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Diz
o Doutor Rouband o seguinte: Tão logo que o membro viril penetra
no vestibulum, roça primeiro o glans penis na glândula
clitórica, que se encontra na entrada do canal do sexo e que, mediante
sua posição e ângulo que forma, pode ceder e flexionar.
Após esta primeira
excitação de ambos os centros sensíveis, desliza o glans
penis sobre as bordas de ambas as vulvas: o collume o corpus
penis serão envoltos pelas partes salientes da vulva; encontrando-se,
por outra parte, o glans penismais avançado em contato com
a fina e delicada superfície da mucosa vaginal, que é elástica,
ao tecido erétil que se acha entre as membranas individuais.
Esta elasticidade
que permite à vagina adaptar-se ao volume do pênis, aumenta ainda
a turgência e, portanto, a sensibilidade do clitóris, enquanto conduz
a ele e à vulva o sangue que fora expelido dos vasos das paredes vaginais.
Por outra parte, a
turgência e a sensibilidade do glan penis são aumentadas
pela ação compressiva do tecido vaginal, que se torna cada vez mais
turgente, e de ambas as vulvas no vestíbulo.
Ademais, o clitóris
é pressionado para baixo pela porção anterior do músculo
compressor e encontra a superfície dorsal do glans e do corpus penis;
roça-se com os mesmos e os roça de maneira que cada movimento influi
na copulação de ambos os sexos e, finalmente, somando-se as sensações
voluptuosas (do Deus Eros), conduzem àquele elevado grau do orgasmo que,
por uma parte, provocam a ejaculação e, por outra, a recepção
do licor seminal na fendida abertura do colo do útero.
Quando se pensa na
influência do temperamento, da constituição e de uma série
de outras circunstâncias, tanto especiais como correntes, que têm
sobre a faculdade sexual, convecemo-nos de que não se acha, nem de longe,
solucionada a questão da diferença na sensação do
prazer entre ambos os sexos e, até, de que dita questão, envolta
entre todas as diversar condições, é insolúvel; isto
é tão certoque até apresenta dificuldade o quer traçar
um quadro completo das manifestações gerais no coito; porém,
enquanto numa pessoa a sensação do prazer se traduz só numa
vibração apenas perceptível, em outra, alcança o ponto
mais elevado da exaltação, tanto moral como física.
Entre ambos os extremos
há inúmeras transições: aceleramento da circulação
do sangue, vivas palpitações das artérias; o sangue venoso
que é retido nos vasos pela concentração muscular, aumenta
a temperatura geral do corpo e esse estancamento de sangue venoso que, de maneira
ainda mais pronunciada, tem sua ação no cérebro, pela contração
dos músculos do pescoço e a inclinação para trás
da cabeça, causa uma momentânea congestão cerebral, durante
a qual perdem alguns a razão e todas as faculdades intelectuais.
Os olhos avermelhados
pela injeção da conjuntiva tornam-se fixos e de olhar incerto, ou,
como no caso da maioria das vezes, cerram-se convulsivamente, para fugir do contato
com a luz. ( Isto é algo que está integralmente comprovado).
A respiração
que em alguns é arquejante e entrecortada, interrompe-se em outros pela
espamódica contração da laringe; e o ar, retido por algum
tempo, busca, finalmente, um caminho para o exterior, mesclado com palavras desconexas
e incompreensíveis.
Como assinalei, os
centros nervosos congestionados produzem só impulsos confusos.
O movimento e a sensação
mostram uma desordem indescritível; os membros são presa de convulsões;
às vezes, também de cãibras; movem-se em todas as direções
ou, então, se contraem e intumescem como barras de ferro; as mandíbulas
apertadas até ranger os dentes; e certas pessoas chegam tão longe
em seu delírio erótico que, esquecendo-se por completo do parceiro,
mordem-no nestes espasmos de prazer no ombro até fazê-lo sangrar.
Este estado frenético,
esta epilepsia e este delírio de Eros duram, costumeiramente, só
breve tempo, porém, o suficientemente longo como que para esgotar, por
completo, a energia do organismo do animal intelectual que desconhece a Magia
Sexual e para quem tal hiperexcitação há de concluir com
uma perda mais ou menos abundante de esperma; enquanto que a mulher, por muito
energicamente que possa haver coparticipado no ato sexual, só sofre uma
passageira lassitude que é muito mais reduzida que a do homem e que lhe
permite recuperar-se mais rapidamente para repetir o coito.
Triste est omne animal
post coitum, praeter mulierem gallamque, disse Galeno, axioma que, no essencial,
é exato no que diz respeito ao sexo masculino.
No amor nada importa certamente;
nem a dor nem a alegria, senão só isso que se chama amor.
Enquanto livre o amor ata,
a desunião o mata, porque Eros é o que realmente une.
O Amor se acende com o Amor,
como o fogo, com o Fogo; ... porém, donde saiu a primeira chama? Em ti
salta sob a vara da dor ... tu o saber.
Logo ... Ó Deuses!
... Quando o fogo escondido sai clamejando, o de dentro e o de fora são
uma só coisa e todas as barreiras caem feito cinzas.
O amor começa com
um clarão de simpatia, substancializa-se com a força do carinho
e se sintetiza e adoração.
Um matrimônio perfeito
é a união de dois seres um que ama mais e outro que ama melhor..."
O amor é a melhor
religião exeqüível. Amar! Quão belo é amar! Só
as almas simples e puras sabem amar. O amor se alimenta com Amor. Avivai a chama
do Espírito com a força de Eros.
Posto que o enlace
dos sexos pode equivaler a um ato criador que está ligado à potência
e ao explendor do primeiro dia, Lutero denomina os órgãos
sexuais as bonestissimae et praestantissimae partes corporis. Foi
pelo pecado que os membros mais úteis e honestos se converteram no mais
vergonhoso.
Maomé disse: O
coito é um ato até prazenteiro à religião, sempre
que se realize com a invocação de Alá e com a própria
mulher para a reprodução (ou melhor para a Transmutação
Sexual).
O Corão diz: Vê,
toma por mulher uma donzela que acaricies e te acaricie; não passe ao coito
sem te haver antes excitado pelas carícias.
O profeta enfatiza assim:
Vossas esposas são, para nós, um lavradio. Ide a ele com vos
apraz; porém, realizei antes alguma ato de devoção. Temei
a Deus e não ouvideis que um dia vos havereis de achar em sua presença.
O autor do El Ktah, escrito
extraordinariamente, apreciado pelos árabes, não se farta na glorificação
do coito; este é, para ele, o hino de louvor mais magnífico
e sagrado, o anelo mais nobre do homem e de sua companheira após a unidade
primitiva e as delícias paradisíacas.
Estes, diz, não
compreenderam, nem viram que o amor é o Fiat Lux do Livro de Moisés,
o mandato divino, a lei para todos os continentes, mares, mundos e espaços.
E, em suas ulteriores explicações,
o autor do El Ktah revela a primitiva ciência esotérica, que, no
fundo, a união física do homem e mulher é um ato sobrenatural,
uma reminiscência paradisíaca, o mais belo de todos os hinos de louvor
dirigidos pela criatura ao Criador, o Alfa e Ômega de toda a Criação.
O Xeque Nefrani põe
na boca de um sábio estas palavras: A mulher e semelhante a uma fruta
cujo aroma se aspira primeiro quando se a toma pela mão. Se não
se acalenta, por exemplo, com a mão, a erva de basilisco, não se
toma seu aroma. O âmbar desprende sua fragância só quando se
o esquenta. E isto bem o sabes. Assim sucede com a mulher. Quando queres passar
ao ato amoroso, deves primeiro acalentar o coração dela com todos
os preparativos da arte de amar, com beijos, abraços e pequenos mordisocs.
Se descuidas disto, não te será dado nenhum gozo completo e todos
os encantos dos enamorados ficarão ocultas para ti.
Num tratado muito sábio
sobre medicina chinesa li o seguinte: O taoísmo tem outras influências
na Medicina, como o prova a leitura de uma recopilação de tratados
taoístas, o Sing-Ming-Kuei-Chen, do ano de 1622, aproximadamente.
Distinguem-se três
regiões no corpo humano. A região superior, ou cefálica,
é a origem dos espíritos que habitam no corpo.
A amofada de Jade
(Yu Chen) se encontra na parte póstero-inferior da cabeça. O chamado
osso da almofada é o occipital (Chen-Ku).
O palácio do
Ni-Huan (termo derivado da palavra sânscrita Nirvana) se encontra no cérebro,
chamado, também, mar da medula óssea (Suei-Hai); é a origem
das substâncias seminais.
A região média
é a coluna vertebral, considerada não como um eixo funcional, senão
como um conduto que une as cavidades cerebrais com os centros genitais; termina
num ponto chamado a coluna celeste (Tien Chu), situado atrás da nuca, no
ponto onde nascem os cabelos. Não se deve confundir este ponto com
o da acupuntura do mesmo nome.
A região inferior
compreende o campo de cinábrio (Tum Tien), do qual nos ocuparemos
mais adiante; nela assenta a atividade genital, representada pelos dois rins:
o fogo do tigre (Yang), à esquerda e o fogo do drãgão (Ying),
à direita.
A união sexual
está simbolizada por um casa: um homem jovem conduz o tigre branco e uma
mulher jovem cavalga sobre o dragão verde. O chumbo (elemento masculino)
e o mercúrio (elemento feminino) vão mesclar-se; enquanto estão
unidos, os jovens arrojam sua essência em uma caldeira de bronze, símbolo
da atividade sexual. Porém, os líquidos genitais, em particular
o esperma (Tsing), não são eliminados nem se perdem, senão
que podem voltar ao cérebro pela coluna vertebral, graças à
qual se recupera o curso da vida.
A base destas práticas
sexuais taoístas é o coitus reservatus, no qual o esperma
que baixou do encéfalo até a região prostática (porém,
que não foi ejaculado), volta à sua origem; é o que se deve
denomina fazer voltar a substância (Huang-Tsing).
Quaisquer que sejam as objeções
que sejam formuladas frente à realidade deste retorno, não é
menos certo que os taoístas conceberam um domínio cerebral dos instintos
elementais que mantinha o grau de excitação genésica por
debaixo do umbral da ejaculação; deram ao ato sexual um estilo novo
e uma finalidade distinta da fecundação.
A esotérica Viparitakarani
ensina, cientificamente, como o iogue indostão, em vez de ejacular o sêmen,
fá-lo subir, lentamente, mediante concentração, de maneira
que homem e mulher, unidos sexualmente, possam eliminar o ego animal.
Os antigos gregos conheceram,
muito exatamente, o parentesco essencial entre a morte e o ato sexual; em Eros
representavam o Gênio da Morte, sustentado, na mão, o
Deus, uma tocha inclinada para baixo como portador da morte.
Sendo a força mais
profunda e primitiva de todas, nos homens, a sexual é considerada, pelos
Tantras, como o Eros cosmogônico, a Serpente Ígnea de Nossos Mágicos
Poderes.
Muito longe de violentar
a nossa essência íntima no sentido de concupiscência brutal,
ou, então, de intumescer-se, organicamente, por um espasmo que só
dura poucos segundos, o praticante toma, em contraposição, a potência
de sua Divina Mãe Kundalini particular, para fusionar-se com ela numa unidade
e eliminar tal ou qual eu; quer dizer, este ou aquele defeito psicológico
previamente compreendido a fundo.
Só com a morte advém
o novo. Assim é como Eros, com sua tocha inclinada para baixo, reduz a
poeira cósmica todos esses agregados psíquicos que, em seu conjunto,
constituem o eu.
O mantram, ou palavra mágica,
que simboliza todo o trabalho de Magia Sexual é KRIM.
Neste mantram se deve empregar
uma grande imaginação, a qual obra diretamente sobre Eros, atuando
este, por sua parte, por sua vez, sobre a imaginação, insuflando-lhe
energia e transformando-a em força mágica.
Para pôr-se em contato
com a móvel potência universal, o praticante percebe diversas imagens;
mas antes de tudo, revela-se-lhe sua Divina Mãe Adorável, com a
lança sagrada em sua destra, pelejando furiosa contra aquele eu diabo que
personifica tal ou qual erro psicológico que anelamos destruir.
O praticante, cantando seu
mantram KRIM, fixa logo sua imaginação, sua translucidez no elemento
fogo, de tal modo que ele mesmo se sinta como chama ardente, como flama única,
como fogueira terrível que incinera o eu diabo que caracteriza o defeito
psicológico que queremos aniquilar.
A extrema sensibilidade
dos órgãos seuxais anuncia sempre a proximidade do espasmo; então
devemos retirar-nos a tempo, para evitar a ejaculação do sêmen.
Continue-se logo o trabalho;
o homem deitado no solo, em decúbito dorsal (boca para cima) e a mulher
em sua cama ... suplique-se à Divina Mãe Kundalini; peça-se,
com frases simples, saídas do coração sincero, elimine, com
a lança de Eros, com a força sexual, o eu que personifica o erro
que realmente compreendemos e que anelamos reduzir a poeira cósmica.
Bendiga-se, por último,
a água contida num copo de cristal bem limpo e beba-se, dando graças
à Mãe Divina.
Todo este ritual do Pancatattwa
libera o herói de todo pecado; nenhum tenebroso pode resistir-lhe; subordinam-se-lhes
os poderes terrestres e supraterrestres e caminha pela terra com a Consciência
desperta.
Temido por todos os demônios,
vive como Senhor da Salvação e completa bem-aventurança;
escapa à lei do renascimento, pois, através de longos e terríveis
trabalhos da Magia Sexual, utilizou o formidável poder elétrico
de Eros, não para satisfações brutais de tipo animal, senão
para reduzir a pó o eu pluralizado.
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