| Cap�tulo 13 - Uni�o de Sangue |
| - Eu estou ouvindo � a voz de Draco parecia fria e distante � Mas n�o consigo imaginar como o passado do meu pai pode ser t�o negro a ponto de eu me surpreender � os olhos dele ca�ram inseguros sobre Sirius � O que ele fez? Vendeu a alma para um dem�nio? - Eu duvido que essa hip�tese seja verdadeira � respondeu-lhe lan�ando um olhar s�rio. Sirius estava com um brilho misterioso em seu rosto � Seu pai sempre foi presun�oso demais para vender a alma para uma criatura que foi desgra�ada por se atrever a beber sangue de unic�rnio. - Mas dem�nios precisam de almas ruins para sobreviver, enquanto eles eram apenas barretes vermelhos o sangue humano bastava, mas quando se tornam dem�nios eles t�m o poder de dar qualquer coisa a pessoa em troca da sua ama suja � Draco estava aflito e as pupilas de seus olhos acinzentados diminu�am e aumentavam � Um dem�nio n�o poderia ter feito melhor escolha do que a alma podre do meu pai. - Isso faria l�gica se voc� subestimasse a intelig�ncia do seu pai � replicou Harry meio abalado � Ele n�o venderia a maior propriedade dele por qualquer desejo que um dem�nio pudesse realizar, voc� sabe que tudo que vem dessas criaturas � amaldi�oado, n�o h� uma garantia para esses contratos, seu pai n�o se arriscaria... - Mas ele sempre foi terrivelmente ambicioso, n�o �? � os olhos de Draco correram de Harry para Sirius � Essa ambi��o pode ter lhe subido a cabe�a e sem pensar ele fez... - Harry! � ralhou Sirius com os caninos para fora, agora parecendo mais um c�o raivoso do que o padrinho que ele conhecia � Ser� que voc� podia tentar n�o se intrometer e dar corda para as hip�teses sem fundamento que o Draco est� fazendo? Harry recuou, os olhos arregalados, mas ele n�o parecia ter se magoado com a bronca que havia acabado de levar. - Voc� deve ter uma coisa realmente muito importante para falar � a atmosfera estava tensa como se o teto estivesse cheio de pregos que pudessem desabafar encima deles a qualquer momento � Eu sinto muito, eu n�o queria atrapalhar. - Se a gente tivesse por onde sair � disse Tathy hesitante, ela e Gina estavam intimamente congeladas � eu juro que ter�amos deixado voc�s a s�s. - N�o � necess�rio � garantiu Sirius e lan�ou um olhar fraterno para as duas � todos voc�s querem uma explica��o para essa atitude de L�cio, e eu posso ajudar a arrumar a bagun�a que ele fez salvando o Harry, eu e o Draco. Houve um sil�ncio ensurdecedor, em que os pregos imagin�rios do teto pareciam ter despencado e perfurado cada parte do corpo de Draco. Harry, Tathy e Gina estavam mais afastados e mortalmente quietos. - Eu conhe�o o meu pai � afirmou Draco � eu sei o quanto ele � ambicioso e que n�o daria a m�nima para a alma imunda que ele tem se em troca pudesse ser muito poderoso. Eu sei que ele d� muito valor para o dinheiro, tudo o que ele sempre quis foi ser rico e poderoso. Como ele j� tinha sua fortuna herdada dos meus av�s, s� o que faltava era o poder, e ele foi atr�s como qualquer um que quer satisfazer o orgulho pr�prio. - Definitivamente Draco ningu�m melhor do que voc� que conviveu durante anos com seu pai para nos dizer como ele � � Sirius falou num tom que revelava nas entrelinhas que o qu� ele estava dizendo n�o estava aberto para discuss�es � Mas eu j� lhe disse que a vida de L�cio Malfoy foi partida ao meio, separando-se em passado e presente. Eu n�o preciso te contar nada sobre a parte que seu pai se tornou um Comensal da Morte em diante, mas eu tenho muito o que lhe dizer sobre o passado dele e quando eu estudava com ele em Hogwarts. - O que ele aprontou quando era jovem? Ele pregou alguma pe�a em voc� ou fez algo mais perigoso? - Das afirma��es que voc� fez anteriormente � ignorou o coment�rio parcialmente sarc�stico de Draco � voc� acertou uma em quatro. Seu pai sempre sonhou alto muito al�m da condi��o de vida que ele tinha quando era um bolsista em Hogwarts. Eu tamb�m devo deduzir que voc� nunca conheceu seus av�s paternos, eles morreram quando seu pai era um beb� e nunca deixaram nenhuma heran�a para ele, mas isso n�o significava nada, L�cio n�o dava valor para riqueza e poder, ele era o aluno mais popular do col�gio, todos eram amigo dele, ele n�o fazia diferen�a entre sangues-puros, Casas, posi��o social. Todos eram tratados do mesmo jeito pelo conhecido L�cio. - Quer dizer que o meu pai era estimado pelo povo de Hogwarts? � um sorriso travesso saiu pelo canto da boca de Draco � Ele era o Grande Homem do Povo em Hogwarts! Eu n�o sabia disso, sempre achei o meu pai autorit�rio demais para construir uma amizade s�lida com algu�m, ele tinha mais jeito para comandar uma ditadura. - Do jeito que ele ficou sim � concedeu Sirius � Mas o que n�o se encaixa entre o seu pai de antes e o de agora � o que causou esta transforma��o, n�o houve motivos para ele se revoltar contra tudo e todos que estavam � volta dele, a ambi��o de L�cio nunca foi se juntar a Voldemort e ser o cara mais arrogante simplesmente torturando pessoas porque achava que elas n�o mereciam viver. - Bom, s� h� um motivo que pode fazer um homem achar que tem que sair por a� descontando a raiva em todos que est�o perto dele � disse Draco pensativo � Ele levou algum fora da garota que ele era apaixonado? - Seu pai tinha uma vida completamente feliz tirando que ele era �rf�o e o col�gio o ajudava a bancar as despesas do ano letivo em Hogwarts. Mas, definitivamente ele foi o cara mais sortudo e filho da m�e que tinha uma confian�a merecida em si pr�prio. Ele tirava as melhores notas e ainda namorava a garota mais bonita de Hogwarts. Desde sempre os dois s� eram vistos juntos, como uma dupla insepar�vel tipo �Batman e Robin� s� que na vers�o rom�ntica. - Como a minha m�e era? � perguntou Draco interessado. - A Narcisa era a chefe de torcida do time de Quadribol da Sonserina onde o seu pai era o capit�o e foi assim que eles acabaram se conhecendo! Mas ela era a garota que fazia os caras babarem quando ela passava nos corredores, os cabelos loiros dela balan�avam com o vento � lembrou Sirius com uma express�o agradavelmente avoada � Isso era um tanto quanto estimulante para a popula��o masculina do col�gio. - Eu n�o me lembro de ter pedido para voc� contar ass fantasias que os garotos tinham quando olhavam para a minha m�e � replicou Draco irritado. - Ent�o os dois eram o casal vinte do col�gio? � Gina se intrometeu particularmente intrigada mordiscando o canto do dedo � Como se fossem o casal perfeito, n�o �? - Quando voc� tiver que passar por mais experi�ncias assim como eu, a vida vai te ensinar que nada � perfeito mesmo que voc� pense que � � recomendou Sirius misteriosamente. - Meu pai j� me disse isso � Draco engrossou a voz imitando L�cio � �Cuidado filho, nem tudo que reluz � ouro� quer dizer, as apar�ncias enganam. - O maior defeito da sua m�e era a gan�ncia, ela n�o veio de uma fam�lia muito rica, ent�o n�o pode participar de v�rios passeios, as meninas muitas vezes voltavam cheias de sacolas do Natal, ou das lojas de cosm�ticos da Beleza M�gica e ela raramente podia acompanh�-las � explicou olhando vagamente para o teto � Eu digo isso porque seu pai e sua m�e eram nossos amigos, meu, de Tiago e dos outros que se juntavam para uma festa inesperada nos finais de semana, a tristeza dela era vis�vel, quero dizer, ela tinha tudo para ser perfeita menos o dinheiro para comprar o mesmo que as outras meninas, acho que isso a consumia de raiva talvez fosse o que ela mais quisesse. - Eu n�o acredito! � exclamou Gina meio furiosa � Ela era a garota mais bonita do col�gio, namorava o cara mais popular e s� conseguia pensar em dinheiro? - Os dois juntos n�o passavam de p� rapados! � argumentou Sirius � Acho que ela pensava como ela conseguiria ter uma casa, montar uma fam�lia se os dois n�o tinham onde cair mortos! - A julgar por todos os bens que n�s possu�mos hoje, parece que meus pais conseguiram juntar uma fortuna maior do que eles esperavam � disse Draco com uma nota de orgulho. - Maior do que a sua m�e esperava? N�o Draco, ela sempre sonhou com isso � Sirius fitou Draco com seus olhos escuros como a noite � Eu fico feliz por ela ter se dado bem, mas esta fase come�ou assim que eles terminaram Hogwarts e depois se juntaram a Voldemort. Os rostos de Gina, Tathy e Harry se viraram espantados para Sirius e Draco. Draco os encarou com uma express�o ileg�vel, a voz de Sirius repetindo o nome de Voldemort como se ele tivesse gritado isso dentro de seu c�rebro. Agora tudo fazia sentido para Draco, ele podia ver a cena em sua mente, Voldemort comprando a lealdade de seus pais com sacos de gale�es, e depois ele viu os dois se arrependerem e tentarem se separarem de Voldemort, mas j� era tarde, o Lord das Trevas nunca foi de perdoar ningu�m, Draco o viu amea�ando seus pais. O garoto afastou essa nuvem de pensamento e se dirigiu a Sirius: - Voc� est� supondo que eles se tornaram Comensais da Morte por interesse? � ele questionou confuso � Todos que se unem a Voldemort t�m a inten��o de tirar vantagem disso, seja algum proveito ou por achar que Voldemort � o lado mais forte e assim eles estar�o protegidos. - Isso significa que tudo que eu vivi at� hoje foi uma farsa?! � indagou Draco seus olhos se contraindo em duas linhas finas e poucas rugas aparecendo em sua testa � O que eu vi eles sendo, como eles me ensinaram a viver, foi tudo um grande engano! Eu n�o posso acreditar que eles passaram tanto tempo fingindo! - Seus pais erraram! � disse Gina veementemente � O erro do passado os fez pagar um pre�o, entenda que eles tinham que te preservar. Voc�-Sabe-Quem conhece o ponto fraco das pessoas, no caso dos seus pais o que eles possu�am de mais precioso era voc�! - Ela tem raz�o, Malfoy � concordou Harry e mesmo que a dist�ncia entre os dois garotos fosse um pouco grande a firmeza com que Harry disse aquelas palavras fez com que Draco parasse e pensasse friamente � Por incr�vel que seja, e eu digo isso como uma das pessoas que provou constantemente o veneno dos eu pai, ele foi obrigado durante esses longos anos a cumprir as ordens de Voldemort. Ele precisava proteger a fam�lia que ele tinha constru�do! Draco interrompeu o contato visual que ele e Harry estavam tendo, a cadeira rangeu aguda e brevemente e Draco se levantou, ele deu dois passos meticulosos e se virou para Harry. - Eu me lembro o quanto ele ficou perturbado quando a Marca Negra surgiu no c�u! Ele estava agindo estranhamente com a amea�a da volta de Voldemort! - Eu acho que o seu pai tinha medo de desobedec�-lo, mesmo que depois de ter encontrado o Harry ele ter virado uma sombra que ficava vagando por a� � Gina se levantou e ficou de p� parada ao lado de Draco, ela estava com um ar pensativo. Ap�s um segundo, ela suspirou e olhou intensamente para ele � Hoje seu pai venceu o medo por sua causa, ele preferiu se arriscar a ser morto do que te deixar esperando para Voc�-Sabe-Quem acabar com voc�! - Se n�o fosse pelo amor que ele sente por voc� n�s n�o estar�amos aqui agora � refor�ou Tathy com vigor. - E isso � o que realmente importa � disse Gina com um sorriso � Ele n�o fingiu a vida interia que gostava de voc�, que queria te ensinar o que ele achou que fosse necess�rio ou divertido voc� aprender. Draco, ele ama voc� de verdade, acima de qualquer coisa, e isso vale todo o sacrif�cio que ele fez para te poupar. - Eu espero que ele consiga cumprir o que me prometeu e me encontre l� fora � disse Draco terminantemente � Temos muito o que conversar. - E o que procurar tamb�m � disse Harry e chamou Sirius � Quando vamos deixar o por�o para procurar a Espada? - Amanh� � respondeu cautelosamente � � Noite todos os gatos s�o pardos e se escondem sorrateiramente no escuro, e eu preciso me recuperar � Sirius se apoiou na cadeira com duas veias se acentuando de dor � Voc�s devem fazer o mesmo, escapar da morte nos faz gastar muita energia. ** ** L�cio estava sem rumo, ele n�o sabia se voltava ao esconderijo e forjava a fuga de Harry e os outros, ou se escondia, porque provavelmente os Comensais da Morte j� tinham se dado conta de que ele os havia libertado. Como um fio de agulha passando por seu cr�nio, era uma dor aguda que latejava seu c�rebro. L�cio fechou os olhos, e algumas imagens passaram, primeiro como flashs de lugares e pessoas, e depois ele conseguiu voltar ao in�cio do que parecia ser um pequeno filme registrado em seu c�rebro. Sim, agora ele teve certeza de que se tratava de uma lembran�a, obscura que cada vez ficava mais clara. *Lembran�a de L�cio* Era o jardim de Hogwarts, exatamente na entrada da Floresta Proibida. Havia muitas luzes no castelo, estava havendo uma festa, a festa de formatura dele, de Narcisa e de todos os outros alunos que tamb�m terminavam o s�timo ano em Hogwarts. Ele se lembrou que estava procurando por Narcisa, a garota estava decididamente fria naquele dia. L�cio havia perguntado � ela v�rias vezes o que havia acontecido, mas ela apenas garantia que estava tudo bem. Por�m ele sabia que tinha alguma coisa errada nela, algo que ela n�o queria contar a ele, e isso era grave porque desde que eles come�aram a namorar n�o existia nada que um n�o pudesse compartilhar com o outro. O dia da formatura era o mais esperado por todos os alunos do �ltimo ano, n�o tinha um que n�o fizesse um coment�rio empolgado pelos corredores, e Narcisa estava simplesmente inexpressiva aquele dia at� o momento em que ela disse a L�cio que iria ao banheiro e ele a seguiu at� a Floresta Proibida. Ele estava agachado atr�s de um arbusto, o c�u estava negro como se tivessem colocado sob ele um manto de veludo preto, havia um vento sombrio e o som afastado da festa, que era o �nico lugar para onde L�cio queria voltar, sem saber o que Narcisa havia ido fazer ali, ele queria peg�-la pela m�o e lev�-la de volta ao castelo, esquecendo o que tinha feito a sua namorada ir at� a Floresta Proibida, numa noite especialmente tenebrosa. Narcisa estava aflita, ela esfregava suas m�os nervosamente e caminhava de um lado para o outro, at� que um barulho a fez hesitar assustada e das trevas surgiram dois olhos que brilhavam perigosamente e pertenciam a uma criatura an�. - N�O! � gritou L�cio, ele n�o tinha conseguido reconhecer o que era o ser do tamanho de uma crian�a que se adiantou para Narcisa como se fosse uma serpente pronta para dar o bote, a imagem se emba�ou diante de seus olhos at� desaparecer completamente, e L�cio sentiu a sensa��o de estar entrando num buraco sem fim e cenas passavam instantaneamente. Como uma em que Narcisa estava do lado de uma pessoa encapuzada, essa pessoa se aproximava com uma varinha na m�o e haviam correntes prendendo seus punhos. E esta vis�o tamb�m se apagou, desta vez L�cio sentiu uma ligeira pontada embriagante e o corredor voltou a ficar em foco. A voz de algu�m estava vindo na dire��o dele, L�cio se segurou na parede, suas pernas j� n�o queriam sustentar seu corpo, e ele se jogou dentro da primeira passagem que apareceu. L�cio se encostou com a respira��o ofegante ao lado da porta, e ouviu de muito perto os passos se aproximarem, uma voz podia ser ouvida mas o que ela dizia ele n�o conseguiu compreender, o Sr.Malfoy esperou tudo se tornar silencioso novamente. Decidido de que era melhor, para ele pr�prio se salvar, n�o ser visto por mais nenhum Comensal, L�cio decidiu se esconder, at� que pudesse saber o que ele iria fazer para ajudar Draco e os outros a sa�rem da Mans�o, s�os e salvos. ** ** Mione j� havia acordado a algumas horas, por�m n�o tinha visto Rony no caf� da manh�. � medida que cada um ia acordando preparava seu pr�prio p�o e o leite para fazer o chocolate quente, a �nica bebida dispon�vel no acampamento, porque algu�m havia errado uma m�gica e queimado todo o estoque de caf�. Mione n�o quis ir procurar Rony antes porque ele poderia imaginar que ela estava dando mais esperan�a a ele, e isso s� deixaria a consci�ncia dela mais pesada, al�m de tornar as coisas mais desconfort�veis do que j� estavam para ela. No entanto, ele n�o estava em nenhum lugar do acampamento, e as horas iam passando e o tempo se alongando, Hermione resolveu perguntar para Lupin se ele sabia onde Rony estava. A resposta � que ningu�m fazia id�ia, e que estavam todos t�o compenetrados em suas atividades, que n�o tinham espa�o para prestar aten��o nele, talvez Rony estivesse por a� t�o dedicado como eles, e a garota nem tivesse percebido. Hermione lan�ou com viol�ncia seu ar pela boca afora, os lugares em que ela tinha procurado Rony sendo descartados mentalmente. Com certeza ela teria visto-o se ele estivesse onde provavelmente qualquer um estava, mas o garoto tinha simplesmente desaparecido. Sentindo-se totalmente burra ela pensou no alojamento masculino, era o lugar mais prov�vel de onde ele poderia estar. E agora Hermione sentiu-se muito est�pida porque ela estava prestes a fazer uma coisa muito idiota, ela sabia disso, por�m isso j� n�o contava tanto para ela. �Vamos arriscar, Srta.Granger� ela pensou caminhando ansiosamente para a barraca �Enquanto voc� o procurava por toda a floresta, ele estava bem quietinho dormindo em sua cama.� Hermione entrou com passos mansos, ela iria dar um grande susto em Rony daqueles que nos deixam sem f�lego, primeiro porque quase temos um ataque card�aco, segundo porque depois n�o paramos de rir de n�s mesmos e nossas caras de espanto. Hermione se virou sorrateiramente para a cama de Rony com as m�os erguidas pronta para dar o susto, mas... A barraca estava vazia. Nenhuma alma viva sequer para dizer uma palavra para Hermione. - Rony! � ela tentou novamente � Voc� est� a�? Se voc� est� escondido pode sair! Desista porque eu n�o vou me assustar! Em seguida veio o sil�ncio, Hermione olhou em volta, nenhum movimento, definitivamente ela estava sozinha. O vulto de Mione continuou andando at� mais adiante da barraca, se perguntando onde Rony poderia estar, ela n�o tinha nada de importante para diz�-lo, s� queria v�-lo, justamente encontra-lo, mira-lo divertidamente e ver seu olhar sendo correspondido, sem falar que Rony era o �nico bruxo da mesma idade que ela, isso a fazia sentir menos deslocada no acampamento. Ela passou pela clareira e chegou numa plan�cie, o n�vel do relevo estava visivelmente num plano mais alto, apesar de n�o ser distante do lugar onde todos estavam agora, s� naquele ponto podia se perceber como o ch�o se ressa�a nessa parte final, que terminava num extenso barranco. Rony estava sentado em frente ao buraco que o declive fazia, os raios de Sol deixando seus cabelos al�m de vermelhos com pequenos tons amarelos, e ele numa posi��o reflexiva. - Este seria um lugar legal para se isolar do mundo! Mas ser� que voc� podia dividi-lo comigo s� um pouco? Eu n�o gosto de ficar l� vendo eles trabalharem sem poder fazer nada efetivamente �til! � disse Hermione. As orelhas de Rony ficaram vermelhas, parecia que o Sol estava cozinhando as duas. Os ombros dele ficaram mais tensos quando ele percebeu que n�o estava mais sozinho. - Claro! � ele respondeu � N�o h� nenhuma proibi��o de voc� vir at� aqui! Hermione sentou do lado de Rony, ele olhou para ela. Mione estava respirando pela boca, como ela sempre fazia quando estava cansada, as ma�as do rosto tinham ficado mais vermelhas que o normal. - Bom dia! � falou animada � Eu tive que andar um bocado para conseguir te dizer isso. - N�o dizem que sempre depois da tempestade vem a calmaria? Se eu comparar isso com a noite de ontem, serve como consolo! � disse Rony desta vez sem lan�ar nenhum olhar para Hermione, a tristeza estampada em letras garrafais escritas em seu rosto. - Se lembra de quando eu fui petrificada pelo basilisco? Voc� pode compara a isso o que eu estou sentindo agora, talvez s e voc�s tivessem me deixado petrificada para sempre seria melhor... Hermione pegou uma pedrinha e arremessou longe. - Por favor Rony, n�o me fa�a sentir pior do que eu j� estou � ela disse com uma nota melanc�lica � Voc� pode dizer a si mesmo que seu amor por mim � s�lido o suficiente para voc� lutar por ele. Eu n�o posso nem ao menos lutar por voc�, porque nada na minha vida est� definido, entre o que eu quero e eu, existe uma barreira. - Ent�o voc� j� sabe o qu� vai fazer? � Rony olhou para ela surpreso. - Eu sempre soube, mas esta barreira sempre foi mais alta do que eu pudesse enxergar � Hermione sorriu timidamente � E de certa forma voc� est� se fingindo de bobo ou voc� � muito pessimista para n�o entender do que eu estou falando. Rony ficou calado, as orelhas ficando vermelhas de novo, ele olhou para baixo e disse como se nada tivesse acontecido: - Quando voc� fica preocupada, voc� tamb�m fica desatenta? - Eu n�o estou entendendo o que voc� est� querendo dizer... � ela falou impaciente. - Olhe! � Rony apontou para a frente, mais adiante eles podiam ver um grande campo, toda a grama devidamente cortada e numa colina um ostentoso castelo, cercado por muros, contudo do lugar que os dois estavam tanto a parte de dentro como a de fora ficava vis�vel, assim como o onipotente M que estava no port�o � A Mans�o Malfoy! N�s n�o faz�amos id�ia do quanto est�vamos perto de Harry... Hermione olhou incr�dula para o castelo nas plan�cies, a �nica coisa que os separava era o grande barranco que estava caindo diante deles. Ela se levantou e sapateava agitava na dire��o de Rony e depois da Mans�o: - Por Deus! � exclamou com um sorriso � Voc� faz id�ia do que isso significa? - Que Lupin sabia que havia outro caminho para a Mans�o e escondeu isso da gente porque provavelmente ele imaginou que se a gente soubesse como o Harry est� perto seria inevit�vel... - A nossa ida para a Mans�o! � bradou Hermione com vigor. Ela ofereceu uma m�o alvoro�ada para que Rony tamb�m ficasse em p� � Eu sei que o que n�s vamos fazer � um tanto previs�vel, mas qualquer um faria isso para ajudar um amigo, n�o �? - Eu deveria te alertar! � loucura entrar no atual Centro de Reuni�es dos Comensais da Morte, deve haver um bocado dele l� dentro! Sem falar no pr�prio Lord das Trevas... � um olhar sombrio transpassou Rony. - Mas, Rony! � protestou Hermione chocada � N�s n�o podemos deixa-lo l�! E esperar por Dumbledore � arriscado demais! A qualquer hora pode acontecer algo novo, e pode ser o fim de algum deles, sem aviso pr�vio entendeu? Rony acariciou a pele macia de Hermione. - Se voc� n�o fosse t�o apressada e me deixasse terminar! � eles se entreolharam, ambos com muito afeto � � imposs�vel ser imparcial quando se tem o melhor amigo e a irm� l� dentro! - Oba! � Hermione agarrou o pesco�o de Rony e o abra�ou t�o forte que seus ombros chegaram a doer � Eu sabia! Voc� nunca os deixaria na m�o! - Certamente n�o � respondeu Rony numa voz abafada � Agora que tal voc� me soltar porque est� esmagando os meus ossos! - Oh! � disse envergonhada se afastando dele � Me desculpe! - Tem certeza de que ningu�m te seguiu at� aqui? � perguntou Rony preocupado. - Absoluta � falou Hermione firmemente � Eles est�o ocupados demais para prestar aten��o na gente! - �timo, isso vai facilitar a nossa fuga � Rony colocou suas m�os nas costas e admirou a Mans�o � Por�m se o prof� Lupin ou Dumbledore desconfiarem que n�s estamos planejando fugir para resgat�-los eles v�o tentar impedir. Ningu�m pode saber, sen�o n�o teremos a menor chance. - Se depender de mim, Lupin e Dumbledore v�o se surpreender quando sentirem nossa falta � afirmou. - Voc� realmente acha que n�o passou pela cabe�a deles a hip�tese de que a gente iria tentar salvar o Harry principalmente com a Mans�o bem debaixo do nosso nariz! - Dumbledore � esperto � concluiu Hermione com olhar penetrante � Ele age como se nada estivesse acontecendo, mas sabia que se a gente contornasse a clareira chegaria a esse atalho! - Deve ser algum caminho estrat�gico � refletiu Rony � Se a coisa ficasse muito feia e Harry ou os outros precisassem de ajuda, chegar�amos muito mais r�pido por aqui! - Dumbledore sabia que existia a possibilidade da gente descobrir o atalho! Tenho certeza de que ele est� com olhos bem abertos com a gente! - Dumbledore � um dos bruxos mais s�bios que eu j� conheci, n�o devemos dar motivo para ele supor que n�s dois estamos maquinando planos, temos que voltar logo ao acampamento � sugeriu Rony conferindo se n�o havia ningu�m se aproximando. - N�o vai demorar muito para ele perceber que n�s estamos armando alguma coisa... � disse Hermione aflita apertando seus dedos. - Por isso acho melhor partirmos hoje! � falou Rony terminantemente. A not�cia foi um chacoalh�o em Hermione. - Claro � murmurou hesitante � Quanto mais demorarmos, pior vai ser. Temos que nos apressar! - Vamos arrumar nossas malas e nos encontrar aqui � mandou Rony cautelosamente � Mas tenha cuidado, porque se eles sonharem com essa hip�tese tudo vai por �gua baixo, eles definitivamente v�o nos proibir de pensar em chegar perto da Mans�o sozinhos! Mione balan�ou a cabe�a em sinal positivo, e inesperadamente deu um beijo no rosto de Rony, que se sentiu enrubescer. - Boa sorte! � a garota desejou e saiu correndo. Quando Hermione voltou carregando o seu mal�o Rony j� estava pronto, sentado encima de sua bagagem. Ele espiou a garota se aproximando com dificuldade para levar o mal�o. - Rony! � ela chamou � Por qu� voc� est� a� parado? Venha me ajudar a carregar essa mala! - Hermione, o que voc� est� fazendo? � ele gritou perplexamente � Voc� � uma bruxa ou n�o �? Rony sacou a varinha de suas vestes. - �Vingardium Leviosa!� � disse e a mala foi flutuando at� pousar levemente ao lado do mal�o de Rony. - Oh! � ela se lamentou � Acho que eu estou t�o nervosa que acabei esquecendo que eu podia usar a varinha! - Isso mostra como voc� consegue manter a cabe�a fria nessas situa��es � falou Rony com ironia � Francamente! Esqueceu que poderia usar a varinha! - N�o ria de mim! � Hermione protestou divertidamente � Eu tive que arrastar a mala por toda a clareira! - Venha aqui! � Rony a puxou pela m�o e a levou para a beira do pequeno penhasco. Eles sentaram encima de seus mal�es e ficaram observando a paisagem, a tenebrosa Mans�o Malfoy t�o distante os chamava com um assobio da brisa fria que literalmente gelava os ossos deles. - Vamos partir depois do almo�o � comunicou Rony � Assim estaremos bem alimentados, e eu tamb�m peguei algumas comidas no caso da gente precisar, mas eu aposto que n�o vamos sentir fome, calculo que seja no m�ximo uma hora de caminhada at� chegar na Mans�o. Hermione simplesmente n�o respondeu, ficou olhando aflita para suas m�os cruzadas em seu colo. - O que foi? � perguntou Rony docemente � Voc� est� com medo? - N�o � ela respondeu prontamente olhando para o garoto � Mas eu estou pensando que a luz do Sol n�o � nossa aliada, ficaremos mais escondidos quando o Sol se p�r atr�s das montanhas. - N�s precisamos enxergar para poder desviar dos prov�veis feiti�os que devem proteger a Mans�o, considerando quem n�s somos � Hermione estava p�lida apenas olhava para Rony, uma express�o de dor nascia na discreta dobra de suas t�mporas. - Estamos definitivamente ferrados � disse com amargura � Vamos bater de frente com o pai nojento de Draco, ele � mau e a Mans�o tem a apar�ncia de ser antiga, casar�es assim costumavam ser forjados por muitos feiti�os. Os bruxos do s�culo XXII viviam em fortalezas extremamente protegidas porque muitos odiavam ser incomodados por vizinhos ou curiosos que fossem bisbilhotar suas vidas desconfiando de suas verdadeiras identidades. - Eu j� ouvi o Malfoy se gabando no Sal�o Principal que nenhum intruso conseguiria passar do port�o da sua casa, que seria atingido por tantos feiti�os que cairia desmaiado no ch�o antes de piscar � narrou Rony com um leve tom de raiva escondido em sua fala. - Isso se tivermos sorte, eu duvido que L�cio Malfoy n�o fa�a da entrada sua pr�pria m�quina de divers�o � disse Hermione com os olhos esbugalhados � Torturando, ferindo e at� matando quem se intrometa l�! - Eu acho que � tudo mentira do Malfoy � falou Rony c�tico � Ele vivia gritando pra quem quisesse ouvir que os trouxas eram a esc�ria do universo, e n�o teve a capacidade de ser o herdeiro de Slytherin e nem de abrir a C�mara Secreta � afirmou � Esta � a regra: Se o Malfoy diz que n�o teremos tempo nem de piscar no port�o, � porque vamos chegar at� a campainha em seguran�a. - Voc� est� exagerando � replicou Hermione pensativa roendo uma de sua unhas � mas tenho certeza de que nenhum feiti�o ir� nos atingir se formos completamente invis�veis. - Mas o Harry levou a Capa da Invisibilidade � argumentou deploravelmente. - Mas eu disse completamente, e n�o parcialmente � corrigiu Hermione estreitando seus olhos de um jeito misterioso � Al�m de n�o estarmos materializados na forma f�sica, n�o podemos transmitir calor, respira��o, emitir barulho ou fazer movimentos. Assim estaremos prevenidos contra qualquer tipo de magia, pois na teoria nem iremos estar vivos. - E na pr�tica tamb�m n�o � enfatizou Rony � se dependermos disso para chegarmos com vida na Mans�o. - Quer prestar aten��o? � pediu Mione um pouco irritada � Eu estive analisando, Dumbledore vai dar ordens para os bruxos que est�o aqui invadirem a Mans�o se for necess�rio, ele n�o brincaria com a vida de tantas pessoas se n�o soubesse o que est� fazendo. E tem outra coisa, como Sirius conseguiu passar por tantos feiti�os sozinho? - Por qu� eu tenho a impress�o de que voc� j� sabe a resposta dessas perguntas? � respondeu � Se dentro de mais ou menos um m�s, voc� tiver vontade de explicar, voc� me avisa, t�? - Sim, eu sei o que a gente tem que fazer � disse orgulhosa tirando de sua mala um livro cor de terra � Eu estava lendo �Plantas Mediterr�neas e suas propriedades m�gicas� quando uma planta me chamou aten��o. Aequusmortis, uma esp�cie de flor viscosa de cor azulada, a m�gica que ela faz � surpreendente. Perdemos todos nossos sinais vitais qualquer outra coisa que possa indicar que estamos vivos, contudo continuamos a vagar conscientes durante quinze minutos. O tempo � curto, mas � o bastante para entrarmos na Mans�o sem problemas. - Sem querer ser pessimista � disse Rony pausadamente � eu quero saber como vamos conseguir duas dessas florzinhas gosmentas? - Eu vi um monte de frascos com elas na sala de Reuni�es, est�o no alto da �ltima prateleira, s� precisamos pegar algumas sem que ningu�m veja. - Digamos que j� nos tornamos profissionais nisso com tantos anos estudando com o Harry! � comentou Rony alegremente. - No entanto os efeitos colaterais que uma Aequusmortis provoca n�o s�o muito agrad�veis � Hermione afundou seu rosto no livro e franziu as sobrancelhas � Varia muito da resist�ncia do organismo de cada pessoa, por�m passados os quinze minutos o bruxo que a comeu pode sofrer tonturas e perder a vis�o durante alguns segundos, como apag�es � ela terminou de ler e fechou o livro. - Ent�o j� temos uma sa�da para o nosso problema � concluiu Rony. - Pelo menos para este � disse Mione seriamente � Se algo der errado eu vou saber que tentei ajudar e n�o fiquei apenas assistindo as coisas acontecerem. Rony pegou nas m�os da garota e as apertou com firmeza, havia muita determina��o em seus olhos. - Hermione � sua voz estava tensa, mas havia vigor � eu n�o quero que voc� fa�a besteiras na Mans�o e acabe perdendo a vida. Se algu�m tiver que se sacrificar para proteger os outros este algu�m ser� eu. Entendeu? - N�o diga bobagens � ela desconversou � Eu prefiro morrer ao te ver morrendo! - E eu n�o quero mais viver se for sem voc� � replicou. Hermione ouviu atentamente e ficou emocionada, ela n�o queria dizer nada, somente olhar para Rony, sua �urea t�o cheia de sinceridade, ele correspondeu ao olhar. Ap�s um instante a garota sorriu. - Estamos brincando com a morte. Fa�amos um trato � prop�s � Nenhum de n�s morrer�, ainda temos que viver muitos anos, e somos dependentes um da vida do outro. - Eu aceito o trato e serei impetuoso com eles se me privarem de voc�, e me deixarem sonhando com a sua decis�o, as estrelas ontem me disseram que logo eu vou saber � Rony beijou as m�os de Hermione e se levantou � Espere aqui, em um minuto eu volto com a nossa planta! � e saiu correndo. Hermione o assistiu se afastar at� sumir de vista, um calor estranho aquecendo suavemente seu cora��o. Ela suspirou e olhou a amea�adora Mans�o Malfoy. - Partir � um dor t�o doce que mistura medo e alegria, o nosso destino � t�o incerto que �s vezes sinto vontade de ficar dizendo adeus at� amanh�. ** ** ****** Harry Dormindo****** A noite estava sombria, apesar do ver�o estar chegando, havia um forte e frio vendaval que congelava os ossos de Harry, as �rvores eram muitas, seus troncos pareciam rostos malignos cheios de mil olhos que sorriam maliciosamente, no c�u estouravam muitos raios silenciosos que riscavam o manto negro e tenebroso da noite com supostas rachaduras roxas em sua atmosfera. Harry podia ver e sentir em seu corpo como se estivesse l�, por�m ele mantinha uma consci�ncia que n�o fazia id�ia de onde vinha, de que ele n�o estava naquele lugar, harry era apenas um expectador que observava de longe, mas era atingido psicol�gica e fisicamente por sua vis�o medonha. Pessoas com capas pretas esvoa�antes surgiram, eram seres das trevas encapuzados e mascarados, e formaram um c�rculo. Cada um tinha uma imagem com um cr�nio e uma cobra saindo da boca desse cr�nio queimando em vermelho-vivo por debaixo de suas vestes, a imagem aparecia nitidamente incendiada em seus bra�os. De dentro da floresta emergiu um homem magro, com a pele extremamente branca, n�o amarelada como a dos mortos, e sim p�lida e t�nue como se h� muitos anos ele n�o tivesse absorvido nem um raio de luz de Sol que nos deixa corados, e seu semblante enjoado e sem vida de algu�m que sempre esteve doente e a cada dia tem suas for�as supridas pela tristeza que o consome. Do seu lado, um homem que do mesmo modo que os outros usava capuz e m�scara, ele era baixo e gordo, seus passos acompanhavam com uma devo��o assustada o seu amo, como se ele estivesse prostrado suplicando para que seu senhor n�o se irritasse com ele. Os Comensais da Morte recuaram e Voldemort se adiantou seguido de Rabicho. Lentamente os bruxos da roda se prostraram de joelhos e se arrastaram at� Voldemort para beijar suas vestes, um por um repetiu a sauda��o e voltou para seu lugar. Harry sentiu sua cicatriz doer como se houvesse algum veneno que vindo dela se espalhasse por toda a sua cabe�a e a deixasse inchada dando a sensa��o de que ela iria explodir. Os tons roxos do c�u piscaram em sua vista o deixando tonto e confuso, tudo parou de girar subitamente em dois olhos vermelhos e amea�adores, Voldemort olhava para seus Comensais. Ent�o Harry teve a definitiva certeza de que estava sonhando, por�m o Menino-Que-Sobreviveu dorme e sonha com coisas verdadeiras. O jardim da Mans�o estava t�o perto do por�o que Harry podia sentir o cheiro forte de canela e do orvalho que deixava a grama �mida, e as vozes pareciam ser ouvidas atrav�s da janela que permitia a propaga��o de seu som. Era um sonho, no entanto Harry n�o conseguia se libertar dele quando quisesse. - Meus servos � sibilou a voz tenebrosa de Voldemort � Se aproxima a hora em que eu reinarei absolutamente no Mundo M�gico, em que finalmente poderei me vingar de Harry Potter e mostrar a todos que pensaram que eu havia sido derrotado, que o her�i deles � um fraco, e que ironicamente os poderes dele estar�o ligados aos meus atrav�s do talism�. Voldemort arrastava sua capa pelo jardim passando por cada Comensal dignamente empertigado, deixando seu rastro de medo e ast�cia. - Voc�s fizeram um bom trabalho � recome�ou secamente � Na verdade me surpreenderam. Capturaram Harry Potter, Sirius Black e ser�o muito bem recompensados... � os olhos de Macnair e os outros reluziram com essas palavras � Onde est� L�cio? - Milorde � respondeu Macnair prontamente fazendo uma pequena rever�ncia � L�cio Malfoy est� cuidando dos prisioneiros, a porta est� sendo vigiada constantemente. - �timo, eu queria a presen�a do meu ardiloso amigo na hora da minha chegada, mas acho prudente tomar algumas provid�ncias para assegurar que os prisioneiros n�o ir�o fugir - Perd�o, milorde � disse Macnair � Mas � praticamente imposs�vel que eles escapem do quarto porque a porta � encantada, no entanto L�cio achou melhor prevenir e ficou vigiando-os para que nada atrapalhe os planos do Mestre. - Que assim seja. Tudo o que eu sofri por causa desse menino acaba hoje, � o in�cio de uma Nova Era para o Mundo M�gico, aqueles que foram infi�is v�o pagar o pre�o. E voc�s que permaneceram fi�is a mim nunca vacilem porque eu sempre me lembro daqueles que me ajudam � Voldemort arrancou o talism� de seu pesco�o e ergueu-o admirando o objeto. Depois de alguns segundos em reflex�o, ele se voltou para Macnair � Me leve at� o garoto. Essas �ltimas palavras invadiram a mente de Harry e vibraram como se algu�m tivesse batido os pratos de uma bateria em seus ouvidos, a dor exaustiva de sua cicatriz voltou e Harry conseguiu se libertar de seu sonho. Desesperado. Mil coisas passaram numa velocidade surpreendente pela cabe�a de Harry. H� quanto tempo aquilo havia acontecido? Ser� que eles j� tinham descoberto a fuga de Harry? Qual seria a rea��o de Voldemort? Harry acordou Sirius apressadamente, seu padrinho ainda taciturno compreendeu quando viu o rosto p�lido do garoto tentando dizer alguma, mas as palavras n�o sa�am, ele colocou a m�o sobre a cicatriz.. - Sua cicatriz voltou a doer, Harry?- indagou Sirius tomando consci�ncia da propor��o do problema � O que houve? - Eu sonhei com Voldemort � Harry disse espantado como se a id�ia de ter premoni��es fosse muito estranha � Ele est� aqui, ele quer o talism�. Precisamos fugir � Ele est� aqui, ele quer o talism�. Precisamos fugir. - Por Merlin! � praguejou Sirius toda a express�o de sono foi varrida em um segundo � Esse maldito venho mais r�pido do que eu esperava. Corremos perigo, Harry! Todos n�s! Gina e Tathy despertaram com a confus�o. - Malfoy � Sirius o sacudiu desajeitadamente � Malfoy, voc� tem que nos tirar daqui! - Ser� que n�o se pode nem dormir direito? Eu vou dar uma de super-her�i com o Potter depois, mas agora eu s� preciso dormir! � resmungou Draco com a cabe�a deslizando debilmente no travesseiro. - Acorde, Draco! Isso � urgente! � berrou Harry. O garoto de cabelo loiro-platinado que mesmo ele acabando de acordar n�o se mexiam um mil�metro do lugar teve um estralo. - Voc� nunca me chamou pelo primeiro nome, Potter! � sua voz rouca tinha um leve tom de irrita��o � Deve ser realmente uma emerg�ncia para voc� falar assim! - � pior do que uma emerg�ncia... � uma calamidade! � rugiu Harry � Se voc� teme pela sua vida temos que sair daqui j�! Gina e Tathy que observavam tudo quietas deixaram escapar um gemido horrorizado. - Voldemort est� aqui! A esta hora provavelmente nos procurando por toda Mans�o e guiado pelo talism� ele n�o vai demorar a chegar! - Meu pai? � exclamou Draco imediatamente � Ser� que ele est� bem? - Se tranq�ilize, Malfoy � sugeriu Sirius Black � Voc� precisa nos salvar e depois eu tenho certeza que seu pai estar� l� fora te esperando. Draco sentou numa poltrona e colocou suas m�os na testa. - Certo � disse firmemente como se estivesse tentando organizar seus pensamentos � Temos que sair pelo jardim, porque se voltarmos pelo caminho que viemos vamos acabar nos encontrando com eles. - Ent�o voc� nos guia � falou Harry terminantemente colocando a m�o na ma�aneta e girando-a. - Pare, Potter! � berrou Draco � O jardim � cheio de feiti�os, s� meus pais sabem controla-los, e eu sou imune a eles! Mas qualquer um de voc�s saindo aleatoriamente por a� n�o v�o ter chance de sobreviver para contar se as plantas eram bem regadas. - O que te faz imune? � perguntou Gina. - Sangue Malfoy � respondeu simplificadamente � � o que tenho nas minhas veias, e � o que eu vou dar para voc�s. Voc� tem um punhal a�, Potter? � sua voz soou como se ele estivesse pedindo uma caneta emprestada. - O que voc� est� pensando em fazer? � replicou Harry escondendo o punhal que ele tinha pego em uma das salas da Mans�o. - N�o � �bvio? � disse sarcasticamente � Eu preciso fazer um corte para que o sangue saia e eu d� ele pra voc�s. - E voc� pretende que a gente tome o seu sangue ou fa�a algo parecido? � disse Tathy perplexa. - Eu acho isso nojento � disse Gina enjoada. - Podemos colocar o sangue do Malfoy em frascos e pendurar no pesco�o � disse Sirius e voltando-se para Draco � Eu estou vendo que voc� n�o est� preocupado com isso, mas n�o fa�a um corte muito profundo. Draco pegou o punhal da m�o de Harry e fez um corte na palma da sua m�o, e o l�quido vermelho come�ou a brotar de dentro da sua pele. - Voc� est� bem? � perguntou Gina preocupada � Est� doendo muito? - Daqui a dois dias isso j� estar� cicatrizado � respondeu tranq�ilamente. Sirius pegou cinco grampos de cabelo de Tathy e agitando sua varinha disse: - �Transformus�! � e os grampos se transfiguraram em cinco pequenos frascos amarrados numa cordinha. Draco colocou algumas gotas de sangue que escorriam de seu ferimento dentro dos frascos e os distribuiu. - Agora voc�s est�o invis�veis a qualquer feiti�o ou detector de intrusos e tem passagem livre por toda a Mans�o, mas tomem cuidado para n�o quebrar o frasco porque isso s� vale enquanto voc�s tiveram o meu sangue. - E a Espada? � disse Harry � N�s temos que acha-la, � o �nico jeito de acabar com essa Maldi��o! - Com a chegada de Voldemort teremos que ser mais atentos ... se at� aqui isso foi uma brincadeira pra voc�s, a partir de j� se conscientizem de que brincadeira acabou e quem for capturado pode n�o voltar mais... � anunciou Sirius mais s�rio do que Harry j� o tinha visto em toda a sua vida � Tem algu�m aqui que acha que n�o vai conseguir? Que quer ir embora? Sil�ncio absoluto, ningu�m se manifestou. - Ent�o, todos somos capazes de conseguir! Vamos nos separar em dois grupos, porque assim fica mais dif�cil de nos capturarem... Sempre olhem para o c�u, se algum grupo achar a Espada deve soltar centelhas vermelhas assim o outro grupo deve partir imediatamente ao encontro daqueles que estiverem com a Espada, entenderam? - Vamos dar a volta no jardim da Mans�o para entrar na casa de novo? � falou Gina - Sim, voc� vai com o Malfoy e eu vou com o Harry e a Tathy... � ordenou Sirius � Espero que nos encontremos em breve! Depois das despedidas, eles abriram a porta do por�o e sa�ram para noite sombria iluminada pela amea�adora luz da Lua e seguiram caminhos opostos. ** ** Gina e Draco olharam para tr�s e viram as sombras de Harry, Tathy e Sirius se emba�arem at� se misturarem completamente com a escurid�o. Gina agarrou firmemente a m�o de Draco que olhou para ela: - N�o tenha medo, eu vou cuidar de voc� � sussurrou o garoto. Eles continuaram caminhando por um bom tempo, o cheiro forte de grama e orvalho penetrava nas narinas de Gina, pequenos barulhos eram feitos por seus passos cautelosos e arrastados. Gina mantinha uma m�o segurando o frasco de sangue e outra era guiada por Draco. - Ainda est� doendo? � perguntou Gina. - O qu�? - A sua m�o, eu acho melhor voc� fazer um curativo nela ou pode infeccionar � respondeu num tom um pouco acima de um sussurro. Draco olhou para sua m�o, apesar de n�o enxergar nada naquela escurid�o, sentia que o ferimento estava seco e duro e que o resto da sua m�o mal se mexia. - N�o precisa se preocupar comigo, eu estou bem � disse sentindo como sua m�o estava r�gida. - Eu n�o t� preocupada � negou Gina mas voc� n�o pode ignorar o fato da sua m�o estar com uma apar�ncia horr�vel � ela suspirou e pegou a m�o machucada de Draco � E est� fria. Agora os dois estavam parados um de frente para o outro, com uma m�o entrela�ada e a outra Gina segurava delicadamente. Ela n�o conseguia enxergar mais do que os contornos do rosto de Draco, por�m o brilho dos olhos acinzentados ca�ram sobre ela como a suave brisa do sereno. Demorou algum tempo at� ela cair em si e esquecer que ele estava t�o perto dela, que a estava tocando e de certa forma isso queimava em cada termina��o nervosa de seu corpo. Ela tirou a m�o que estava entrela�ada e procurou sua varinha: - �Lumus!� � a luzinha que nasceu de sua varinha iluminou o corte profundo e que j� estava ficando grudento na m�o de Draco � Meu Deus, a sua m�o n�o pode ficar assim... Eu n�o posso acreditar que voc� n�o iria fazer nada, ainda tem sangue superficialmente. Gina fez um Feiti�o Anti-c�ptico para limpar a ferida e depois fez um Feiti�o Esparadrapo, Draco estava com seu machucado devidamente enfaixado e depois de algumas �rvores tenebrosas e pequenos ru�dos produzidos pelo jardim, Gina comentou com uma nota de medo em sua voz: - Devemos estar bem longe deles agora. - Estamos quase chegando do outro lado. Vamos despistar Voldemort! Voc� devia estar orgulhosa por isso! No instante em que Draco foi olhar para a garota um animal coberto por p�los castanho-avermelhados saiu de um buraco escuro andando ligeiramente com suas cinco patas e pulou em cima de Gina que caiu no ch�o totalmente sem defesa, enquanto o monstro atacava-a violentamente. Tudo isso aconteceu muito r�pido, Gina estava im�vel e paralisada pelo choque, sem pensar muito no que estava fazendo Draco arrancou o monstro co sua m�o machucada, por�m isso j� n�o fazia diferen�a. A estranha criatura peluda era forte e come�ou a tentar dar mordidas em Draco. A luta ficava mais dif�cil � medida que o animal se debatia em seus bra�os e conseguiu dar uma dentada, como muitas faquinhas pontiagudas em seu pesco�o. Mais que por impulso do que um ato de defesa, Draco tirou o monstro que estava grudado em seu pesco�o como se tivesse feito um Feiti�o Adesivo Permanente. Com o pouco que lhe restava de consci�ncia pensou no mesmo instante em que quase levava outra mordida �Estamos ferrados � um animal carn�voro, se pelo menos conseguisse pegar minha varinha.� E ele viu um jato de luz prateada bater no monstro que parou de se mexer e caiu duro no ch�o. Do outro lado estava Gina com a varinha empunhada e a m�o tremendo, seus olhos negros estavam incrivelmente assustados e olhavam para Draco como se soubessem que desta vez algo muito grave tinha acontecido. Draco teve pela primeira vez, desde que o animal surgira misteriosamente, a sensa��o de dor. Sua m�o latejava e um l�quido quente escorreu por seu pesco�o, ele sentiu uma dor de cabe�a estonteante e a for�a para sustentar seu corpo desapareceu t�o inesperadamente que ele n�o pode impedir sua queda. - N�O! � Gina disse com um gemido se ajoelhando onde o garoto estava. De repente Draco queria falar, mas estava doendo muito, e a dor era t�o intensa que ele sentiu vontade de fechar seus olhos, assim talvez seu sofrimento diminu�sse e at� se tornasse agrad�vel. - N�o Draco, n�o! � chamou a doce voz de Gina, embora agora ela estivesse cheia de afli��o � N�o feche os olhos, fique aqui comigo. Suas p�lpebras estavam t�o pesadas que ele j� n�o se importava mais em resistir de fech�-las, mas a s�plica de Gina era mais do que um pedido para ele. - Escute � a voz tr�mula e hesitante de Gina soava bem perto dele. Ele viu a m�o dela toda ensang�entada � O corte n�o � profundo, mas voc� est� perdendo muito sangue, eu s� preciso estanc�-lo, mas para isso voc� tem que ficar acordado. A imagem de Gina foi se emba�ando diante dele, como se estranhamente ele tamb�m precisasse de �culos para enxergar assim como Harry, ele sentiu muito por estar fazendo aquilo, sua m�o j� n�o do�a mais, s� uma do r fininha que parecia vir l� de dentro de sua art�ria � que lhe dava garantia de estar vivo. Ele sentiu gotas quentes e salgadas pingarem em seu rosto e quando Gina falou ele percebeu que ela estava chorando. - Draco � Gina tentou manter sua voz firme mas estava vacilando toda hora � Voc� n�o pode morrer...n�o pode morrer porque... porque eu preciso de voc� todos os dias do meu lado...voc� n�o pode ir embora antes de ouvir que eu queria que tudo tivesse sido diferente, queria ter aproveitado melhor os momentos que tive com voc�. Eu te amo. Com um �ltimo gemido ela o apertou contra seu peito. ** ** ** |