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Saindo da floresta, o rei Yasha tencionava levar à sua amiga Kuyou o bebê que encontrara. Mas nunca a vida é como queremos...

- Rei Yasha! - fez-se ouvir um grito jovem - finalmente encontrei o senhor!

Um menino de 8 anos aproximara-se do jovem monarca, implorando-lhe: - Por favor, senhor! Volte à aldeia. Fomos atacados pelo povo demoníaco e não sei por quanto tempo a barreira irá resistir!

O semblante sério do rei Yasha já mostrava sua decisão. Tomando as rédeas da montaria do rapaz, e pedindo-lhe que carregasse sua frágil carga, ele preparava-se para retornar a seu reino.

- Quem?... - surpreendeu-se o menino com o bebê.

- O seu nome é Ashura. - respondeu-lhe o monarca - É a única sobrevivente de um povo que foi exterminado há 300 anos.

Realmente o seu povo corria perigo. Gigantescas figuras demoníacas tentavam por todos os lados atacar o seu vilarejo, cuja única proteção era a barreira de energia. O rei Yasha para entrar em seus próprios domínios projetou em si e naqueles que o acompanhavam uma barreira para os protegerem e também para penetrar com mais facilidade na própria barreira da vila.

Os seus súditos ficaram aliviados com a volta de seu senhor. Alguns gritavam seu nome, enquanto aqueles com posto mais importante desculpavam-se pelo fato de não terem conseguido deter sozinhos os demônios: - Eles apareceram de repente. Quase não conseguimos erguer a barreira.

O rei Yasha logo controlou a situação. Entregando o bebê que segurava aos cuidados do menino começou a dar ordens: - Aumentem a barreira na parte oeste da vila.

Enquanto isso, por onde passava o bebê trazia sorrisos nos rostos das mulheres da vila. O garoto levou sua protegida até a tenda central, onde depositou sua carga num confortável cesto, admirando a delicadeza da criança.

Os homens da vila exultavam a volta do monarca enquanto cumpriam as ordens deste. Agora aliviados, zombavam dos demônios que os cercavam: "Parece que eles ainda não sabem que o rei Yasha voltou." "Coitados, a sua destruição agora está próxima." "Se nosso senhor não tivesse voltado, provavelmente estaríamos numa situação difícil."

Mas esse clima descontraído logo se transformou. A bagunça juvenil cedeu lugar para um múrmurio nervoso, que o rei Yasha logo percebeu, ao redor da tenda central: - O que está havendo aí?

Ao entrar, uma árvore similar ao que encontrara na floresta Maya se projetava à sua frente. Os soldados assustados reportavam o que acontecera:

- É o bebê que o senhor trouxe, rei Yasha. De repente isso começou a crescer e o envolveu completamente.

- Tentamos tirá-lo de lá - completou um segundo subordinado - mas nossas espadas e mesmo nossos machados são inúteis!

"Será," imaginava o rei Yasha "que ela percebeu a ameaça dos demônios e construiu isso para se proteger?" Mas sem pensar duas vezes, tomou novamente da espada Yama-tou e aproximou a lâmina da árvore. Esta cedeu instantaneamente, e como um casulo que liberta sua borboleta, ela nos concede a visão da sua protegida: não mais um bebê, e sim na forma de uma criança de aproximadamente 4 anos de idade. Maravilhados com tal transformação, os soldados se afastam da criança. Somente o rei Yasha se aproxima dela: - Ashura.

Esfregando seus olhinhos, e com um semblante feliz, a criança chama o seu protetor pelo nome: - Yasha! - atirando-se aos braços fortes dele (segurando-se ao cabelo dele, o que se tornará mania dela).


A doce Ashura

Depois de apropriadamente vestida, só escutamos protestos angustiados de uma voz experiente na vida: - Meu senhor isto não pode ser! Por favor, não faça isso!

Era o ancião da vila Yasha. Temeroso com as ações impetuosas de seu jovem senhor, ele o advertia: - Meu senhor, esconder assim uma criança condenada do clã Ashura, só trará a ira de nosso Imperador Celestial.

- Por Imperador você se refere àquele usurpador Taishakuten? - respondeu indiferente o rei Yasha.

Desanimado, o ancião o repreendeu: - O senhor ainda é jovem. Não sabe a crueldade que move nosso Imperador Celestial, Taishakuten. Não viu a batalha terrível que se desenrolou há 300 anos. Nem mesmo da pobre princesa Kishou-ten ele teve pena, encarcerando-a assim que assassinou o pai da moça, nosso antigo Imperador Tentei. Ele é um assassino, essse Taishakuten.

- Eu sei o que aconteceu, retrucou o jovem monarca enquanto tentava desastradamente arrumar o cabelo de sua protegida. A única sobrevivente do clã Ashura até agora era a sacerdotisa e também esposa do rei Ashura, Shashi. Agora ela é esposa de Taishakuten.

- O Imperador Taishakuten não é uma pessoa que fica apenas na suspeita. - avisa o ancião - Se algo o incomoda, ele não pensa duas vezes em exterminar o motivo de suas preocupações.

As palavras do ancião tomam um tom mais ameno, como se estivesse no passado: - O rei Ashura foi um monarca esplêndido, um cavalheiro de verdade... Até o final, ele não abandonou a guarda de seu senhor...

- O clã Ashura seguiu o destino de seu líder e foi exterminado.- continuou o ancião - Por favor me escute, meu senhor. Manter tal criança conosco seria o mesmo traição para o Imperador Taishakuten. A não ser que... Meu senhor, o senhor pretende destruir nosso clã?

- Não diga bobagens - retrucou exasperado o rei Yasha.

Enquanto conversavam, o rei Yasha observava sua protegida que estava agora sob os cuidados de uma dama real que lhe arrumava o cabelo. O ancião continuou:

- Então eu peço, meu senhor, livre-se dessa criança.Eu entendo sua simpatia para com o rei e o clã Ashura, mas não deixe que isso nuble seu julgamento, meu senhor. Depois que o clã Ashura foi destruído, coube ao clã Yasha zelar pela segurança do mundo celestial, impedindo os ataques dos demônios do exterior. Se o clã Yasha deixar de existir o mundo celestial ficará muito mais vulnerável. Assim, mesmo sendo cruel, é melhor que abandonássemos essa criança, pois se o exército do mundo celestial nos atacar não teríamos como protegê-la e seguiríamos o mesmo caminho do clã Ashura. Ela de qualquer forma está condenada, não importa o que façamos... Pense um pouco no seu povo, meu senhor!

A tudo isso o rei Yasha escutou pensativo enquanto contemplava a sorridente criança. Em seu coração, ele já sabia que não poderia abandoná-la a sua própria sorte, não importava o que lhe acontecesse. Mas não compreendia isso ainda e apenas respondeu: - Vou vistoriar a barreira que protege nossa vila. E saiu, apesar dos protestos do ancião e dos seus avisos.

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