MENSAJE DE NAVIDAD 1971
EL MISTERIO DEL AUREO FLORECER

SAMAEL AUN WEOR
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O sábio autor do livro Specimen of British Writers, Barnett, apresenta um caso extraordinário de bruxaria:

"Faz cinquenta anos vivia, numa aldeia do condado de Sommerset, uma velha que era, geralmente, considerada como bruxa."

"Seu corpo era seco e encurvado pela idade; andava com muletas. Sua voz era cavernosa, misteriosa, porém, de simulada solenidade; de seus olhos brotava um fulgor penetrante e, sobre quem ela os pousasse, deixava-o mudo de espanto."

"De repente, um jovem saudável e moço, de uns vinte e um anos, da mesma localidade, foi assaltado por um pesadelo tão persistente que sua saúde resultou afetada e, num prazo de três a quatro meses, ficou débil, pálido e fraco, com todos os sintomas de uma vida que se esgotava."

"Nem ele, nem ninguém dos seus duvidava da causa; e, depois de celebrar conselho, tomou ele a decisão de esperar acordado a bruxa."

"Assim, na noite seguinte, por volta das onze e meia, percebeu uns passos calmos e sigilosos na escada."

"Uma vez tendo chegado o amedrontado ser ao quarto, foi ao pé da cama, subiu logo nela e se arrastou, lentamente, até o moço."

"Ele deixou fazer até que ela chegou aos seus joelhos e, então, alçou-a, com ambas as mãos, pelos cabelos, mantendo-a subjugada com convulsa força, enquanto chamava sua mãe que dormia num quarto contíguo, para que trouxesse a luz."

"Enquanto a mãe buscava a luz, lutaram o moço e o ser desconhecido às escuras, rolando ambos, furiosamente, pelo solo, até que ao primeiro vislumbre da escada, a mulher safou-se com força sobrenatural do jovem e desapareceu como um relâmpago de sua vista."

"A mãe encontrou seu filho em pé, ofegante, ainda, pelo esforço e com mechas de cabelo em ambas as mãos."

Quando me relatou o fenômeno -disse Barnett- perguntei-lhe com curiossidade de onde havia tirado o cabelo. Ao que ele respondeu: "Fui tolo em não haver logrado retê-la, pois, isso teria demonstrado melhor a identidade da pessoa."

"Porém, no torvelinho das minhas sensações, fi-la cair no chão e a bruxa, a quem pertenciam os cabelos, teve o bom cuidado em não aparecer mais à minha vista, nem mais vir molestar-me à noite, pois havia levado uma boa surra."

"É raro -acrescentou- que, enquanto a tinha segura e lutava com ela, embora eu soubesse quem devia ser, sua respiração e todo seu corpo pareciam de uma moça saudável."

"O homem a quem isto aconteceu vive ainda; contou-me esse episódio mais de uma vez e, por isso mesmo, posso certificar sobre a autenticidade do fato, pensem o que quiserem sobre a causa."

Comentando o caso, diz o sábio Waldemar: "Este relato contém dois pontos de muito peso. Em primeiro lugar, ao jovem constava que seu pesadelo tinha por causa a bruxa que vivia na localidade e, também, conhecia esta bruxa de seus fugazes encontros ao andar durante o dia e em suas visitas astrais noturnas."

"Em segundo lugar, a bruxa, encurvada pela idade e sustentada por muletas, transformou-se, ao cabo de vários meses, durante os quais ele foi se debilitando e se consumindo, na imagem de uma exuberante moça. Onde se há de encontrar a causa deste evidente rejuvenescimento da velha?"

"Para responder a esta pergunta -continua dizendo Waldemar- devemos ter presente o mecanismo do Eidolon, o duplo."

"Se a aura que envolve e encobre aos seres representa, também, um reflexo fiel de seu corpo, de maneira que naquele se encontram, correspondentemente contidos, com exatião, seus defeitos e debilidades, o corpo duplo apresenta, por assim dizer, uma marcante evidência que, por exemplo, se manifesta, amiúde, em feridos graves; de maneira que se pode sentir dores em um membro amputado há vários anos e, por certo, tão intensos, como se existisse ainda o mesmo."

"Esta invulnerável integridade do duplo fundamenta-se no princípio criador de que a forma dada pela natureza, a congênita do ser, está contida numa espécie de primeiro germe."

"Neste, como na semente, encontra-se contida a estrutura de toda árvore, acha-se oculto o Ser em sua viva imagem."

"Mediante múltiplas falsas ações e extravios, reflete-se, no curso da vida, o tecido vibratório astral que se enlaça com o corpo primitivo."

Com respeito aos corpos primitivos, desejaríamos assinalar, ainda, que o professor Hans Spemann, da Universidade de Eriburgo, obteve, no ano de 1955, o prêmio Nobel de Medicina e Psicologia, devido a sua comprovação, em transcendentais estudos, de que nos primeiros estados de desenvolvimento embrionário se acha ativo um escultor da vida, um ideoplástico químico que forma o protoplasma segundo uma imagem predeterminada.

Partindo desses estudos de Spemann, o Professor Oscar E. Shotté, da Universidade de Yale, logrou comprovar, mediante seus experimentos com salamandras, que o escultor da vida não desaparece, de modo algum, tal como Spemann havia suposto, após o tempo de desenvolvimento embrionário, senão que se mantém durante toda a vida do indivíduo.

Um pequeno pedaço de tecido, procedente da costumeira ferida de um homem, poderia, segundo o professor Shotté, ao ser injetado em um terreno virgem e vivente, reconstruir, de maneira inteiramente idêntica, todo o corpo do homem ferido em questão. Acaso, os experimentos nos laboratórios de homúnculos conduziriam, algum dia, a reforçar, praticamente, de maneira insuspeita, as teorias do professor Shotté.

É óbvio que a abominável harpia deste cruento relato, mediante certo "modus operandi" desconhecido para o vulgo, pôde sugar ou vampirizar a vitalidade do jovem para transplantá-la ao seu próprio corpo primitivo; só assim se pode explicar, cientificamente, o insólito rejuvenescimento do corpo da velha.

É inquestionável que o ideoplástico químico, impregnado pela vitalidade do moço, pôde reconstruir o organismo veletudinário daquela anciã.

Enquanto a vida do mancebo se esgota espantosamente, a velha fatal de esquerdos conciliábulos tenebrosos, recobrava sua antiga juventude.

É palmário que o rapaz teria capturado a velha se não houvesse cometido o erro de pegá-la pelos cabelos; melhor teria sido se a segurasse pela cintura ou pelos braços.

Muitas dessas harpias abismais, surpreendidas em flagrante, têm sido capturadas com outros procedimentos.

Algumas tradições antigas dizem: "Se colocamos no solo umas tesouras de aço abertas em forma de cruz e se aspergimos mostarda negra ao redor deste metálico instrumento, qualquer bruxa pode ser capturada."

Causa assombro que alguns ocultistas ilustres ignorem que essas bruxas possam iludir a lei da gravidade universal!

Ainda que pareça insólita a notícia, enfatizamos a idéia de que isto é possível colocando o corpo físico dentro da quarta dimensão.

Não é de modo algum estranho que essas harpias, metidas com seu corpo físico dentro da dimensão desconhecida, possam levitar e viajar, em poucos segundos, a qualquer lugar do mundo.

É ostensível que elas têm fórmulas secretas para escapar do mundo tridimensional de Euclides.

Em termos estritamente ocultistas bem podemos qualificar essas criaturas tenebrosas como jinas negros.

O organismo humano oferece, certamente, possibilidades surpreendentes. Recordai, amados leitores, a execrável Celene e suas imundas harpias, monstros com cabeça e pescoço de mulher. Horrendos pássaros das ilhas Strófadas que se encontram no Mar Jônico.

Providas de longas garras, têm sempre no rosto a palidez da fome. Fúrias terríveis que, com seu contato, corrompem tudo que tocam e que antes foram formosas donzelas.

A capital principal de todas essas abominações está em Salamanca, Espanha. Ali está o famoso castelo de Klingsor -o salão da bruxaria- santuário das trevas, oportunamente citado por Richard Wagner, em seu Parsifal.

Valha-me Deus e Santa Maria!... Se as pessoas soubessem tudo isto, buscariam o castelo de Klingsor por todas essas velhas ruas de Salamanca...

Entretanto, bem sabem os divinos e os humanos que o castelo do graal negro se encontra nas terras de Jinas, na dimensão desconhecida.

Às terças e sábados, à meia noite, ali se reúnem essas bruxas com seus zangões para celebrarem suas orgias.

Quando alguma harpia dessas foi agarrada, boa sova, surra ou chicotada levou, pois as pobres pessoas ainda não sabem devolver bem por mal.

É necessário sermos compreensivos e, ao invés de atolar-se no lodo da infâmia, melhorar a tais harpias por meio do amor, tomar com coragem o problema e admoestar com sabedoria.

"Não julgueis, para que não sejais julgados". "Porque com o juízo com que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, sereis medidos".

"E porque olhas a palha que está no olho de teu irmão e não vês a viga que está em teu próprio olho?"

"Ou como dirás a teu irmão: deixa-me tirar a palha do teu olho e eis, aqui, a viga no teu?"

"Hipócrita! Tira primeiro a viga de teu próprio olho e então verás bem, para tirar a palha do olho do teu irmão."

"Aquele que estiver limpo de pecado que arroje a primeira pedra..."

Ainda que pereça incrível, é bom saber que muitas pessoas honoráveis e, até, religiosas carregam dentro o eu da bruxaria.

Em outras palavras diremos: pessoas honradas e sinceras que, em sua presente existência, nada sabem de ocultismo, esoterismo, etc., levam, no entanto, dentro, o eu da bruxaria.

É óbvio que tal eu costuma viajar através do tempo e da distância para causar dano a outros.

Qualquer fugaz interesse pela bruxaria, em alguma vida anterior, pode ter criado tal eu.

Isto significa que, no mundo, existem muitas pessoas que, sem o saber, praticam, inconscientemente, a bruxaria.

Em verdade vos digo que muitos são os devotos da senda que também levam, dentro de si mesmos, o eu da bruxaria.

Concluiremos o presente capítulo, dizendo: todo ser humano, ainda que esteja na Senda do Fio da Navalha, é mais ou menos "negro", enquanto não tiver eliminado o eu pluralizado.

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