- O quê? - pergunta surpreso o rei Yasha enquanto veste sua armadura de combate - Querem que eu leve Ashura ao campo de batalha?
Os soldados pareciam muito agitados com a presença da criança: - Sim, senhor. Se aquela coisa crescer de novo, colocará as mulheres e as crianças na vila, em perigo.
- Com todos os homens ocupados em combater os demônios - completou um outro soldado - os que ficarem na aldeia estarão indefesos contra qualquer ameaça.
Um clima de tensão pairava no ar. A infante nada compreendia daquela discussão perguntando insistentemente "O que é que eles estão falando?" ao jovem Kujaku, que parecia um pouco surpreso com a atitude do rei Yasha. Até que ele simplesmente sugeriu: - Por que não a leva junto, rei Yasha? Afinal, eles devem estar ansiosos por se livrar dela, e seria o momento perfeito para fazer isso, enquanto você estivesse ocupado com os demônios...
Claro que uma afirmação dessas provocaria a indignação dos soldados, mas Kujaku não parecia se importar muito. Apesar fitava zombeteiramente o rei Yasha, com um sorriso matreiro no rosto, até que o monarca se decidisse.
- Venha, Ashura. - chamou o rei Yasha, sendo prontamente respondido com um apertado abraço da infante, que parecia ter percebido quão perto estivera de ser abandonada.
- Muito obrigado pela saborosa refeição...
- Kujaku?... - replicou o rei Yasha voltando-se para fitar esse misterioso jovem, mas encontrou somente o assento vazio. Isso também surpreendeu a todos os outros presentes no salão, uma vez que ninguém viu o rapaz sair.
- Que pena, foi embora... - disse simplesmente Ashura.
Todos se puseram a caminho. O rei Yasha comandava o movimento da aldeia: - Peguem os cavalos! Sairemos pela frente!
Os soldados animados seguiam seu líder, na defesa de seu mundo contra os demônios. Ashura animada compartilhava desse entusiasmo, contrapondo-se com o semblante preocupado do rei Yasha. Logo estavam de cara com os monstros do mundo exterior.
O rei Yasha não perdeu tempo, desembainhando prontamente a famosa Yama-tou. A lâmina brilhava como se tivesse vida, como se soubesse ser necessária. Realmente uma arma formidável.
No entanto, talvez pela visão da espada, talvez por ser ainda muito pequena assustando-se com a visão dos demônios, Ashura escorregou da montaria de seu protetor. Por um momento, o desespero percorreu o semblante do rei Yasha, enquanto a infante gritava por ele. Mas só por um momento. Logo o garoto que o encontrara antes tomava a infante sob sua guarda: - Rei Yasha, estou aqui!
- Tome conta de Ashura. - pediu o rei Yasha, sorrindo para os dois.
- Sim, senhor!
O garoto admirava muito o monarca. Ele observava atentamente cada ataque do rei Yasha, anseando ser um guerreiro tão forte quanto o seu senhor: - Quando eu crescer - dizia ele para a infante Ashura - eu serei um guerreiro tão forte quanto o rei Yasha, e protegerei o mundo celestial desses demônios também.
Tão absortos estavam assistindo à batalha, que os dois nem perceberam a aproximação de um dos demônios até ser tarde demais. O garoto apavorado não conseguia encontrar uma rota de fuga, e os dois estavam à mercê do enorme demônio.
À visão da horrenda criatura de aspecto ofídico, algo no íntimo de Ashura despertou. Fitando intensamente a criatura, seus olhos ardiam como se chamas queimassem sua alma. Logo essas chamas tomavam forma nas mãos da infante, e lançava uma enorme labareda contra o monstro. Num instante, tudo estava terminado, o demônio agonizava e desaparecia da face da terra.
Aliviado, o rei Yasha tomava sua posição de líder e verificava se seus súditos estavam bem. Enquanto isso, o garoto elogiava Ashura: - Na vila disseram que você traria desgraças, mas agora você acabou de me salvar. Você é forte mesmo, heim?
- Ashura - chamou o rei Yasha pela infante, sendo prontamente respondido por ela, que saltava para os braços de seu protetor. Enquanto isso, o rei Yasha passou instruções para o garoto: - Volte com os outros para a vila.
Surpreso, o menino perguntou: - Sim, senhor. Mas o senhor não voltará conosco?
- Eu tenho de ir ver uma pessoa. - respondeu o monarca. - Cumprir com uma promessa que fiz a ela.