Nosso roteiro tinha um ponto de partida:
Curitiba e um ponto de chegada: MachuPicchu. No decorrer da viagem, com a ajuda de
pessoas, outros relatos e de um bom guia de viagem fomos descobrindo as belezas dos
v�rios lugares por onde passamos. Nossa viagem foi inteiramente feita por terra e este �
o trajeto que percorremos:
Curitiba-Campo Grande
Dura��o da viagem - 15
Custo-R$60.00 (U$30.00)
Campo Grande �, praticamente, o ponto inicial de qualquer viajante do Brasil que v� a
MachuPicchu. Sendo capital do estado do Mato Grosso do Sul � uma cidade interessante e
razoavelmente grande. N�o possui grande potencial tur�stico mas � poss�vel fazer
compras e comer bem. H� linhas de �nibus de praticamente todo o Brasil e a partir da�
ir p/ Corumb�, na fronteira com a Bol�via, � bastante f�cil. Paramos por Campo Grande
somente o tempo suficiente p/ fazer a conex�o � Corumb�.
[topo]
Campo Grande-Corumb�
Dura��o da viagem - 6h
Custo-R$27.00 (U$13.50)
A viagem at� Corumb� � bastante bonita porque passa Pantanal adentro. � poss�vel
admirar a paisagem e identificar p�ssaros aos bandos, como o tuiuiu. Ponto alto � a
travessia do rio Paraguai de balsa. � a �ltima cidade do Brasil antes de entrar
na Bol�via. Ao contr�rio do que se pode pensar de uma cidade de fronteira, Corumb� �
uma cidade bastante agrad�vel e de tamanho m�dio. Possui ag�ncia de v�rios bancos. A
visita � regi�o do porto do Rio Paraguai e o passeio pelo bel�ssimo rio s�o boas
formas de conhecer a hist�ria da cidade e a natureza do pantanal. H� diversas barcas
tur�sticas que fazem este passeio.
[topo]
Corumb�-Porto Quijarro
(Bol�via)
Dura��o da viagem - 10min
Custo-R$10.00 (U$5.00)
Pode ser feita de t�xi ou moto-t�xi, comuns em Corumb�. Na
verdade se trata de uma cidade muito pequena, bem menor que Corumb�, mas que possui um
bom aeroporto. Tamb�m possui uma zona de livre com�rcio onde � poss�vel fazer algumas
compras baratas. Necessita-se, ali, carimbar os passaportes, necess�rio para se comprar
as passagens de trem. Normalmente � uma atividade f�cil, exceto aos domingos. Lembre-se
sempre da carteirinha de febre amarela internacional com mais de 10 dias. Outra dica �
evitar os taxis com tax�metros e combinar o pre�o antecipadamente com o motorista. Os
taxis brasileiros e bolivianos n�o atravessam as fronteiras. Portanto, normalmente se
necessitam dois taxis. Os bolivianos, da fronteira � esta��o de trens cobram em m�dia
de B$3.00 a B$5.00 (menos de R$1.00).
[topo]
Porto Quijarro-Santa Cruz de La
Sierra [topo]
Dura��o da viagem - 12h a 22h
Custo-B$20 a B$190.00 (R$6.50 a R$67.00 / U$3.40 a U$37.00)
Certamente a parte mais dif�cil da viagem. Como n�o existem estradas o "trem da
morte" � transporte obrigat�rio para quem vai por terra. Existem diversas classes
com diferentes pre�os. Recomenda-se a classe Pullman ou Bracha. A Pullman possui assentos
reclin�veis, o que � uma grande vantagem em uma viagem de cerca de 20h e praticamente
n�o existe o entra-e-sai de passageiros em cada esta��o. Custa cerca de U$17.00. J� o
Bracha tem a vantagem adicional de n�o entrarem vendedores, que infernizam a vida do
passageiro. Se voc� quiser rapidez e um pouco de conforto existe o ferro-bus, um trem
independente de somente 2 vag�es de passageiros que faz a viagem em tempo recorde de 12h.
Possui servi�o de bordo com caf� e almo�o al�m de v�deo. Custa cerca de U$37.00. As
sa�das s�o di�rias exceto nas segundas para o Pullman e demais classes. O Bracha e
ferro-bus saem somente dois dias por semana.
Santa Cruz � uma cidade bastante agrad�vel e rica devido �s ind�strias instaladas
na cidade. Tamb�m � uma cidade universit�ria onde � poss�vel encontrar in�meros
estudantes brasileiros.
Necessita-se pegar um taxi ou �nibus da esta��o de trens at� a rodovi�ria. H�
in�meras op��es p/ quem vai a La Paz em diversos pre�os e � poss�vel encontrar boas
companhias. Fomos com a empresa Copacabana e recomendamos. Em geral faz-se uma parada em
Cochabamba p/ troca de �nibus.
[topo]
Santa Cruz de La Sierra-La Paz
[topo]
Dura��o da viagem - 18h
Custo-B$20.00 (R$6.50, U$3.40)
� neste trecho que se d� a maior mudan�a, na geografia das cidades, na paisagem e
nas pessoas. Sobe-se muito e a geografia faz com que as cidades e vilas sejam
constru�das em vales cercados por montanhas numa configura��o bel�ssima. � assim com
Cochabamba e La Paz. � poss�vel, na mesma viagem, ver-se subindo uma montanha e depois
andar por um altiplano que parece n�o ter fim.
La Paz � uma cidade bel�ssima. Recomenda-se usar um guia ou mapa da cidade p/
explorar todas as possibilidades. Vale, dentro da cidade, visitar a impressionante igrejas
de S�o Francisco, que data do sec. XVI e possuiu altar recoberto em ouro, e a catedral.
Tamb�m � poss�vel entrar no Est�dio Ol�mpico e, se voc� levar uma bola, at� jogar
um futebol. Ao sair para passear � noite � impressionante a variedade do com�rcio de
rua e o movimento da cidade at� altas horas da noite.
Fora da cidade � poss�vel visitar o s�tio arqueol�gido de TIWANAKU que foi uma
civiliza��o contempor�nea dos incas e foram por estes conquistados. O s�tio e o museu
s�o bonitos e ainda h� muita coisa por escavar. O local � muito bonito pois se trata de
um altiplano, mais alto que La Paz, incr�velmente amplo e onde venta muito. Precisa-se
pegar uma van que v� at� o s�tio ou contratar uma ag�ncia com guia para o passeio.
Para ir a Copacabana, a pr�xima cidade, precisa-se pegar um micro�nibus que sai, pela
manh�, independente da empresa, �s 8h30. Normalmente eles passam no seu hotel.
[topo]
La Paz-Copacabana
[topo]
Dura��o da viagem - 4h
Custo-B$15.00 (R$5.00, U$2.50)
A viagem at� Copacabana � bel�ssima e normalmente � feita durante a manh�. A maior
parte do espet�culo se d� por conta do lago Titikaka, o mais alto do mundo, que nos
acompanha pouco depois da sa�da de La Paz e s� se perder� de vista ap�s sair de Puno,
j� no lado peruano. As �guas azuis e as montanhas d�o uma vis�o inigual�vel. O ponto
alto da viagem se d� por conta do primeiro contato com o Titikaka, pois � necess�rio
atravessar o lago de barco para seguir viagem.
Copacabana � uma min�scula cidade � beira do lago e, por isso mesmo, � uma das mais
agrad�veis da viagem. O lago, vis�vel de quase todos os pontos, � praticamente
onipresente na vida das pessoas que est�o na cidade. A partir de Copacabana � poss�vel
visitar as famosas Isla del Sol e Isla de la Luna que, na mitologia inca, s�o os locais
de nascimento dos deuses Sol e Lua.
A viagem se d� em quase 1h30 lago adentro no que � um trajeto de rara beleza,
principalmente quando o c�u est� azul. Por alguns momentos tem-se a impress�o de estar
navegando no mar, tal a grandeza do lago. A Isla del Sol, que visitamos � muito bonita e
grande, ponto alto para o museu que existe l� e para as ru�nas do Templo do Sol.
H� diversas coisas ainda a fazer em Copacabana, como visitar a imensa Catedral,
passear de barquinho ou caiaque pelo lago e subir a colina que d� uma vis�o panor�mica
de toda a cidade.
Para ir a Puno, j� do lado peruano, � necess�rio pegar outro �nibus que geralmente
sai �s 13:30, independente da empresa.
[topo]
Copacabana-Puno
[topo]
Dura��o da viagem - 6h
Custo-B$20.00 (R$6.50, U$3.40)
A viagem at� Puno � bastante agrad�vel pois vai se contornando o lago Titikaka.
Neste trajeto deve-se, na fronteira, carimbar a sa�da da Bol�via e a entrada no Per�.
Tudo razoalvelmente f�cil. Tamb�m � poss�vel fazer c�mbio em uma ag�ncia logo na
entrada do Per� e tamb�m com os cambistas que ficam na rua.
Puno tamb�m est� a beira do lago, por�m � muito maior que Copacabana, possuindo
ag�ncia de bancos e bons restaurantes. Vale uma olhada na Catedral e uma visita �s ilhas
flutuantes do Titikaka.
A viagem segue daqui at� o seu ponto final, Cusco. � poss�vel comprar passagem em
qualquer uma das diversas ag�ncias de turismo e, apesar das promessas de excel�ncia do
servi�o, a verdade � bem diferente.
[topo]
Puno-Cusco
[topo]
Dura��o da viagem - 6:30h
Custo-S$18.00 (R$12.00, U$6.00)
Esta talvez seja a parte mais dif�cil da viagem, porque os �nibus s�o prec�rios,
pessoas dormindo no corredor s�o a regra e a estrada � terr�vel. Sem contar nas
seguidas paradas nos postos policiais, onde estes revistam principalmente os peruanos �
procura de contrabando.
Entretanto, o resultado final vale a pena. Cusco � uma cidade impressionante, quer
pela sua organiza��o (exceto o tr�nsito � claro), quer pela grandeza de seus
monumentos, reflexo de ter sido capital do imp�rio inca e tamb�m da coloniza��o
espanhola. � sem d�vida, uma cidade que aproveita seu potencial tur�stico. Se at� aqui
era dif�cil encontrar outros estrangeiros, em Cusco eles s�o centenas e facilmente
identific�veis nas ruas.
Um leve passeio a p� pela cidade j� mostra bem o seu estilo. A Plaza de Armas, ponto
central da cidade, ergue uma imensa Catedral do s�c. XVI, muito bem iluminada,
constru�da sobre um antigo templo inca destru�do pelos espanh�is. Al�m de conventos,
museus e outras constru��es do per�odo colonial. Mesmo os pontos distantes do centro
s�o agrad�veis e refletem uma cidade bem urbanizada e planejada.
Cusco � uma cidade em que vale ficar parado por uma semana, entretanto, como poucos
tem tanto tempo, a dica � fazer o City Tour, que dura uma tarde e leva o turista a
conhecer o interior da Catedral, bel�ssimo, e diversos outros lugares como os templos
incas de S.......e Q....., a fortaleza de Puca-Pucara entre outros. Dura uma tarde e
� um bom meio de conhecer muito da hist�ria do lugar. Outro passeio imperd�vel, que
dura um dia inteiro, � o Vale Sagrado que leva o turista a conhecer muito da cultura
inca, seus mitos e como eram constru�das suas cidades de pedra. Neste ponto visitamos
alguns vilarejos como Pisac, onde � poss�vel comprar artesanato barato, e Olamtaytambo,
um vilarejo ainda habitado. A natureza � um espet�culo a parte e � poss�vel entender o
motivo que os incas chamavam o lugar de vale sagrado, que � cortado pelo rio
sagrado.
Cusco tamb�m � uma cidade de noite movimentada. � recomend�vel conhecer suas
danceterias e bares.
� daqui que se parte para a trilha inca, o caminho de 4 dias que leva � Machu
Picchu. Antes de sair � poss�vel alugar, para quem n�o trouxe, todo o equipamento
necess�rio, ou contratar uma ag�ncia que organiza tudo. Necessita-se pegar um �nibus
at� o km 82 o que � facilmente conseguido nas ag�ncias.
Para quem n�o veio para sofrer, � poss�vel conhecer Machu Picchu pegando um trem
at� Aguas Calientes, � beira da antiga cidade, e subindo at� Machu Picchu de �nibus em
uma viagem que dura poucas horas.
[topo]
Cusco-Machu Picchu
[topo]
Dura��o da viagem - 4 dias
Custo-S$15.00 (R$10.00, U$4.50) - �nibus
� claro que esta � a parte mais emocionante da viagem. A partida j� se d� seguindo
o rio sagrado e atravessando este por uma ponte p�nsil antes de adentrar as montanhas que
levam � trilha inca, que est� a 3 horas de caminhada ainda. Chegando l� � necess�rio
comprar o boleto a U$16.00 e ainda � poss�vel comprar algumas frutas e refrigerantes.
O primeiro dia possui algumas subidas e descidas, que se ver� em breve, s�o leves,
mas que, pela altitude e pela falta de preparo, s�o extremamente cansativas. A caminhada
at� o primeiro acampamento, que se alcan�a ap�s apenas 5 horas, � o primeiro contato
com a natureza do lugar e � a� que se v� a dificuldade em vencer a trilha com mochilas
de 25 kg nas costas. Os carregadores peruanos, que levam a bagagem e equipamentos dos
turistas, s�o incrivelmente resistentes e carregam bem mais que isto bem mais r�pido.
Para variar, a paisagem � bel�ssima e os rios e cursos de �gua que cortam nosso
caminho, um est�mulo a continuar. Finalmente, chega-se ao acampamento do primeiro dia,
que � um gramado aconchegante j� cheio de barracas. Para quem vai por ag�ncia a vida �
bem mais f�cil, j� que h� carregadores, cozinheiros e ainda quando chegam j� encontram
a barraca armada. No nosso caso, armar a barraca e cozinhar ainda � uma tarefa a mais.
O segundo dia � o mais dif�cil. Trata-se de extenuantes 6h da maior subida que j� se
viu. Ela possui um desn�vel de 1500m, dos 2700m em que est�vamos at� os 4200m, o ponto
mais alto do percurso, vencidos em apenas 5km de trajeto. O caminho � estreito e as
in�meras paradas s�o inevit�veis. A vis�o do ponto final, que parece nunca chegar, �
um fator que desanima. Em contraponto, o bel�ssimo vale ajuda a continuar. Vencido este
obst�culo, resta uma enorme descida at� o acampamento que, se � mais f�cil do que a
subida, exige um esfor�o exaustivo de pernas e joelhos. A chegada ao acampamento � um
al�vio e a �nica coisa em que se pensa � comer e dormir rapidamente para recuperar-se e
continuar.
O terceiro dia � relativamente tranquilo, principalmente pela certeza de que o pior
j� passou, a caminhada � razoavelmente plana at� a hora do almo�o e se passa por
algumas ru�nas que valem a pena serem visitadas. Neste ponto � que se come�a a ver uma
paisagem diferente, muito semelhante a uma floresta tropical onde o ambiente � mais
�mido e mais verde. Literalmente embrenha-se na floresta, passa-se por dentro dela e
tem-se uma vis�o bel�ssima da mata vista de cima posicionada em enormes vales. �
certamente o dia em que se pode apreciar as vistas mais belas e vale muito a pena dar uma
parada na caminhada e sentar-se � beira do precip�cio para se sentir em paz observando o
que a natureza tem de melhor e, � claro, tirar algumas fotos. A caminhada, se tranquila,
� relativamente longa e a descida at� o acampamento parece n�o ter fim. Este � o
acampamento mais agitado, em parte devido � euforia de estar quase no fim, e tamb�m por
ter um restaurante onde � poss�vel comer bem, tomar banho e at� dormir em uma cama.
(N�s s� tomamos o banho). Como � na encosta do morro, � muito dif�cil achar um lugar
para montar a barraca se n�o estiver em uma escurs�o, uma sugest�o � negociar uma cama
no restaurante, outra, � montar a barraca no p�tio, o que � mais complicado.
O ideal � partir assim que amanhece o dia, pois ainda precisa-se vencer cerca de 3
horas de caminhada at� chegar � cidade de Machu Picchu. O caminho � razoavelmente
plano, mas, � claro, n�o h� caminhada sem uma boa subida nesta trilha. Quase l� existe
um mirante de onde se pode observar toda a cidade de cima se o tempo n�o estiver nublado.
A chegada � uma emo��o indescrit�vel e a vis�o daquele enorme
"monumento" em um lugar longe de tudo � fant�stica. S� l� para se ter id�ia
da dimens�o da obra dos incas. Primeiramente precisa-se esperar o parque abrir para poder
deixar as bagagens em um guarda-volumes. Depois, parte-se para a visita��o propriamente
dita. � extremamente recomend�vel voc� seguir um grupo com guia ou ter um guia impresso
para poder conhecer os pontos chaves da cidade e entender sua import�ncia. A visita pode
durar muito ou pouco dependendo da sua pressa. H� um trem que parte �s 13:00 e outro �s
16:00. Para peg�-lo � necess�rio embarcar em um �nibus que parte de Machu Picchu
(U$3,00) e ir at� o povoado de Aguas Calientes, que fica no sop� da montanha. O trem
para em Ollamtaytambo, o ponto inicial da caminhada e para voltar a Cusco tem-se que pegar
outro �nibus.
[topo]
Retorno
O retorno � feito pelo mesmo percurso. H� a chance, na Bol�via, de voltar de avi�o
pela TAM (Transporte A�reo Militar) que vai at� Puerto Quijarro uma vez por semana. �
mais barato que as companhias comerciais mas � mais caro do que voltar de �nibus. Por
terra, viajando continuamente, a viagem at� Curitiba durou 4 dias.
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