Edição de 23.04 a 29.04.2003



:: COLUNISTAS ::

André Tezza Consentino
Bob Marochi
Caetano Galindo
Rosiane C. de Freitas
Rogerio W. Galindo



Biscoito Fino, um novo selo para a música erudita

Toda sexta-feira, ao meio-dia, os cariocas têm um privilégio. Podem ir ao Paço Imperial, palácio que abrigou a corte brasileira durante o Império, e sentar para ouvir alguns dos melhores grupos de música de câmara do país. Agora, com a gravação das apresentações, o resto do país pode ter uma mostra do que é o projeto Compasso Clássico, divulgado pelo selo Biscoito Fino em um CD de produção impecável.

Especializada em música brasileira, principalmente samba e choro, a Biscoito Fino surgiu de um outro projeto realizado no Paço Imperial, o Compasso, Samba e Choro. Na época, a curadora do espaço, Olívia Hime, aproveitou a série para se lançar como produtora de discos. Da série, já saíram cinco CDs de música popular. Com o tempo, o selo cresceu. Hoje, tem em seu catálogo diversos artistas de MPB, como Maria Betânia, Miúcha e Francis Hime, além da própria Olívia.

O projeto do Paço Imperial também cresceu e passou a abrigar música de câmara. Como mostra o primeiro CD com gravações da série erudita, a seleção de intérpretes e de repertório só faz acreditar que a Biscoito Fino tem tudo para ajudar a produção nacional de discos eruditos a melhorar nos próximos anos. Difícil não simpatizar com o Primeiro Compasso Clássico.

Desde a primeira faixa, o disco empolga. Um trio de madeiras, tocado por integrantes da Orquestra Sinfônica Brasileira, faz a Suíte D'Aprés Corette, de Darius Milhaud, soar como um convite para que se siga ouvindo a coletânea. A interpretação é fluida, sem exageros nem erros, constantemente bonita. Na seqüência, o duo de violão e violino de Ângelo Dell'Orto e Paulo Pedrassoli toca Paganini e Guerra Peixe.

A essas alturas, o ouvinte já sabe que o ecletismo necessário a uma coletânea também é influenciado pela origem popular do sel, que faz ainda questão de incluir no repertório do CD dois outros compositores brasileiros ligados à música regional: Villa-Lobos e Francisco Mignone.

A interpretação da Embolada da Bachiana Brasileira n.º 1, aliás, é um dos pontos altos do CD. A Camerata de Violões mostra que a transcrição para instrumentos populares da obra de Villa-Lobbos, escrita originalmente para violoncelos, pode revelar ainda mais de perto a influência da música popular no trabalho do compositor.

O CD tem ainda Cristina Braga, uma das mais respeitadas harpistas do país, tocando o Trenzinho do Caipira e uma peça de Fauré. Fechando o disco, uma única quase-esquisitice. Odete Ernest Dias e Roberto Rutigliano tocam música do século 18 alemão transposta para flauta e bateria. Quem quiser saber mais sobre o disco e sobre a Biscoito Fino, pode acessar www.biscoitofino.com.br

 
 
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