Chegando ao local do massacre, vemos o General do Norte passar as últimas recomendações: - Acabem com qualquer sobrevivente e depois incendeiem o lugar. Quando terminarem com tudo podem se reunir aos outros no Palácio Celestial.
- Sim, senhor! - respondeu prontamente o oficial.
Bishamonten então mergulhou em pensamentos "O mais famoso e poderoso clã do Mundo Celestial, o clã Yasha. Que pena ter esse fim, não?...
Era só esse pensamento que vinha à mente do garoto que cuidara de Ashura. "Por que tudo isso aconteceu? Por quê?!?"
Mas apesar do choque, alguém o puxava de volta à realidade. Era o ancião da aldeia, que mortalmente ferido, puxou levemente a blusa do garoto. - Venerável, o senhor!...
- O clã Yasha foi destruído... - falou agonizante o idoso. - Encontre nosso senhor... Faça de tudo para continuar vivo até encontrá-lo... Diga-lhe para que não pense em nos vingar... diga que...
Seus lábios foram silenciados para sempre. Em vão o garoto gritava: - Venerável, aguente firme, por favor! Venerável!!!
Enfim, percebendo que nada mais havia a fazer ali, o garoto começou sua luta para escapar ao cerco do exército de Bishamonten, cumprir com o último desejo do ancião...
Mas seus esforços foram inúteis. De repente, surgiram por entre os arbustos que usava como cobertura, dois dos soldados do Imperador. Um deles comentou: - É só um garoto...
- Pode ser um garoto - retrucou o outro - mas é do clã Yasha.
- É verdade... - concordou o primeiro com um sorriso cruel nos lábios.
O pobre menino nem teve tempo para tentar se defender. A única coisa que percebeu é quem seu braço não mais estava ligado ao seu corpo, e o choque e a dor quase o fizeram desmaiar. Mas ainda assim conseguiu ouvir seus algozes: - Com este são cinco para mim.
- Eu já peguei mais de sete - retrucou o companheiro, ambos indiferentes à face horrorizada de sua vítima "Não pode ser verdade! Não pode ser verdade!!! O clã Yasha não pode ter sido destruído assim! Nos salve, rei Yasha!"
- Mas essa desgraça toda não teria acontecido com o clã Yasha se o monarca deles não tivesse escondido aquele bebê do clã Ashura. - continuou o soldado a falar. - Não consigo deixar de sentir pena do fim de todo esse clã.
"Se não tivéssemos escondido Ashura não teria acontecido isto conosco?" pensou o garoto, enquanto lembranças recentes vinham à memória: "Por que razão o nosso rei trouxe a criança proibida Ashura?" "Venerável Ancião! Por que motivo nosso monarca ainda insiste em esconder aquele bebê?" perguntavam os soldados há pouco tempo.
"É mentira. É MENTIRA!!!" gritava o garoto em seus pensamentos "O rei Yasha não pensaria na destruição de seu próprio povo. Isso é mentira, não é, rei Yasha? Diga que é mentira, por favor, rei Yasha!!!"