MENSAJE DE NAVIDAD 1971
EL MISTERIO DEL AUREO FLORECER

SAMAEL AUN WEOR
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Diz o Doutor Rouband o seguinte: “Tão logo que o membro viril penetra no vestibulum, roça primeiro o “glans penis” na glândula clitórica, que se encontra na entrada do canal do sexo e que, mediante sua posição e ângulo que forma, pode ceder e flexionar.”

“Após esta primeira excitação de ambos os centros sensíveis, desliza o “glans penis” sobre as bordas de ambas as vulvas: o “collum”e o “corpus penis” serão envoltos pelas partes salientes da vulva; encontrando-se, por outra parte, o “glans penis”mais avançado em contato com a fina e delicada superfície da mucosa vaginal, que é elástica, ao tecido erétil que se acha entre as membranas individuais.”

“Esta elasticidade que permite à vagina adaptar-se ao volume do pênis, aumenta ainda a turgência e, portanto, a sensibilidade do clitóris, enquanto conduz a ele e à vulva o sangue que fora expelido dos vasos das paredes vaginais.”

“Por outra parte, a turgência e a sensibilidade do “glan penis” são aumentadas pela ação compressiva do tecido vaginal, que se torna cada vez mais turgente, e de ambas as vulvas no vestíbulo.”

“Ademais, o clitóris é pressionado para baixo pela porção anterior do músculo compressor e encontra a superfície dorsal do “glans e do corpus penis”; roça-se com os mesmos e os roça de maneira que cada movimento influi na copulação de ambos os sexos e, finalmente, somando-se as sensações voluptuosas (do Deus Eros), conduzem àquele elevado grau do orgasmo que, por uma parte, provocam a ejaculação e, por outra, a recepção do licor seminal na fendida abertura do colo do útero.”

“Quando se pensa na influência do temperamento, da constituição e de uma série de outras circunstâncias, tanto especiais como correntes, que têm sobre a faculdade sexual, convecemo-nos de que não se acha, nem de longe, solucionada a questão da diferença na sensação do prazer entre ambos os sexos e, até, de que dita questão, envolta entre todas as diversar condições, é insolúvel; isto é tão certoque até apresenta dificuldade o quer traçar um quadro completo das manifestações gerais no coito; porém, enquanto numa pessoa a sensação do prazer se traduz só numa vibração apenas perceptível, em outra, alcança o ponto mais elevado da exaltação, tanto moral como física.”

“Entre ambos os extremos há inúmeras transições: aceleramento da circulação do sangue, vivas palpitações das artérias; o sangue venoso que é retido nos vasos pela concentração muscular, aumenta a temperatura geral do corpo e esse estancamento de sangue venoso que, de maneira ainda mais pronunciada, tem sua ação no cérebro, pela contração dos músculos do pescoço e a inclinação para trás da cabeça, causa uma momentânea congestão cerebral, durante a qual perdem alguns a razão e todas as faculdades intelectuais.”

“Os olhos avermelhados pela injeção da conjuntiva tornam-se fixos e de olhar incerto, ou, como no caso da maioria das vezes, cerram-se convulsivamente, para fugir do contato com a luz.” ( Isto é algo que está integralmente comprovado).

“A respiração que em alguns é arquejante e entrecortada, interrompe-se em outros pela espamódica contração da laringe; e o ar, retido por algum tempo, busca, finalmente, um caminho para o exterior, mesclado com palavras desconexas e incompreensíveis.”

“Como assinalei, os centros nervosos congestionados produzem só impulsos confusos.”

“O movimento e a sensação mostram uma desordem indescritível; os membros são presa de convulsões; às vezes, também de cãibras; movem-se em todas as direções ou, então, se contraem e intumescem como barras de ferro; as mandíbulas apertadas até ranger os dentes; e certas pessoas chegam tão longe em seu delírio erótico que, esquecendo-se por completo do parceiro, mordem-no nestes espasmos de prazer no ombro até fazê-lo sangrar.”

Este estado frenético, esta epilepsia e este delírio de Eros duram, costumeiramente, só breve tempo, porém, o suficientemente longo como que para esgotar, por completo, a energia do organismo do animal intelectual que desconhece a Magia Sexual e para quem tal hiperexcitação há de concluir com uma perda mais ou menos abundante de esperma; enquanto que a mulher, por muito energicamente que possa haver coparticipado no ato sexual, só sofre uma passageira lassitude que é muito mais reduzida que a do homem e que lhe permite recuperar-se mais rapidamente para repetir o coito.

“Triste est omne animal post coitum, praeter mulierem gallamque”, disse Galeno, axioma que, no essencial, é exato no que diz respeito ao sexo masculino.

No amor nada importa certamente; nem a dor nem a alegria, senão só isso que se chama amor.

Enquanto livre o amor ata, a desunião o mata, porque Eros é o que realmente une.

O Amor se acende com o Amor, como o fogo, com o Fogo; ... porém, donde saiu a primeira chama? Em ti salta sob a vara da dor ... tu o saber.

Logo ... Ó Deuses! ... Quando o fogo escondido sai clamejando, o de dentro e o de fora são uma só coisa e todas as barreiras caem feito cinzas.

O amor começa com um clarão de simpatia, substancializa-se com a força do carinho e se sintetiza e adoração.

Um matrimônio perfeito é a união de dois seres ”um que ama mais e outro que ama melhor..."

O amor é a melhor religião exeqüível. Amar! Quão belo é amar! Só as almas simples e puras sabem amar. O amor se alimenta com Amor. Avivai a chama do Espírito com a força de Eros.

“Posto que o enlace dos sexos pode equivaler a um ato criador que está ligado à potência e ao explendor do primeiro dia”, Lutero denomina os órgãos sexuais as “bonestissimae et praestantissimae partes corporis”. “Foi pelo pecado que os membros mais úteis e honestos se converteram no mais vergonhoso.”

Maomé disse: “O coito é um ato até prazenteiro à religião, sempre que se realize com a invocação de Alá e com a própria mulher para a reprodução” (ou melhor para a Transmutação Sexual).

O Corão diz: “Vê, toma por mulher uma donzela que acaricies e te acaricie; não passe ao coito sem te haver antes excitado pelas carícias.”

O profeta enfatiza assim: “Vossas esposas são, para nós, um lavradio. Ide a ele com vos apraz; porém, realizei antes alguma ato de devoção. Temei a Deus e não ouvideis que um dia vos havereis de achar em sua presença.”

O autor do El Ktah, escrito extraordinariamente, apreciado pelos árabes, não se farta na glorificação do coito; este é, para ele, “o hino de louvor mais magnífico e sagrado, o anelo mais nobre do homem e de sua companheira após a unidade primitiva e as delícias paradisíacas.”

“Estes, diz, não compreenderam, nem viram que o amor é o Fiat Lux do “Livro de Moisés”, o mandato divino, a lei para todos os continentes, mares, mundos e espaços.”

E, em suas ulteriores explicações, o autor do El Ktah revela a primitiva ciência esotérica, que, no fundo, a união física do homem e mulher é um ato sobrenatural, uma reminiscência paradisíaca, o mais belo de todos os hinos de louvor dirigidos pela criatura ao Criador, o Alfa e Ômega de toda a Criação.

O Xeque Nefrani põe na boca de um sábio estas palavras: “A mulher e semelhante a uma fruta cujo aroma se aspira primeiro quando se a toma pela mão. Se não se acalenta, por exemplo, com a mão, a erva de basilisco, não se toma seu aroma. O âmbar desprende sua fragância só quando se o esquenta. E isto bem o sabes. Assim sucede com a mulher. Quando queres passar ao ato amoroso, deves primeiro acalentar o coração dela com todos os preparativos da arte de amar, com beijos, abraços e pequenos mordisocs. Se descuidas disto, não te será dado nenhum gozo completo e todos os encantos dos enamorados ficarão ocultas para ti.”

Num tratado muito sábio sobre medicina chinesa li o seguinte: “O taoísmo tem outras influências na Medicina, como o prova a leitura de uma recopilação de tratados taoístas, o Sing-Ming-Kuei-Chen, do ano de 1622, aproximadamente.”

Distinguem-se três regiões no corpo humano. A região superior, ou cefálica, é a origem dos espíritos que habitam no corpo.

“A amofada de Jade (Yu Chen) se encontra na parte póstero-inferior da cabeça. O chamado osso da almofada é o occipital (Chen-Ku).”

“O palácio do Ni-Huan (termo derivado da palavra sânscrita Nirvana) se encontra no cérebro, chamado, também, mar da medula óssea (Suei-Hai); é a origem das substâncias seminais.”

“A região média é a coluna vertebral, considerada não como um eixo funcional, senão como um conduto que une as cavidades cerebrais com os centros genitais; termina num ponto chamado a coluna celeste (Tien Chu), situado atrás da nuca, no ponto onde nascem os cabelos.” Não se deve confundir este ponto com o da acupuntura do mesmo nome.

“A região inferior compreende o campo de cinábrio (Tum T’ien), do qual nos ocuparemos mais adiante; nela assenta a atividade genital, representada pelos dois rins: o fogo do tigre (Yang), à esquerda e o fogo do drãgão (Ying), à direita.”

“A união sexual está simbolizada por um casa: um homem jovem conduz o tigre branco e uma mulher jovem cavalga sobre o dragão verde. O chumbo (elemento masculino) e o mercúrio (elemento feminino) vão mesclar-se; enquanto estão unidos, os jovens arrojam sua essência em uma caldeira de bronze, símbolo da atividade sexual. Porém, os líquidos genitais, em particular o esperma (Tsing), não são eliminados nem se perdem, senão que podem voltar ao cérebro pela coluna vertebral, graças à qual se recupera o curso da vida.”

A base destas práticas sexuais taoístas é o “coitus reservatus”, no qual o esperma que baixou do encéfalo até a região prostática (porém, que não foi ejaculado), volta à sua origem; é o que se deve denomina fazer voltar a substância (Huang-Tsing).

Quaisquer que sejam as objeções que sejam formuladas frente à realidade deste retorno, não é menos certo que os taoístas conceberam um domínio cerebral dos instintos elementais que mantinha o grau de excitação genésica por debaixo do umbral da ejaculação; deram ao ato sexual um estilo novo e uma finalidade distinta da fecundação.

A esotérica Viparitakarani ensina, cientificamente, como o iogue indostão, em vez de ejacular o sêmen, fá-lo subir, lentamente, mediante concentração, de maneira que homem e mulher, unidos sexualmente, possam eliminar o ego animal.

Os antigos gregos conheceram, muito exatamente, o parentesco essencial entre a morte e o ato sexual; em Eros representavam o “Gênio da Morte”, sustentado, na mão, o Deus, uma tocha inclinada para baixo como portador da morte.

Sendo a força mais profunda e primitiva de todas, nos homens, a sexual é considerada, pelos Tantras, como o Eros cosmogônico, a Serpente Ígnea de Nossos Mágicos Poderes.

Muito longe de violentar a nossa essência íntima no sentido de concupiscência brutal, ou, então, de intumescer-se, organicamente, por um espasmo que só dura poucos segundos, o praticante toma, em contraposição, a potência de sua Divina Mãe Kundalini particular, para fusionar-se com ela numa unidade e eliminar tal ou qual eu; quer dizer, este ou aquele defeito psicológico previamente compreendido a fundo.

Só com a morte advém o novo. Assim é como Eros, com sua tocha inclinada para baixo, reduz a poeira cósmica todos esses agregados psíquicos que, em seu conjunto, constituem o eu.

O mantram, ou palavra mágica, que simboliza todo o trabalho de Magia Sexual é KRIM.

Neste mantram se deve empregar uma grande imaginação, a qual obra diretamente sobre Eros, atuando este, por sua parte, por sua vez, sobre a imaginação, insuflando-lhe energia e transformando-a em força mágica.

Para pôr-se em contato com a móvel potência universal, o praticante percebe diversas imagens; mas antes de tudo, revela-se-lhe sua Divina Mãe Adorável, com a lança sagrada em sua destra, pelejando furiosa contra aquele eu diabo que personifica tal ou qual erro psicológico que anelamos destruir.

O praticante, cantando seu mantram KRIM, fixa logo sua imaginação, sua translucidez no elemento fogo, de tal modo que ele mesmo se sinta como chama ardente, como flama única, como fogueira terrível que incinera o eu diabo que caracteriza o defeito psicológico que queremos aniquilar.

A extrema sensibilidade dos órgãos seuxais anuncia sempre a proximidade do espasmo; então devemos retirar-nos a tempo, para evitar a ejaculação do sêmen.

Continue-se logo o trabalho; o homem deitado no solo, em decúbito dorsal (boca para cima) e a mulher em sua cama ... suplique-se à Divina Mãe Kundalini; peça-se, com frases simples, saídas do coração sincero, elimine, com a lança de Eros, com a força sexual, o eu que personifica o erro que realmente compreendemos e que anelamos reduzir a poeira cósmica.

Bendiga-se, por último, a água contida num copo de cristal bem limpo e beba-se, dando graças à Mãe Divina.

Todo este ritual do Pancatattwa libera o herói de todo pecado; nenhum tenebroso pode resistir-lhe; subordinam-se-lhes os poderes terrestres e supraterrestres e caminha pela terra com a Consciência desperta.

Temido por todos os demônios, vive como Senhor da Salvação e completa bem-aventurança; escapa à lei do renascimento, pois, através de longos e terríveis trabalhos da Magia Sexual, utilizou o formidável poder elétrico de Eros, não para satisfações brutais de tipo animal, senão para reduzir a pó o eu pluralizado.

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