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- Onde nós vamos, Yasha? - perguntava curiosa Ashura.

- Há alguém que quer conhecer você. - responde o rei Yasha. - Nós vamos visitar essa pessoa.

Chegando ao templo em ruínas, o rei Yasha chama pela sua amiga: -Kuyou, sou eu. Trouxe o bebê que você profetisou. Kuyou?...

- Kuyou! - grita horrorizado o rei Yasha ao encontrar sua amiga cravada na parede com o próprio shakujo*.

A pequena Ashura até então nunca se deparara com a morte, e indagava ao seu angustiado protetor: - O que essa moça tem, Yasha?

- Bem que eu lhe avisei, não? - uma voz familiar alcança os ouvidos do rei Yasha. - Isso lhe traria um azar enorme...

Prontamente o rei Yasha recupera sua compostura: - Foi você quem a matou, Kujaku?

- Eu não! - responde com um sorriso matreiro o jovem. - Você conhece seu superior direto, não? O General do Norte, Bishamonten...

- Achava mesmo que Taishakuten não seguiria você? Mas como você é sossegado, heim? - repreendia Kujaku - Agora você é realmente considerado traidor, rei Yasha. Você sabia que Kuyou acabaria assim por ter escondido Ashura, não sabia?

- Agora, concluiu o jovem, a criança profetisada por Kuyou moverá a roda do destino. E esta terra se tornará o inferno.

Enquanto os dois conversavam, a inocente Ashura se aproximou da falecida Kuyou, cujo sangue escorria pela parede. Kujaku comentava: - A partir de agora não há mais volta para você e Ashura. Afinal, as estrelas assim decretaram que até algo assim aconteceria. Por isso eu disse que ela traria azar. Era melhor ter escutado o ancião da vila Yasha.

Mas o rei Yasha parecia não escutar o que Kujaku dizia, e perguntou: - Por quê, Kujaku? Por quê assistiu Kuyou ser assassinada sem fazer nada? Responda, Kujaku!

- Por quê? - responde o jovem matreiramente - Oras, porque não era da minha conta.

- Ora, seu!... - rosna furioso o poderoso guerreiro, desembainhando a espada. Ninguém percebeu que Ashura agia estranhamente, depois de provar o líquido escarlate que provinha de Kuyou. Bem, Kujaku estava um pouco ocupado tentando manter sua cabeça no lugar, literalmente falando, pois o rei Yasha atacava-o sem pensar em mais nada...

- Ei, espera um pouco - replicava o jovem, enquanto o guerreiro aparava de forma grosseira seus cabelos - acho que não temos tempo para brincar assim não! Depois de acabar com Kuyou, para onde Bishamonten pode ter ido? Será que não percebe?

- Cale a boca! - gritava o rei Yasha (eu disse que ele não é muito inteligente)

- O Imperador Taishakuten não costuma perdoar o que ele considera traição. - explicava insistentemente Kujaku - A esta hora a vila Yasha está...

- Huhuhuhu... - escarneava zombeteira uma voz conhecida - Esta terra já deve esta começando a sentir o sabor do inferno, não?

Era Ashura quem falava. Mas não a doce infante que cativava a todos. Uma voz mais experiente saia de seus lábios. Experiente e cruel: - Por isso eu avisei... que se despertasse o que era proibido, huhuhu... essa pessoa pagaria... um alto preço...

Ashura Negra

O rei Yasha não podia acreditar naquela transformação. Só conseguiu gritar o nome da infante, ao que ela concluiu: - O que acha de ser o último de sua linhagem, rei Yasha?

- O quê, Ashura? - perguntou confuso o rei Yasha.

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menu de estórias do Volume 1.

*Shakujo: bastão que monges budistas e shintoístas costumam usar. O monge de Samurai Troopers - aqui conhecido como Samurai Warriors [bléerrrrghhh!!!] - usava um parecido. Dizem que o som de seus anéis metálicos é desagradável para os espíritos maléficos.  

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