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    De 3 a 8 de agosto, a cidade de Belo Horizonte recebe um grande evento internacional na área da música: o 1° FIM. Com edição dedicada à percussão, o festival promove a realização de concertos e workshops de grupos de Portugal, Itália, Estados Unidos, Canadá, França e de várias cidades brasileiras. A tônica do festival é a música contemporânea, e a escolha dos grupos participantes priorizou a diversidade de linguagens que a percussão possibilita. Mesmo o Brasil sendo, reconhecidamente, um país de grande tradição na área da percussão, existem certas manifestações na área e mesmo certos instrumentos muito desconhecidos por aqui, alguns ligados a outras culturas, outros criados ou transformados pelos compositores da chamada música “erudita” contemporânea. Foram estas linguagens que o festival procurou trazer para Belo Horizonte.

    A música erudita, no século XX, passou a dar grande atenção à percussão e ajudou a criar vários instrumentos, hoje incorporados à música popular. Objetos, como latas, panelas de freio de carros, molas, mesas, baldes e até o próprio corpo dos músicos, já eram utilizados em composições experimentais da década de 40. Nos últimos anos, a experimentação passou a ser bastante associada a recursos eletrônicos. Foi o nascimento da chamada música eletro-acústica (na qual é muito freqüente o uso da percussão) que estará presente no festival nos concertos de Florent Jodelet, D’Arcy Philip Gray e dos mineiros Felipe Amorim e O Grivo. Obras para percussão, com a utilização de instrumentos às vezes inusitados, serão ouvidas nas apresentações do Drumming, do Grupo de Percussão da UFMG, do PIAP e de Carlos Stasi. O paulista Dalga Larrondo, por sua vez, mostra uma outra vertente da música do século XX: a música cênica, unindo a percussão ao teatro e a dança.

    Vários instrumentos tradicionais de outras culturas também serão vistos, especialmente nos concertos de Alessandra Belloni (que toca pandeiros típicos da Itália), do grupo Hands On’Semble (que alia instrumentos e tradições musicais da Ìndia, do Oriente Médio, da África a uma linguagem contemporânea, bastante associada a improvisação) e do Conexão Tribal (que une tradições africanas e brasileiras).

    Apesar de não ser a tônica do festival, é claro que a percussão tradicional brasileira não poderia deixar de estar presente. No sábado, teremos a participação dos grupos Fala Tambor, liderado por Carlinhos de Oxossi, trazendo o samba de roda, do Cataventoré, com a linguagem das bandas de pífanos e do grupo Seguidores de São Benedito, apresentado o Tambor de Crioula. Além deles, teremos também um dos maiores bateristas da música instrumental brasileira: Zé Eduardo Nazário, que no domingo participa também do lançamento do CD do baixista Enéias Xavier. No domingo, o festival se encerra de um modo bem brasileiro: samba. O carioca Oscar Bolão lança o seu livro “Batuque é um Privilégio” e, em seguida, o grupo Bantuquerê comanda a festa.

Origem e objetivos do FIM

    A realização do 1o FIM - Festival Internacional de Música de Belo Horizonte - é resultado da expansão das Mostras de Percussão que o Grupo de Percussão da UFMG tem realizado, na universidade, nos últimos anos. O grupo é um Projeto de Graduação da Escola de Música, criado em 1998. Desde então, foram realizadas quatro edições da Mostra de Percussão da UFMG. O evento tem crescido e, este ano, com o apoio da Prefeitura de Belo Horizonte, através da Lei de Incentivo a Cultura, transformou-se no I Festival Internacional de Música de Belo Horizonte - Percussão: um convite à diversidade. Sob a coordenação do professor da escola de Música da UFMG, Fernando Rocha, o FIM apresenta duas diretrizes básicas:

- (1) a realização de uma série de concertos e shows, contando com a participação de músicos de BH, de outras cidades e estados, e estrangeiros, que realizem importantes trabalhos de experimentação ou pesquisa da linguagem musical;
- (2) a realização de palestras e oficinas relacionadas ao fazer musical, destinadas ao aprimoramento técnico-artístico e à atualização dos profissionais;

    O FIM tem o apoio da Escola da Música da UFMG e da FUNDEP e foi aprovado no Fundo de Cultura da Lei de Incentivo da PBH. Além disso, vários apoios específicos foram conseguidos para se viabilizar a vinda dos artistas estrangeiros.



 

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