MENSAJE DE NAVIDAD 1971
EL MISTERIO DEL AUREO FLORECER

SAMAEL AUN WEOR
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Devido ao fato de que, na fenecida Idade de Peixes, a Igreja Católica limitou, excessivamente, a vida moral das pessoas, mediante múltiplas proibições, não pode produzir que, precisamente, Satanás, como encarnação vivente dos apetites mais bestiais, ocupasse, de maneira especial, a fantasia daquelas pessoas que, contidas no livre trato com a humana espécie, acreditavam-se obrigadas a uma assinalada vida virtuosa.

Assim, segundo a analogia dos contrários, foi requerido da subconsciência o contido na mente cotidiana, tanto mais intensivamente quanto mais ou menos ação exigiam as energias instintivas, ou do impulso, eventualmente reprimidas.

Este tremendo desejo de ação soube incrementar de tal modo a libido sexual que, em muitos lugares, se chegou ao abominável comércio carnal com o maligno.

O sábio Waldemar diz, textualmente, o seguinte: “Em Hessimont, foram visitadas as monjas – como o conta Wyer, o médico de câmara de Clewe – por um demônio que, pelas noites, se precipitava como um torvelinho de ar no dormitório e, subitamente sossegado, tocava a cítara tão maravilhosamente que as monjas eram tentadas à dança.”

“Logo saltava, em figura de cão, ao leito de uma delas, sobre quem recaíram, portanto, as suspeitas de que houvesse chamado o maligno.” Milagrosamente, não ocorreu às religiosas pôr o caso nas mãos da Inquisição.

Resulta inquestionável que aquele demônio, transformado em cão ardente como o fogo, era um eu luxurioso que, depois de tocar a cítara, se perdia no corpo de sua dona que jazia no leito.

Pobre monja de ancestrais paixões sexuais forçosamente reprimidas! Quanto teve que sofrer!

Assombra o poder sexual daquela infeliz anacoreta; em vez de criar demônios no cenóbio, poderia eliminar, com a lança de Eros, as bestas submersas, se tivesse seguido o Caminho do Matrimônio Perfeito.

O médico de câmara Wyer descreve, logo, um caso que mostra a erotomania das monjas de Nazaré, em Colônia.

“Estas monjas haviam sido assaltadas durante muitos anos por toda classe de pragas do diabo; quando, no ano de 1564, aconteceu, entre elas, uma cena particulamente espantosa. Foram arrojadas à terra, na mesma postura que no ato carnal, mantendo os olhos cerrados no transcurso do tempo em que assim permaneceram.” Os olhos cerrados indicam, aqui, com certeza, o ato sexual com o demônio, autocópula; pois, trata-se de coito com o eu luxurioso, projetado ao exterior pela subconsciência.

“Uma moça de quatorze anos – diz Wyer – que estava reclusa no claustro foi quem deu a primeira  indicação a respeito.”

“Amiúde havia experimentado, em sua cama, raros fenômenos, sendo descoberta por seus risinhos sufocados e, ainda que se esforçasse em afugentar o diabrete com uma estola consagrada, ele voltava a cada  noite.”

“Havia sido disposto que se deitasse com ela uma irmã, com o fim de ajudá-la a defender-se; porém, a pobre se aterrorizou quando ouviu o ruído da pugna.”

“Finalmente, a jovem se tornou possessa por completo; lastimosamente atacada de espasmos.”

“Quando tinha um ataque, parecia como se se achasse privada da vista e, ainda que tivesse aparência de estar em seu estado normal e com bom aspecto, pronunciava palavras estranhas e inseguras que beiravam o desespero.”

“Investiguei este fenômeno como médico, no claustro, a 25 de maio de 1565, em presença do nobre e discreto H.H. Constantin Von Lyskerken, honorável conselheiro, e o Mestre Johann Alternau, antigo aldeão de Clewe.”

“Achavam-se presentes, também, o Mestre Johann Eshst, notável Doutor em Medicina e, finalmente, meu filho Heinrich, também Doutor em Farmacologia e Filosofia.”

“Li, nesta ocasião, terríveis cartas que a moça havia escrito a seu galã; porém, nenhum de nós duvidou, nem por um instante, que foram escrita pela possessa em seus ataques.”

“Depreendeu-se que a origem estava em alguns jovens que, jogando pelota nas imediações, entabularam relações amorosas com algumas monjas, escalando, depois, os muros para gozar de suas amantes.”

“Descobriu-se a coisa e se fechou o caminho. Porém, então o diabo, o prestidigitador, enganou a fantasia das pobres, tomando a figura de seu amigo (convertendo-se em um novo eu-luxúria) e lhes fez representar a comédia horrível, ante os olhos de todo o mundo.”

“Eu enviei cartas ao convento nas quais desentranhava toda a questão e prescrevia remédios adequados e cristãos, a fim de que, com os mesmos, pudesse resolver o desgraçado assunto...”

O Diabo Prestidigitador não é, aqui, senão a potência sexual concreta exarcebada que, desde o momento em que já não se ocupava mais no comércio com os jovens, tomou a figura do amigo na fantasia e de maneira tão vívida, por certo, que a realidade apreciável do ato revestia, precisamente pelo isolamento, formas ainda mais intensivas com respeito ao outro sexo anelado; formas que tão plasticamente seduziam ao olho interior do instinto desencadeado que, para explicá-las, havia de pagar, precisamente, os vidros quebrados ao diabo.

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