faxineira da Praça É Nossa fazendo
ALMÔNDEGAS!
Depois do que vi, agradeci muito pela reforma. Pelo menos tiveram
a decência de tirar a gaiolinha, porque se eu visse aquele
povo dentro dela fazendo o que estava fazendo, eu juro: viraria
hétero-homofóbico-lutador-de-jíu-jitsu na hora.
Enfim, como uma livre adaptação do Queen sabiamente
diria, mais um come a poeira. Depois do fim do B.A.S.E. e da DiscoFever,
da reforma da SoGo e da invasão Patty-Boy que está
ameaçando quase todas as noites do Lov.e, foi a vez do Massivo
sucumbir à pseudoperversãopasteurizadamedíocremaslimpinha
deste novo milênio. Só falta agora A Lôca resolver
virar boate mainstream, fechar o dark room e começar a tocar
MPB. Ooops
as duas primeiras coisas não aconteceram,
mas que tocou Águas de Março no Grind da semana passada,
tocou. E não era remix não.
O fim das utopias.
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