MENSAJE DE NAVIDAD 1971
EL MISTERIO DEL AUREO FLORECER

SAMAEL AUN WEOR
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Com o Sahaja Maithuna (Magia Sexual), tal como se pratica nas escolas de Tantrismo Branco, multiplica-se, infinitamente, a potência da vontade, mediante o desencadeamento e atualização onipotente das sutis correntes nervosas.

O paroxismo delicioso da união sexual não é só um reflexo de Tamas, segundo o Tantra; necessitamos inquirir, indagar, investigar.

No paroxismo das felicidades, devemos descobrir, de forma direta, a síntese cósmica e criadora do Shiva (o Espírito Santo) e de Shakti (Sua Divina Esposa Kundalini).

Enquanto o animal intelectual comum e corrente é vencido, fatalmente, pela abominável concupiscência e raptado pelos afetos passionais, numa palavra, sofre, no desfrute, para a vil consumação do prazer, o Gnóstico esoterista, em pleno êxtase, durante o coito, penetra vitorioso na região das mônadas, no explêndido mundo do Tattwa Anupadaka.

O Grau anterior a esse mundo de Anupadaka é o princípio extraordinário da potência que se acha no domínio do espaço, tempo e causalidade e é denominada Acassa Tattwa (A Morada de Atman-Budhi-Manas).

Escrito está, com palavras de ouro, no grande livro de todos os esplendores, que o paroxismo sexual é Proto-Tattwico.

Inicia-se o jogo de vibrações extraordinárias durante o Maithuna com o Tattwa de ouro, Phrithvi, o éter magnífico da perfumada terra, guardando concordância exata com nosso corpo físico.

Continua a harpa, delícia da vibrações, fazendo estremecer a água da vida universal (Apas), o Ens Seminis.

O alento (Vayú) se altera ostensivelmente e na atmosfera sutil do mundo ressoa a lira de Orfeu.

Acende-se a flama sagrada (Tejas) no candelabro misterioso da espinha dorsal.

Agora... Ó Deuses! O cavalheiro (Manas Superior) e sua dama (Buddhi) se abraçam ardentemente, na região do Acassa puro, estremecendo-se com o paroxismo sexual.

Entretanto, é palmário e manifesto que Acassa é só uma ponte de maravilhas e prodígios entre os Tattwas Phrithvi (Terra) e Anupadaka (o mundo dos esplendores).

O Paroxismo sexual atravessa a ponte da felicidade e penetra no mundo de Aziluth, a região de Anupadaka, a morada de Shiva e Shakti; então Ele e Ela resplandecem, gloriosamente, embriagados de amor.

Mulheres, escutai-me! A Shakti deve ser vivida regiamente, durante o coito, como Maya-Shakti (Mulher-Eva-Deusa); só assim pode lograr-se, com êxito, a consubstancialização do amor, no realismo psicofisiológico de vossa natureza.

O varão gnóstico, durante o Sahaja Maithuna (Magia Sexual), deve personificar Shiva (o Espírito Santo) e sentir-se inundado com essa força maravilhosa do Terceiro Logos.

Kalyanamalla refere-se, repetidas vezes, a que "o cumprimento do código do amor é muito mais difícil do que o profano imagina".

Os gozos preparatórios já são complicados; há, pois, de ser empregada a arte, exatamente segundo os preceitos, para avivar a paixão da mulher, da mesma maneira que se aviva uma fogueira e que seu Yoni se torne mais brando, elástico e apto ao ato amoroso.

O Anangaranga concede grande importância a que ambos os componentes do casal não deixem introduzir em sua vida comum nenhum entibiamento, fastio ou saciedade em suas relações, efetuando a consumação do amor com recolhimento e entrega total. A forma do ato sexual, quer dizer, a posição no mesmo, é denominada asana.

Para conhecimento de alguns leitores de certa idade, transcreveremos, no presente capítulo, a posição denominada Tiryak:

"A posição Tiryak tem três subdivisões, nas quais jaz sempre a mulher de lado:

a) - O homem se coloca ao longo junto à mulher, toma uma das pernas dela e a coloca sobre a sua cintura. Só com a mulher de todo desenvolvida pode satisfazer por completo esta postura, a qual se deve evitar com uma jovem.

b) - Homem e mulher jazem estendidos de lado, devendo ela mover-se o mínimo possível.

c) - Estendido de lado, penetra o homem entre os quadris da mulher, de maneira que uma coxa se ache sob ele, enquanto a outra repousa sobre sua cintura."

É conveniente invocar a Kamadeva durante o Sahaja Maithuna na Forja dos Cíclopes.

Kamadeva, o deus hindu do amor. Literalmente seu nome quer dizer deus do desejo e passa por filho do céu e da ilusão.

Rati, a ternura, é sua esposa; e Vasanta (a estação do florescimento), sua acompanhante que leva, constantemente, seu carcás com flores nas pontas das flechas.

Kamadeva tinha uma figura visível; mas como molestou ao Senhor da Criação, Hara, em suas práticas, este o reduziu a cinzas com um olhar; os deuses o ressuscitaram, gotejando néctar nelas e desde então se chama o incorpóreo.

É representado cavalgando sobre um papagaio, sendo seu arco de cana-de-açucar e estando formada a corda do mesmo de abelhas.

O casal terrenal Adão-Eva, mediante o Sahaja Maithuna (Magia Sexual), acha sua correspondência ao mesmo tempo mais humana e mais pura, no elevado casal divino Shiva-Shakti.

Homero verificou uma descrição ao mesmo tempo delicada e mágica do abraço amoroso do casal divino.

"Sob eles, a germinadora terra produzia verdor florido, lótus, trevos sucosos e jacintos e açafrão que apertados, túrgidos e ternos se alçavam do solo e eles jaziam lá e arrastavam para cima as nuvens cintilantes e áureas e o chipeante rocio caía à terra."

Embriagados pelo vinho do amor, ataviados preciosamente com a túnica da espiritualidade transcendente e coroados com as flores da felicidade, devemos aproveitar a tremenda vibração do Tattwa Anupadaka, durante o paroxismo sexual, para suplicar à Serpente Ígnea de Nosso Mágicos Poderes, que elimine de nossa natureza interior o defeito psicológico que já compreendemos a fundo, em todas as regiões do subconsciente.

Assim é como vamos morrendo de instante a instante, de momento em momento; só com a morte advém o novo.

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