Babalorixá Rodrigo D' Xangô

 

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   Em mil novecentos e sessenta e oito,  minha mãe ficou grávida, já tinha uma filha, e eu era o segundo; com seis meses de gravidez ela começou a ter problemas na gestação, estava com ameaça de perder o filho, além disso, minha mãe tinha problemas de visão, havia perdido sua visão algum tempo atrás; a gestação complicava-se cada vez mais, os médicos chegaram a dizer que se a gestação chegasse ao seu estágio final poderia não ter chances de eu sobreviver, pois estava com o cordão umbilical completamente enrolado em meu pescoço e ainda apresentava lábio leporino. Minha mãe se chamava Vera Regina, era dona de casa e médium espiritual, com esperança em me salvar procurou ajuda na religião para isso chegou à casa do Sr. José da Oxum (Pai Zeca) o mesmo logo providenciou para que fosse feita a segurança, onde minha vida foi assegurada,  minha mãe passou a ser freqüentadora da casa de Pai Zeca, o qual depois de algum tempo deixou a cidade de Pelotas em direção a Cachoeira do sul, desde então perdemos contato.                

             Ao jogar seus búzios o orixá de pai Zeca, deu como resposta que, tinha de ser feita uma segurança imediatamente, o qual seria feito para minha mãe e para mim ainda em seu ventre. Responderam também que minha mãe estava esperando em seu ventre  uma pessoa destinada a cumprir os rituais da religião, que ela teria muito trabalho para me criar e que enfrentaria diversas provações no decorrer de meu crescimento, mas que não desanimasse, pois os Orixás lhe dariam forças; em fim pré disseram meu destino.  Com o tempo minha mãe se afastou da casa de pai Zeca, por motivo de sua transferência de cidade.  Minha mãe contava que, eu devia ter uns dois ou quatro meses de idade, quando me levou para tomar passe numa sessão de umbanda, e lá as entidades também avisaram sobre meu destino.

           Com sete anos de idade entrei para uma casa de religião para fazer parte de seus cultos.  O primeiro centro que frequentei foi o centro Caciques Reunidos. Durante o período em que fiz parte do centro da yalorixá Jurema de Oxalá, conheci o babalorixá Edson de Ogum e sua esposa yalorixá Mãe Mariazinha de Otim, os dois da cidade de Encruzilhada do Sul, no ilê dos quais comecei a fazer visitas as suas festas de nação e homenagens de umbanda, geralmente feitas ao orixá Ogum no mês de Abril.

        Após o falecimento da yalorixá Jurema de Oxalá, passei a fazer parte da casa da Ialorixá Mariazinha da Otim na cidade de Encruzilhada do Sul, minha participação no ilê desta yalorixá era somente quando tinha oportunidade de me fazer presente em seus trabalhos na umbanda e em seus toques de nação. Com o tempo foi dificultando minhas viagens para a cidade da yalorixá, então acabei me afastando de seu ilê.

        Passado algum tempo conheci a casa do babalorixá Paulo de Ogum Onira o qual era filho do babalorixá José de Xangô Aganjú. Comecei a freqüentar a casa do babalorixá Paulo de Ogum Onira, pois esta era na mesma cidade em que eu me situava, sendo assim poderia estar presente em todos os cultos praticados na casa, no decorrer do tempo em que estive no ilê de Pai Paulo de Ogum, obtive diversos aprendizados dele e de seu babalorixá, juntando ao que já havia recebido de aprendizado dos outros Ilês, fui aperfeiçoando meus conhecimentos dentro de diversas casas de diferentes nações. Depois de alguns anos a casa de pai Paulo de Ogum por motivo de não ter sua sede própria esteve fechada, então na procura de dar seqüência ao meu aprendizado tive que novamente procurar outra casa de religião, voltando as minhas raízes fui para casa da yalorixá Noemy D’ Xangô, Ilê Axé Xangô Aganjú filha da yalorixá mãe Rosa do Ketu (falecida), dentro do ilê de Mãe Noemy e do centro, Mensageiros da Luz – Reino de Iansã,  voltei a obter novos aprendizados, os quais carrego hoje, no ilê de mãe Noemy D’ Xangô, conheci outras yalorixás, dentre elas minha ex-yalorixá Mãe Branca de Ogum.

          Mãe Branca de Ogum, fez meu aprontamento no ano de mil novecentos e noventa e nove, dentro das leis da nação Nagô. Meus orixás  possuem oito anos de assentamento, são orixás com pouco tempo de vasilha, mas, minha vida na religião afro é desde meu nascimento, pois jamais estive afastado, durante todo o tempo em que tenho de religião hoje com vinte e nove anos passei boa parte estudando seus fundamentos e suas nações e culturas dentro e fora de nosso Estado e País.

           Após oito anos de orixás na vasilha precisei fazer um reforço, sendo que minha ex-yalorixá estando impossibilitada, pois se apresentava muito enferma e logo veio a falecer, fez com que eu procura-se um outro ylê, fazendo com que eu chegasse até o Ylê do Divino Espirito Santo, o qual é governado pelo Babalorixá Mário de Oxalá Jobocum, o mesmo situa-se na cidade de Rio Grande.

           Pai Mário me recebeu de braços abertos, sendo bem recebido fiz minha obrigação no mês de Dezembro de dois mil e sete, recebendo novamente meus aprontes de Ifás e Obés.

          Além de meu aprontamento na nação, tenho meu centro de umbanda o qual foi fundado no dia vinte e seis de Julho de dois mil e quatro,  este situado na rua Engenheiro Marcelino Ramos, no bairro Cohab Tablada, na cidade de Pelotas.  Meu centro Tenda da Cigana Samara leva o nome da entidade a qual eu recebo desde meus 13 anos, meu centro realiza trabalhos na Umbanda e Quimbanda, nas linhas de Caboclo, Povo cigano, Preto-velho, Exu, aos sábados.

          E assim venho seguindo minha caminhada religiosa, respeitando todos dentro da religião, do mais novo ao mais velho sacerdote. Não se deve julgar um bom sacerdote de Orixá pela sua grandeza física, por suas roupas finas, pela beleza e quantidade de guias que usa no pescoço, mas sim pelo seu ser, por aquilo que representa dentro do culto. Conheci diversos pais de santo, e todos eram humildes, apesar da sabedoria que tinham, um pai ou mãe de santo era conhecido pelos fundamentos que possuía, por seus trabalhos, pela sua história. Um sacerdote tem que respeitar o outro, temos que ter ética, limites, não precisamos nos inflar de "impafe", pensar que somos os maiorais, que nada nos atinge. Somos julgados a cada ato que cometemos, não vimos, mas com certeza, somos observados, e tudo vai para balança.        Um irmão deve dar a mão para o outro, nos momentos de necessidades, sempre precisaremos um do outro, temos subidas e decidas, não ficamos estagnados, firmes na vitória, todos tem seus momentos de fraqueza. Às vezes vamos em visita a certas casas e o que se vê é um desfile de moda, cada um querendo ser mais do que o outro. Forçam para destacar sua "importância", adoram fazer beijarem suas mãos, e que lhes batam cabeça para que todos vejam. Quem tem "roupa na mochila" não precisa de nada disto, a pessoa é o que é, sem precisar gritar para o mundo que é pai ou mãe de santo, aliás, este termo, dizem os mais velhos, está errado, pois o santo é que é nosso pai, nós somos é zeladores ou sacerdotes de Orixá. Não sou ninguém, sou apenas mais um, a serviço dos Orixás e espero poder cumprir minha missão com êxito, se os Orixás me derem saúde para isto já está de bom tamanho. Desejo a todos um grande axé de saúde, paz, felicidade e que meu orixá abençoe os vossos lares, fazendo com que almejem grandes conquistas. Axé.

 

Babalorixá Rodrigo D’ Xangô 

    

      

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