A vila Yasha estava em polvorosa. Os gritos das mulheres e o choro das crianças era desesperador... Os soldados tentavam manter um pouco de ordem, mas muitos gritavam "Ataque inimigo!" "Apaguem o fogo!"
- Ei!, replicou um dos soldados, se é um ataque inimigo, quem é o nosso inimigo?
- Vejam ali! - outro soldado respondeu - Aquela não é a bandeira do exército do Imperador?
- Não pode ser!... - os soldados murmuravam - aquele ali é...
- Venerável Ancião, o que está acontecendo? - perguntavam as mulheres ao idoso. "Aquele... aquele senhor é... o subordinado direto de Taishakuten, o General do Norte, Bishamonten"

- Oh! - gemeu o ancião - o que eu mais temia aconteceu...
- Venerável, estamos cercados por todos os lados pelo exército do Imperador. - informou prontamente um dos soldados.
Apesar de serem valentes guerreiros, logo os soldados da vila Yasha perceberam a situação desesperadora em que se encontravam. Alguns até questionavam os atos de seu monarca. "Será que se nosso senhor não trouxesse aquele bebê não estariamos nesta situação?" dizia um, enquanto outro ia mais longe ainda "O que nosso senhor estava pensando quando troouxe aquele mau agouro para nossa vila?"
O garoto que cuidou de Ashura se indignou com tudo isso: - Ashura não trouxe nenhuma desgraça para nós. Ela até me salvou!
Mas os soldados não estavam com paciência para explicar a situação ao menino. Apenas o repreeenderam dizendo que ele ainda era muito criança e não entendia nada, pois por causa daquela criança todos eles seriam destruídos.
A situação continuaria assim indefinidamente, se a voz calma do ancião não interrompesse essa discussão: - Fiquem todos em silêncio. Devemos acreditar que nosso senhor tinha um motivo para agir desta forma. Talvez fosse nosso destino ocultar aquela criança sobrevivente do clã Ashura; isso nós nunca saberemos. O que sabemos é que Bishamonten está na frente de nossos portões, e assim nosso destino também nos alcançou. Esta será nossa recompensa, morrer lutando. É um bom final para um povo guerreiro...
Enquanto isso, a armada do Imperador preparava-se para desferir o golpe fatal na aldeia condenada. Um dos oficiais perguntou ao General do Norte: - Meu senhor Bishamonten crê que eles vão resistir muito?
O superior respondeu serenamente: - Claro. Afinal eles são o clã Yasha, os mais poderosos guerreiros do Mundo Celestial. Eles não vão se entregar sem lutar muito. Acha que a destruição de um clã é assim tão fácil?
- Ah, e não deixem nem mesmo bebês sobreviverem. - Bishamonten deu as últimas instruções - Pois essa criança será nossa destruidora no futuro.
Logo a batalha se iniciou. Era desolador ver uma aldeia ser atacada por um exército inteiro. Os defensores da aldeia Yasha não amoleciam, mesmo quando tinham de lutar contra três ou mesmo quatro inimigos de uma só vez, mas seu destino estava traçado.
Os reflexos da batalha alcançaram o Palácio Celestial. Hanranya, a irmã gêmea de Kuyou, invocava visões em seu espelho de águas sagradas. Ao contrário da sua irmã, Hanranya servia dedicadamente Taishakuten. Suas feições eram um retrato da irmã, mas uma única coisa nos incomoda: um véu que cobre seus olhos.
- Conseguiu, Hanranya? - perguntava o Imperador Taishakuten, ansioso por não perder a contenta.
- Sim, meu senhor Taishakuten - respondeu a moça - meu espelho de águas alcançou seu limite, mas o senhor pode agora assistir.
- Então começou... - comentava Taishakuten - Por mais que o clã Yasha seja poderoso, sua destruição é certa, pois não há como enfrentar o exército inteiro de Bishamonten.
Hanranya preocupada perguntou: - Mas meu senhor Taishakuten, o clã Yasha não é subordinado do General do Norte, Bishamonten? Se a vila Yasha for destruída, o lado norte do Mundo Celestial ficará vulnerável ao perdermos soldados tão valorosos.
- Não há nada com o que se preocupar - respondeu o soberano - Tudo continua o mesmo, se tal função passar para o clã Karla ou para o clã Dragão. Sempre podemos substituir um braço por outro, como fizemos antes. Preocupe-se mais o surgimento das "Seis Estrelas" dessa criança profetisada.
- O núcleo das Seis Estrelas é a filha do rei Ashura, selada ao destino do rei Yasha. - comentava Taishakuten - A roda do Destino do Mundo celestial começou a girar.
O olhar do Imperador tornou-se distante, como se estivesse ao lado das pessoas de quem falava: - O próprio rei Yasha ainda não sabe que é uma das "Seis Estrelas", que coisa! Se continuar assim, todas as Seis Estrelas se unirão à causa de Ashura. Quando as Seis Estrelas se unirem, será o fim do Mundo Celestial, e a paz porque tanto lutei terá seu fim. E isso eu não posso permitir!
- Essa paz é algo muito valioso- dizia ele determinado - E ninguém destruí-la! Pois eu me tornei Imperador para garantir a paz do Mundo Celestial. E para isso alguns sacrifícios são necessários de vez em quando. É preferível que o clã Ashura e agora este clã sejam sacrificados à terra que os concebeu.
Sorrindo maliciosamente ele concluiu: - Uma gota a mais desse clã não fará grande diferença, não concorda?
- Como quiser, meu senhor... - respondeu Hanranya, enquanto perseguimos os vislumbres da batalha que se desvaneciam no espelho de Hanranya.