MACHUPICCHU

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O que segue � a transcri��o completa do nosso di�rio de viagem. Praticamente n�o h� corre��es, a n�o ser ortogr�ficas, o que mant�m este registro fiel a realidade e aos sentimentos com que o foi originalmente escrito enquanto est�vamos em viagem.
Cada um de n�s escreveu as partes que comp�em este di�rio e o fizemos em primeira pessoa.

Resumo

04/06/99

1a Reuni�o 04/09/99 Campo Grande e Corumb� 08/09/99 La Paz e Tihuanaku
02/08/99 Compra das Botas 05/09/99 Passeio de Barca em Corumb� 09/09/99 Copacabana e Lago Titicaca
02/09/99 V�spera da Partida 06/09/99 Corumb� e viagem � S. Cruz (Bol�via)
03/09/99

Sa�da

07/09/99 Viagem � La Paz

 

Pr�logo (por Jo�o Paulo) 

H� algum tempo j� tinh�mos na turma a id�ia de fazer uma viagem para qualquer parte da Am�rica do Sul. Haviam v�rias possibilidades, mas a que mais nos atra�a era Machu Picchu. Ent�o come�amos a chamar o pessoal da turma, at� o prof. de Tecnologia IV, o J�lio, entrou na hist�ria. Entre os interessados estavam eu, o Carlos, o Roberto, o Achcar e o Andrezinho.

24/06/99 [menu]
1a. Reuni�o

Depois de uma aula de �tica, passamos no Big Pizza Cabral, pegamos duas pizzas �timas (frango/catupiry, milho/lombinho). Tivemos que esperar o Achcar com a pizza na m�o e morrendo de fome. Na casa do Carlos discutimos o prov�vel roteiro e algumas tralhas que dev�amos levar. Decidimos ir � Machu-Picchu e, na internet pegamos alguns roteiros. N�o fizemos muita coisa mas nos empolgamos um monte p/ a viagem. ( O Andrezinho n�o foi.)

19/07/99

Marcamos nossa pr�xima reuni�o para o dia 22/07. Vimos as botas que provavelmente vamos comprar, vamos negociar na f�brica. O Andrezinho e o Achcar desistiram. Por outro lado eu e o Roberto j� marcamos nossas f�rias. Agora j� � confirmado. (Partimos dia 03/09).

26/07/99

Mais uma na casa do Carlos. Reunimos os custos de viagem e o roteiro e fizemos uma lista do que dev�amos levar.

02/08/99 [menu]

N�o teve aula de MecSol, ent�o aproveitamos para ir at� a f�brica de botas. Depois de meia hora de indecis�o compramos por R$70.00 cada.  ( custo originalR$80.00 a minha e a do Carlos, R$85.00 a do Roberto).

26/08/99

Depois de um empad�o muito bom da m�e do Carlos, discutimos alguns pontos para a viagem como comida e equipamentos, vimos os telefones para ligar de l�:
PER� 080050190
BOL�VIA 08000055
N�o havia mais passagens, tivemos que ir de �nibus extra.

27/08/99

O Carlos comprou as passagens Curitiba-Campo Grande p/ o dia 03/09/99 �s 21:30 - Eucatur (R$51.00).

29/08/99

Eu e o Carlos fomos fazer as compras desde chocolate at� o sop�o. Demoramos bastante mas acho que compramos o suficiente.

02/09/99 [[menu]
(V�spera da partida)

Depois de uma matr�cula tranquila no CEFET nos encontramos na minha casa. O combinado era 20:30 mas como sempre o Carlos chegou meia hora atrasado. Jogamos no ch�o toda a comida e a distribuimos, vimos o que faltava e dividimos as tarefas. Depois fui ainda na Fer buscar algumas coisas como chocolate e miojo que ela gentilmente nos cedeu.

03/09/99 [[menu]

Finalmente chegou o dia, passamos os tr�s trabalhando esta semana como loucos para que pud�ssemos tirar f�rias tranquilas.
Na minha casa a maior bagun�a, todos iam viajar. Depois de me despedir da Fer fui para casa terminar a minha mala. �s 20:30 o Carlos passou me pegar, mas s� chegamos na rodovi�ria �s 21:15 pois o tr�nsito estava infernal. O Roberto chegou �s 21:30, em cima do la�o! Por sorte o onibus atrasou e tamb�m mudou o lugar da partida. O pai do Carlos j� estava querendo combinar como fazer caso o Roberto n�o chegasse, ele estava mais nervoso que n�s. �s 22:30 o onibus partiu. Foi muito linda a despedida do Carlos e da Ledlei. Demoramos ainda um bom tempo para chegar at� a estrada pois o tr�nsito n�o estava nada f�cil. Capotamos de sono logo em seguida.

04/09/99 [[menu]

Houveram v�rias paradas na viagem. Emba�, Presidente Prudente, Nova Alvorada e outras que agora n�o lembro. Na �ltima muitas pessoas desceram dando muito espa�o para n�s. Durante a viagem vimos muitas coisas interessantes: a lua que estava indescrit�vel (palavras do Carlos), alguns quil�metros de fazendas queimadas com muita fuma�a no ar, o rio Paran� e os a�udes secando.
Chegamos �s 12:15 (lembrando que em Campo Grande � uma hora a menos que Curitiba). Foram 15 horas de viagem e cerca de 1000 km. Na rodovi�ria fomos direto comprar passagens para Corumb�. (Andorinha 15:00 - R$25.00). Deixamos as malas no guarda volumes da rodovi�ria e fomos passear pela cidade. Passamos nas lojas americanas (!). Depois voltamos para pr�ximo da rodovi�ria em um restaurante que achamos razo�vel. Fomos ent�o com o Robert�o para ele cortar o cabelo. Voltamos p/ a rodovi�ria e pegamos o �nibus.

 

Por Roberto

Antes de chegar em Campo Grande o que impressionou foi a fuma�a que cobria o cerrado e o grande n�mero de �reas queimadas na beira da pista, fruto de quase 2 meses sem chuva. Mesmo em Campo Grande a fuma�a � predominante, o calor, sufocante, quase n�o vimos o sol e quando este aparecia era um disco amarelado.

Por Carlos

Estamos a caminho de Corumb�. A fuma�a continua muito intensa. As queimadas realmente degradaram a regi�o. Assim como as queimadas, a seca. In�meros a�udes est�o prestes a secar e o gado est� bem magro. A paisagem continua sendo o cerrado. arvores baixas de tronco retorcido, vegeta��o baixa e rasteira. Realmente o verde n�o � a cor dominante, v�-se um tom suave de beje que, apesar de tudo, se sobrep�e ao cinza e ao preto. Temos agora um companheiro, o trilho do trem que nos acompanha. Ele parece nos lembrar que temos um longo caminho pela frente. isto se o motorista que � p� de chumbo deixar.

O �nibus foi parado pela pol�cia federal. O Robert�o at� jogou a coca mas era apenas uma campanha contra a explora��o infantil.

A estrada � meio esburacada, completamente diferente da estraca Curitiba-Campo Grande que, a partir de certo ponto, � uma intermin�vel reta. Enquanto estou escrevendo estamos estabelecendo nossos primeiros contatos. Conhecemos uma mulher que nos convidou para ir a uma festa chamada micarana que acontece em Aquidauana. Esta mesma mulher nos contou que a �rvore t�pica da regi�o � o Ip6e. Tamb�m conhecemos uma paulista, gat�ssima, que estuda medicina e est� indo para Santa Cruz. Ela estava lendo Paulo Celho, a partir da�, posso concluir que ela se deixou influenciar pelo misticismo p�s-moderno, mas isso tamb�m mostyra que elea � introspectiva quanto a ess�ncia do ser (mais um ponto p/ ela).

Voltando a falar da fuma�a, o sol das 15:00 parece um sol quase se pondo. Aquele sol que se pode olhar diretamente, de tanto que a fuma�a o encobre. N�o importa como vemos o sol, no seu auge, encoberto pela fuma�a, ou num eclipse, o que importa � a sua grandiosidade, � a for�a que ele possui para brilhar tanto, � a beleza que ele atribui a um lugar como este, devastado pelo homem.

Descobrimos que Aquidauana � conhecida como Princesa do Sul, Campo Grande � conhecida como Cidade Morena (devido � terra escura) e Corumb� como Cidade Branca (terra clara/calc�rio). Acabamos de passar por cima do rio Aquidauana, divisa de Anast�cio/Aquidauana.

O calor chega a sufocar. Nosso �nibus n�o tem ar-condicionado e parece que a cada quil�metro que andamos a temperatura aumenta ainda mais. No momento, enquanto o Robert�o procura o rel�gio que escondi, o Jo�o pratica seu franc�s com uma francesa, vizinha de poltrona.

(Por Jo�o)

A francesa que o Carlos falou � de um grupo de franceses que moram em Curitiba e est�o estudando na PUC. Vieram p/ o Mato Grosso conhecer o Pantanal.

A estrada cada vez piora mais. Em Aquidauana muitos desceram, o �nibus estavam mais vazio, mas o calor continuava o mesmo. Escureceu cedo (18:30). Fizemos uma parada e um tempo depois chegamos na balsa p/ passar o Rio Paraguai. A estrada chegou num momento que era s� poeira. Esperamos um pouco para fazermos a travessia que foi r�pida comparando com a viagem. Em uma hora chegamos em Corumb� (22:20). Combinamos com o grupo de franceses de irmos para o mesmo hotel. Perdemos um tempasso esperando o Nicolas negociar a viagem p/ o Pantanal p/ eles. Finalmente fomos para um hotel chamado City (23:40).

O nome dos franceses: Jane, Celine, Nicolas, Frederic.

(Por Roberto)

Depois de negociar alojamento para todos (conseguimos um quarto p/ n�s tr�s) fomos tomar aquele banho. O calor continuava insuport�vel e a �gua gelada ajudou a refrescar tudo, inclusive as id�ias. Devido � frescura do Carlos demoramos mais que os franceses p/ nos arrumar e descer. A fome j� pegava desde a balsa e est�vamos quebrados devido as mais de 23 horas de viagem. Entretanto ainda fomos comer alguma coisa. N�o foi f�cil achar algo aberto � 1:00 da manh�. Encontramos uma lanchonete mais ou menos perto do hotel que N�O tinha nem CERVEJA!!! Enquanto o dono da lanchonete garimpava um gelada p/ n�s, plantava as frutas p/ o suco das meninas e matava o boi p/ fazer os sandu�ches o papo correo solto mesmo com os problemas de idioma. Comemos, bebemos e ficamos na conversa at� as 2:30. O calor ainda persistia. Como ir�amos acordar cedo fomos para o hotel, nos despedimos dos franceses e combinamos um poss�vel churrasco. �s quase 3:00 dormimos com calor e tudo para acordar �s 6:00.

05/09/99 [[menu]

Surpresas boas e ruins nos aguardavam neste dia. Como combinado o cara do hotel nos acordou �s 6:00. Em seguida tomamos um caf� arregado no pr�prio hotel e combinamos um taxi pau velho por R$9.00 at� a fronteira Brasil-Bol�via. L� pegamos mais um taxi (mais pau-velho ainda) e, por mais R$5.00 fomos at� a esta��o de trens. Aguardamos abrir e pedimos passagens em vag�o pullman p/ Santa Cruz. A passagem custava B$94.00 ou U$17.00. Mas... 1a. surpresa -> n�o pod�amos comprar as passagens pois n�o hav�amos carimbado os vistos de entrada na fronteira. Apesar das tentativas de comprar assim mesmo a mo�a n�o nos vendeu. O jeito foi voltar � fronteira e carimbar os vistos.  Como era domingo esperamos a boa (ou m�) vontade do chefe de fronteira em chegar, o que aconteceu quase 9:30. Depois da confus�o que causavam v�rios bolivianos e brasileiros conseguimos entrar na fila para retirar o visto quando... 2a. surpresa-> O Jo�o n�o conseguiu visto porque n�o tinha certificado INTERNACIONAL de vacina��o contra febre-amarela. Confus�o e chatea��o, mas eu e o Carlos carimbamos nossos passaportes sem maiores problemas e voltamos para o Brtasil p/ tentarmos alguma coisa na Sucam de Corumb�. N�o deu nada apesar do esfor�o em arrancar do guardinha o nome da respons�vel pela vacina��o. Nos conformamos e voltamos ao hotel. Combinamos mais uma di�ria e fomos � regi�o do porto p/ tentar algum passeio e...

3a. Surpresa -> Desta vez boa. Conseguimos um passeio de 5 horas pelo rio Paraguai, com direito a almo�o e tudo por R$20.00. O passeio foi bel�simo, sinceramente n�o imagin�vamos  qu�o interessante seria esta descoberta. Por v�rias vezes tive a impress�o de que est�vamos olhando p/ o mar, tal a exten��o das �guas que soavam incrivelmente refrescantes. A paisagem nas margens � realmente bonita e a inveja bateu forte quando vimos diversos grupos de bolivianos se banhando nas pequenas "praias" naturais ao longo das margens do rio. O calor como sempre continuava pegando ent�o fomos � proa do barco e sentamos t�o perto da �gua que era poss�vel mergulhar os p�s. A brisa batia incrivelmente gostosa. A vista ent�o era indescrit�vel e a sensa��o de tranquilidade era enorme. O �pice da viagem foi quando n�s tomamos a voz no microfone e cantamos a famosa nos quatro cantos do mundo "TREM DAS ONZE" para o del�rio das outras pessoas do passeio.

Tiramos diversas fotos embora a maldita fuma�a que nos acompanhava desde antes de Campo Grande continuasse estragando uma paisagem que deveria ser clar�ssima.  Conseguimos negocar este passeio pela companhia LA BARCA TUR e conhecemos um sujeito super gente boa chamado Salsicha que fazia o show a bordo. Felizmente (p/ mim e p/ o Carlos) ele s� tocava MPB, Raul Seixas, Jovem Guarda, e manjava muito disto. Gra�as a Deus n�o ouvimos um s� country. A �nica coisa country foi o Jo�o Paulo que pegou e n�o largou o berrante.

(Por Jo�o)

Isto � inveja pois o Roberto colocou o berrante na boca e m�ximo que saiu foi um barulho que parecia um peidinho. O Carlos tamb�m n�o foi muito feliz com o berrante.

Ainda antes de sair da barca bebemos um caldo de piranha. O duro � que era muito quente. O Carlos e o Roberto dan�aram junto com os velhinhos quando est�vamos no finalzinho da viagem.
H� males que v�m p/ bem, perdemos o trem no domingo mas fizemos uma viagem muito massa.

Saindo do barco fomos dar uma volta pela cidade, vimos algumas pra�as e igrejas, tomamos cerveja e fomos p/ o hotel. Pretend�amos tomar um banho e sair na night de Corumb�. s� que fizemos somente o primeiro e o descan�ar se tornou dormir e assim viramos a noite.

 

06/09/99 [m[menu]

Levantamos �s 7:00, tomamos um caf� e fomos andando at� a SUCAM. Chegamos l� as 8:45. Enquanto eu trocava a carteirinha o Roberto foi chamar o taxi (9874378). Esperamos um pouco e l� veio o Delrey (taxi) todo estourado. E o senhor � legal mas dirige muito mal. Passamos um caga�o com ele mas chegamos na fronteira. L� fomos direto na "migracion" e, desta vez, foi r�pido. Pegamos outro taxi para a ferrovi�ria, compramos as passagens no ferro-bus, semi cama, 190 bolivianos ou U$33.00. O detalhe � que o taxi da fronteira at� a ferrovi�ria cobra R$5.00 mas da rodovi�ria p/ a fronteira cobra R$3.00, isto �, deve-se pechinchar. Na fronteira ligamos de volta para o nosso taxista preferido. Um pouco antes fomos ao banco da Bol�via e vimos o valor do c�mbio. O interessante � que eles n�o fazem c�mbio de real p/ bolivianos. Chegando no centro de Corumb� fomos ao Banco do Brasil. Nesse tamb�m n�o havia c�mbio de real p/ boliviano e al�m disso cobrava um taxa lazarenta p/ trocar os d�lares.

Procuramos um sapateiro e depois fomos p/ o hotel, acertamos (R$60.00) e pedimos p/ ficar um pouco al�m das 12:00. Ficamos at� as 14:00.
No notici�rio da TV s� passa sobre as queimadas, os bancos est�o abrindo mais cedo e o aeroporto est� fechado por causa da fuma�a

Tomamos um banho,  descan�amos, arrumamos as malas e deixamos o hotel. Fomos a uma churrascaria pr�xima do hotel (tamb�m n�o poder�amos ir muito longe com as malas nas costas). A churrascaria se chama Churrascaria do Gaucho, um almo�o arregado, talvez o �ltimo decente durante a viagem. O mais importante � o ar-condicionado, a diferen�a de temperatura � brutal. Deve estar uns 40�C. Pagamos a conta e fomos at� o supermercado. Compramos umas sopas e alguns miojos. Fomos ent�o at� a pra�a da independ�ncia onde pesamos as malas. 35kg cada mala UFA! Merece uma cerveja carregar tudo isso de peso. Ent�o pedimos um antarctica p/ comemorar. Logo em seguida chamamos nosso motorista. O nome dele � Cristo, o do Delrey estourado. Ele nos levou at� a fronteira. De l� fomos at� o banco, e que banco!!! Para as condi��es gerais da cidade � muito diferente e com atrativos muito interessantes...
Trocamos alguns d�lares por bolivianos U$1.00 = B$5.87 e pegamos um taxi boliviano at� a ferrovi�ria.
Esses carros bolivianos ou s�o carros brasileiros que n�o sofrem manuten��o h� muito tempo, ou s�o carros japoneses adaptados. O painel do lado direito e o volante do lado esquerdo.
A ferrovi�ria tamb�m � muito estranha. Para falar a verdade na primeira vez que chgamos na l� n�o achamos que aquilo fosse a ferrovi�ria. � pequena e sem nenhuma indica��o.
L� encontramos um outro brasileiro de SP (Ciro) que tamb�m estava indo p/ S. Cruz. N�s j� havi�mos nos encontrado na imigra��o pela manh�. �s 18:00 o ferrobus veio e parou na esta��o. Ent�o tivemos que pesar as malas pois dever�amos coloc�-las no bagageiro. �s 18:30 entramos no trem, tivemos que apresentar o passaporte p/ a confer�ncia com a passagem. O trem era muito bom (tamb�m pelo pre�o que pagamos) . Tinha duas "ferromo�as" que nos serviram a janta e o caf� da manh�. O trem partiu �s 19:00 em ponto.
A viagem foi muito tranquila, assistimos (eu e o Roberto) � "La vitta � Bela" pois para variar o Carlos dormiu. Durante o filme jantamos e dormimos.

07/09/99 [[menu]

A viagem foi tranquila com excess�o dos solavandos que nos acordavam durante a noite. E que solavancos!! Tiravam-nos do banco at�. E tamb�m o barulho dos trilhos incomodava. �s 6:00 amanheceu. Trouxeram-nos caf� (bem fraquinho) e eu fiquei observando a paisagem. Tinha muitos casebres mas tamb�m haviam casas com piscinas. Chegamos �s 7:00 � ferrovi�ria de S. Cruz, pegamos as nossas malas que estavam completamente empoeiradas e sujas. Um completo contraste entre o trem e o bagageiro. Nos despedimos do Ciro e fomos embora. ([email protected]) Ele seguia viagem at� Potos�.

Antes de sair da ferrovi�ria um senhor da imigra��o parou-nos p/ fiscalizar os passaportes. Ent�o pegamos um taxi at� a rodovi�ria. N�o pudemos ver grande coisa mas a quantidade de carros japoneses, principalmente caminhonetes, impressionava. Chegamos no terminal de �nibus e fomos direto comprar passagens. Haviam v�rias op��es e compramos passagem direto p/ La Paz com troca de �nibus em Cochabamba pela Trans. Copacabana. (B$40.00).

Andamos um pouco e depois fomos p/ a plataforma 6. Esperamos at� as 9:00 quando o �nibus partiu. Dentro dele passaram v�rios vendedores. Os boletos s� foram vistos quando j� est�vamos andando.

Por Carlos

A paisagem deste peda�o da viagem lembra muito o nosso Brasil, que neste dia comemora a independ�ncia. � uma mistura de cerrado com palmeiras e muito, muito vento. Vila Velha n�o duraria um m�s nesta regi�o. No momento em que estou escrevendo o �nibus est� parado numa esp�cie de ped�gio onde v�rios vendedores entraram oferecendo empanadas de pollo (frango), p�es, laranjas, sodas, laxantes... Vai passar um filme in�dito na TV dos bus, "M�xima Velocidad". Todos sem exce��o nos olham de maneira diferente, talvez porque realmente sejamos. Acho que eles s�o muito diferentes de n�s, aquelas mulheres com tez dourada, cabelos longos negros e tran�ados, com grandes sacos coloridos presos nas costas s�o muito comuns aqui.

Por Roberto

  Me impressiona bastante, ainda, a homogeneidade �tnica do povo daqui. Todos possuem um tom avermelhado na pele. Ao contr�rio de n�s, brasileiros, quase n�o houve mistura entre povos e praticamente os �nicos brancos que vimos estavam no caderno social do jornal que comprei. Negros n�o vimos nenhum.

Apesar de j� estarmos suficientemente longe de Corumb� e Campo Grande a seca castiga tamb�m estes lados e, acreditem, ainda � poss�vel distinguir aquela fuma�a ao longe. Vamos ver at� onde ela nos acompanhar�.

Por Carlos

N�o tenho certeza, mas j� passamos por 4 rios praticamente secos (3 deles realmente grandes). Como o Roberto disse a seca realmente castiga este local. Estou tendo dificuldades p/ escrever porque a estrada est�, realmente, ruim.
PS: Acabamos de passar por mais 2 rios quase secos e um deles era muito grande.

Dentre esta vegeta��o peculiar, que a cada km que passa fica um pouco mais densa, o que realmente se destaca � o ip� amarelo. No meio de todo o verde � poss�vel ver, disfar�adamente, imponentes ip�s amarelos que parecem tomar conta da regi�o que ocupam, olhando por cima das �rvores mais altas.
Todos os nosso amigos, no Brasil, falavam que pegar�amos condu��es realmente peculiares, mas nunca pensei que dividiria um �nibus com galinhas, devem ser pintinhos, mas s�o v�rios, e n�o param de piar desde que sa�mos de S. Cruz. Paramos num posto do ex�rcito e fomos obrigados a descer do �nibus p/ a revista. Ficamos sabendo que a partir daquele lugar come�ava a "�rea da coca", e que a revista era para procurar produtos qu�micos.

O calor � infernal, j� consumimos 3 litros d'�gua e, se continuar assim, consumiremos mais uns 20 litros. Esse calor nos acompanha at� o almo�o. O �nibus parou, ningu�m falou nada sobre comida ou tempo de parada, e ficamos como 3 baratas tontas sem saber o que fazer. N�o conseguimos nos entender com a mulher do restaurante sobre o almo�o at� porque ela estava pouco se importanto conosco. Sorte nossa que uma boliviana que falava portugu�s nos ajudou. Comemos bife com arroz (eu e Jo�o) e frango (Robert�o). Esta mesma senhora foi muito gentil em comprar abacaxis p/ comermos como sobremesa. Ela tamb�m falou p/ n�o  comermos vegetais e legumes cruz, assim como p/ bebermos pouca �gua a partir da La Paz, pois a �gua aumenta a press�o sangu�nea.

PS: A partir de agora usarei a caneta que a Ledlei doou.

Seguimos viagem programando algumas coisas a serem feitas quando chegarmos em La Paz.   At� o momento t�nhamos andado somente em plan�cies, mas agora come�amos a subir algo parecido com uma serra do Mar, s� que de duas a tr�s vezes mais �ngreme. Estamos parecendo Indyana Jones, porque estamos subindo a serra que acabei de comentar em uma estrada de ch�o (mais pedra que ch�o), num �nibus cheio de sujeira, pap�is, sacolas, pintinhos, laranjas... mais ou menos dez pessoas em P�, pois faltam lugares, crian�as correndo pelo corredor e chorando. Por estar chovendo (primeira vez que vimos chuva) e, por isso, as janelas est�o fechadas aumentando o calor, por estarmos fedendo tanto que passei (por estar sentado separado) mais da metade da viagem sozinho, e por o �nibus balan�ar nesta estrada sendo que o absimo est� a 2 metros da janela. Pense comigo, n�o h� como piorar.
A serra que acabei de citar � o come�o da Cordilheira dos Andes. � uma beleza � parte.

Por Roberto

Ainda subindo a serra h� um posto avan�ado do ex�rcito. Uma mulher soldado entrou e falou algo com um passageiro atr�s de n�s. Agora a chuva nos deu uma tr�gua e voltamos a ter asfalto. A vista daqui de cima � muy hermosa pois podemos ver as v�rias montanhas um pouco cobertas pelas nuvens e distinguimos v�rios cursos de �gua que descem o morro. A temperatura j� est� mais baixa e creio que logo estaremos em Cochabamba.
Mas a �ltima parte da viagem foi a mais bela de todo nosso percurso. A subida foi tornando a vista mais bonita progressivamente. Do alto pod�amos ver toda a grandeza da cadeia de montanhas que hav�amos subido. V�amos forma��es e vegeta��o bastante cerrada nas montanhas e assim continu�vamos subindo mais e mais e cada vez ficav�mos mais deslumbrados com a paisagem. De repente a paisagem mudou completamente. As montanhas continuaram, mas a cor do ambiente tornou-se mais amarelada e a vegeta��o menos densa e mais t�pica de climas frios. Frio era exatamente o que aparentava haver al�m das janelas do �nibus. As pessoas que nunca deixaram de aparecer no decorrer do caminho de repente trocaram as roupas de calor por casacos e gorros. Passamos um bom tempo ainda subindo nesta paisagem, vimos coisas indescrit�veis e tiramos v�rias fotos.
Nos morros que se seguiam, que quase n�o possuiam vegeta��o natural, apareciam, esparsas, diversas casinhas das quais muitas n�o passavam de choupanhas de barro cobertas com palha. Provavelmente seriam agricultores. Estav�mos na alvorada quando passamos por uma cidadezinha que parecia parada no tempo.  As casas, desta vez mais agrupadas, tinham praticamente o mesmo tom marrom, fruto provavelmente do barro utilizado e da aus�ncia de pintura.

08/09/99 [[menu]

Por Carlos

Em Cochabamba a temperatura estava muito boa, mas fomos avisados de que em La Paz fazia muito frio. Comemos "sandwichs" na pr�pria rodovi�ria, fizemos o check-in das malas e, enquanto esper�vamos o �nibus, ficamos observando como s�o e como funcionam as coisas por l�. H� uma enormidade de pequenas empresas de transporte, e, como a concorr�ncia � muito grande, as pessoas gritam incessantemente itiner�rios, pre�os, fazendo propaganda, etc. S�o tantos e t�o insistentes, que quase agarram as pessoas pelo bra�o a fim de tentar vender passagens. As mulheres, com caracter�sticas predominantemente ind�genas, tez dourado-avermelhada, com tran�as e chap�u tipo coco, com saias compridas e mantos ou sacos coloridos sobre os ombros dentro dos quais crian�as s�o carregadas, ou bugigangas, s�o personagens muito comuns na Bol�via, e de forma alguma s�o discriminadas pelas outras pessoas. J� no �nibus, uma dessas mulheres veio conversar conosco intrigada pelo nosso idioma.
Viajamos durante toda a noite (nosso �nibus saiu �s 21:30). Acordei durante a madrugada e presenciei um dos c�us mais bonitos que j� havia visto. O azul do c�u era impressionante, assim como a nitidez com que v�amos as estrelas, e sua quantidade. Acordei o Jo�o e o Robert�o e ficamos apreciando-o por um bom tempo. Lamentamos, apenas, n�o termos achado o Cruzeiro do Sul.
Como o passar do tempo o frio foi aumentando, t�anhamos alguns agasalhos em m�os, mas n�o foram suficientes. Trem�amos tanto que mal consegu�amos dormir. Chegamos em La Paz ap�s seis horas e meia de viagem (chegamos entre 5:30 e 6:00 am). Pegamos um t�xi que nos levou ao Hotel It�lia ap�s algumas tentativas sem sucesso (hot�is muito caros). Este hotel custou Bs 20,00 por pessoa (+/- R$6,00 por pessoa). PS.: Esqueci de contar que quando descemos do �nibus, corremos para a rodovi�ria para trocarmos de roupas.
O ba�o no hotel � compartido, mas n�o tem problema, ningu�m � fresco (bom, eu n�o sou!). Tomamos um banho quente merecido e necess�rio j� que est�vamos mais de 24h sem tomar banho, e ent�o sa�mos para conhecer La Paz. Este hotel nos agradou muito porque, al�m de ser barato, era no centro. Logo no come�o de nossa caminhada descobrimos que o tr�nsito � muito louco, carros de atravessam na frente dos outros, nenhuma placa � obedecida, a prefer�ncia � de quem "se enfia primeiro". Se algu�m acenar para um t�xi, este p�ra n�o importa onde, no meio da rua, no meio de um cruzamento, ... N�o existe uma organiza��o no tr�nsito, todos se amontoam, se fecham, sobem pela cal�ada. Tamb�m n�o existe transporte coletivo p�blico, todos os meios de transporte s�o privados.
Os t�xis s�o mais inteiros comparados com os de Santa Cruz, mas tamb�m s�o ruins. O transporte mais comum � feito por vans. S�o vans de particulares que ganham a vida dessa forma. O mais interessante � que, al�m de serem muitas, em todas tem uma pessoa com a cabe�a para fora do ve�culo gritando o itiner�rio.
No centro, existem locais, in�meros por sinal, onde as pessoas estendem seus produtos pelo ch�o e praticam o com�rcio informal. Acho que fui humilde na afirma��o acima, este tipo de com�rcio � praticado em quase todas as ruas da cidade. � poss�vel comprar tudo o que se pensar, desde roupas at� eletro-eletr�nicos. Vimos pessoas vendendo ternos e sobre-tudo em pleno com�rcio ambulante.
O primeiro ponto tur�stico que visitamos foi a Iglesia e a Plaza de San francisco. A igreja � muito bonita, de estilo barroco com in�meros altares e vitrais. Todo o interior e o exterior s�o feitos em pedra bruta, lembramdo que o interior � todo trabalhado (tamb�m sobre pedra bruta). Apesar de seu tom levemente sombrio, esta igreja nos trouxe uma paz...
O segundo local visitado foi a catedral, que est� localizada em frante ao Pal�cio do Governo. A catedral possui estilo moderno, com uma caracter�stica muito bem lembrada pelo Robert�o, a simetria da arquitetura. Vimos in�meros altares sultuosos em m�rmore branco, diferentes dos altares vistos na igreja anterior, feitos em madeira entalhada. O altar principal � um misto de beleza e riqueza exacerbada. Devido �s cores mais claras, esta igreja possui um tom mais frio e s�rio. Acho que, justamente por esse motivo, � menos visitada comparada com a Iglesia San Francisco.
Conhecemos o Museu Nacional de Arte, onde vimos pinturas do per�odo colonial e uma exposi��o de Di Cavalcanti.

Por Jo�o

Tivemos que procurar uma m�quina fotogr�fica para o Roberto, pois a que eu emprestei a ele n�o funcionou muito bem. Procuramos em muitas lojas, mas o pre�o � o mesmo que o de Curitiba.
Comprada a m�quina, fomos at� a rodovi�ria, conversamos com algumas ag�ncias de turismo para ver a passagem para Copacabana. Compramos com a Combitur por B$18,00. O Carlos e o Roberto ligaram para a casa deles.
Saindo da rodovi�ria pegamos um t�xi p/um lugar chamado cemit�rio. Foi uma subida muito �ngreme onde pudemos ver uma boa parte da cidade. Sa�mos do taxi e fomos pegar uma Van que nos levasse a Tiwanaku. Entramos na Van e esperamos +/- 30min mas a Van n�o sa�a. Falamos com o motorista mas ele disse que s� iria sair quando a Van estivesse cheia, enquanto isso ele gritava o itiner�rio e chamando mais passageiros. Cansamos de esperar e sa�mos da Van. Pegamos outra que estava passando.
O caminho era sempre para cima. Em um momento a Van estragou e levou mais uns 15 min. para arrumarem. Enquanto isso perguntamos para um outro senhor que estava na Van como se mascava folha de coca; demos 1 boliviano a ele para que ele comprasse um saco de folhas pra n�s. Mascamos as folhas mas achamos o sabor horr�vel, muito amargo, cuspimos logo em seguida.
Arrumada a Van seguimos viagem, mas n�o por muito tempo, paramos logo em seguida para esperar mais passageiros. Come�amos a ficar nervosos pois estava demorando muito e logo fecharia o s�tio arqueol�gico em Tiwanaku. Pagamos o dobro para que ele partisse s� conosco, mas mesmo assim ainda demorou bastante.
O caminho foi muito bonito, ao fundo pod�amos ver os andes, o c�u estava muito azul. Chegamos em Tiwanaku �s 15:30 e fomos direto comprar as entradas, que nos custou B$5,00. Vimos o museu, era pequenos mas contava muito da hist�ria dos Incas e dos Aymar�s. Fomos, ent�o, �s ru�nas, vimos o Portal del Sol e o Portal de La Luna. Foi muito interessante, tiramos muitas fotos.
Pegamos uma Van para retornar a la Paz. No come�o ela n�o estava muito cheia, mas no caminho entraram 19 pessoas, dentre as quais 3 b�bados que n�o paravam de falar. Chegando no cemit�rio, o ponto final, o motorista nos ofereceu uma carona at� perto da rodovi�ria. Novamente na rodovi�ria, voltamos � ag�ncia onde compramos as passagens a Copacabana e negociamos as passagens de Copacabana a Puno, e um passeio � Isla del Sol em Copacabana mesmo.
Voltamos para o hotel, tomamos um banho e descansamos um pouco. Eu e o Carlos est�vamos torrados por causa do sol, parec�amos dois piment�es. Do hotel fomos dar uma volta para comer. Era em torno de 20:30. A cidade n�o p�ra, o com�rcio continuava aberto e os ambulantes estavam todos l�. Passeamos um pouco pelo centro, mas n�o encontramos nada que nos agradara. Depois de muita indecis�o, acabamos num Fast Food.

 

Por Roberto

Este lugar era  com certeza era o lugar mais quente de La Paz. O calor era insuport�vel e como na rua estava bastante frio o choque t�rmico foi inevit�vel. Cerca de 21:30 sa�mos da pizzaria e ainda passeamos pelas ruas centrais. � incr�vel como a cidade � movimentada at� tarde da noite. O com�rcio dava o tom do movimento. N�o havia uma rua que n�o possuisse uma "tienda" vendendo qualquer coisa. O tr�nsito �s 22:00 continuava louco e isto, para n�s, era muito diferente. At� mesmo as lojas formais ficavam abertas at� tarde. O que impressiona tamb�m em La Paz � sua geografia. A cidade � cercada por montanhas e fica situada no centro deste grande vale. Como a cidade cresceu, as casas j� deixaram de ser constru�das na parte baixa da cidade e s�o constru�das nas encostas. Quando se olha de baixo p/ cima � incr�vel pois se pode visualizar estas casas em contraste com um c�u infinitamente azul, com as montanhas e com o Illimani que � uma montanha nevada de 6490m de altitude. Em toda esta hist�ria de La Paz o que foi mais engra�ado e mais irritante foi o cara da van que nos levou at� Tihuanaku gritando que nem um louco o trajeto em dialeto Aymar�. S� entend�amos a palavra "guaki, guaki, guaki".

Voltamos ao hotel cerca de 22:00, dormimos e s� levantamos quando vieram nos acordar cerca de 7:00. �s 8:00 o onibus at� Copacabana (a deles) estava nos esperando.

 

Por Carlos

Lembrando alguns fatos que aconteceram:

Antes de pegarmos a besta que tinha o cara gritando "guaki" ficamos uma meia hora dentro de outra van. O motorista desta van estava nos enrolando, dizendo que j� sair�amos. Na verdade ele estava esperando completar a lota��o. Ficamos indignados por esperar tanto e, juntamente com outro boliviano mudamos de besta. � muito interessante a maneira como o trajeto � gritado, como j� dissemos, mas este gritador tinha uma maneira especial de gritar. Ele conseguiu nos irritar de tal maneira que demos gra�as a Deus quando sa�mos da van. Por�m, antes disso, o cabo do acelerador emperrou e esperamos meia hora o motorista e o gritador arrancarem o banco e arrumarem o carro. Depois disso eles pararam e ficaram esperando lotar a van, motivo pelo qual n�s deixamos a outra besta. Esperamos mais meia hora aquele cara gritar "guaki, guaki" sem nenhum sucesso, pois ningu�m apareceu. Eram mais ou menos 15:00 e, se sa�ssemos naquela hora, chegar�amos �s 16:00, sendo que as ru�nas de Tihuanaku s�o fechadas �s 17:00. Como n�o t�nhamos tempo, combinamos com o motorista de pagarmos a mais para que sa�sse naquele momento. Ele saiu, mas al�m de parar mais uma vez numa procura incessante por passageiros, quis nos cobrar mais que o combinado. Acho que a �nica coisa boa que aconteceu durante o trajeto, al�m da bel�ssima vista do Illimani e outros montes nevados, foram as folhas de coca compradas para n�s pelo nosso amigo Boliviano.

09/09/99 [[menu]

Por Carlos

Ficamos meio desconfiados mas n�o pudemos evitar que nossas malas fossem transportadas em cima do �nibus. A viagem foi muito bonita. Pela primeira vez vimos o lago Titicaca e tamb�m pudemos avaliar sua grandiosidade. Viajamos horas desde que o lago apareceu pela primeira vez e ele sempre esteve ao nosso lado. Chegamos em Copacabana, juntamente com a vista do lago, e fomos procurar um local para dormirmos. Ficamos no hotel A Roma n�o pela qualidade mas pelo pre�o (B$10,00 por pessoa). O quarto era triplo mas n�o tinha banheiro privado. Nem o hotel tinha banheiros. Este hotel tinha umas patentes perdidas pelo corredor. Um tinha que vigiar o corredor enquanto outro cumpria suas necessidades fisiol�gicas. O chuveiro, �nico por sinal, s� possu�a �gua quente das 17:00 �s 19:00 e das 7:30 �s 9:30. Apesar de tudo, nosso quarto tinha uma vista privilegiada do lago Titicaca.

Depois de "devidamente" hospedados almo�amos e fomos pegar o barco que nos levaria � Isla del Sol. Conhecemos muita gente neste barco. Um argentino e sua esposa israelense, um casal de belgas, um franc�s que fez a trilha inca em 3 dias e um mexicano que se chama Andreas.

A viagem pelo meio do Titicaca at� a ilha � be�ssima. Al�m da vista, o dia estava ensolarado, apesar do  vento frio. A Ilha � um espet�culo com suas escadarias intermin�veis que serviram de treino p/ a trilha inca, al�m de possuir uma paisagem paradis�aca, que n�o se deixa influenciar pela civiliza��o. � poss�vel dormir na ilha na casa de nativos, mas preferimos ficar em Copacabana j� que n�o t�nhamos muito tempo. O passeio pela Ilha dura apenas uma hora, com uma parada de quinze minutos no Templo do Sol que � o local onde nasceu o Sol, segundo a cultura local. Apesar do Robert�o e o Jo�o sempre me "encherem o saco" quanto � minha facilidade em dormir, eles se renderam ao cansa�o e tamb�m dormiram no caminho de volta. Neste fim de tarde j� n�o me sentia bem, estava com febre.

Chegando em Copacabana, encontramos o Antonio Carlos, um brasileiro que hav�amos conhecido h� poucos dias, e que acabou se hospedando no mesmo hotel que n�s. Os tr�s foram tomar cerveja na beira do Titicaca al�m de apreciar o p�r do sol. Eu preferi ir ao hotel, aproveitar o hor�rio do banho quente, porque n�o me sentia nada bem. Apreciei um pouco o por do sol da janela do quarto do hotel. Passei mal durante toda a noite at� que o sintoma da caganeira apareceu.

O Jo�o e o Robert�o trouxeram sandu�che de queijo para que eu jantasse, o que fiz juntamente com um nutry. N�o acordei bem, para dizer a verdade, n�o queria sair da cama. Sentia tontura, febre, dor de cabe�a e uma diarr�ia incr�vel. A patente que eu utilizava, at� ent�o, n�o tinha �gua, log, n�o apertava o bot�o da descarga quando terminava minha obra. S� fui aprender a utilidade dos ton�is de �gua quando vi uma su��a jogando �gua na minha sujeira.

Fomos ao hospital porque realmente n�o me sentia bem, apesar de os dois parecerem n�o entender isso. O hospital realmente nos impressionou, pois era grande, arejado e limpo, mas seu banheiro tamb�m n�o tinha papel higi�nico. Dias depois descobrimos que em qualquer lugar do Per� e da Bol�via este � um servi�o pago e, al�m de tudo, caro. O m�dico diagnosticou intoxica��o alimentar e receitou amoxicilina 500g e parecetamol 500g.

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