Ao ar livre, Ashura começou a correr e brincar como a criança que era. Preocupado, o rei Yasha a advertia: - Não se afaste muito, senão pode alcançar a barreira.
Sua curiosidade infantil logo foi despertada com um movimento por entre a folhagem de uma árvore. De repente, alguém cai de lá e fica prostrado no chão. Um jovem de cabelos lilás, balbucia algumas palavras para a preocupada criança, que lhe perguntava se estava bem: - Estou... com... fome... - E desmaia enquanto Ashura informa o rei Yasha do que o rapaz sofria.
Dentro da tenda principal, o jovem se recuperou rapidamente agradecendo seu anfitrião: - Eu pensei que não aguentaria, muito obrigado. Calculei mal, e fiquei sem provisões na viagem.

Desconfiado, o rei Yasha comentou: - Que nome estranho, Kujaku... (pavão, em japonês)
- Mais estranho ainda, retrucou felinamente o rapaz, é chamar uma criança pelo nome proibido de Ashura. Orelhas pontudas... (puxando as orelhas da menina, brincando)
- Olhos dourados - continuou Kujaku, tocando carinhosamente o queixo da criança - todas estas características são exclusivas do clã Ashura. Se não me engano esta criança aqui deve ser a descendente direta da realeza desse clã!
Enquanto a infante continuava sua refeição em seu colo, Kujaku continuava:
- O Mundo Celestial se orgulha de ter reinos com características bem definidas. Desde os súditos que normalmente são mortais e vivem algo em torno de 100 anos, até seus governantes que vivem além de 3000 anos, todos numa tribo possuem tais características, mas elas se sobressaem mais nos regentes, que quando atingem a maturidade tomam para si o nome do clã.
Sorrindo, Kujaku gracejou: - Que sorte, heim, rei Yasha? A criança profetisada por Kuyou ser uma gracinha dessas. Se bem que parece mais um filhotinho de porco, do jeito que come... Mas...
- Será que não é muito arriscado cuidar de uma criança destinada a destruí-lo, rei Yasha? - concluiu matreiramente o jovem - Não que eu seja a melhor pessoa no mundo para aconselhar sobre os passatempos e hobbies das pessoas, mas...
O rei Yasha deu um salto, percebendo que o jovem sabia da profecia de Kuyou (se bem que ele devia ter percebido que entrava em terreno perigoso, quando Kujaku mencionou o clã Ashura. Mas nosso herói é meio devagar das idéias...): - Quem é você?
Sorrindo amarelo, Kujaku responde: - Não sou ninguém importante, rei Yasha. Sou só um viajante no meio do caminho. Aiaiaiaiaaaaaaaiiiiiii!!!!
O rei Yasha agarrava o rapaz pelos cabelos enquanto Kujaku protestava. E declarou: - Olhos de cor violeta, cabelos liláses, você tem todas as características de um demônio. Mas como consegue ficar dentro da barreira? Somente as pessoas do mundo celestial conseguem permanecer dentro da barreira da vila Yasha.
Ao que Kujaku respondeu: - Ora, isso é...
- Segredinho! - concluiu ele enquanto punha Ashura bem no meio dos dois, que a esta altura só gritava "O moço não fez nada ruim! Ele não fez nada!!!"
- Senhor! - irrompe abruptamente um soldado na tenda - Aconteceu algo terrível! A barreira oeste caiu!