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Uma questão de justiça! Em face do atual contexto mundial de globalização e por uma questão de justiça, torna-se relevante que se esclareça uma dúvida por muitos partilhada, sobre uma questão do passado recente nacional que, resolvida, nos remete de encontro às autênticas raízes nacionais, além de remediar uma carência de discernimento típica de nossa subcultura terceiromundista. A questão é : QUAL A DIFERENÇA ENTRE UMA BRASÍLIA e UMA VARIANT II ?O primeiro passo nessa análise é se considerar o aspecto histórico da questão. A VARIANT II representa o auge do desenvolvimento de toda uma linha VOLKSWAGEN que marcou época nas décadas de 60/70. O VW Sedã, o TL e a Variant I foram automóveis que, antecedendo a VARIANT II, estão associados ao período histórico em que as grandes montadoras se instalaram no país, grandes estradas foram construídas e, pela primeira vez, viu-se um surto de desenvolvimentismo capaz de alavancar o Brasil ao status de mundo desenvolvido. Nesse momento histórico, popularizou-se o acesso aos bens duráveis (do qual o sonho maior de consumo era a então top line Variant I), fortaleceu-se o mercado interno e emergia uma classe média para a qual o Brasil era o país do futuro. Tricampeões em 70, éramos então um país acreditado: as estradas e os automóveis Volkswagen tornaram as distâncias pequenas, integrando o país, levando o progresso às mais remotas localidades, colocando as diversas realidades regionais em estreito contato. A VARIANT II descende, pois, de uma linhagem nobre de automóveis. Por outro lado, a Brasília se insere no contexto histórico da crise do petróleo. Eram tempos difíceis, de contenções e privações, o "Milagre Brasileiro" chegava ao fim. A ditadura mostrava sua face mais cruel. A Brasília representa pois uma mera "aventura" da indústria nacional, uma experiência excêntrica embalada pelos incentivos protecionistas e utópicos de um regime militarista que acreditava no isolacionismo protecionista como salvaguarda da soberania nacional. Assim, criou-se um carro pequeno, feio, de formas e objetivos tortos, de duvidosa tecnologia tupiniquim de fundo-de-quintal. Do ponto de vista tecnológico, a VARIANT II trouxe pela primeira vez uma dupla carburação eficiente, a partida a frio eletrônica, limpador de vidro traseiro (opcional) e inúmeros avanços que fizeram dela um automóvel amplo, espaçoso, que privilegia o conforto, a satisfação do cliente, i.e., um automóvel a frente de seu tempo, até hoje revolucionário e atual. A Brasília, por outro lado, é o reflexo do início do caos urbano, dos piores dias de um passado que hoje tentamos esquecer. Enfim, um carro duro, pequeno, desconfortável, de difícil dirigibilidade, sem preocupações ergonométricas ou ortopédicas em seu projeto, ou seja, um pé-de-porco, um embuste, um pária. Com os dados acima, podemos partir para uma análise psicológica mais madura sobre a questão. No inconsciente coletivo, a VARIANT II está associada a um período áureo da vida nacional, um sonho do espírito humano se elevando e vencendo as barreiras da distância e da saudade. O espaço, o conforto e a agilidade do automóvel correlacionam-se com os desejos de liberdade, auto-confiança, auto-regulação. Representa o ego descobrindo o verdadeiro eu interior, o espaço próprio da psique, antes encoberto pelas neuroses de uma sociedade autoritária e restritiva. Dessa forma, a VARIANT II pode ser entendida dentro da teoria reichiana como um elemento orgástico; capaz de, através da libertação dos sentidos, tornar possíveis experiências místicas de retorno do ser à sua origem divina, um encontro com o uno universal presente em cada um de nós. A Brasília, em contraponto, constitui o pesadelo da opressão, da hetero-regulação, dos desejos e instintos reprimidos, consubstanciados na escassez de espaço, potência e beleza de suas linhas. É a materialização do universo kafkaniano, do "hell on earth", o homem vivenciando o medo, a dúvida, a incerteza, a insegurança. Do ponto de vista religioso e antropológico, o esclarecimento dessa verdade trancedental, de que é a notória diferença existente entre a Brasília e a VARIANT II nos liberta da ignorância e da estupidez, abrindo-nos os caminhos da elevação espiritual, da realidade cósmica, da luz. Finalmente, como consideração última e conclusiva, é primordial que se esclareça: você já notou que o banco traseiro da VARIANT II, quando abaixado, vira uma cama, transformando o carro em um verdadeiro MOTEL ambulante, um trio elétrico orgástico-terapêutico móvel ? Quem tem uma Brasília jamais poderia dizer isso... Jair Lúcio - 226 Inc CEO
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