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Ô, classe!
Se alguém conhecer uma categoria mais
desmobilizada do que essa dos jornalistas, ganha um prêmio.
Os caras trabalham são operários e acham que estão
por cima da carne seca.
Mas, pulando o nariz de cera, vamos ao caso
concreto. Esse mês que passou, tivemos eleições
para o sindicato dos jornalistas aqui do Paraná. Depois da
briga de um que outro que dizia ser oposição, acabou
que ninguém registrou chapa para concorrer. A não
ser o grupo que já estava no poder.
Aí, eu que sou novato no assunto e entrei
na chapa meio sem saber como era a coisa, achei estranho quando
os caras disseram que tinha de fazer campanha. Com chapa única?
Pois é. Saímos nós, divulgando nossas propostas,
redação em redação, assessoria. E eu
achando aquilo tudo muito estranho.
Só fui entender mesmo quando começou
a votação. Quase não dá quórum!
Temos perto de 2 mil jornalistas no estado. Destes, só uns
900 em dia com o sindicato (tem uns que nem sindicalizados são).
Precisava ter cerca de 400 votos. Teve menos, e por sorte o estatuto
previa eleição com um quórum baixo desses.
Para evitar mal-entendido: tinha urna indo de
lugar em lugar. E pessoas junto, pedindo voto. Mesmo assim, tinha
gente que se recusava, por não gostar de alguém na
chapa ou por achar que tinha gente demais da Gazeta na diretoria.
Até seria de se entender se o sindicato
não fizesse nada. Mas, cáspita, fomos o único
estado em que o sindicato conseguiu forçar a Gazeta Mercantil
a pagar o que devia a seus funcionários. Tivemos reposição
salarial todos os anos, apesar de tudo.
É falta de consciência mesmo de
nosotros. Ou eu é que estou enganado.
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