Cap�tulo 7 - A Luz atrai para as Trevas
- Harry� voc� est� bem? � ele percebeu que Tathy soou horrorizada.
Harry olhou a sua volta, a porta de seu quarto estava semiaberta, as cortinas balan�avam com a for�a do vento, e dava para ouvir a f�ria da ventania transmitida nos barulhos que ela fazia, como uma can��o devastadora. Harry havia esquecido de fechar a janela, provavelmente uma tempestade se aproximava.
Ele estava totalmente embolado em seus cobertores, quase caindo da cama, e Tathy estava sentada ali ainda o encarando.
- Eu n�o sei... � disse atordoado levantando e encostando-se � cama.
- Voc� estava berrando, e murmurava algumas frases sem sentido � Tathy falou vacilante � Eu pensei que algu�m estava aqui tentando te matar.
- N�o � Harry falou vagarosamente recuperando a mem�ria � Eu tive um pesadelo com Voldemort, s� que desta vez foi pior. Foi como se ele estivesse aqui realmente, como se ele transmitisse a raiva dele pra mim! � Harry parou passando a m�o pela cicatriz dolorida � Alguma liga��o mais forte, como se ele conseguisse me matar aos poucos.
Tathy franziu as sobrancelhas, ela estava prestes a chorar.
- Harry, eu tenho tanto medo que algo ruim aconte�a com voc�... � ele fez um esfor�o para entender o que Tathy disse, porque ela colocou a m�o sobre a boca � Eu n�o sei o que eu faria, eu estou t�o confusa...
Ele se sentiu meio culpado por isso, o que havia se passado pela cabe�a dele para contar tudo o que tinha sentido durante o sono. Harry jamais contou tudo o que se passava com ele pra ningu�m, at� mesmo para Rony e Hermione que eram seus melhores amigos, ele n�o contava absolutamente tudo. � �bvio que sonhar com o Lord das Trevas n�o � algo comum, e menos ainda acordar berrando de dor, isto j� assustaria muitos bruxos. E ele ainda tinha que dizer que sentia que Voldemort estava matando-o aos poucos? N�o foi prudente da parte dele, e � claro que Tathy entraria em p�nico.
- N�o se preocupe � sussurrou abra�ando ela � Eu n�o vou deixar que nada de mal aconte�a, olhe pra mim, eu estou bem!
Ela olhou para Harry com os olhos verdes cheios de l�grimas, mas ainda tinham uma express�o firme:
- Eu n�o quero te perder � falou sinceramente � Jure que voc� n�o vai esconder nada de mim? E que vai sobreviver, por favor!
- � claro � ela pegou nas m�os dela como se quisesse anima-la � Deixe pra l�, eu acho que esse sonho n�o teve import�ncia, talvez foi um del�rio.
- E eu estou come�ando a ter uma id�ia e n�o estou gostando dos meus pressentimentos � ela falou � Eu acho que esses pesadelos significam que est� ficando cada vez mais perto o dia de voc� e o Riddle se enfrentarem definitivamente.
- Se estiver, eu vou estar preparado � Harry garantiu com um tom de determina��o.
Ela fitou Harry, ele estava muito seguro de si. E ele tinha raz�o, se existia algu�m na face da Terra que poderia vencer Voldemort, esse algu�m seria ele. Por�m isto n�o fazia Tathy se sentir menos preocupada neste momento:
- Eu vou chamar o Rony e a Hermione � sugeriu Tathy levantando rapidamente.
- N�o incomode eles! � disse Harry puxando-a pela m�o � Isso s� faria eu me sentir duplamente culpado.
- Por qu�? � perguntou intrigada.
- Primeiro porque eu preocuparia mais duas pessoas com os meus problemas, e segundo � Harry sorriu com uma express�o travessa � eu definitivamente odiaria atrapalhar um encontro dos dois � noite!
- Harry! � exclamou Tathy com a voz esgani�ada � Francamente, voc� ainda tem cabe�a pra pensar nesse tipo de coisa! E os seus argumentos n�o me convenceram...
- Vamos ser realistas � insistiu � isto seria bem poss�vel.
Ela sorriu.
- Eu ainda acho que devo cham�-los � falou seriamente � Isto n�o � o tipo de coisa que n�o devemos dar import�ncia.
Harry olhou fixamente para o ch�o, desde do primeiro momento segurava a m�o dela. Depois de alguns instantes em reflex�o ele olhou profundamente nos olhos de Tathy:
- S� fique aqui comigo � pediu suavemente � Isto j� basta pra mim.
Ela lan�ou um olhar imparcial a Harry, e relutante concordou com a proposta dele.
Eles ficaram em sil�ncio, talvez porque tudo que havia acontecido precisasse de um tempo para se digerido.
E Tathy travava uma batalha contra seus impulsos, porque seus pensamentos se desviaram totalmente dos sonhos ruins de Harry, para o fato do cora��o dela estar batendo com mais for�a do que o normal.
Harry contemplou Tathy sentada na cama, ela olhava fixamente para a noite que entrava no quarto pela janela. Ele encostou a cabe�a no travesseiro deitando novamente.
Harry n�o podia deixar de sentir uma pontinha de afli��o por sua liga��o com Voldemort provocar efeitos colaterais t�o pr�ximos da realidade, isto o incomodava.
Harry fechou os olhos e sentiu a m�o delicada de Tathy junto � dele. Por alguma raz�o inexplic�vel ele sentia que segurar a m�o dela era uma sensa��o t�o boa.
Na verdade, Harry pensou, a simples presen�a dela me deixa feliz!
E ele demorou mais algum tempo sonhando enquanto sentia que Tathy estava perto dele e segurava sua m�o.
- Est� doendo? � Tathy soou um tanto protetora.
- Antes do�a mais � Harry respondeu abrindo os olhos � Ainda minha cicatriz est� dolorida, fora isso acho que est� tudo bem.
- O qu� exatamente voc� sonhou? � ela lan�ou um olhar de maior aten��o a Harry.
- Eu sonhei que Voldemort estava no mesmo lugar que a gente naquela madrugada que eu fui te procurar, e ele havia ido para... digamos, acabar comigo de uma vez por todas. Mas ele chegou tarde demais, e parece n�o ter aceitado isto nada bem... ent�o ele se zangou e explodiu de raiva, o que fez minha cicatriz arder e quando eu acordei voc� estava aqui � falou e depois mudou de assunto � Sabe o que eu percebi? Que voc� n�o se importa que falem Voldemort na sua frente, quero dizer, se fosse o Rony ele j� teria amea�ado a me transformar num sapo sem olhos.
- Uma coisa que Dumbledore me ensinou foi, se a algu�m tem que enfrentar e vencer um desafio, primeiro � necess�rio esquecer o medo e se a gente fica evitando falar o nome de Voldemort, o nosso medo s� aumenta � disse categoricamente.
Sobre o sonho de Harry, Tathy n�o saberia dizer se ele havia dito a verdade, ou pelo menos parte dela. Estava escuro demais, e por isso ela n�o conseguia ler nos olhos dele o que estava acontecendo. E ela preferia desviar o olhar de Harry, porque isto fazia ela sentir algumas pulsa��es esquisitas.
- O que tem de t�o interessante nessa janela que voc� n�o desgruda os olhos dali? � perguntou Harry indignado, indo at� o parapeito e arrastando Tathy com ele.
- Voc� est� com ci�mes da janela? � Tathy riu da express�o dele.
- Deixe-me ver... � disse num tom misterioso � �, estou! Porque algo que tira sua aten��o de mim, me deixa profundamente irritado...
- Harry, seu bobo! � ela disse sem gra�a � Continue assim e voc� realmente vai me impressionar.
Tathy se debru�ou na janela e os dois ficaram contemplando as estrelas por poucos instantes, eles n�o sabiam o que dizer, s� sabiam que queriam ficar do jeito que estavam, mesmo que isto n�o fosse uma grande coisa a se fazer.
- Bom, estou morrendo de sono � disse Tathy com um bocejo � Acho melhor eu ir dormir...
- Essa n�o � a melhor coisa para se dizer... � protestou Harry.
Na mesma hora eles ouviram um barulho vindo da porta, como se algu�m tivesse acabado de fecha-la. Mas quando olharam rapidamente n�o havia ningu�m, ent�o resolveram esquecer essa hip�tese.
- � s�rio � Tathy sorriu � Aposto que voc� odiaria me carregar at� o quarto, ent�o deixe-me fazer isso enquanto o sono n�o tomou conta de mim! - ela virou a e caminhou em dire��o a porta.
- Espere! � chamou Harry urgente e a segurou pelo bra�o � Por favor, n�o conte isso aos outros, eu sei que voc� que precisa, mas... s� me atrapalharia ter que encarar Rony e Hermione com a mesma express�o que voc� est� agora, como se estivesse chocada e totalmente com medo.
- Como voc� � prepotente! � disse irritada � Eu n�o estou olhando chocada pra voc�, e n�o estou agindo como se voc� estivesse sendo perseguido por um grupo de terroristas, na verdade Voldemort � bem pior do que isso...
- Voc� n�o est� ajudando... � Harry ergueu as sobrancelhas.
- Ok � ela interrompeu a seq��ncia da sua frase e continuou mais calma � Voldemort � mortalmente perigoso e falando teoricamente voc� � o principal alvo dele e, isso � perfeitamente normal para qualquer um.
- Eu sempre sei a coisa certa a se dizer, n�o �? � falou Harry num tom decepcionado � Tudo bem, eu concordo que Voldemort n�o � nem uma fadinha legal, e eu acredito em voc� quando voc� disse que n�o olha pra mim como se eu tivesse uma bomba presa ao meu corpo.
- Harry, eu s� quero te proteger, mesmo que voc� pense que n�o precisa da minha prote��o, ainda sim eu sempre vou estar aqui � Tathy soou evocativa e depois sorriu � N�o se preocupe, eu n�o contarei nada pra eles. Eu preciso ir.
- N�o! � Harry repetiu enquanto eles se davam conta do quanto eles estavam pr�ximos, porque agora Harry conseguia olhar t�o profundamente nos olhos de Tathy que se ele estivesse longe, n�o teria o mesmo efeito � Eu ainda quero te dizer uma �ltima coisa.
- Est� frase sempre me causa arrepios... eu nunca sei o que voc� poder� fazer � Tathy disse num tom divertido, embora com uma nota de inseguran�a.
- � s�rio... � pediu Harry numa doce repreens�o � Confie em mim, eu n�o do tipo que deixa as loucuras para o final.
- Ent�o, o qu� �? � Tathy perguntou suavemente intrigada.
Ela estava parada a poucos cent�metros do rosto dele, ambos tinham plena consci�ncia disso. Sem perceber eles estavam agindo como se namorassem h� tempos, como se tivessem todos os assuntos para conversar um com o outro, e como se n�o pudessem evitar que a fala sa�sse num sussurro delicado.
De repente os dois se deram conta do qu� estava acontecendo, e ficaram sem gra�a se entreolhando com olhares de desentendimento. Mesmo que quisesse Harry, n�o poderia responder imediatamente a pergunta de Tathy, seria imposs�vel formular pensamentos coerentes.
Foi como se um furac�o estivesse passando por dentro deles, algo bom e ao mesmo tempo confuso. Uma atmosfera m�gica e envolvente seguida de d�vidas e mist�rios. Harry sentiu um incr�vel frio na barriga, ele olhou para os l�bios de Tathy que tinham uma textura fina e sentiu uma grande vontade de beija-la.
Ela continuava parada, esperando que Harry fizesse qualquer coisa, beija-la ou simplesmente responder a pergunta, Tathy estava preparada para as duas op��es e qualquer hesita��o que pudesse ser percebida de sua parte n�o existia.
- Eu n�o te agradeci por ter... hum... me ajudado quando eu estava gritando! � falou Harry ligeiramente atordoado, desviando o olhar.
- H� � murmurou intimamente desapontada � N�o foi nada, eu acho que voc� faria o mesmo por mim, e n�o posso dizer que fiz algo espetacular como salvar sua vida.
- Acredite... de todas as formas voc� me salvou � Harry suspirou � E eu gosto da sua ajuda.
Tathy n�o respondeu. Harry disse que ela o havia salvado, mas Tathy se perguntou se existiria mais alguma oportunidade em que ela pudesse salva-lo, e se ela estaria presente.
Tathy se perguntou se Voldemort acabasse fracassando com o talism�, e se houvessem outros perigos amea�ando Harry, se ela estaria ali novamente lutando com ele. Tathy n�o tinha medo de morrer por causa de Voldemort, era medo de ter que morrer para salvar o Harry, porque se precisasse ela n�o hesitaria em morrer no lugar dele. Na verdade ela achava mais f�cil morrer dele do que por ele. E se perguntou se um dia ainda estaria do lado de Harry para fazer o que eles n�o fizeram hoje, e se teria a chance de dizer que tamb�m gostava da presen�a dele, e ouvir a mesma resposta de que ele gostava da ajuda dela.
- Eu preciso ir � Tathy disse apressadamente e da porta desejou � Boa Noite.
- Boa noite � respondeu Harry olhando para ela da janela.

**   **

- Draco, voc� � um idiota! � gritou Gina subindo apressadamente as escadas.
- O qu� deu nela? � perguntou Draco confuso.
- Acho que ela n�o gostou da parte que voc� disse que Harry estava estranho e tendo pesadelos � noite � Hermione falou calmamente dando uma mordida em sua torrada.
- N�o � garantiu Rony � Ela deve ter ficado irritada porque voc� disse que ele estava ficando perigoso demais, e qualquer dia desses esses pesadelos o fariam acordar cheio de sangue!
- Merda! � crepitou Draco olhando para a escada � EU n�o tive a inten��o de magoa-la, eu s� queria que voc�s soubessem o qu� eu vi ontem.
- Realmente a sua inten��o foi a melhor, mas a Gina parece n�o ter entendido direito � disse Hermione num tom veemente.
- Eu vou atr�s dela � falou firmemente e no segundo seguinte subia as escadas correndo.
- Malfoy! � chamou Rony indignado � Eu n�o vou te deixar sozinho com a Gina... eu te pro�bo de dar mais um passo � como Draco n�o ouviu uma palavra do que Rony havia dito, ele levantou  prontamente para segui-lo.
- Rony, n�o seja arbitr�rio! � disse Hermione terminantemente � Voc� quer manteiga?
- H�... � exclamou Rony incr�dulo � Nunca ningu�m me disse uma coisa t�o estranha quando eu pretendia proteger a minha irm�.
- �timo! � disse Hermione pegando nos ombros de Rony e o fazendo sentar novamente � Eu acho que � porque voc� nunca foi t�o autorit�rio assim, e a estrat�gia da manteiga � infal�vel... portanto a sua resposta obrigat�ria � ficar aqui!
- Mas ela vai ficar no quarto sozinha com o Malfoy? � disse Rony como se quisesse levar Hermione a raz�o.
- Sim. Para ele se desculpar por ter falado mal do Harry... voc� n�o percebe? � respondeu com a voz esgani�ada � Que o assunto principal ser� Harry Potter, e o Draco n�o vai fazer nada a ela debaixo do seu nariz.
- Eu n�o sei � disse Rony amargurado esmagando o peda�o de p�o que segurava � Eu n�o gosto de imaginar que neste momento os dois est�o conversando, e o Malfoy est� tentando se fazer de bonzinho pra ela.
- Ent�o n�o pense � mandou Hermione � Realmente a gente deve se preocupar mais com o Harry, por ele ter tido um pesadelo e por n�o querer contar isso pra n�s. Hoje eu vou ter uma conversa s�ria com ele.

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- Gina! � disse Draco com esfor�o segurando a porta para que Gina n�o conseguisse fecha-la totalmente � Abra a porta, eu preciso falar com voc�.
- N�o! � replicou enquanto usava toda a sua for�a do outro lado empurrando a porta � Voc� n�o precisa me explicar nada, eu entendi muito bem o que voc� quis dizer.
- Se voc� tivesse entendido, n�o estaria fugindo de mim como se eu estivesse planejando matar o seu namoradinho! � disse Draco.
- Eu quero ficar sozinha! � Gina falou num tom teimoso � E ele n�o � meu namoradinho!
- � s�rio... � insistiu Draco num tom de cansa�o � Eu n�o vou deixar que voc� tire conclus�es sobre mim sem eu ter o direito de me defender!
- Desculpe, mas eu j� fiz isso � respondeu Gina magoada e isso transpareceu em sua voz.
Draco n�o iria deixar que ela pensasse que ele era um traidor, um inescrupuloso. Ela havia entendido tudo errado, Gina nem ao menos havia tentado compreender o quanto ruim foi para Draco admitir que Harry estava ficando estranho. Definitivamente ele n�o iria deixar Gina ficar braba com ele por t�o pouco.
Ele empurrou a porta, que abriu bruscamente deixando Gina afastada uns trinta cent�metros do lugar e olhando com uma express�o ao mesmo tempo horrorizada e zangada para o garoto.
- O qu� voc� quer? � falou furiosa � J� n�o basta tudo o que voc� disse do Harry na sala!
- Fique calma � pediu Draco entrando e fechando a porta � Eu s� quero falar com voc� como uma pessoa civilizada e espero que voc� n�o atire nenhum abajur em mim.
Ele disse isso porque Gina tinha acabado de pegar seu abajur e amea�ava jogar em cima do garoto.
- �timo - retorquiu Gina num tom irritado � Isso e a vontade incontrol�vel de arrancar a sua cabe�a!
- Ok, n�o vamos transformar esta conversa num assassinato � Draco disse no mesmo tom de voz � At� porque isso � crime, e crime acaba levando a Azkaban, que acaba levando a dementadores, que acabam com voc�!
- Voc� � um babaca, Malfoy! � xingou Gina com raiva porque ele ainda conseguia ser ir�nico em horas como essa, e ela fazia muito esfor�o para n�o voltar a compartilhar dos coment�rios dele.
Gina virou de costas para Draco e apoiou as duas m�os na escrivaninha, olhando com uma express�o resoluta para o ch�o.
Draco sentou-se na cama, ele resolveu esperar at� que Gina n�o estivesse t�o nervosa. Sempre que Gina ouvia alguma coisa que ela n�o concordava e ainda mais sobre algu�m que ela conhecia h� muito tempo e sentia que gostava dessa pessoa realmente, � como se ela travasse. Gina achava que Draco estava absolutamente errado em rela��o a Harry, fazia t�o pouco que ele o conhecia, e uma esp�cie de doen�a que a deixaria surda para qualquer coisa que Draco argumentasse tomou conta dela. N�o importava o qu� ele dissesse, Gina tinha uma opini�o muito s�lida sobre Harry, e ela estava definitivamente braba com Draco para aceitar sua defesa.
O Malfoy olhou para ela, que continuava na mesma posi��o, recusando-se a encara-lo. Ele levantou decidido, e puxou Gina pelo bra�o:
- Olhe pra mim! � ele a segurava tentando fazer com que Gina olhasse para cima � Por favor, eu n�o mentiria olhando nos seus olhos, confie em mim!
- Eu acho que voc� seria capaz de mentir olhando nos meus olhos, e eu n�o confio em voc�! � Draco percebeu que os olhos dela traduziam amargura e convic��o.
- Eu sei que voc� n�o est� aceitando nada bem a hip�tese do Harry ter escondido algo importante de todos n�s � ele provocou num tom firme � Mas isto � para provar que ele n�o � sempre o bom menino que tem o cora��o transparente, at� mesmo ele que parece ser perfeito pode cometer erros, admita isso!
- N�o � falou friamente olhando com vazio para os olhos de Draco � Por que eu devo ouvir voc� falar dele dessa maneira t�o... t�o hip�crita? Como se o Harry se revelasse um grande inescrupuloso.
- Voc� est� certa, eu n�o sei nada sobre o Harry. E eu tamb�m n�o quis soar como se estivesse anunciando uma senten�a de condena��o contra ele � falou num tom mais ameno � Por�m voc� n�o pode querer tirar toda a culpa dele...
- Eu n�o tenho palavras pra dizer o quanto voc� � sujo! � Gina batia levemente com as m�os cerradas no peito de Draco.
Mas os soquinhos de Gina n�o serviram para causar dor em Draco. � �bvio que ela estava indignada, no entanto Gina ficou t�o empenhada em brigar com Draco que suas tentativas ficavam mais frustradas toda vez que ela batia com as suas m�os nele.
Draco, por sua vez, estava perplexo, ficou com os bra�os para cima e as sobrancelhas erguidas. Ele olhou para ela, e percebeu que Gina ficou diferente daquela forma, ela estava t�o concentrada em soca-lo, isso a fazia ficar interessante. Um sorriso divertido nasceu na boca de Draco.
- Do qu� voc� est� rindo? � Gina perguntou num tom que misturava mal-humor e entretenimento. No entanto a atmosfera pesada j� havia ido embora � Por acaso voc� me acha engra�ada?
Ela voltou a jogar suas m�os contra Draco, e ele deu um sorriso.
- Espere! � ele disse num tom divertido impedindo que ela continuasse � Deste jeito voc� vai cansar de tanto me dar socos!
- Pode deixar que eu me encarrego desta parte... � ela disse num tom que dispensava o coment�rio dele � Voc� merece por ter me desiludido quanto � sinceridade do Harry, eu acreditava que ele nos contaria tudo por pior que fosse!
- Eu sinto muito...! � falou.
Gina suspirou entediada, soltando Draco de vez. Ela olhou com desprezo para o antebra�o esquerdo de Draco, havia uma cicatriz comprida e funda, com uma forma indefinida, parecia apenas um risco.
- Como voc� ficou com esse tro�o? � ela pegou ligeiramente o bra�o de Draco e olhou sem interesse para a marca.
- Eu odeio ter que relembrar destes fatos dolorosos � ele lamentou enquanto Gina o fitava imparcialmente � Eu j� trabalhei com drag�es e tive um acidente com uma pesquisa sobre... patas.
- Ah, eu sempre imaginei que especialistas em drag�es tinham cabelos queimados, a pele cheia de bolha e cheiravam couro derretido.
- Porqu�? � Draco franziu a testa � Eu n�o posso ser um especialista em drag�es, e ter o cabelo arrumado e cheirar bem ao mesmo tempo? � Gina fez uma careta.
- Voc� e o Harry n�o t�m um pingo de bom senso, n�o �? � ela disse com desd�m � E eu incluo Snape nessa lista.
- Eu vou embora... � Gina disse com veem�ncia.
- N�o v�! � Draco falou seriamente se colocando em frente � porta impedindo que Gina passasse.
- Sa�a da frente! � ela teimou rispidamente � Ou eu vou gritar!
- Sabe o qu� torna as coisas mais dif�ceis? Sua enorme vontade em colaborar comigo � ele revirou os olhos � Eu n�o fa�o isto porque quero ser melhor do que o Harry e eu vou provar isto a voc�.
- Eu n�o acredito! Prove para voc� mesmo e depois tente me convencer...� Gina disse num tom agudo e come�ou a empurrar Draco desesperadamente.
Mas sem d�vidas ele era bem mais forte do que Gina, que al�m de ser menina e ter um ano a menos, ainda era fr�gil e delicada. Resultado � que o esfor�o dela n�o valeu pra nada, e Draco a encarava com uma express�o de aborrecimento. Gina parou extremamente irritada e soltou um gemido de raiva.
- Voc� vai me ouvir agora? � ele perguntou seriamente.
- N�o... � respondeu terminantemente.
Draco olhou para Gina como se pensasse na melhor coisa a se fazer numa hora dessas, a situa��o era cr�tica. Ele n�o iria deixar que ela fosse embora daquele jeito, teimosamente convencida que tudo que ele fazia era para incriminar Harry, uma id�ia totalmente errada.
Ele iria provar isto a ela. Draco lan�ou um olhar preocupado a Gina, que o encarava com uma express�o neutra. Sem pensar duas vezes em outra solu��o, ele puxou Gina e a beijou.
No come�o ele pensou que havia dado certo, pois ela se entregou ao beijo, esquecendo de qualquer coisa, at� mesmo de brigar com Draco.
Por poucos instantes em que eles se beijaram, Draco n�o pensou na hip�tese do Rony entrar no quarto e ver Gina nos bra�os dele. Se Rony soubesse o que estava acontecendo ele ficaria furioso. Gina sentia Draco beijando-a, ambos tinham plena consci�ncia do que estavam fazendo.
At� que ela ficou im�vel como uma est�tua e seus bra�os empurraram Draco fazendo ele se afastar.
- Droga! � Gina crepitou � Voc� n�o consegue se controlar?
- Voc� acabou de estragar toda a minha magia � falou soturno.
- Se lembra quando eu disse que n�o iria te beijar mais? � disse num tom zangado � Eu estava falando s�rio.
- N�o precisa se sentir t�o culpada � Draco afirmou fitando-a com seus olhos cinzentos � Fui eu quem te beijei.
- Aonde voc� quer chegar com essa teoria barata? � Gina estava fora de si � N�o importa se voc� me beijou, o resultado � o mesmo! E de todo o modo eu n�o queria fazer isso de novo.
Draco suspirou exausto. Este era o momento ideal para confessar a Gina, se ele n�o fizesse isso agora talvez nunca tivesse outra oportunidade. Ele pegou delicadamente no queixo dela e quando os olhos de Gina encontraram os dele, Draco conseguiu ver atrav�s dos sentimentos de Gina, e ele viu que agora ela estava extremamente aflita.
N�o importava, Draco j� estava decidido e sabia qual atitude tomar.
- Gina... � ele come�ou num tom definitivo.
- N�o � ela interrompeu tirando a m�o de Draco � Eu n�o quero ouvir isto, eu disse que voc� n�o teria outra chance. E eu vou cumprir � Gina n�o entendia porqu�, mas dizer aquelas palavras foi como encravar um punhal em seu pr�prio peito. Doeu profundamente. No entanto, Draco n�o desistiria somente por isso, talvez Harry desistisse, contudo Draco n�o era esse tipo de pessoa que se abalaria por um simples �n�o�.
- Voc� tem tanto medo assim de saber que eu gosto de voc�? Que eu quero te beijar e estou pouco me lixando para o qu� o seu irm�o vai achar? � Draco replicou convincente e ao mesmo tempo em que soava verdadeiro � Ou voc� vai ficar com a sua consci�ncia incrivelmente pesada?
- O problema � que voc� � insuportavelmente pretensioso � falou, embora n�o houvesse repugn�ncia em sua voz � Voc� confia tanto em si mesmo como se fosse imposs�vel uma garota resistir aos seus charmes. Realmente muito arrogante!
- E...? � os olhos de Draco faiscaram como se os argumentos dela n�o tivessem sido suficientes.
- E... � Gina disse hesitante procurando palavras para descrever � eu estou confusa, n�o sei se ainda gosto do Harry!  Talvez eu esteja apaixonada por ele, como eu sempre estive. E isto nunca vai mudar!
Draco n�o esperava que Gina dissesse isto, foi forte demais alegar que ela podia estar apaixonada pelo Harry. Draco se sentiu atordoado, essa id�ia o incomodava.
Ele sabia de tudo o que Gina j� havia passado pelo Harry, mas pensou que o amor dela por ele j� tivesse acabado. Draco sentia isso quando a beijava, e o que ela disse s� serviu para embaralhar a mente dele cheia de d�vidas.
- Se voc� gostar do Harry sinceramente � a voz dele soou distante � eu sinto muito, porque voc� chegou atrasada.
- Como? � perguntou desconfiada e sentiu seus olhos de arregalarem.
- Ontem � noite eu n�o vi somente os gritos do Harry, e como aquele pesadelo o perturbou. E al�m de ter ficado assustado com a esp�cie de pesadelo que ele teve, eu tamb�m vi uma coisa muito interessante � Draco disse com um certo orgulho ferido.
- Se voc� quer que eu admita que fui muito radical com voc�, e n�o devia ter te ignorado antes de ouvir com calma a hist�ria inteira... Eu admito e sinto muito � Gina falou ligeiramente � Mas n�o me fa�a implorar para voc� contar que coisa interessante � essa.
- Tudo bem � assentiu com impaci�ncia � Quando eu cheguei a Tathy j� estava l� no quarto. Parecia que os dois estavam no maior clima, trocando promessas de amor (nesta parte Draco exagerou) e quando eles estavam quase se beijando... eu fui embora!
Gina desabou perplexa em cima da cama.
- Na parte mais importante voc� simplesmente �vai embora?� � indagou como se isso fosse inacredit�vel.
- Eu n�o sou o tipo de pervertido que fica olhando os outros se beijando de madrugada � falou Draco � E eu quase fui descoberto.
Agora os dois estavam sentados lado a lado na cama de Gina.
- Ent�o h� uma esperan�a de que eles n�o tenham se beijado � concluiu encarando-o.
- Pouco prov�vel � confirmou retribuindo o olhar � Mas acho que agora eu tenho mais chances de te beijar de novo.
Gina n�o respondeu, apenas desviou o olhar pensando
Mas voc� deu propor��es maiores do que as reais ao pesadelo de Harry, fez parecer uma cat�strofe.


     **   **

J� eram 3 horas da tarde, a pouco eles haviam acabado de tomar um lanche. Estavam esperando Harry e Tathy acordar, e os dois fizeram isto quase que simultaneamente, o que s� aumentou a estranheza. Rony e Hermione sabiam que precisavam ter essa conversa com o seu melhor amigo, e enquanto ele dormia, combinaram o qu� falar.
Neste momento Gina havia literalmente arrastado Draco para dentro da cozinha e agora os dois organizavam a pequena bagun�a de comidas e pratos.
Isto fez com que Harry, Tathy, Rony e Hermione ficassem na sala.
De noite realmente tinha chovido muito, e a grama do jardim dos Weasley estava lamacenta. Era preciso ser cuidadoso para n�o pisar numa po�a. Apesar disso, hoje fazia um clima morno, porque na verdade eles estavam entrando em pleno ver�o e provavelmente t�o cedo n�o haveria outros sinais de chuva.
Harry ainda aparentava sono, por�m ele sabia muito bem como disfar�ar isto para os outros e para ele mesmo.
- O que h� de errado? � perguntou Hermione.
Harry olhou surpreso para ela, obviamente ele n�o imaginava que Hermione fosse fazer uma pergunta assim.
- Nada � mentiu vendo que seus dois amigos o fitavam seriamente � Quero dizer... o qu� poderia estar errado fora o qu� j� est�?
- Voc� est� estranho � interviu Rony com azedume � Antes voc� nos contaria qualquer coisa, e agora voc� acha que ter pesadelos com Voc�-Sabe-Quem n�o � importante o suficiente para nos contar.
- Ela contou o que aconteceu ontem � noite a voc�s? � Harry lan�ou um olhar frio a Tathy.
- N�o � falou Rony � Tathy n�o traiu voc�. Mas n�s sabemos que voc� teve pesadelos, e que sua cicatriz doeu. Isto pode significar que Voc�-Sabe-Quem est� perto... Harry, isto � perigoso. Ele est� tentando te matar!
- Ok, eu j� sei disso � respondeu dando de outros � No meu caso isso � normal.
- Harry, voc� est� sendo imprudente � alertou Hermione com uma nota de p�nico � Talvez dev�ssemos contar ao Dumbledore, talvez sejam efeitos colaterais da Maldi��o... eu n�o sei direito, mas vou procurar num livro...
- Poupe seu tempo � aconselhou Harry determinado � Eu sou a �nica pessoa que sofreu um ataque de Voldemort e sobreviveu depois, portanto nenhum livro poder� nos ajudar.
- Eu tenho certeza que esses pesadelos s�o resultado da liga��o que voc� tem com Tom Riddle, at� mesmo pelo o qu� voc� me contou � afirmou Tathy � E eu acho que definitivamente os sentimentos dele estavam � flor da pele �quela hora!
- Mesmo assim, Harry � insistiu Hermione com veem�ncia � Quero saber exatamente o que voc� sonhou?
Neste momento ela havia acabado de soar como uma m�e ou uma protetora. Harry se lembrou que em Hogwarts, era Hermione que sempre colocava limites aos planos deles, �s vezes ela terminava participando, mas nunca esquecia que deveriam ter cautela e sempre com a mesma express�o preocupada estava disposta a defender seus amigos contra quem fosse.
Rony tamb�m deu for�a silenciosamente as palavras de Hermione. Rony estava longe de querer cumprir todas as regras e se comportar com tanto cuidado. Mas ele ia at� o ponto que achava confi�vel, e agora este sonho do Harry o havia deixado inseguro.
- Eles tamb�m sabem? � Harry apontou para Gina e Draco na cozinha.
- � claro � disse Hermione � N�o seria justo a gente esconder isso dos dois, eles tamb�m merecem ser informados sobre todas as not�cias, sendo ou n�o boas para a gente.
- �timo � concluiu revoltado � Todos j� sabem do sonho idiota que eu tive e est�o morrendo de preocupa��o com o que pode haver comigo nos pr�ximos dias! Eu odeio ser tratado como algu�m indefeso que n�o sabe como agir!
- Se voc� quer levar para esse lado... � replicou Rony com vigor � Eu sei o quanto voc� � teimoso quando quer ser, ent�o eu n�o vou insistir em te convencer que n�s apenas queremos te ajudar, porque de qualquer modo voc� n�o aceitaria. Ent�o vamos pular essa parte, e voc� conta logo o qu� voc� sonhou?
- Sim � respondeu Harry com sarcasmo � E eu esqueci de acrescentar que al�m de crian�a indefesa, voc�s me tratam como se eu fosse vulner�vel, algu�m que se possa manipular com facilidade!
- Mas com isso voc� j� est� acostumado � Hermione sorriu � Agora que tal nos contar?
Harry com a ajuda de Tathy explicou tudo aos dois, e mesmo fazendo o poss�vel para n�o causar grande admira��o neles, isto foi inevit�vel. Rony e Hermione fizeram v�rias perguntas, at� as mais absurdas. E como Harry j� esperava os dois o fitavam com aquela express�o de pavor.
Foi quando Gina e Draco entraram na sala e olharam imparcialmente para todos.
- Pela cara de voc�s o assunto n�o � muito favor�vel a n�s, n�o �? � perguntou Draco inocentemente � O qu� houve?
- Eu decidi que vou procurar o Lupin � falou Harry terminantemente � Talvez ele tenha algo a nos mostrar, e ele est� hospedado no Beco Diagonal... podemos ir com o P� de Flu.
- Ent�o teoricamente depois do seu pesadelo, as coisas se tornam mais �geis � concluiu Draco.
- Exatamente � disse Harry lan�ando um olhar meticuloso a Draco � Porque Voldemort est� atr�s de mim, logo o talism� n�o vai ser um rastreador com pouca utilidade. Em breve, ele vai conseguir me localizar em tempo real e as coisas v�o se tornar mais dif�ceis.
- Isto nos d� quanto tempo? � disse Gina com aten��o.
- Relativamente dez vezes menos do qu� voc� imagina � respondeu Tathy num tom forte.
- Agora eu entendo as express�es de voc�s � falou Draco enquanto ele pr�prio ficava com uma express�o indecisa � Quando vamos partir?
- Hoje, precisamente daqui a pouco � disse Harry com perspic�cia em seu olhar � Tentem n�o levar muita roupa, nem corujas, somente varinhas e o essencial. Ah, e vamos ter que nos separar.
- O qu�? � replicou Rony perplexo � Porqu�? Quanto mais pessoas lutando com voc� mais chances teremos de vencer!
- S� porque vamos ficar em lugares diferentes, isto n�o significa que algu�m ter� que desistir de lutar comigo � argumentou com tanta coragem, que s� Harry poderia ter falado assim � � justamente para sermos mais fortes que teremos que estar em v�rios lugares.
- Eu n�o estou entendendo o qu� voc� quer dizer com isso? � falou Hermione confusa � O qu� voc� pretende?
- Precisamos ser racionais � afirmou fortemente olhando para eles � N�o podemos ir todos juntos, de uma vez s�. E se algo der errado? N�o teremos mais como vencer.
- Eu n�o acho � protestou Rony com for�a � Se algo der errado, estaremos juntos e vamos lutar at� o final.
- Infelizmente Weasley, o Potter est� certo � falou Draco em total convic��o � Finalmente os grifin�rios n�o deixaram a ousadia lhes subir a cabe�a num momento crucial. Resolver�o usar a frieza para planejar estrat�gias decentes.
- Obrigado pela parte que me toca � Harry for�ou um sorriso a ele � Mas j� est� decidido, dois ficam procurando novas informa��es e atentos a qualquer pedido de socorro. Como jogadores reservas, esperando a vez de entrar em campo.
- Eu n�o quero ser um jogador reserva � afirmou Rony.
- Eu fico � concedeu Hermione. Ela parecia ter certeza do que estava falando � Eu vou procurar em alguns livros, e talvez vou falar com o professor Dumbledore. N�o � poss�vel que n�o exista em nenhum lugar o contra-feiti�o para a Maldi��o... e eu juro que vou achar!
- Certo � Harry lan�ou um olhar afetuoso a amiga � A Tathy vai comigo, porque ela � a dona do talism� e eu preciso dele. Qual � o outro volunt�rio?
Rony sabia que se ele n�o fizesse nada, Gina acabaria se oferecendo. Sua consci�ncia n�o permitia que ele deixasse sua irm� ca�ula e Hermione sozinhas numa hora t�o cr�tica. Ele sabia que elas se exporiam a qualquer perigo atr�s da resposta certa, ou procurando Dumbledore enquanto o diretor fazia suas pesquisas. Ele n�o permitiria isto, se alguma coisa de mal acontecesse a alguma delas, Rony n�o seria capaz de se perdoar. Ent�o alguns motivos o persuadiram a tomar esta decis�o:
- Est� bem � assentiu com a voz arrastada � Eu fa�o parte do time reserva, mas n�o pense que irei abandonar voc� por isso. Quando voc� menos esperar a gente pode entrar em a��o e tirar voc�s dessa enrascada!
- Eu tenho certeza que voc�s dois est�o prontos pra isso � encorajou Harry � Se alguma coisa der errado, voc�s s�o as pessoas em que mais confio, eu sei que posso acreditar em voc�s.
- Resumindo somos perfeitos para o papel � Hermione deu uma piscadela.
- Voc�s v�o fazer falta... � admitiu Harry com uma nota triste � Mas agora eu n�o posso agir precipitadamente e nem pensar em perder mais tempo! Acho que finalmente chegou o dia da gente se separar.
- Por favor, Harry tome cuidado � aconselhou Hermione num tom nervoso � Se lembra daquilo que eu te disse no primeiro ano? Que voc� � um grande bruxo? Isto n�o mudou ainda, voc� tem as qualidades mais importantes como bravura e amizade, e eu sei que voc� vai conseguir.
- Ela tem raz�o � concordou Rony e suas orelhas ficaram vermelhas � �s vezes temos que fazer sacrif�cios para deixar o caminho mais f�cil... � depois que suas orelhas voltaram ao normal Rony ficou estranhamente p�lido � Naquela vez foi o xadrez, hoje eu tenho que confiar que voc� saber� dar o xeque-mate sozinho. Ent�o, n�o demore a ganhar a partida.
- Eu tive um bom treinador! � disse Harry alegre tentando espantar a atmosfera pesada que pairava sobre eles � E voc�s podem ser as pe�as que me salvar�o de novo...
- Bem, _ disse Tathy estendendo a m�o e entregando dois besouros vermelhos muito, muito pequenos � Isto s�o rastreadores m�gicos. Se voc�s apertarem a terceira pata � ela fez uma demonstra��o � ele abre completamente revelando-se um mapa. Aqui somos n�s, v�em? Esses pontinhos vermelhos, isto vai ser �til para nos localizar... n�o h� muitos segredos, sempre um mapa exato da regi�o que estamos pode levar voc�s at� n�s.
- E se por acaso voc�s estiverem em algum lugar imape�vel, ou uma passagem secreta igual da outra vez? � perguntou Hermione.
- Eu fiz alguns ajustes � respondeu Tathy orgulhosa � Ser� poss�vel nos rastrear em qualquer lugar do mundo ou fora dele, porque n�s mantemos uma liga��o direta com o objeto que voc�s tem em suas m�os. E por esta raz�o � extremamente perigoso que voc�s percam seus rastreadores, quem o achar ter� a nossa localiza��o... tomem cuidado com isso.
- Ok � disse Rony confiante � Mas como voc� conseguiu essa �liga��o direta?�
- Eu simplesmente fiz um
Feiti�o de Virtonum, � como uma esp�cie de encantamento que re�ne as principais caracter�sticas da personalidade de cada um de voc�s - explicou calmamente.
- Eu conhe�o esse feiti�o � espantou-se Hermione, ela estava muito impressionada � O nome deriva de virtudes, � complicado de fazer, ali�s, n�s s� ter�amos aulas te�ricas sobre ele no �ltimo ano em Hogwarts.
- Qual � o mist�rio desse feiti�o? � intrometeu-se Rony explodindo de curiosidade.
- Ele re�ne em uma �nica palavra m�gica tudo aquilo que n�s representamos, todos os pontos fortes e fracos das nossas qualidades � disse Hermione em tom prestativo - Geralmente � praticado por algu�m que j� conhe�a h� muito tempo uma certa pessoa, porque � muito dif�cil perceber corretamente os pontos marcantes de algu�m. No entanto parece que a Tathy n�o teve problemas...
- N�o foi t�o f�cil quanto voc� est� pensando � disse Tathy relembrando � Eu demorei algumas horas, mas funcionou. O que importa � que isso vai ajudar bastante!
- Voc� poderia me ensinar depois? � falou ansiosa.
- � claro � Tathy sorriu.

      **   **

- Eu tenho que ir embora � disse Harry fitando seus dois amigos, ele estava preocupado.
Os outros tr�s estavam prontos esperando na frente da lareira, agora o c�u estava laranja assim como naquela tarde em que Hermione estava assistindo o treino de Quadribol de Harry e Rony. Naquela �poca eles mal sabiam de tudo que teriam que enfrentar, dos encontros com Voldemort e todos os problemas.
Hermione e Rony estavam lado a lado, e Harry sentiu uma pontada em seu est�mago quando se deu conta que teria que deixar seus melhores amigos para tr�s. Eles sempre o haviam apoiado, Rony com seu companheirismo e Hermione com sua intelig�ncia, agora ele iria seguir sem eles.
Ele ruim pensar nisso, mas havia chegado a hora de se despedir.
- Me prometa, Harry que voc� n�o ir� fazer nenhuma bobagem? � um canto da boca de Hermione estremeceu junto com todo o seu corpo � Seja cuidadoso, eu realmente n�o quero precisar ir te salvar... e logo eu e o Rony vamos achar a solu��o e te resgatar.
- Positivo � foi a �nica coisa que Harry conseguiu pronunciar enquanto retribu�a o olhar da amiga, ele fez um grande esfor�o para n�o desistir de tudo e acabar ficando com eles.
- N�o � uma boa id�ia. � alertou Rony mantendo a compostura.
- O qu�? Eu ir sem voc�s? � disse Harry vacilante.
- N�o � respondeu Rony apressadamente, ele ficava cada vez mais l�vido � Voc� n�o quer deter Voldemort antes que ele te encontre? Olhe, se voc� n�o se apressar ele vai acabar achando o talism�!
Harry suspirou infeliz.
- N�o olhe pra tr�s, n�s estaremos bem � garantiu � Pra dizer a verdade estaremos mais a salvo do que voc�s, e isto me incomoda. N�o se preocupe eu cuido de Hermione, eu cuido das coisas por aqui... � Rony parou de falar por uns instantes e quando Harry desviou seu olhar ele acrescentou urgente � Ah, boa sorte!
- Eu vou precisar � murmurou fracamente.
- Ah, Harry! Voc� � t�o... confuso! � lamentou Hermione angustiada e desabou num abra�o apertado com o amigo.
- Hermione! � ralhou Harry sem gra�a.
Depois das devidas despedidas, porque n�o era somente Harry que estava partindo. Draco, Tathy e Gina, que tamb�m era irm� de Rony estavam indo com ele. Seriam os quatro lutando diretamente contra Voldemort, contra todas as for�as do mal.
Era um grupo consider�vel, tinha Tathy que conhecia muitos feiti�os e era a dona do talism�. Draco, que possu�a ast�cia e fibra para decidir nos momentos fatais a escolha certa, era uma das qualidades que Harry mais admirava nele. Gina apesar do jeito meigo, ela tinha frieza para elaborar solu��es cuidadosamente planejadas, ela conseguia lidar com seus problemas e achar a melhor maneira de resolve-los. Harry � o her�i principal. Aquele que � o l�der e que tem coragem de se sacrificar pelos outros, que nunca se d� por vencido por mais que ele esteja quase morrendo. E algo que todos tinham era lealdade, isso era muito importante.
Um a um foi jogando o P� na lareira e gritando �Beco Diagonal�, e eles foram at� que s� sobrou Harry.
Ele deu um �ltimo olhar a Rony e Hermione, os dois sorriram vacilantes. Harry retribuiu o olhar com algo que traduzia coragem, ousadia e determina��o misturadas. Ele repetiu o mesmo processo dos outros, e assim que entrou na lareira nos �ltimos instantes em que viu seus amigos, ele gritou:
- Ju�zo! � Harry disse travesso e Hermione corou dos p�s a cabe�a.
- Pode deixar, Harry seu sacana! � respondeu Rony em tom trivial.

**   **

Inesperadamente Harry surgiu dentro da passagem do Beco Diagonal, n�o precisou atravessar o Caldeir�o Furado e nem os tijolos. Logo em frente, no meio da rua de pedrinhas estavam Gina, Draco e Tathy gritando por ele. Harry olhou distra�do a sua volta, e depois de se certificar que haviam parado no lugar certo, ele andou at� o grupo.
- E agora voc� sabe aonde fica a loja do Lupin? � perguntou Tathy desconfiada.
- Pra falar a verdade... eu n�o tinha pensado nisso � admitiu Harry fracamente.
- O qu�? Harry seu demente, voc� est� maluco? � gritou Draco indignado � Eu n�o devia ter confiado que um plano feito por um grifin�rio seria perfeito! Embora esquecer onde fica a loja do Lupin, seja colocar praticamente todo o resto no lixo...
- Calma, Malfoy � murmurou Harry irritado � Estamos no Beco Diagonal e o Lupin tem uma loja aqui sobre livros velhos... foi isso que eu li na carta... ent�o vamos procurar!
- Harry, eu n�o quero ser pessimista � falou Gina num tom amig�vel � Mas quantas lojas com pilhas de livros antigos n�o existem aqui? Isso n�o vai facilitar muito pra gente.
Harry em resposta apressou o passo, andando num ritmo r�pido por aquela rua que serpeava e desaparecia de vista. Eles passaram por lojas cheias de corujas, por artigos para quadribol, globos de ninfas, vidros de po��es, telesc�pios, pratarias e at� pelo Gringotes.
- Harry � chamou Draco num tom s�rio � Vamos reconsiderar essa proposta, que tal a gente ir at� o Caldeir�o Furado e passar a noite l�. Amanh� temos o dia inteiro para procurar.
- N�o! � replicou Harry obstinado � Eu acho que agora estamos perto, j� andamos praticamente por tudo... n�o podemos desistir a qualquer hora...
- Harry! � gritou uma voz distante, mas contente.
Esta voz era familiar, ele estava reconhecendo. Era a voz de... Remo Lupin.
Quando Harry se virou, viu ele saindo de uma loja de formato irregular, com a porta de madeira com vidro no meio, a vitrine cheia de livros grandes e grossos com uma pequena cortina bege. Lupin vestia vestes surradas e o tecido gasto, de modo que mal dava para se notar as costuras, ele estava id�ntico h� dois anos atr�s. Exceto pelo cabelo castanho-claro que havia ganho mais fios brancos.
- Harry! � ele repetiu alegremente enquanto o abra�ava � � bom ver voc� aqui... e h�... voc� trouxe seus amigos tamb�m! � os dois de Lupin correram pelos tr�s e pararam confusos em Draco Malfoy, mas ele logo desviou o olhar.
- Oi, aluado � cumprimentou Harry como se estivesse falando com seu velho amigo e n�o com o antigo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas � Voc� poderia nos levar at� a sua loja para guardarmos essas bagagens?
- �, claro � respondeu gentilmente � Sigam-me.


Quando todas as pequenas malas estavam encostadas num canto, Lupin convidou os quatro a subirem para o segundo andar da casa. O lar modesto, mas confort�vel e com um aspecto que lembrava muito o dono.
Eles sentaram em frente � mesa, e foi um pouco dif�cil arranjar cadeira para todos. No final, Lupin servia uma x�cara de ch� muito bem-vinda e alguns biscoitos.
Harry explicou discretamente a ele porque Rony e Hermione n�o estavam ali, e principalmente porque no lugar deles estavam Gina, Tathy e Draco. Como sempre Aluado n�o fazia muitas perguntas e entendeu a inten��o de Harry isto facilitou as coisas.
- Diga-me, Harry novos resultados sobre a Maldi��o?
- N�o � respondeu tomando um gole � Mas n�s viemos aqui para tentar descobrir alguma coisa, dizem que voc� tem muitos livros l� embaixo.
- Eu trabalho com ant�dotos para animais das trevas, dicas, feiti�os para doma-los e tamb�m dou aula de treinamento para bruxos � Lupin explicou calmamente � Os livros s�o uma conseq��ncia, a maioria venho alugada junto com a casa... ali�s eu nem sei se tratam sobre animais, seria bom que voc�s dessem uma olhada.
- Acho que n�s realmente precisamos pesquisar, mas hoje estamos cansados. � concluiu Draco.
- Malfoy, soube que voc� teve problemas com o professor do ano passado, Olho-Tonto-Moody? � disse Lupin ligeiramente soturno � Dizem que ele te transformou numa doninha quicante, desculpe essa foi a vers�o do Ronald...
- Ah, o Weasley e seu grande senso de humor! � murmurou Draco � Isto j� serve de indica��o para o pr�ximo ano? Quero dizer, se voc� voltar a ser o nosso professor posso esperar coisas piores?
- Eu receio que n�o � Lupin deu um sorriso enviesado � O fato de voc� estar com o Harry, j� n�o faz de voc� algu�m t�o ego�sta com um temperamento med�ocre, que gosta de atazanar pessoas mais fracas que voc�.
- Ok, voc� j� me lembrou de tudo que eu tenho que voltar a fazer � disse pensativo � Ah, voc� esqueceu do mimado e inescrupuloso!
- Voc� era isso mesmo... � admitiu Lupin concordando com Draco � Mas a respeito de ter um lobisomem ensinando, eu acho que voc� n�o mudou nada.
- Parece que voc� n�o conhece absolutamente nada sobre mim � corrigiu Draco com um pouco de enlevo � Eu sempre achei bacana esse id�ia de lobisomem, que sai revoltado quebrando tudo e machucando criancinhas inocentes... pelo menos voc� teria uma desculpa pra isso! Na verdade a minha inten��o era chatear o professor favorito do Harry e oprimir a minoria!
Lupin lan�ou um olhar divertido a Draco, certamente ele tinha outra resposta para rebater ao Malfoy, mas havia percebido que se fizesse isso o humor sarc�stico de Draco o prenderia por horas ali, conversando e replicando.
- S� um minuto, eu j� volto � disse formalmente e foi at� a cozinha. Ent�o, Aluado voltou com mais um grande pacote de biscoitos e colocou sobre a mesa.
- Voc� conhece isso? � perguntou Tathy estendendo a m�o e lhe passando o talism�.
Ele olhou seriamente para o objeto e o pegou da m�o dela. Lupin parecia perturbado, mas vagamente consciente do que aquilo representava e determinado a agir.
- � �bvio que eu sei o que � isso � respondeu chocado � s� n�o imaginava que tivesse essa apar�ncia t�o tenebrosa. � a uni�o do mais puro mal.
- Bela descri��o � falou � Realmente � horr�vel! E l�gubre... � o mais puro mal, destilando a morte.
- H� uma profecia, voc�s sabem? � disse Lupin em alerta, e eles confirmaram � Isso n�o � nada bom para o Harry, precisamos agir logo. Eu quero saber se aconteceu alguma coisa anormal com voc�?
- Sim � respondeu Gina lan�ando um olhar sensato a Harry, que provavelmente omitiria algumas coisas achando que n�o havia import�ncia � Ele teve um pesadelo com Voc�-Sabe-Quem, no qual ele nos procurava na floresta de Godric�s Hollow, eu n�o sei se � coincid�ncia, mas por sorte t�nhamos ido embora no mesmo dia.
- Ent�o foi uma premoni��o � Lupin refletiu � Esse talism� � capaz de atrair Voldemort.
- Sim � disse Tathy com vigor � Ele quer ser achado pelo seu dono, ele quer voltar a se unir com a sua outra metade.
- Objetos que t�m intelig�ncia pr�pria s�o pouco confi�veis, e nesse caso toda a for�a dele � usada para o mal � Aluado franziu as sobrancelhas enquanto dizia isto. Depois olhando com prud�ncia adicionou � Definitivamente vamos precisar de muita capacidade para desviar os poderes disso...
- � t�o terr�vel assim? � replicou Draco impressionado � Talvez houvesse outro jeito de deter a Maldi��o, sem destruir o talism�.
- Teoricamente n�o � negou Aluado e suas �ltimas palavras entoaram � N�o podemos permanecer com este talism�, ou usa-lo se nosso objetivo n�o for destru�-lo. Qualquer hip�tese � descartada quando n�o nos leva a acabar com a Fonte do Mal, e seria recomend�vel voc�s n�o continuarem carregando isto.
- Ok � assentiu Harry pegando objeto das m�os de Lupin e o devolvendo para Tathy � Mas n�o seria sensato a gente continuar sem o talism�, temos que ficar com ele para destru�-lo... E isso n�o � t�o terr�vel assim, podemos cuidar desse problema!
- Voc�s t�m quinze anos, e s�o apenas adolescentes � disse Lupin pegando um biscoito � � nessa fase que os horm�nios sobem a cabe�a, e voc�s pensam que conseguem resolver tudo sozinhos. Harry, voc� lembra muito o seu pai, t�o obediente como ele.
- Deve ser gen�tico... � Harry sorriu sem gra�a.
- � o que dizem: Quando as pessoas aconselham que � para voc� ficar longe de algo, fa�a exatamente o contr�rio, n�o obede�a. Por que � ali que est�o as melhores coisas da vida... � disse Draco.
- Muito s�bio � replicou Lupin revirando os olhos � Por enquanto eu acompanho voc�s, mas vou ficar em alerta com esse talism�.

**   **

Hermione olhava aflita pela janela. Ela estava no quarto Percy, que era seu provisoriamente, o Sol do meio-dia pairava bem no centro do c�u e entrava em todos os c�modos da casa, iluminando tudo.
Hermione estava praticamente comendo seus dedos, as unhas todas ru�das, em nenhum jogo de Quadribol e nenhuma v�spera de provas ela havia se sentido t�o ansiosa. Rony entrou no quarto, e Hermione se virou para encara-lo. Ela tentou disfar�ar com um sorriso torto, mas Rony j� a conhecia h� muito tempo para se deixar enganar.
- Qual � o problema? � perguntou solid�rio.
- Quando o Harry voltar, eu vou lan�ar o Feiti�o do Corpo Preso nele, e deixa-lo assim durante uma semana sem piedade � reclamou indignada � Faz tr�s dias que ele foi atr�s do Lupin e n�o mandou not�cias!
- Eu n�o discordo totalmente de voc� � garantiu Rony � Mas voc� deve levar em conta o fato dele n�o ter levado nenhuma coruja, nem Edwiges.
- Pode ser... � admitiu envergonhada � Mas, no Beco Diagonal tem tantas corujas para vender e certamente o Lupin deve ter uma.
- Conhecendo ele, eu posso quase assegurar que n�o � disse Rony.
- Eu estou preocupada com o Harry, eu n�o sei o qu� est� acontecendo, eu odeio me sentir isolada, me sentir perdida... � Hermione manteve seus olhos em Rony.
- Voc� n�o est� sozinha, voc� est� comigo � protestou Rony � Tudo bem, _ ele disse compreensivo � Eu tamb�m n�o consigo tirar os olhos desse rastreador, pelo menos � uma garantia de que ele ainda est� em Londres.
Hermione olhou com medo para Rony, ela queria achar algum conforto nos olhos dele, alguma certeza de que tudo terminaria bem.
- Eu n�o vou ag�entar � Hermione murmurou num tom desesperado � Eu vou embora daqui, eu preciso ir junto com eles... � ela olhou apressadamente para os lados procurando sua mala � Agora.
- N�o � retrucou Rony terminantemente e ele obstru�a a passagem dela � Ponha a cabe�a no lugar, Harry n�o precisa de mais pessoas atrapalhando a busca dele. Ele precisa de n�s aqui. E se sairmos daqui, n�o estaremos cumprindo o qu� prometemos pra ele.
- E se estiver acontecendo algo ruim? � Hermione soou evocativa � Eu acho que n�s n�o o atrapalhar�amos, se Voc�-Sabe-Quem estiver l�?
- Voc�-Sabe-Quem est� tentando matar Harry h� quinze anos, desde que ele nasceu, e at� agora ele n�o conseguiu nada � Rony olhou profundamente nos olhos dela � Eu tenho que admitir que o talism� � realmente perigoso, mas n�o � eficiente para matar Harry.
-
Rony! � ralhou Hermione como se n�o quisesse ter ouvido aquilo.
- � a verdade � ele falou firmemente � Harry n�o ir� nos decepcionar desta vez, se ele n�o fosse p�reo para Voc�-Sabe-Quem j� teria morrido da primeira vez, ou quem sabe ano passado quando esteve cara a cara com ele!
- Voc� n�o tem medo de pensar nisso? � os olhos de Hermione encheram-se de ang�stia.
-  Por isso eu evito ter esse tipo de pensamento, e acho que voc� deveria fazer o mesmo.
Hermione fechou os olhos, e a escurid�o invadiu sua vista. Ela estava com medo. Ela se lembrou de algumas coisas que j� havia vivido com Harry, a marcante aventura do primeiro ano, os fatos estranhos do segundo, a incr�vel descoberta de Sirius Black e Pedro Pettigrew. Quando ela voltou a abri-los, Rony a encarava hesitante.
- N�o � estranho que Draco, Gina e Tathy tenham ido com ele? � perguntou Hermione decididamente inconformada � Faria mais parte do contexto a gente estar com ele.
- Eu preferia que fosse assim... � disse Rony num tom desanimado � Mas se o Harry tem que seguir sem n�s, eu s� espero que ele se d� bem, e consiga impedir de novo que o Lord das Trevas ressurja novamente � ele estremeceu um pouco � Vamos ficar alertas e torcer por ele, porque se a gente parar pra pensar, no final o Harry sempre decidiu as coisas sozinho, neste momento isto s� est� acontecendo antes do esperado...
-  Voc� tem uma certa raz�o � assentiu Hermione com m� vontade � Eu s� n�o consigo dizer isso pra mim mesma...
Inesperadamente, ela correu at� a janela e se apoiou nela deixando grande parte do corpo de fora. Rony, numa mistura de preocupa��o com susto foi na dire��o dela e disse numa voz que ela ouviu de muito perto e que voltou a aten��o dela para ele:
- Voc� est� bem? � perguntou suavemente.
Hermione apenas lan�ou um olhar dolorido a ele, e abra�ou Rony. Ele ficou confuso num primeiro momento, porque Hermione estava precisamente perto demais dele, ela estava buscando prote��o em Rony. Ent�o ele a segurou com mais for�a, envolvendo-a sem sombras de d�vidas em seus bra�os, foi um abra�o muito sincero.
De repente ela o soltou, como se j� tivesse recuperado todas as energias.
-  Eu vou ler alguns livros... � anunciou com o mesmo tom de voz determinado que ela tinha em Hogwarts quando precisava cumprir uma tarefa extra complicada que os professores haviam passado � Nem que eu tenha que ficar at� de madrugada lendo, eu ainda sim vou encontrar uma solu��o, voc� vai ver!
Rony estava atordoado, ele havia mudado completamente de uma hora pra outra. Antes ela n�o aceitava que Harry estava correndo perigo e nem ao menos eles n�o podiam estar do lado dele para ajudar, depois ela tinha se transformado na antiga aluna que eles sempre conheceram, obstinada e mergulhada em suas pr�prias decis�es, convicta de que n�o iria desistir.
- Tem muitos livros, � imposs�vel que nenhum sirva! � argumentou tentando refor�ar seu posicionamento diante da express�o perplexa de Rony � Anda, me deixa passar! Eu n�o vou ficar aqui de bra�os cruzados e voc� devia fazer o mesmo... isso vai resolver, sempre deu certo, eu j� estou atrasada!
E dizendo isso, praticamente atropelou Rony e desceu as escadas numa velocidade que quando Rony se deu conta que estava parado perto da janela, ainda im�vel olhando surpreso para o ch�o. Ele franziu as sobrancelhas.
Mulheres! pensou dando de ombros Cada vez eu me conven�o mais que elas s�o incrivelmente incompreens�veis.
E ainda admirado se jogou em cima da cama de Percy, e ficou um bom tempo olhando para o teto e pensando nas repentinas mudan�as de comportamento, ser� que isso era normal em todas as mulheres?
Rony n�o entendia porque elas agiam desta maneira.

     **   **

Era uma noite quente como todas as outras de ver�o, j� eram altas horas da noite, ele n�o conseguia ver quase nenhuma pessoa andando nas ruas de pedrinhas irregulares, al�m do N�itibus Andante passando com uma invis�vel velocidade entre os postes. S� o Caldeir�o Furado permanecia funcionando, alguns bruxos b�bados sa�am em estado deplor�vel de l�, e foi nesse lugar que Remo Lupin entrou.
Lupin se espantou com o n�mero de pessoas que ocupavam o bar de madrugada, muitos apostando jogos e discutindo, encontravam-se os tipos mais esquisitos da face da Terra. Numa mesa ao canto, que quase n�o foi percebida por ele, um homem estava sentado. Apesar do intenso calor ele usava uma manta que encobria praticamente todo o seu rosto, era o homem mais assombroso do lugar, parecida um tanto quanto abandonado.
Pouco era poss�vel ver da sua face, por�m Lupin sabia que atr�s de todo o disfarce havia cabelos negros e levemente embara�ados, algu�m jovial com bochechas cheias e um olhar penetrante. Cada vez ele recuperava mais a sua apar�ncia antiga, seus olhos n�o pareciam mais �rbitas fundas e escuras, tinham um brilho alheio que lhe dava vida.
Era o velho amigo e padrinho de Harry, Sirius Black.
- Como vai, Almofadinhas? � perguntou Lupin vagamente afetuoso e apreensivo.
- Apenas bem, at� quando isso � poss�vel � respondeu com seus olhos negros inst�veis.
- Pelo jeito voc� continua inconseq�ente... � reprovou Lupin com olhar censurado � Voc� n�o pensou na hip�tese de alguns desses bruxos te reconhecer? Vir at� aqui! Francamente, e nem me deixou discordar de voc� decidiu as coisas
e pronto.
- Se eu esperasse que voc� concordasse com alguma de minhas id�ias, n�s nunca ir�amos nos reencontrar a n�o ser que fosse numa cidade fantasma no meio do deserto � garantiu inconformado.
- Pelo menos seria mais seguro... � enfatizou Lupin olhando significantemente para Sirius.
- N�o tem problema, todos aqui pensam que est�o tendo alucina��es de t�o b�bados. N�o iriam perceber se o pr�prio Lord das Trevas entrasse aqui e pedisse uma cerveja � ele sorriu com seu coment�rio.
- Pelo menos voc� teve o bom senso de vir de madrugada, porque eu temo que te encontrem novamente, dessa vez n�o teremos como escapar e voc� corre o risco de...
- Chega � interrompeu Sirius totalmente descontra�do � Isto n�o vai acontecer, � claro se voc� n�o parar de especular as possibilidades que eu tenho de ser capturado poderemos falar sobre o assunto que realmente interessa.
- Certo. � concordou Lupin indignado � O Harry. Ele n�o est� nada bem, � a primeira vez que Voldemort tem chances reais de vence-lo. Ele at� que est� lidando bem com isso, mas o cerco est� se fechando, Sirius.
- Eu atravessei a Travessa do Tranco inteira e nem as piores lojas das trevas tem algo sobre essa Maldi��o, nem os bruxos mais malignos n�o sabem da exist�ncia dela � disse frustrado � Eu acho que dev�amos resolver isto do meu jeito.
- Voc� tem que ter paci�ncia � Lupin estava muito s�rio � N�o podemos simplesmente explodir o talism� com um feiti�o, e se isso acaba tendo um pre�o a ser pago.
- Se esse pre�o for a minha vida eu estou disposto a fazer � Sirius soou mortalmente decidido � Quero pagar a d�vida que eu tenho com o Tiago, eu jamais deveria ter confiado num imundo igual ao Pedro... eu influenciei eles, eu acabei participando do plano de morte dos dois...
- N�o � protestou Aluado terminantemente � N�o fa�a loucuras, e nem pense besteiras. Sirius, se voc� acaba agindo por impulso quem pode pagar o pre�o fatal � o Harry.
- Voc� sabe que eu jamais causaria nada que o prejudicasse. Mas se Voldemort consegue se recuperar, eu tenho certeza que Harry concordaria com tudo para impedi-lo de voltar. Por que se isso acontecer � uma quest�o de tempo at� todos n�s estarmos mortos... � lia-se uma express�o perigosa de determina��o nos olhos de Almofadinhas.
- Por enquanto isso est� fora de cogita��o � cortou Lupin definitivamente � Eles est�o lendo alguns livros sobre Maldi��es Antigas, sem nenhum resultado positivo. Amanh� eu irei ajuda-los, nesse caso tudo o que puder ser feito ter que ser feito logo. E... eles j� t�m uma metade do talism�.
- O qu�? � exclamou Sirius pasmo.
- � um objeto extremamente maligno, quando eu peguei consegui sentir uma energia inacreditavelmente perigosa, quase n�o consegui segura-lo por muito tempo. Segurar aquilo me deixou perturbado, como se a cada segundo a mais eu ficasse depressivo e perdesse as esperan�as, um efeito parecido com o dos dementadores � Lupin fez uma pausa e percebeu que Sirius iria ouvi-lo at� o final, porque seus olhos estavam arregalados e ele prestava muita aten��o � No entanto o mais impressionante � que uma simples menina consegue carrega-lo no pesco�o sem se dar conta de nada.
- Voc� acha que ela tem algum poder em especial? � indagou Sirius.
- Eu n�o sei... � disse num tom reflexivo � � estranho ela n�o se sentir indiferente ao talism�, a magia dele � devastadora e se algu�m consegue usa-lo isso quer dizer que h� uma barreira protetora nessa pessoa, ou algo que n�o a afeta do mesmo jeito que afetaria qualquer pessoa normal.
- Isso � intrigante... � Almofadinhas mordeu seu l�bio, ele estava confuso � Se essa menina est� junto com o Harry, n�o temos com que se preocupar.
- Eu concordo, � um problema a menos... � falou Lupin aliviado � Eu n�o fa�o id�ia at� que ponto � confi�vel n�o saber nada sobre a Tathy, mas isto � um indicador que do lado das trevas possivelmente ela n�o est�, sen�o o Dumbledore saberia... e n�s tamb�m, os Comensais da Morte carregam uma marca irrepar�vel com eles.
- Falando em Comensais da Morte, eu ouvi boatos de que finalmente eles souberam not�cias do seu Mestre e agora est�o tendo alguma atividade relacionada com o Harry. Porque desde do ano passado que Voldemort andava sumido, eu receio que todos estejam empenhados com a Maldi��o.
- Tem l�gica. Mas voc� acha que deve contar isso ao Harry pessoalmente?
- De maneira nenhuma � negou Sirius franzindo as sobrancelhas � N�o conte nada sobre o Harry de eu estar por perto.
- Por qu�? � seu tom de voz era indefinido � Eu achei que voc� gostaria de v�-lo e ele ficaria feliz com a sua presen�a, talvez isso o encorajasse mais...
- Harry j� tem coragem suficiente sem mim � disse Almofadinhas completamente seguro � E eu tento n�o me intrometer mais nesses assuntos diretamente. � �bvio que eu n�o veria Harry morrer de bra�os cruzados, mas at� quando eu n�o precisar interferir eu vou deixar que ele resolva por si mesmo. Harry tem potencial e ele n�o poder� prosseguir sempre com a prote��o de um de n�s, se algo acontecer ele estar� preparado.
- Ent�o, por enquanto a minha ajuda ser� suficiente nessa hist�ria � falou Lupin bastante determinado.
- Dumbledore pediu para que eu ficasse observando tudo de longe, qualquer situa��o mais grave eu entro em a��o. Eu vou segui-los para aonde quer que eles v�o, mas a princ�pio, eu sou como um agente oculto que s� deve aparecer em casos extremos.
- Espero que isso n�o estimule o seu esp�rito de adolescente encrenqueiro e irrespons�vel � aconselhou Lupin com uma piscadela travessa.
- Quando voc� vai acreditar que eu cresci? � Sirius soou indignado, ele comia uma por��o de batatas fritas � Eu n�o vou fazer disso um filme de a��o de James Bond.
- � parte que voc� se preocupa com o futuro do Harry diz que n�o, mas o fato de voc� ter me chamado aqui sem ter no��o do quanto esse lugar � popular e que a qualquer momento algu�m pode focar e reconhecer o seu rosto prova totalmente o contr�rio � lembrou Lupin meio que repressor.
- Ainda pensando nisso? � falou com a voz esgani�ada � Sinceramente, Aluado podem se passar dez milh�es de anos que voc� continuaria sendo cauteloso demais, meticuloso demais e preocupado demais.
- O que h� de errado em ser assim? � replicou.
- Que quando se trata de Voldemort por mais que voc� planeje, vem um ataque inesperado e te derruba. A �nica vantagem � que isso demora um pouco mais, por�m no final ele sempre te pega de surpresa.
- Voc� dizer que n�o existe rem�dio para escapar dos planos de Voldemort? � disse num tom suspeito.
- � claro que existe � Sirius sorriu excitado � E Harry tem a resposta certa. Ele tem as qualidades que Voldemort sempre invejou, no momento certo ele age da maneira correta e acaba se dando bem! Isso se chama improvisar perfeitamente, gente cautelosa demais n�o sabe fazer isso � Lupin fez um ar de superioridade como se a indireta n�o tivesse sido para ele e Sirius provocou � E nem vem se encontrar com o melhor amigo num bar, s� porque ele � um fugitivo e assassino perigoso!

**   **

- Olhe! � disse Gina num tom ir�nico � Esse livro parece interessante
�Como detectar a mentira de seu namorado em 1001 formas�.
- Deixe-me ver � Tathy disse alegremente pegando o livro vermelho berrante da m�o da amiga � Eu n�o acredito muito nesses manuais, sei l� me parece que eles tratam a vida real como um teatrinho idiota...
- � � concordou Gina com energia na voz � S�o exageradamente superficiais.
- Eu sinto muito interromper essa an�lise t�o interessante � Harry fez uma careta � Mas ser� que voc�s poderiam se concentrar no
meu problema? Por favor, minha vida depende disso.
- N�o seja t�o tr�gico! � Tathy soou levemente entretida � Mas n�s vamos fazer isso por voc�, OK?
- Oh! Voc�s s�o realmente gentis � agradeceu um pouco aborrecido � Obrigado.
- Potter, isto me faz querer dizer duas palavrinhas a voc�! � disse Draco firmemente � D�vida e Recompensa.
- Se essas palavras servem como uma esp�cie de lembrete, eu tenho apenas uma frase pra voc�: _ Harry olhou de lado para Draco � Cala a boca, Malfoy!
- Ningu�m nunca te disse que Voldemort finalmente est� conseguindo te transformar num cara chato e frustrado? � os olhos de Draco estavam cheios de mal�cia � Tome cuidado, Potter! Ficar de mau-humor s� vai estragar a sua reputa��o.
Harry n�o respondeu, nem sequer olhou para Draco que estava com uma express�o de divertimento alucinado no rosto, Harry sabia que Draco queria irrita-lo e ele n�o cairia no jogo dele.
- Ser� que voc�s n�o poderiam parar de repetir Voldemort a toda hora? � Gina parou horrorizada com o pr�prio atrevimento � Trabalhem mais e n�o digam tantas bobagens!
- Bom dia! � Lupin havia acabado de descer as escadas e ele tinha um ar disposto.
- Bom dia! � respondeu Tathy no mesmo tom � Embora voc� n�o possa dizer o mesmo aos tr�s, hoje eles est�o exageradamente zangados.
- H�... tudo bem com voc�s? � perguntou Aluado hesitante observando-os.
Gina pegou dois livros cobertos de p�, e tossiu fortemente tirando com a m�o a poeira.
- �... � ela franziu as sobrancelhas entediada � BEM, e coberta de p� � e tossiu.
- Tenham paci�ncia... � recomendou Lupin com um olhar severo, mas n�o para Gina e sim, para toda a sujeira � Eu vou ajudar voc�s, porque hoje � o meu dia de folga, ent�o temos um longo e feliz dia no meio dessa sujeira.
- Legal � lamentou Harry � Eu estou me arrependendo profundamente de n�o ter trazido a Hermione, ela adoraria ficar cercada por tantos livros, acho que sempre foi o sonho dela...
- O qu� voc�s acham? � perguntou Draco com uma express�o de quem estava com dor de est�mago.
- Eu acho que isso s�o dois livros e que voc� devia come�ar a ver o que tem a� dentro de uma vez, voc� tinha outra sugest�o? � Gina sugeriu com um sorriso.
- Sim � ele lan�ou um olhar engra�ado a ela �
�Transfigure sua m�o� ou �Dicas Pr�ticas para Eliminar Gnomos�? Qual desses � mais desnecess�rio? � Draco mostrou os dois livros e depois colocou num amontoado perto dele.
- Harry, eu tenho novas not�cias � anunciou Lupin concentrado � Dumbledore falou comigo ontem � noite.
Harry olhou desconfiado para Aluado, e viu que ele sustentava uma express�o muito s�ria:
- Por qu� Dumbledore n�o falou comigo? � indagou Harry suspeitoso.
- Era extremamente tarde, voc� j� estava dormindo e ele disse que era para deixar voc� descansar, assim pouparia energias � Lupin n�o gostava de mentir, e em toda a sua vida ele n�o foi o melhor mentiroso e Harry notou isso. Ent�o para desviar a aten��o dele, Aluado fez um gesto fren�tico com a m�o e prosseguiu � O que importa � que voc� deve saber que os Comensais da Morte est�o ativos novamente, Voldemort deve ter avisado a eles, tome cuidado h� muitos bruxos querendo te encontrar.
Eu acho que � melhor eu me acostumar a ouvir esse nome horr�vel! Pelo jeito eles v�o fazer isso at� o final pensou Gina conformada.
- N�o tem problema � garantiu Harry � O qu� poderia piorar agora? Poucas coisas me parecem t�o certas ultimamente.
- Potter, � comentou Draco em tom de reprova��o � Eu n�o sabia que havia tantas pessoas querendo sua cabe�a... Isso me faz sentir culpado.
- N�o precisa se comover comigo � falou Harry.
- Culpado em outro sentido � respondeu Draco com veem�ncia � Todo mundo querendo te matar, e eu fiquei parado esses anos todos... pelo menos poderia ter ajudado.
- Seu senso de humor � inacredit�vel, Malfoy! � desdenhou.
- Veja pelo lado bom � Draco soou cauteloso � Isso mostra o quanto sortudo voc� �! Voc� est� vivo, est� na minha frente e ainda ganhou uma cicatriz idiota para fazer sucesso!
Tathy, Gina, Harry, Draco e Lupin ainda continuaram por algumas horas folheando livros e vendo uma camada de poeira se formar na atmosfera da loja. At� que Aluado chamou a aten��o de todos, ele tentava com esfor�o abrir um livro grande de uns 40 cm de comprimento por 20 cm de largura. Ele era todo preto, um preto desgastado pelo tempo e as bordas provavelmente foram corro�das por tra�as. Tinham detalhes em prata, vivo e luminoso, n�o possu�a t�tulo apenas uma espada desenhada com o mesmo material prateado.
O estranho � que parecia t�o f�cil de manejar, t�o simples de abrir de longe e, no entanto Lupin estava tendo dificuldades para empurrar a capa.
- �... � disse olhando por cima � Agora temos uma coisa interessante para se preocupar. Harry e Draco por favor, me ajudem a abrir essa coisa.
Harry e Draco se entreolharam decididos e foram at� a mesa de Lupin, Gina e Tathy acompanhando de longe com olhares curiosos.
Eles apoiaram seis m�os para levantar a tal capa, e mesmo usando toda a for�a parecia que n�o havia levantado nem um pouquinho.
- Droga! � pestanejou Draco furioso � Afastem-se!
-
Allorromora! � disse e quando o jato de luz prateado bateu, o objeto continuou im�vel como se nada tivesse acontecido.
- Boa tentativa, Malfoy � disse Harry � Mas isso s� serve para destrancar portas.
Eles ainda usaram o feiti�o do
Arrombamento, o do Enfraquecimento, o do Rompimento, o de Volver e simplesmente n�o mudava.
Como se cada folha tivesse o peso de ferro, nem Hagrid com todo o seu tamanho e for�a conseguiria mover uma p�gina sequer. E isso era intrigante, eles estavam convencidos que alguma coisa importante estava escrita ali. Eles precisavam descobrir, mas antes tinham que vencer esse obst�culo.
Tathy observava silenciosa e atenta, seus olhos demonstravam que ela estava longe, procurando algo em sua mente. De repente ouviu-se ela gritar:
- � claro! � Tathy deu pulinhos de felicidade � � t�o f�cil, mas temos que pensar de maneira correta.
- O qu� �? � disse Harry ansioso.
- Eu vou abrir isso pra voc�s � ela tirou o talism� do pesco�o � Esperem um minuto.
Ela colocou o talism� em cima da espada do livro, e ainda segurando disse:
- Abra! � e um estalo milagroso fez a capa virar e as p�ginas amareladas finalmente podiam ser lidas.
- Muito inteligente � concluiu Lupin enquanto os outros sorriam perplexos.
Eles se amontoaram em volta de Lupin, que come�ou a folhear calmamente. As p�ginas estavam desbotadas e escritas a m�o, numa letra �s vezes ileg�vel. N�o parecia letra de humano.
O cap�tulo principal possu�a o mesmo desenho da espada em prata no canto superior da folha, e a letra se tornou mais apressada e menos leg�vel. Dava para sentir a gota de �dio e revolta em cada palavra, quem quer que tenha escrito aquilo, n�o era do bem.

�... a arma fatal para destruir os bruxos. Demoramos meses para materializa-la, fizemos pactos com seres menos significantes e inteligentes do que n�s. Dem�nios tamb�m colaboraram, quantos venderam sua alma para constru�-la�.
Por�m, finalmente chegou o dia. A
Espada B�lica est� pronta.
Nenhum bruxo � capaz de derrota-la, sua l�mina cortante carrega todo o nosso �dio e poder aumentados em mil vezes. Ela ser� usada para cortar definitivamente nossas liga��es com os bruxos. Nem os feiti�os mais poderosos conseguir�o corromp�-la.
Eles conhecem Maldi��es capazes de matar e torturar, essa espada � a pr�pria senten�a de morte e ida para o inferno. Ela ultrapassa o Avada Kedrava, o Cruciatos e termina com o Umbrarroma.

- Harry! � exclamou Tathy excitada � Esse � o nome antigo da Quarta Maldi��o Imperdo�vel!
- Espere � interrompeu Lupin com um sorriso � Harry, acho que encontramos a solu��o para acabar com os planos de Voldemort.
Harry se sentiu estranhamente feliz, como se tivesse acabado de ganhar a liberdade. Mas ele queria ler mais, ver como poderia derrotar Voldemort.

Ela foi feita para destruir os feiti�os mais perversos dos bruxos, e rasgar impiedosamente seu cardio (cora��o em grego) em mil peda�os nojentos espalhados pela Terra.
Nada pode ser mais forte do que a nossa espada da vit�ria.


- Era por isso que ningu�m conseguia achar a resposta certa � disse Harry meio atordoado � Eu pensei que s� um feiti�o pudesse acabar com outro.
- Essa espada � feita por feiti�os, ent�o indiretamente ela tamb�m � um � respondeu Tathy. 
- E como e aonde vamos achar essa Espada? � disse Draco.

�... ela tem 45 cm de comprimento, sua lan�a chega a brilhar de tanto poder em tons prateados. O cabo � pesado e maci�o em tons verde e preto, dificilmente uma pessoa normal conseguir� segura-la por um tempo prolongado. J� que por natureza ela rejeita os bruxos, s� com dons especiais ou alma n�o-totalmente bruxa a pessoa ser� capaz de encostar-se � espada constantemente.
Ela tem intelig�ncia pr�pria, uma sabedoria que a leva a destruir quem tem sangue m�gico humano, por esta raz�o � extremamente perigosa a pessoas que a tiverem em m�os erradas.
Pode ser aprisionada em uma redoma de vidro com feiti�os a prova de l�minas cortantes, a �nica maneira de mant�-la dormindo e d�cil...�.

Abaixo havia uma r�plica que dava a impress�o de ser perfeitamente igual � verdadeira.
Draco particularmente ficou mais interessado nessa figura, ele olhava de um jeito muito estranho para ela.
Como se j� tivesse visto essa espada em algum lugar, como se tivesse uma vaga lembran�a dela e n�o conseguisse lembrar totalmente.
Era verdade que Draco sempre visitava lugares tenebrosos com seu pai, ele poderia ter visto em qualquer lugar desses. Ele se concentrou e fitou determinado a figura.
Onde?
Estava mais pr�ximo do que ele imaginava, precisamente em um das salas da Mans�o Malfoy, acima da lareira coberta por um grosso vidro impenetr�vel.
N�o havia d�vidas, n�o poderia existir outra parecida com aquela. Draco parou de pensar, ele estava muito confuso, seus olhos estavam arregalados.
- O qu� foi, Malfoy? � disse Harry preocupado � Parece que voc� est� enfeiti�ado, voc� est� bem? Viu um esp�rito agourento?
- Pior do que isso � falou perplexo � N�s vamos ter que ir para o centro de Reuni�es dos Comensais da Morte, ficar no meio das trevas e enfrentar os perigos mais sinistros.
- Eu n�o estou entendendo o que voc� que voc� quer dizer... � replicou Gina nervosa � Voc� est� me assustando.
- Mas isso � motivo para voc� ficar apavorada � os olhos cinzas de Draco reluziam terror � Essa espada pertence ao meu pai. Ela est� guardada na minha casa, e nesse momento ela deve estar repleta de carinhas querendo matar o Potter.
Gina ficou terrivelmente p�lida, e Tathy e Lupin somente encaravam os dois sem saber como agir e sem ter o qu� dizer.
Harry estava perturbado, seus olhos verdes traduziam algo como confus�o. Se era poss�vel definir o que Harry sentia, era uma mistura de p�nico com louca ousadia.
Ningu�m disse nada depois de Draco, mas todos estavam at�nitos, seria mais dif�cil do que eles imaginaram ser. O caminho de uma longa jornada apenas come�a a partir desse instante, e talvez nem todos voltassem vivos. N�o havia garantia de que eles iriam vencer.
Harry teria que lutar em desvantagem, no campo do inimigo. E Draco seria obrigado a enfrentar seus pais cara a cara.
N�o seria uma batalha f�cil, pelo contr�rio era desafiadora e complexa.
Ser� que Harry e os outros estavam prontos?

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