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Bad
trip
Na noite desta sexta, enquanto um juiz era assassinado e todos nós
ficávamos mais vulneráveis ao tráfico, milhares de brasileiros estavam
em bares, antros ou encastelados em seus apartamentos de zona sul,
independente da cidade, fumando maconha ou cheirando cocaína. Devem
ter dito que o mundo anda cruel, que o país não tem jeito, ao ver
a notícia na televisão. Devem ter percebido que podemos caminhar
para uma guerra civil como a colombiana.
E
não é possível que não tenham pensado que isso em parte se deve
à idiotice que os leva a usar as drogas que causam a disputa por
esse mercado, que levam o narcotráfico a existir, a se armar e matar
cada vez mais.
Embora
nenhum de nós, claro, seja culpado individualmente por isso,
somos provavelmente culpados coletivamente da morte deste juiz.
Beira-mar só existe porque nós, classe média alta ou coisa parecida,
nos damos ao luxo de seqüestrar o sossego de um país para termos
alguns poucos minutos de diversão. Ou, para quem não se droga, por
não fazermos o suficiente para evitar que esse mal se propague.
Nenhum
traficante teria dinheiro grosso para se manter nesse jogo cruel
se vendesse apenas para favelados, para gente do morro. Somos nós
os consumidores. Por extensão, é para nós que vive o tráfico. E
é por nós que morrem dezenas de adolescentes em casebres escondidos
em nossas periferias. Assim como foi por nossa culpa que morreu
o juiz.
Por
aqui
Por falar niso, já tivemos duas chacinas na região
de Curitiba este ano. Numa, morreram cinco, no Uberaba. No outro,
foram nove assassinados, em Colombo. Os dois estão ligados
ao tráfico de drogas, pelo que tudo indica.
Boas
novas
Para
não ficar só com más notícias: o projeto
do Cursinho Solidário, do Comitê para Democratização
da Informática do Paraná, aprovou um aluno no vestibular
da UFPR. Montado às pressas, em setembro do ano passado,
o cursinho funciona como um pré-vestibular para pessoas pobres.
Agora, começou a segunda temporada, com mais de 50 alunos
e apoio de Bagozzi e Expoente. Bem bacana.
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