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Biscoito Fino, um novo selo para a música erudita
Toda
sexta-feira, ao meio-dia, os cariocas têm um privilégio. Podem ir
ao Paço Imperial, palácio que abrigou a corte brasileira durante
o Império, e sentar para ouvir alguns dos melhores grupos de música
de câmara do país. Agora, com a gravação das apresentações, o resto
do país pode ter uma mostra do que é o projeto Compasso Clássico,
divulgado pelo selo Biscoito Fino em um CD de produção impecável.
Especializada
em música brasileira, principalmente samba e choro, a Biscoito Fino
surgiu de um outro projeto realizado no Paço Imperial, o Compasso,
Samba e Choro. Na época, a curadora do espaço, Olívia Hime, aproveitou
a série para se lançar como produtora de discos. Da série, já saíram
cinco CDs de música popular. Com o tempo, o selo cresceu. Hoje,
tem em seu catálogo diversos artistas de MPB, como Maria Betânia,
Miúcha e Francis Hime, além da própria Olívia.
O
projeto do Paço Imperial também cresceu e passou a abrigar música
de câmara. Como mostra o primeiro CD com gravações da série erudita,
a seleção de intérpretes e de repertório só faz acreditar que a
Biscoito Fino tem tudo para ajudar a produção nacional de discos
eruditos a melhorar nos próximos anos. Difícil não simpatizar com
o Primeiro Compasso Clássico.
Desde
a primeira faixa, o disco empolga. Um trio de madeiras, tocado por
integrantes da Orquestra Sinfônica Brasileira, faz a Suíte D'Aprés
Corette, de Darius Milhaud, soar como um convite para que se siga
ouvindo a coletânea. A interpretação é fluida, sem exageros nem
erros, constantemente bonita. Na seqüência, o duo de violão e violino
de Ângelo Dell'Orto e Paulo Pedrassoli toca Paganini e Guerra Peixe.
A
essas alturas, o ouvinte já sabe que o ecletismo necessário a uma
coletânea também é influenciado pela origem popular do sel, que
faz ainda questão de incluir no repertório do CD dois outros compositores
brasileiros ligados à música regional: Villa-Lobos e Francisco Mignone.
A
interpretação da Embolada da Bachiana Brasileira n.º 1, aliás, é
um dos pontos altos do CD. A Camerata de Violões mostra que a transcrição
para instrumentos populares da obra de Villa-Lobbos, escrita originalmente
para violoncelos, pode revelar ainda mais de perto a influência
da música popular no trabalho do compositor.
O
CD tem ainda Cristina Braga, uma das mais respeitadas harpistas
do país, tocando o Trenzinho do Caipira e uma peça de Fauré. Fechando
o disco, uma única quase-esquisitice. Odete Ernest Dias e Roberto
Rutigliano tocam música do século 18 alemão transposta para flauta
e bateria. Quem quiser saber mais sobre o disco e sobre a Biscoito
Fino, pode acessar www.biscoitofino.com.br
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