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O
sábio Waldemar diz textualmente: "Um contemporâneo de Brognoli,
o sacerdote Coleti, conta-nos de uma mulher de sua paróquia que acudiu
a ele com seu marido."
"Ela era devota e de
bons costumes; porém, fazia dez anos estava acossada por um tal espírito
que de dia e de noite lhe sugeria o desonesto e, até, quando não
dormia procedeu com ela como um íncubo, pelo que não era, de modo
algum, um sonho o que padecia."
"Mas não logrou
obter sua conformidade, permanecendo ela inquebrantável. Assim, o exorcista
não teve mais do que pronunciar o "Praeceptum Leviticum" contra
o demônio, e daí em diante, ela se viu livre dele."
"Neste caso - diz Waldemar
- vemos que, quando o consciência de um obsesso a tal ponto imaginou como
subterfúgio a violação pelo demônio, ou seja, quase
uma tomada de possessão contra sua vontade, pode superar-se o estado mediante
o processo de uma expulsão do espírito lascivo pelas forças
morais, ainda não tiranizadas."
"Mas se o íncubo
(o Eu lascivo), a imagem luxuriosa criada pela própria fantasia, se afirma
sem oposição até o fim, o próprio indivíduo
convertido em íncubo executa, cindido em dois seres, uma autocopulação.
Neste caso, a obsessão acaba, geralmente, na demência total."
"Assim intentou Brognoli,
na primavera de 1643, liberar, em vão, de um íncubo a uma moça
de vinte anos."
"Fui, diz, com seu
confessor, a sua casa. Apenas penetramos nela, o demônio que estava entregue
a sua tarefa, escapuliu. Falei então à moça e ela me contou
nos mínimos detalhes o que fazia o demônio com sua pessoa."
"De sue relato não
tardei em compreender que, ainda que ela o negasse, havia dado, não obstante,
uma conformidade indireta ao demônio. Pois, quando notava sua aproximação
pela dilatação e vivo formigamento nas partes afetadas, não
buscava refúgio na oração, nem invocava a Deus e a Santa
Virgem em auxílio, nem ao Anjo da Guarda, senão que ia correndo
a sua habitação e se estendia na cama, a fim de que o maligno pudesse
executar sua tarefa mais cômoda e agradavelmente."
"Quando tratei de despertar
nela, em conclusão, uma firme confiança em Deus para liberar-se,
permaneceu indiferente e sem eco, notando eu, então, uma resistência,
como se não quisesse ser liberada."
"Deixei-a, pois, não
sem antes haver dado algumas prescrições a seus pais sobre disciplinas
e repressão do corpo de sua filha, mediante jejuns e abluções."
"Mas não só
eram visitadas, assim, as mulheres, diz o sábio Waldemar. Brognoli foi
conduzido, em Bérgamo, a um jovem comerciante de uns vinte e dois anos
de idade que havia enfraquecido até ficar em puro esqueleto, porque o atormentava
um súcubo."
"Fazia vários
meses, ao estender-se em sua cama, apareceu-lhe o demônio na figura de uma
moça extraordinariamente bela, à qual amava."
"Ao gritar, contemplando
aquela figura, ela lhe havia instado para que se calasse, assegurando-lhe que
era, em verdade, a mesma moça e porque sua mãe lhe batia, havia
fugido de casa, recorrendo à de seu amado."
"Ele sabia que aquela
não era a sua Tereza, senão algum diabrete; não obstante,
após alguma conversa e uns abraços, levou-a consigo para a cama."
"Depois lhe disse a
figura que, em efeito, não era a moça, senão um demônio
que o queria, um de seus eus-diabos e que, por isso, se unia a ele dia e noite."
"Isto durou vários
meses, até que Deus o liberou por meio de Brognoli e ele fez penitência
por seus pecados."
Através deste insólito
relato, resulta completamente palmária e manifesta a autocopulação
com um eu-diabo que havia tomado a forma da mulher amada.
É inquestionável
que aquele mancebo de ardente imaginação e espantosa luxúria
havia utilizado, inconscientemente, a faculdade ideoplástica para dar forma
sutil à sua adorada.
Assim, veio à existência
um eu súcubo, um demônio passionário de cabelos longos e idéias
curtas.
É óbvio que
dentro desse diabo feminino ficou engarrafada uma boa parte de sua consciência.
Paracelso diz a respeito,
em sua obra "De originem morborum invisibilium Lit.III":
"Íncubos e súcubos
se formaram do esperma daqueles que realizam o ato antinatural imaginativo da
masturbação (em pensamentos ou desejos)."
"E, pois, só
procede da imaginação, não é um esperma autêntico
(material), senão um sal corrompido."
"Só o sêmen
que procede de um órgão indicado pela Natureza para seu desenvolvimento
pode germinar em corpo."
"Quando o esperma não
provém de apropriada matéria (substrato nutrício), não
produzirá nada de bom, senão que gerará algo inútil."
"Por isto, íncubos
e súcubos, que procedem de sêmen corrompido, são prejudiciais
e inúteis, segundo a ordem natural das coisas."
"Estes germens formados
na imaginação nasceram de Amore Heress, o qual significa uma espécie
de amor no qual um homem se imagina uma mulher, ou vice-versa, para realizar a
cópula com a imagem criada na esfera de seu ânimo."
"Deste ato resulta
a evacuação de um inútil fluído etéreo, incapaz
de gerar uma criatura; porém, em situação de trazer larvas
à existência."
"Uma tal imaginação
é a mãe de uma exuberante impudicícia, a qual, continuada,
pode tornar impotente um homem e estéril, uma mulher, já que, na
frequente prática de uma tal imaginação enferma, se perde
muito da verdadeira energia criadora."
"Os eus-larva da lascívia
são verdadeiros entes pensantes autônomos, dentro dos quais fica
enfrascada uma boa porcentagem de Consciência."
As larvas, das que fala
Paracelso, não são outra coisa que aquelas cultivadas formas de
pensamentos que devem sua força e sua existência, unicamente, à
imaginação desnaturalizada.
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