- O que pode fazer voltando agora para a vila Yasha? - indagava Ashura Negra. - Pare com isso, já que o destino deles é serem destruídos. Eu não disse? Me despertar só traria um inferno ardente para esta terra... mas mesmo sabendo disso, insistiu em me trazer de volta à vida! Ao egoísmo de seu monarca seguiu-se o destino do clã Yasha.
- Cale-se Ashura. - ordenou o rei Yasha ainda furioso.
Sorrindo, Ashura Negra respondeu: - Já disse o que queria. Vou me retirar.
A infante desmaiava com a retirada da poderosa entidade, sendo prontamente amparada por seu protetor. Logo, ele tomava seu rumo, a vila Yasha.
Percebendo isso, Kujaku tentou detê-lo: - Hã... rei Yasha... Mesmo que vá será inútil. Não foi o que Ashura mesma disse?
O rei Yasha respondeu prontamente: - Eu sou o monarca do clã Yasha. Tenho de proteger meu povo, mesmo que tenha restado somente uma pessoa dele.
E assim dizendo, partiu deixando para trás Kujaku gritando por ele. Sozinho novamente, Kujaku suspirava: - Não importa o que façamos, o destino, o rumo traçado pela profecia de Kuyou, não muda?...
"Com a volta de Ashura, a roda do Destino começou a se mover... E a destruição do clã Yasha também faz parte desse destino." concluiu o jovem.
Sem saber destas palavras, o guerreiro e a criança rumavam em direção da vila Yasha celeremente. Nas proximidades, Ashura comentou: - Sinto cheiro de sangue, Yasha...
E logo à frente, o motivo se apresentava: o menino agonizante arrastava-se para cumprir com sua última missão. Ashura muito preocupada saltou de pronto, indo correndo para o lado de seu amigo: - Mano, aguente firme, seja forte! - gritava ela.
Em meio às brumas da dor e da agonia, o garoto percebeu a presença de Ashura. E assim que a realidade, na voz dela, voltou à sua consciência, ele afastou abruptamente a infante de perto de si: - Você! - rosnou em delírio - Por sua culpa todos morreram! Me devolva eles! Me devolva a minha vila, o meu povo! Se você tivesse morrido nada disso teria acontecido! Sua assassina! Eu odeio você!!!
Nisso o rei Yasha tentava controlar o ânimo de seu súdito: - Pare com isso, fique calmo! - disse ele afastando o garoto.
- Ah, rei Yasha, é o senhor? - sorriu sinceramente o garoto - Não volte para a vila, senhor, ela já não existe mais.
- O quê?!? Aguente firme! - foi o que conseguiu dizer surpreso o monarca, ao que o garoto continuou, com suas últimas forças:
- "Fique vivo até encontrar o nosso senhor... custe o que custar! Diga para ele que não pense em nos vingar..." foram as últimas palavras do Venerável Ancião... Boa sorte nas próximas batalhas... meu senhor...
Em desespero, o rei Yasha não conseguia aceitar o fim de todos os seus protegidos: - Não morra, é uma ordem! Que tipo de monarca imprestável não consegue proteger nem um único súdito?
- Um monarca... ridículo... - murmurou o rei Yasha, respondendo a si mesmo, enquanto curvava-se sobre o corpo do menino que partia.
"É culpa sua!" ressoava a voz do menino na mente de Ashura "Por sua culpa todos morreram! Eu odeio você!"
Os dois enterraram o menino numa sepultura simples. Apenas um marco indicava que ali era o local do último repouso de uma pessoa. Emoções muito fortes batiam no peito jovem de Ashura, enquanto contemplava aquele túmulo. Se antes não sabia o que era a morte, quando contemplou Kuyou, agora entendia pela primeira vez essa perda. - Yasha... - murmurou ela.
- Sim, Ashura? - respondeu gentilmente o rei Yasha.
Lágrimas brotavam de seus olhos, quando perguntou: - Ashura... Ashura é quem é culpada? O mano morreu por culpa de Ashura?... Foi?...
- Não - respondeu o rei Yasha - Não foi culpa sua.
"Foi daquele maldito" pensamentos coléricos tomavam a mente do rei Yasha "Não bastasse o clã Ashura e o antigo Imperador, agora ele destrói o meu povo. Nunca me esquecerei desse massacre. Vou cumprir com a profecia de Kuyou: reunir as Seis Estrelas, destruir o Mundo Celestial e acabar com você, Taishakuten!"
Voltando-se para a criança, o rei Yasha disse: - Agora o meu clã também foi destruído. "Clã Ashura", "clã Yasha" tornaram-se cinzas, estou na mesma situação que você.
- Vou partir agora para um dia destruir Taishakuten - continuou o guerreiro - Você no entanto ainda é muito jovem... Virá comigo, Ashura? Ou então...
- EU VOU! - foi a resposta firme da criança. - Vou ficar junto de Yasha! Se Yasha for sozinho vai ficar triste. Por isso Ashura vai junto.
- Eu vou ficar sempre, sempre junto de você... - concluiu Ashura abraçando seu protetor, que comovido só conseguiu dizer "Ashura".
- E o destino reuniu Ashura ao rei Yasha - alguém nas árvores acima comentava - As Seis Estrelas se unirão. Para expurgar todo o Mal, a rubra chama da flor de lótus transformará esta terra numa prisão ardente...
Vemos então que é aquele jovem Kujaku quem nos fala: - Muito mais quente que qualquer fornalha do inferno. As Seis Estrelas contra o Imperador. A roda do Destino nas mãos de Ashura. Realmente... para onde será que ela irá girar?...
Com um sorriso matreiro ele conclui: - Vai ficar interessante por isso fiquem com a gente! (ainda deu tempo de resmungar a respeito de uma boa idéia que teve...)
próximo capítulo: Festival das Estrelas (mas não tem nada a ver com Hebe Camargo, Ana Maria Braga ou coisa do gênero - me desculpem mas aqui digo: bleeeeeerrrrrrgggggghhhhhh!!!!!)