![]() |
| Cap�tulo 12 - L�cio Malfoy |
- Pai � Draco finalmente disse num tom hesitante � N�o � exatamente o que voc� est� pensando. O sorriso debochado surgiu no rosto de L�cio Malfoy, agora Harry j� sabia de quem Draco havia puxado aquela express�o irritante de superioridade. - N�o me diga que voc� estava passeando pelos corredores quando viu o Potter e o Black tentando fugir e resolveu fazer a Boa A��o do Dia! � berrou L�cio e sua voz entrava pelos t�mpanos deles e quase os fazia pular para tr�s � Vamos, Draco! Voc� tem alguma boa explica��o para isso? Se voc� honrar a fam�lia a que pertence e abandon�-los, eu posso at� te perdoar... � L�cio andava friamente de um lado para o outro, sua frieza aumentando a cada palavra � Ser trai�oeiro � uma qualidade que eu prezo muito. Ah Potter, voc� pode falar por experi�ncia pr�pria, n�o �? O jeito como Pedro traiu sua fam�lia foi extraordin�rio, merecia at� um pr�mio, e ele ainda fez voc�s acreditarem por treze anos que o culpado havia sido esse a�... � ele apontou com a cabe�a para Sirius, que estava completamente sem for�as, ainda apoiado nos ombros dos garotos mal se mantendo em p�, Sirius o encarou de cabe�a erguida, embora seus olhos revelassem que ele estava tonto. Harry sentiu sua boca fechar e enrugar, a m�o estava fechada e pronta para acertar um soco em L�cio, os olhos verdes se tornaram fendas tomadas pela f�ria. O olhar presun�oso de L�cio, fez a raiva explodir dentro de Harry, ela n�o podia suportar que falassem de seus pais, como se eles fossem pr�mios. - Meus pais enfrentaram Voldemort, eles morreram porque Voldemort sabia que todas as maldades que ele fazia n�o colocavam medo nos meus pais... � Harry gritava, mas provavelmente aquilo n�o era o bastante para deixa-lo aliviado � Meus pais nunca se curvaram para Voldemort! - E morreram! � concluiu L�cio numa voz diabolicamente macia � Realmente Tiago e L�lian foram corajosos, mas de nada os adiantou tanta ast�cia! - Pai! � Draco tornou a chamar e a sua voz cortou o ar como se cortasse o fio de liga��o entre Harry e L�cio que se fuzilavam com os olhos � Voc� n�o pode fazer isso, eu sou seu filho! Voc� n�o pode nos entregar... - Eu j� te disse, Draco � respondeu numa voz seca e L�cio voltou a andar pelo aposento sem olhar para Draco � Passe para o nosso lado, voc� n�o tem nenhuma obriga��o com eles, voc� pode se salvar, n�o h� ningu�m aqui, podemos fingir que absolutamente nada aconteceu! Harry observava tudo de longe, a express�o de Draco ficava cada vez mais clara, ele olhou para Harry como se pedisse desculpas, Harry viu que ele estava aflito. Draco voltou seu olhar para o pai, e mordeu os l�bios como se o que ele fosse dizer lhe causasse dor: - Voc� me convenceu, pai. Eu n�o quero ser torturado, eu vou ficar do lado dos Comensais... � Harry sentiu seus olhos arregalarem quando Draco disse essas palavras. �N�o � verdade� pensou Harry confuso �O Malfoy vai nos trair, ele jamais quis ser nosso amigo� as palavras de Rony passavam pela cabe�a de Harry, todas as vezes que ele tentou avisar e Harry n�o tinha acreditado, tudo voltava a se encaixar. Harry se perguntava como ele podia ter sido t�o idiota a ponto de confiar nele e deixar tudo isso acontecer, Harry podia ver Draco rindo dele e se gabando enquanto contava isso a Crabbe e Goyle. - Eu vou esperar Lord Voldemort chegar, e entregarei eles pessoalmente... � Draco fez uma pausa. Por�m enquanto L�cio o olhava com orgulho, ele segurou Sirius com mais firmeza, Sirius n�o tinha for�as para recuar. Draco retribuiu o olhar com desprezo � Pai, n�o espere que eu seja t�o sujo quanto voc�! Eu nunca vou ser um traidor, eu nunca vou me comparar a voc�s! Eu n�o quero mais, chega! Todo o orgulho de L�cio se transformou em repulsa, os olhos negros de L�cio ficaram vermelhos embaixo, eles se contra�am e dilatavam amea�adoramente. - Eu pensei que tivesse te ensinado alguma coisa todos esses anos... � murmurou decepcionado � O Potter n�o est� sendo boa influ�ncia para voc� Draco, se eu fosse voc�, pensaria melhor nas suas atitudes, voc� pode acabar tendo um fim sangrento igual ao dele! - Pai! � falou Draco novamente quase que suplicando � O que est� havendo? Voc� n�o � assim, por favor nos deixe sair! - Voc� me desapontou profundamente � grunhiu L�cio, o olhar impass�vel totalmente desprovido de amor, chegava a fazer Harry sentir pena de Draco, que estava p�lido e totalmente abatido, mas Harry achou que isso tinha mais a ver com o fato de que ele definitivamente n�o esperava que L�cio n�o se importasse com ele � Ser� que eu posso saber o motivo pelo qual voc� preferiu trair o seu pai ao trair Harry Potter? - Eu n�o tra� voc�, pai! � Draco afirmou com a sua voz tr�mula � Voc� mesmo est� se traindo ficando do lado das Trevas, voc� sabe quando Voldemort vai decidir te sacrificar para ele ficar mais poderoso? Eu n�o quero que voc� morra... - N�o diga besteiras, moleque! � cuspiu L�cio furiosamente � Harry Potter ir� morrer, quem n�o for leal ao Lord das Trevas tamb�m ir� morrer! N�o me fa�a rir com essas teorias de que se eu for bom pelo menos quando morrer eu vou para o c�u e n�o pro inferno... Lord Voldemort � o bruxo mais poderoso de todos os tempos, eu j� tinha te ensinado isso... - Esse n�o � o caminho... � falou Draco, e Harry viu que os olhos acinzentados dele reluziam porque estavam cheios de l�grimas � Pai, voc� n�o vai nos deixar ir? - Quanta pretens�o, Draco. Acho que eu tenho que te ensinar a respeitar pessoas que t�m um n�vel m�gico superior ao seu � L�cio empunhou a varinha e Harry pode sentir Draco transpirar de medo do seu lado � S� que desta vez voc� vai receber o castigo que traidores merecem... Cru... L�cio parou de fazer o feiti�o e cambaleou para tr�s, ele colocou a m�o em sua t�mpora como se ele tivesse sentido uma pontada de dor, sua respira��o ficou ofegante. Draco apenas ergueu as sobrancelhas. Entraram quatro Comensais da Morte, eles estavam rindo e falavam alguma coisa alto, Harry n�o conseguiu distinguir o que era, no momento ele estava mais preocupado em achar algum jeito de fugir com Draco e Sirius. Avery, Nott, Netwander e Rowseng mudaram repentinamente de sorridentes para inacreditavelmente chocados ao verem L�cio cuidando de Sirius, o famoso Harry Potter e seu pr�prio filho, pego na cena do crime, ajudando os inimigos. L�cio se recomp�s rapidamente, ele ainda estava parcialmente zonzo, por�m n�o o suficiente para esquecer da falha dos Comensais: - Quanta honra... � L�cio dizia sarcasticamente enquanto os outros estavam im�veis � voc�s decidiram aparecer? E olha que surpresa, dois garotos tentando roubar o nosso prisioneiro, voc�s j� imaginaram se eu n�o estivesse aqui? � a voz de L�cio foi ficando grossa � medida que ele falava, sua express�o mortalmente perigosa � Lord Voldemort me nomeou como Chefe dos Comensais, eu tenho autoridade para tortur�-los! At� que � uma excelente id�ia, isso � o que voc�s merecem por serem t�o distra�dos. - N�o � protestou Nott � Quando n�s sa�mos n�o havia ningu�m, e n�s cumprimos a ordem de ficar a noite inteira vigiando a porta, L�cio... - Cumpriram at� certo ponto, seus idiotas � esbravejou e ao mesmo tempo em que brigava com os quatro, n�o desgrudava os olhos de Harry e os outros � At� o tonto do Moody sabe que � necess�rio manter vigil�ncia constante, voc�s s�o muito incompetentes, sempre fazem tudo pela metade! - Esse n�o � o seu filho Draco? � indagou Nott apreensivo. - Sem perguntas! � ordenou furiosamente � Voc�s t�m sorte que eu n�o estou num dia bom, e n�o tenho tempo para descontar a minha raiva em voc�s e ficar me incomodando com esses problemas, desta vez passa mas na pr�xima eu chamarei o Mestre em pessoa para castiga-los, e ele n�o � nada piedoso! Agora tranquem os tr�s, e n�o deixem ningu�m sair pela vida de voc�s! N�o quero saber de perguntas, ser� que eu fui s�rio o bastante? Os quatro apenas abaixaram a cabe�a enquanto L�cio Malfoy passou literalmente soltando fogo pelas ventas, porque era poss�vel achar uma fa�sca pulando de seus olhos negros que j� estavam ficando vermelhos. Antes de sair Draco viu que ele colocou a m�o novamente sobre sua t�mpora, ser� que a dor havia voltado? Nott n�o disse uma palavra sequer, sua boca permaneceu cerrada. Ele olhou para Draco, para Sirius extremamente machucado quase que se arrastando e seu olhar recaiu sobre Harry, ele ficou alguns instantes encarando o menino. Para Harry o olhar de Nott n�o era t�o frio quanto o de Voldemort e n�o t�o amea�ador quanto o de L�cio, muito menos afetuoso quanto o de Dumbledore. Harry n�o se importava, estava pronto para se defender, mas continuou tudo no mesmo sil�ncio. Nott girou os calcanhares e saiu do quarto seguido pelos outros tr�s Comensais da Morte que agora pareciam cachorrinhos de orelha abaixada. O barulho da chave trancando a fechadura fez Harry e Draco se entreolharem. Aquela chave dourada estava na m�o deles, h� poucos minutos atr�s, era de tudo que eles precisavam para sair dali, uma simples chave que haviam tomado deles. Normalmente qualquer um na situa��o deles, estaria aterrorizado pelo fato de saber que eles iriam ficar horas trancados apenas esperando Voldemort chegar, esperando a morte chegar dolorosa e friamente. Por�m, Draco n�o estava preocupado com isso, Voldemort era um grande problema, mas n�o era esse problema que o estava deixando angustiado, que fazia Draco se sentir a pessoa mais miser�vel da face da Terra, ele podia ag�entar quinze Cruciatos seguidos, mas a total falta de amor que ele tinha sentido de seu pai tinha sido um golpe fatal, tinha acertado seus sentidos, sua capacidade de conseguir pensar. Isso era percept�vel ao olhar para a figura simplesmente destru�da de Draco, seus olhos cinzas estavam cansados, a �nica parte do rosto que estava corada era a bochecha por alguns pontos mais vermelhos, e a sua respira��o mais puxada e ofegante. Harry cuidou de colocar Sirius sentado no ch�o, e foi at� Draco que ainda estava parado de p� no mesmo lugar em que esteve quando tudo aconteceu. - Malfoy. � Harry chamou desajeitado � Voc� sabe que o qu� voc� fez foi realmente um grande gesto, eu fiquei surpreso com a sua atitude... - Voc� n�o esperava, Potter? � retorquiu Draco com azedume � Voc� achou que eu iria trair voc�s na primeira oportunidade que surgisse ou que eu iria esperar para trair voc� na hora em que voc�s menos esperassem? - N�o fa�a perguntas idiotas tentando ser sarc�stico, Malfoy � respondeu Harry no mesmo tom agressivo, embora seus olhos verdes continuassem ligeiramente suaves � Por um momento eu pensei que voc� fosse desistir de resgatar Sirius e se juntar ao seu pai, dizendo que voc� tinha feito a armadilha para me pegar. Era bem mais f�cil pra voc�. - E quem disse que eu gosto do que � f�cil? � Draco sorriu amigavelmente, mas ainda havia um tra�o de arrog�ncia em sua fala � Voc� nunca ouviu dizer que nem tudo que � f�cil � certo? Talvez mais um pouco dessas atitudes e eu j� posso ser chamado de her�i ou S�o Malfoy, assim como voc� Potter! - Mais um pouco e eu posso quase te admirar! � brincou Harry, e por um instante tanto quanto m�gico e raro Harry e Draco estavam se olhando como verdadeiros amigos, a atmosfera havia mudado tamb�m, parecia que os dois eram grandes amigos e que sua amizade os havia tornado praticamente iguais. Naquele instante, os dois tinham o mesmo fio de determina��o no olhar, o mesmo sorriso esgotado, no entanto, encorajador, nunca Harry e Draco tinham ficado t�o id�nticos, como se fossem irm�os, como se fossem duas partes de uma mesma coisa. - Odeio ter que admitir, Potter � disse Draco honestamente � Mas voc� � um cara legal! � Draco quase riu das pr�prias palavras, como se tivesse soado engra�ado, como se nunca tivesse passado pela cabe�a dele dizer isso algum dia � Agora eu sei porque tantas pessoas te idolatram, n�o � porque voc� � algo que ningu�m pode ser, na realidade � porque voc� faz coisas que ningu�m tem ousadia para fazer. Lutar por seus amigos, pelo bem, n�o desistir mesmo quando tudo parece dif�cil e vem algu�m te mostrando outro caminho que parece ser t�o simples, mas na verdade � um mundo de Trevas! Voc� � o cara pra vencer tudo isso, Potter! Quando Draco terminou de falar os dois se encaravam duramente, como se um doasse for�a, esperan�a e confian�a para o outro. Harry estendeu sua m�o e Draco prontamente pegou a m�o de Harry, num gesto de amizade. Entre eles, passava uma descarga el�trica como fios que estavam dando choques por excesso de energia. - Lembre-se Malfoy: �Nunca desista, sempre h� uma maneira de voltar�.Foi fant�stico o jeito como voc� enfrentou seu pai e n�o deixou se corromper, digamos que voc� teve uma dessas a��es que faz com a gente n�o seja apenas uma pessoa comum! - Eu quero salvar o meu pai � afirmou Draco absolutamente decidido � Eu n�o vou deixar Voldemort acabar com a vida dele. - E voc� vai conseguir � Harry apertou sua m�o t�o forte que chegou a ser dolorido, mas isso n�o importava � E todos n�s tamb�m vamos conseguir sair daqui e acabar com a Quarta Maldi��o Imperdo�vel! Pode escrever isso, Malfoy! Draco soltou do aperto de m�o de Harry, e sentou contra a parede, apoiando seus cotovelos em suas pernas cumpridas. Draco passou a m�o pelo seu cabelo loiro prateado, tentando abaixar inutilmente alguns fios rebeldes. - Eu n�o tenho d�vidas disso... � respondeu ap�s segundos de reflex�o. ** ** Tathy jogou a Capa da Invisibilidade longe, ela estava alucinada pela ira. O feiti�o que Harry tinha feito j� havia passado e finalmente as duas conseguiam se mexer. - Eu juro que n�o vou deixar Voldemort matar Harry... � Tathy disse rispidamente, enquanto seu rosto se contorcia de raiva -... eu mesma farei isso com minhas pr�prias m�os! Como ele pode ser t�o insuportavelmente est�pido? Gina se levantou e jogou suas m�os contra a parede e murmurou: - Isso � uma droga! Harry e Draco foram pegos, isto significa que a partir de agora n�s estamos realmente ferradas. - Se o Harry n�o tivesse nos prendido aqui, n�s quatro poder�amos nocautear L�cio sem problemas � reclamou Tathy indignada � Mas o Harry acha que ele pode vencer tudo sozinho s� porque ele tem aquela cicatriz! �s vezes ele � t�o teimoso. Isso me irrita... - O que vamos fazer agora? � indagou Gina aflita � Al�m do Sirius ter sido capturado perder o Harry j� � ruim o suficiente pra gente estar sem o Draco que � o �nico que conhece a Mans�o! � Tathy olhou para Gina, a express�o das duas come�ava a se tornar igualmente desesperada. - Se eu te disser que quando Voldemort chegar coisas piores vir�o, isso te deixaria feliz pela nossa situa��o atual? � falou Tathy com amargura. - N�o! � disse Gina com a voz moderada e desta vez chutou a parede com for�a � Vai ser o fim dos dois, Harry ir� morrer, a Maldi��o vai se cumprir e o Mundo M�gico vai acabar em trevas que durar�o para sempre � no meio da ang�stia de Gina surgiu uma ponta de esperan�a, ela fitou Tathy seriamente � N�s n�o podemos deixar isso acontecer. - E n�o vai. Enquanto eu estiver com isso � Tathy mostrou a metade do talism� que estava presa em seu pesco�o � Eles v�o ter que abrir meus dedinhos frios para arrancar isso de mim! - Se tudo der errado... � Gina segurou o talism�, uma onda de calor invadiu seu corpo. Uma energia poderosa entrou pelos poros de sua pele e se expandia por cada tecido do seu corpo � Eu prometo que n�o deixarei a Maldi��o se cumprir, se Harry morrer, eu enfrentarei Voldemort por ele,por Draco e por Sirius e nunca vou deixar que ele ressuscite novamente! Eu juro nem que isso custe a minha vida! - Isso n�o vai acontecer! � exclamou Tathy revoltada � Harry queria nos poupar por isso ele nos deixou aqui. Eu n�o preciso ser poupada, eu n�o tenho medo de enfrentar todos os Comensais da Morte juntos, eu vou traze-los de volta agora! � afirmou decidida. - Espere! � Gina apertou o punho de Tathy � Voc� est� louca? Isso � suic�dio, a gente precisa fazer alguma coisa inteligente e n�o ficar se arriscando. Coragem s� ir� servir para nos matar mais r�pido, n�s n�o precisamos morrer nesse momento. - Eu prefiro ficar com a coragem assassina do que assistir Voldemort estra�alhar os dois em pedacinhos, matar Sirius e depois vir atr�s da gente pegar o talism�. Harry nos poupou de morrer junto com ele, mas isso n�o diminui a dor e nem faz com que eles estejam salvos. Essas �ltimas palavras ecoaram pela cabe�a de Gina. E de repente aquele ponto m�nimo de esperan�a no meio da escurid�o dos pensamentos dela se tornou um grande clar�o que iluminou sua mente, surgia uma luz. - N�s ainda n�o fomos pegas, enquanto eles n�o nos acharem, nem nos prenderem, n�s podemos fazer alguma coisa � falou decidida � N�s fomos poupadas, isso pode trazer Harry, Draco e Sirius de volta. - O que exatamente voc� quer dizer? � perguntou Tathy desconfiadamente. - Que agora est� em nossas m�os, n�s fomos salvas pela atitude de Harry. Se a gente tivesse ido provavelmente estar�amos presas. Na verdade, o que a gente poderia fazer para impedir L�cio Malfoy de nos trancar junto com eles? - Eu poderia dar um chute no meio das pernas dele... garanto que ele ficaria indefeso por algum tempo � Tathy viu que Gina n�o teve a rea��o que ela esperava � Continue. - N�s precisamos de um plano para libertar os tr�s, temos que fazer isso antes que Voldemort chegue, porque com Harry preso ele deve estar a caminho. - Voc� tem raz�o � Tathy sorriu aparentemente mais confiante � E quando eles estiverem salvos, em vez de arrancar a cabe�a do Harry eu vou encher ele de beijinhos! Francamente, ele merece por ter nos deixado aqui feito idiotas! - Certo � Gina retribuiu o sorriso � Foi por uma boa inten��o! ** ** - Voc� deve ter ficado puto quando a Gina voltou para n�o me deixar sozinho! � disse Draco maliciosamente � Eu posso at� ver seu rosto ficando vermelho, e voc� dizendo para ela que n�o era normal ficar correndo por corredores escuros ao mesmo tempo em que se t�m todos os Comensais buscando fugitivos pela casa e tudo isso s� para encontrar um Malfoy, que se algu�m fizesse id�ia do que ela estava fazendo ningu�m acreditaria, enfim as mesmas amea�as de sempre. - Eu tentei dizer a ela para n�o ir atr�s de um Malfoy totalmente convencido e que al�m de tudo era extremamente perigoso... mas acho que ela n�o me ouviu � respondeu Harry � Mas n�o precisa me olhar desse jeito porque eu n�o fiz isso querendo impedir voc� e a Gina de ficarem juntos. - N�o? � perguntou Draco num tom suspeito � Voc� n�o � contra o nosso namoro? - N�o � disse Harry sinceramente � Mas n�o posso dizer o mesmo do Rony, ele quase tem um ataque do cora��o s� de pensar que voc� pode e a Gina podem estar... sei l�, se agarrando pelos corredores. Talvez esta hip�tese n�o seja t�o tr�gica para ele quanto � de que ela possa querer levar voc� num jantar da fam�lia e apresenta-lo oficialmente como namorado dela. - O Weasley n�o � o tipo de cara que esquece f�cil as coisas do passado � Draco deu de ombros � Todas aquelas provoca��es nos intervalos das aulas e as piadinhas, ele n�o devia dar tanta import�ncia para isso. - Definitivamente o Rony n�o sabe perdoar as pessoas com muita facilidade. Muito menos quando o assunto � os Malfoys, ele n�o � o cara mais d�cil do mundo � argumentou Harry � Mas voc� deve levar em considera��o que isso � briga entre duas fam�lias e que dura a muito, muito tempo! Seu pai nunca foi um anjinho com o Sr. Weasley, isso deixa marcas. - A velha hist�ria de sempre � bocejou Draco com t�dio � N�s crescemos aprendendo a odiar o que o outro faz, e apenas por isso n�s simplesmente nos odiamos sem motivo algum. E fazemos coisas sem sentido para prejudicar um ao outro, s� por causa de toda essa confus�o um Malfoy nunca poder� se apaixonar por uma Weasley, � proibido e de novo aquele bl�, bl�, bl� chato que eu tenho me lembrado toda vez que eu tento me aproximar da Gina. - Para voc� estar t�o irritado ela deve ter te dito alguma coisa � concluiu Harry e olhou atentamente para Draco � O que aconteceu no quarto do seu pai? Voc�s n�o pareciam estar muito contentes quando voltaram de l�. - Ent�o estamos quites, Potter � retrucou numa voz �spera � Parece que voc� n�o est� tendo resultado nenhum com a Tathy. - Como voc� sabe sobre isso? � disse Harry pasmo, mas como a resposta era �bvia, ele corrigiu � Tamb�m n�o interessa, e n�o tente mudar de assunto, Malfoy. Ela deve ter feito alguma coisa que te deixou sem a��o, alguma coisa m� � especulava Harry, e depois de um minuto de reflex�o ele acrescentou � Ela disse que voc� � apenas o segundo menino mais bonito de Hogwarts, porque eu sou o primeiro? - Como voc� consegue fazer tudo isso soar t�o engra�ado, Potter? � replicou Draco mau-humorado � Eu n�o devia estar te contando essas coisas, mas eu ontem eu estava dizendo pra ela que eu n�o sou mais aquele cara arrogante que gosta de perturbar as pessoas que s�o mais fracas que eu... bom, e que o meu lado mal�fico j� desapareceu, por isso ela podia confiar em mim. - Voc� n�o acha que s�o requisitos demais para ela esquecer s� porque voc� est� falando? Um Malfoy pedindo a confian�a de algu�m � desconfi�vel! � explicou Harry sarcasticamente. - Voc� quer me ouvir ou fazer eu me matar de arrependimento antes de terminar de te contar tudo? Francamente Potter quando eu era seu inimigo voc� era mais gentil! � disse Draco exasperado. - Era brincadeira � Harry estava com uma express�o divertida no rosto � No entanto voc� deve ter feito algo incrivelmente idiota � ao ver a express�o zangada de Draco ele acrescentou � Mas todos n�s cometemos erros, eu estou aqui para te apoiar, voc� sabe. Ent�o diga logo o que foi porque eu n�o ag�ento mais de curiosidade. - Eu peguei na cintura dela e disse que ela era encantadora e n�o era como a maioria das meninas que gostam de mim s� pelo dinheiro ou porque eu sou loiro, e ela simplesmente me soltou e disse com frieza que n�o gostava de mim � Draco jogou os bra�os para o lado, como se ele pr�prio n�o entendesse o que ele havia acabado de narrar. Harry abriu a boca, mas n�o emitiu som algum, depois ele ficou com uma express�o divertida encarando Draco que estava com uma tromba gigante: - Anote isso � falou pausadamente � Da pr�xima vez que tiver Gina em seus bra�os beije-a. Nunca mais diga besteiras! - Ser� que voc� poderia falar alguma coisa que eu n�o saiba! � reclamou � E pare de ficar agindo como se o meu sofrimento fosse engra�ado s� porque eu fui um imbecil com ela! - N�o se preocupe, Malfoy � tranq�ilizou Harry ainda com o mesmo tom de voz � Eu j� disse a Gina que ela devia acreditar em voc�. Na Passagem Secreta, lembra? Voc�s tiveram uma discuss�o e ela ficou realmente triste, mas eu disse a ela que por alguma raz�o voc� estava diferente. Isso � estranho pra todos n�s, mas a gente sabe que voc� mudou de verdade. - Valeu, Potter. Sinceramente cada vez eu te entendo menos! H� tanto tempo atr�s a gente se odiava e voc� foi capaz de fazer uma coisa legal por mim! - N�o me agrade�a, eu n�o sei onde eu estava com a cabe�a quando eu fiz aquilo � comentou e Draco olhou desanimado para o ch�o � Tamb�m n�o precisa ser t�o dram�tico, � �bvio que ela gosta de voc�, voc� sabe disso faz tempo! - Eu mere�o o desprezo dela � disse Draco como se fosse o homem mais miser�vel do mundo. Quando ele olhou para Harry seus olhos acinzentados estavam finos como dois riscos em seu rosto � Eu fui um imbecil, eu a tratei mal naquela maldita passagem e disse que nunca iria dar certo e que era melhor que ela ficasse a quil�metros de dist�ncia do que bancar a menina meiga comigo. Draco mordeu o l�bio como se essas lembran�as lhe causassem dor, n�o a dor de algu�m lhe dando um soco, mas uma dor que queimava dentro dele, uma dor que ele n�o podia arrancar e que incomodava muito. - Eu nunca fui legal com ela, nem quando ela me deu a oportunidade. Por qu� ela iria querer ficar comigo? - Pela mesma raz�o que Romeu e Julieta ficaram juntos e enfrentaram a imensa fam�lia deles os jogando contra a parede, enfiando o dedo na cara deles e dizendo que aquilo era um terr�vel erro � falou Harry firmemente � Ela ama voc�, Malfoy. - Voc� n�o est� sendo nem um pouco animador com esse papo de enfrentar as nossas fam�lias. Mas eu gostei da parte em que voc� disse que ela me ama � refletiu Draco � Voc� est� come�ando a me convencer... - N�o confunda as coisas, eu n�o estou aqui para te incentivar a nada � disse Harry tirando o corpo fora e desta vez ele n�o pareceu t�o energ�tico � At� porque se Rony souber que eu disse aquelas coisas para Gina e agora estou dizendo isso pra voc�, ele vai pegar minha cabe�a para usar como bala�o nos jogos de quadribol perto da casa dele. - Obrigado pela moral diante das situa��es dif�ceis � replicou Draco e continuou num tom pensativo � Eu preciso fazer com que ela tenha certeza que gosta de mim, sem d�vidas. - Hei, j� vou te avisando que o Rony n�o ter� d�vidas em querer quebrar a sua cara quando ele souber que voc� e a Gina est�o namorando � avisou � Ali�s, ele vai ficar em d�vida se acerta seu nariz ou o seu queixo primeiro. - Enfrentar o Rony vai ser moleza se eu sobreviver a Voldemort! � e adicionou irritado � E eu n�o sei porque ele reclama tanto, seria pior se a Gina escolhesse ficar com Neville Longbottom, por exemplo. - Voc� devia tentar entender o lado de Rony � disse Harry imparcialmente � O que voc� faria se ele estivesse dando em cima da sua irm� mais nova? - Eu diria a ele para esquecer essa id�ia maluca e que ficasse o mais longe poss�vel dela, antes que a minha paci�ncia acabasse e eu reduzisse ele a uma mancha de gordura no ch�o sem que ele tivesse tempo de perceber da onde tinha vindo o feiti�o � disse Draco com vigor. - Basicamente foi o que o Rony disse que iria fazer com voc�, mas com outras palavras. - Acho que eu entendo o Weasley � consentiu Draco e ele franziu as sobrancelhas como se tudo soasse bastante estranho � Ningu�m quer perder a irm� para o primeiro cr�pula que aparece, principalmente quando se trata de fam�lias rivais. Mas ele vai ter que entender que eu n�o sou exatamente o Malfoy cafajeste que ele pensa que eu sou. - Isso vai ser muito frustrante para ele � lamentou Harry � Um dos nomes que ele ressaltava quando estava te xingando � que voc� era um completo idiota e um grande cafajeste, sem falar no cretino imbecil... - N�o precisa entrar em detalhes � Draco interrompeu, mas n�o possu�a vest�gios de que ele havia levado a s�rio o que Harry tinha acabado de dizer � O qu� voc� me diz, Potter? - Eu n�o quero que voc� se influencie por mim, nem passa pela minha cabe�a querer sacanear o Rony... � come�ou Harry seriamente � Mas se eu fosse voc� n�o ficaria parado nem mais um minuto perdendo a chance de conquistar a Gina. Draco retribuiu com um olhar agradecido, e ficou desviando uma trilha de formigas que estava subindo pela parede. Depois de alguns instantes ele olha para Harry com um sorriso malicioso saindo pelo canto da boca. - O que foi? � perguntou Harry intrigado. - Eu nunca deixaria a minha irm� namorar o Weasley porque al�m do senso de humor negro que ele tem, as sardas dele s�o muito acentuadas � disse Draco � Isso � ir�nico. ** ** L�cio empurrou alucinadamente a primeira porta que ele viu a sua frente, entrou num quarto de h�spedes, a sua vis�o estava girando as imagens se misturavam em c�rculos confusos e o ch�o rodava abaixo de seus p�s. Ele oscilou mais uma vez, sua �ris parecia que abria e fechava, por isso a sua vis�o apagava e voltava, como uma l�mpada que est� prestes a queimar. Ele sentia que estava come�ando a delirar, como seu �ltimo ato de lucidez ele desabou sobre uma cama. L�cio n�o saberia dizer qual quarto era aquele, haviam tantos. Ele mal estava ciente de que ele podia estar em algum lugar verdadeiramente real, foi quando tudo ficou repentinamente negro. Num raio s�bito seus pensamentos voltaram, L�cio tinha for�as para se apoiar em seus cotovelos e levantar. Seus olhos ardiam como se h� muito tempo ele n�o os tivesse aberto, a luz machucava sua vis�o. Ele tentou calcular quanto tempo havia se passado entre seu desmaio e agora, talvez longas horas que passaram como se fossem poucos minutos, ou poucos minutos que se passar�o como se fossem longas horas. Ao constatar isso, L�cio percebeu que estava realmente perturbado, ele olhou a sua volta. Aquele quarto n�o era familiar para ele, n�o parecia parte da casa que ele mandaria construir. �L�cio, voc� est� ficando velho� ele disse a si mesmo e balan�ou a cabe�a �Voc� apenas n�o prestou aten��o no quarto que havia entrado e agora tudo � esquisito�. No entanto aquela sensa��o n�o passava, se tornava cada vez mais forte, como se ele tivesse mais certeza de que ali definitivamente era um lugar muito sombrio ao inv�s de ser seu lar durante tantos anos. L�cio sentiu que precisava sair dali antes que a sensa��o se tornasse uma convic��o, porque ele estava praticamente certo de que aquele quarto era desconhecido. Ele girou a ma�aneta, atrav�s daquela porta veio um corredor gigante cheio de v�rias outras portas, todas iguais, que pareciam se estender infinitamente. Ele ficou im�vel, sem saber que dire��o tomar, ent�o desta vez um clar�o tomou conta de sua mente, foi muito mais r�pido do que quando ele havia desmaiado, antes ele conseguiu manter o autocontrole at� cair na cama, agora ele mal se deu conta de que estava embarcando em suas lembran�as e que n�o podia resistir a sua mente. L�cio Malfoy o viu caminhando ferozmente por um corredor semelhante ao que ele estava, ele parecia descontrolado, enraivecido, ele abriu a porta e PAM! Ali estavam Harry, Sirius e Draco. Ele queria ficar feliz por ter visto seu filho, mas n�o conseguiu. Um �dio cresceu dentro dele, como se j� n�o importasse o dom�nio f�sico e ps�quico que ele tinha sobre si mesmo, de repente ele se tornou ir�nico, cruel. Depois as cenas passaram como uma fita que est� sendo adiantada, em flashs r�pidos, ele se viu zombar de seu pr�prio filho, e estender a varinha. �N�o!� gritou uma voz que vinha de dentro dele, ele n�o queria machucar seu filho. Por fim, entraram quatro homens, L�cio sentiu repulsa pelo modo como eles andavam, agiam e falavam... Em seguida notou que esses homens misteriosos eram seus amigos, e que ele tinha aprisionado seu filho num quarto e simplesmente virado as costas. O Malfoy respirou fundo at� sua garganta doer, parecia que tinham lhe cortado o ar enquanto ele voltava para o tempo real. �Eu preciso salvar o meu filho� foram as �nicas coisas que ele pensou. L�cio estava decidido e n�o havia nada que iria impedi-lo de libertar Draco, nem se o Lord Voldemort aparatasse na sua frente, nem se o Ministro da Magia quisesse falar com ele. L�cio sabia estranhamente que jamais tinha estado naquela Mans�o antes, ele estava absolutamente certo disso, por�m ele sabia qual o caminho que devia seguir para libertar Draco ou... �O banheiro � na terceira porta� a resposta veio como se ele j� conhecesse o lugar como a palma da sua m�o. Ele abriu a porta e realmente tinha um banheiro. �Aqui � um closet�, TRAC! Arm�rios vazios esperando para serem repletos de roupas. �E se eu virar aqui, sairei no primeiro andar. Draco est� no primeiro quarto, eu tenho que atravessar o corredor para chegar at� l�. L�cio n�o sabia de onde as respostas surgiam em sua cabe�a, ele simplesmente n�o precisava pensar. Elas s� apareciam, como uma coisa autom�tica que j� estava programada em seu c�rebro. Suas botas pretas davam longos passos e a capa preta se arrastava pelo ch�o, ele come�ou a sentir um profundo remorso. Um filho era tudo que ele queria, desde que conheceu Narcisa. Nas tardes em Hogwarts enquanto ele namorava Narcisa, ele sonhava com um filho deles. Draco era seu orgulho, um menino ambicioso, corajoso e disposto a lutar para alcan�ar seus objetivos. L�cio duvidava que alguma coisa fosse imposs�vel para seu filho, porque sempre que ele desejava corria atr�s de seus sonhos. Era a qualidade que ele mais admirava. L�cio se lembrou das partidas de quadribol que jogou com Draco quando ele tinha apenas 7 anos e estava aprendendo para que servia cada bola, Draco era muito impaciente queria aprender tudo de uma s� vez. Quando Draco ganhou sua primeira vassoura e ainda n�o sabia montar, ele passou uma tarde inteira incansavelmente tentando voar. Lembrou quando levava Draco para passear nas lojas e o garoto ficava mexendo nos objetos m�gicos e fazendo mil perguntas. Um dia que foi muito engra�ado foi quando L�cio havia avisado para Draco n�o tocar em nada, e o menino bisbilhotou uma m�o de urso que estava empalhada e jogada sobre a mesa, a m�o agarrou firmemente o garoto, e ficou presa ao corpo de Draco como se fosse a m�o verdadeira do garoto, Draco chorava desesperadamente. N�o tinha sido nada grave, um feiti�o de pequeno porte reverteu a situa��o, mas o susto que Draco levara! L�cio amava tanto seu filho que n�o tinha como descrever, tentar demonstrar. Ele nunca seria capaz de maltrata-lo e tranca-lo esperando que Voldemort desse um fim nele, a morte de um traidor. Ele n�o iria permitir, a lealdade dele ia at� um ponto: Draco. Nott e Avery estavam vigiando a porta, L�cio estava visivelmente preocupado, mas ele n�o poderia aparecer assim para os Comensais. Ele fez um esfor�o para mudar seu olhar soturno em amea�ador, as batidas da bota no ch�o ficaram mais precisas e fortes e a capa esvoa�ava perigosamente. - Saiam daqui! � ordenou bruscamente � Voc�s j� foram incompetentes o bastante para que eu tenha que me irritar mais! - Mas... � Nott hesitou. - Me deixem sozinho com os tr�s, eu estava pensando num castigo extremamente doloroso para dar a eles... parece que eu j� sei qual ser� � explicou L�cio Malfoy e com um olhar desconfiado Nott e Avery come�aram a se afastar do quarto. Poucos passos adiante, a voz falou de novo �Pe�a a chave dourada�. - H�... A chave dourada � falou e Nott jogou a pequena chave com o cabo torto. L�cio a pegou no ar. Quando ele entrou Harry e Draco estavam sentados um em cada lado de Sirius, como se quisessem proteg�-lo. Ambos apenas levantaram os olhos sem erguer a cabe�a, parecendo dez vezes mais p�lidos, com olheiras fundas envolta dos olhos. L�cio teve a impress�o de que eles estavam mais zangados do que ele conseguiu imaginar a algum tempo atr�s. �Vamos� L�cio pensou hesitante �Eu n�o fiz uma coisa t�o grave assim, est�o me olhando com essa cara feia s� porque eu n�o quis ajuda-los?�. L�cio n�o disse nada. Sirius Black percebeu a presen�a dele muito tempo depois, ele esteve a maioria do tempo com a cabe�a voltada para o ch�o, como se ele estivesse com vontade de vomitar, os cabelos escuros ca�am sobre seus olhos. Sirius lembrava muito aquela noite em que Harry estava no terceiro ano, e ainda pensava que ele era o culpado pela morte de seus pais, a apar�ncia era muito semelhante. Os olhos tinham um brilho distante em sua �rbita. - O que voc� veio fazer aqui, Malfoy? � perguntou desafiadoramente, embora sua voz estivesse rouca. - Eu sei que n�o sou confi�vel para voc�s � ele disse seriamente � mas eu vim liberta-los. - E o qu� voc� quer em troca, pai? � replicou Draco furiosamente � J� pensou numa proposta melhor para nos fazer? Voc� quer a nossa alma? - Vejo que a minha reputa��o est� pior do que eu pensava � lamentou, por�m seu tom era calmo � O que eu quero em troca � que voc�s vivam, ou voc�s preferem ficar e serem mortos por Voldemort enquanto ele d� frias gargalhadas? Harry, Draco e Sirius se entreolharam perplexos. O que estava acontecendo? Aquilo era inacredit�vel, imposs�vel. Nem em seus sonhos mais malucos L�cio Malfoy teria oferecido ajuda a eles, algumas horas atr�s o mesmo L�cio estava atirando ofensas aos tr�s e rindo sarcasticamente do destino de seu pr�prio filho, Harry tinha quase certeza de que L�cio tinha uma pedra fria e pontuda no lugar do cora��o. - Que truque � esse, pai? � disse Draco um pouco vacilante � Desista, n�s n�o somos idiotas para cair nele! Com um gesto impaciente L�cio fez com que Draco parasse de falar, ele aproximou seu rosto fino de Harry, t�o perto o suficiente para encostar o nariz dele no nariz de Harry. O garoto arregalou os olhos espantado, ele n�o esperava que L�cio tivesse essa rea��o, Harry teve um leve impulso para se afastar dos olhos cinzentos e tenebrosos do homem que o estava analisando, mas n�o o fez. Permaneceu determinado enfrentando L�cio, sentindo a respira��o que era estranhamente serena. L�cio observou os olhos verdes de Harry, o cabelo preto espetado que ca�a sobre a testa e escondia a cicatriz em forma de raio, o rosto daquele garoto de quinze anos n�o lhe era totalmente desconhecido. Os olhos verdes tinham vida, um brilho diferente e uma ousadia misturada com certa frieza fora do comum... - Tiago Potter! � L�cio sibilou e depois sua respira��o se tornou mais oscilante. Harry conseguia ver no fundo dos olhos do pai de Draco algo que ele nunca tinha visto antes. Harry viu humanidade reluzindo na �ris nublada de L�cio, o qu�o extraordinariamente inacredit�vel aquilo era Harry n�o saberia dizer. - Eu n�o sou Tiago � esclareceu o garoto enquanto os olhos atentos de L�cio o fitavam, no entanto Harry n�o ficava atr�s com a express�o de algu�m que estava absolutamente chocado � Esse era o meu pai. Meu nome � Harry Potter. O peso do nome de Harry sacudiu as lembran�as de L�cio e o fez voltar � tona. - Claro � ele concordou prontamente � Tiago j� est� morto, mas voc� tem muitos motivos para se orgulhar de seu pai. Harry ficou pasmo. A refer�ncia a seus pais por parte de L�cio deveria no m�nimo ser ir�nica. Mas n�o foi, Harry estava esperando um sorriso debochado, uma palavra sequer que zombasse da inoc�ncia de seus pais para atirar ofensas na cara de L�cio, para revidar com todo o seu �dio tudo que o pai de Draco havia ajudado Voldemort conspirar e que o fez perder seus pais, sem ao menos crescer o suficiente para lembrar do rosto deles. No entanto, para a decep��o de Harry nada disso aconteceu. Ele olhou desesperadamente para Sirius e Draco, ambos boquiabertos e um pouco aterrorizados. Definitivamente nenhum dos tr�s estava entendendo o que estava acontecendo. Por segundos eles se entreolharam aturdidos tentando achar alguma explica��o. O homem de capa longa, botas pontudas e um cabelo loiro que escorria at� seus ombros certamente n�o era L�cio Malfoy, era imposs�vel que fosse totalmente diferente do Comensal que um dia foi o bra�o direito de Voldemort. - Vamos � disse L�cio decidido olhando de um modo geral � N�o podemos demorar muito ou eles v�o desconfiar. Draco, Harry e Almofadinhas n�o sabiam o que pensar, estavam petrificados. O Malfoy bufou impacientemente e com um gesto sacou a varinha de seu bolso: - Black, voc� n�o est� em condi��es de se mover. Mas podemos dar um jeito nisso. Quando L�cio amea�ou fazer algum feiti�o Sirius o interrompeu bruscamente: - N�o toque em mim! � avisou num tom perigoso � Sinceramente voc� acha que eu acredito que voc� quer bancar o bom amigo com a gente. - Black, Black, Black � recitou o Malfoy como se estivesse cantando uma can��o � Sempre desconfiado, s� porque eu fui da Sonserina isso n�o significa que eu v� ser trapaceiro para o resto da vida. Somente uma vez, confie em mim e eu garanto que voc�s n�o v�o se arrepender. - H� muito tempo voc� deixou de ser algu�m de confian�a, Malfoy � Almofadinhas rangeu seus dentes amarelados � Voc� desapontou muita gente... - Escutem, eu n�o sei o que houve comigo � L�cio estava ligeiramente aflito mas sua voz continuava moderada � Eu n�o sei porque eu fiz aquelas coisas, mas se voc�s me derem uma chance eu posso tentar explicar... - N�O! � Harry berrou, ele n�o suportava mais L�cio tentando se justificar exatamente como Pedro Pettigrew tinha feito quando foi descoberto. A cena era humilhante e desnecess�ria � Voc� foi o servo mais cruel de Voldemort, voc� sempre quis me ver morto � Harry cuspia essas palavras � Voc� quer saber por qu� se uniu a Voldemort e torturou os trouxas? Por prazer, porque voc� se divertia quando eles imploravam pelas suas vidas, e � o que voc� quer fazer com a gente. Voc� quer que a gente implore. - N�o, n�o � nada disso � insistiu L�cio e virou-se para Draco lentamente � Filho, voc� acredita em mim, n�o �? Draco piscou, a palidez se acentuando, a boca seca e gotas de suor escorrendo pelo rosto. - Pai � ele disse com a voz tr�mula � Eu me lembro que um dia eu fiquei triste porque voc� teve uma reuni�o no final de semana e n�o pode brincar comigo, ent�o quando voc� chegou me disse que era n�o gostava dessas reuni�es porque elas eram chatas s� que mesmo assim voc� n�o podia faltar. E disse que n�o era para eu ficar triste, porque voc� me amava muito e eu era a pessoa mais importante da sua vida. E voc� esteve mentindo esse tempo todo, eu confiei em voc� pai, at� que voc� nos trancou aqui. - Draco, voc� sabe que eu daria a minha vida por voc� � afirmou � E � o que eu estou fazendo agora, eles v�o me matar quando souberem que eu libertei tr�s prisioneiros, entre eles o menino mais procurado pelo Lord das Trevas, o seu amigo Potter. - E como n�s vamos saber que as suas inten��es s�o realmente essas? � indagou Harry. - Okay, talvez esse visual preto de supervil�o n�o esteja ajudando a convencer voc�s � ele apontou a varinha para si � Vestimenta! � e a capa preta sumiu e no lugar apareceu uma cal�a e uma bata azul marinha � Eu n�o tenho como provar a voc�s posso contar apenas com que voc�s acreditem no que eu estou dizendo. Vamos l�, desde quando voc�s s�o t�o cabe�a dura? Pensem um pouco, o que eu estaria fazendo aqui sem nenhum outro Comensal por perto, se n�o fosse para tira-los desse quarto? Ouve um sil�ncio aud�vel. Fazia l�gica o que L�cio Malfoy havia acabado de dizer apesar de que vindo da boca dele isso soava totalmente estranho. - Tudo bem, L�cio � disse Sirius � Nos tire daqui, mas se voc� fizer que n�o tenha avisado para nos prejudicar, eu juro que volto at� do inferno para te fazer pagar por isso. Um sorriso fraco iluminou o rosto de L�cio, Harry nunca o tinha visto sorrir antes. - Certo � disse rapidamente � Primeiro eu vou fazer um feiti�o para que voc�, Black possa nos acompanhar sem fazer muito esfor�o. Ele apontou a varinha: - Mobilicorpus! � Sirius flutuou verticalmente acima do ch�o, parecia que haviam fios invis�veis que sustentavam o corpo dele � Sigam-me. L�cio saiu na frente seguido por Draco, Sirius e Harry que vinham mais atr�s. - Voc� tem certeza que a gente deve segui-lo? � murmurou Harry para Almofadinhas. - De qualquer forma n�s n�o ter�amos outra chance de sairmos vivos daquele quarto. - Voc� tem raz�o. Eu posso estar enganado, mas at� aqui eu acho que ele n�o mentiu sobre querer nos salvar. - E ficamos devendo essa para o Malfoy! � exclamou Sirius com satisfa��o � Eu acho que o passado est� voltando e o velho L�cio tamb�m! - O que voc� quer dizer... � perguntou Harry, por�m ele n�o chegou a terminar, porque no mesmo instante Draco olhou fixamente para Harry e disse hesitante: - N�o podemos esquecer de Gina e Tathy, n�o � mesmo? - N�o � confirmou � Vamos leva-las com a gente desta vez. Draco indicou onde estava a passagem secreta e L�cio entrou. - Gina, cuidado! � gritou Tathy cujos olhos ficaram arregalados � Atr�s de voc�! Gina se virou e praticamente deu um pulo ao ver L�cio Malfoy diante delas. Gina foi se afastando em dire��o a parede, as duas garotas com a varinha em punho. - N�s somos mulheres, mas estamos em duas � desafiou Tathy � Portanto voc� est� em desvantagem! Logo ap�s Draco, Harry e um Sirius flutuante chegaram. Gina e tathy quase ca�ram no choro. - Draco! Harry! Sirius! � falou Gina e correu ao encontro deles, mas parou subitamente quando deu com L�cio no meio do caminho e voltou um pouco amedrontada � Voc�s est�o bem? Harry confirmou com a cabe�a. - O que voc� venho fazer aqui? � disse Tathy impetuosamente se dirigindo a L�cio � N�s n�o vamos nos entregar nem que haja sangue aqui! Harry se adiantou e abaixou a varinha dela. - Obrigado por querer nos proteger com tanta vontade, mas acho que n�o vai ser necess�rio haver derramamento de sangue. - O qu�? � ela perguntou desnorteada. - Eu os libertei � disse L�cio brevemente � Voc�s precisam ficar num lugar seguro antes que Voldemort chegue, eu irei leva-los. - Harry! � disse Gina brandamente como se quisesse faze-lo voltar a raz�o � Voc� est� louco? Que brincadeira sem gra�a � essa? - Calma � tranq�ilizou Harry � N�s temos que acreditar nele, � a nossa �nica sa�da. - S� se for a sa�da diretamente para a morte! � ao ver a express�o aborrecida de Draco, Gina acrescentou � Desculpe, mas voc� sempre soube que o seu pai � um patife! - Srta. Weasley eu sei que voc� n�o vai com a minha cara, mas essa n�o � a hora para voc� ficar com o orgulho ferido e n�o aceitar a minha ajuda � falou L�cio Malfoy calmamente. - O Senhor que nunca gostou da minha fam�lia! Sempre armando um jeito de nos prejudicar! � ela parou quando percebeu que a sua voz estava se exaltando. - Eu sei que o meu pai nunca foi um cara legal com voc�s, na verdade ele foi um cretino ordin�rio � Draco pegou nas m�os dela � Mas, por favor, deixe ele nos salvar, eu sei que ele est� falando s�rio. Gina franziu a testa, ela estava considerando a pergunta. - Voc�s prometem que t�m plena consci�ncia do que est�o fazendo? - Eu garanto a voc� que todos vamos ficar em seguran�a. - �timo � concluiu L�cio � Temos que nos apressar. Por aqui. L�cio os levou por um caminho deserto at� uma escada que descia ao subsolo da Mans�o. As paredes eram estreitas e a passagem escura, os degraus n�o ficavam � vista era preciso ser atento para n�o trope�ar e cair. Eles desceram as escadas e a ponta da varinha de L�cio iluminou uma porta feita de ferro, ele a puxou e com um rangido estridente a porta deu acesso a um pequeno por�o. O aposento tinha forma de um quadrado e os m�veis estavam dispostos assim: um sof� de couro preto, um tapete redondo no centro, uma lareira, uma mesa e cadeiras no canto. Na extremidade oposta da entrada havia outra porta, tamb�m feita de ferro. L�cio acendeu a lareira magicamente e as velas flutuantes iluminaram o por�o. - Agora prestem aten��o � ele recomendou � Esta outra porta d� nos jardins da Mans�o. Voc�s t�m que ir embora, este lugar � muito arriscado principalmente com a presen�a de Voldemort. O talism� serve como uma esp�cie de im� que o atra� para voc�s, � s� uma quest�o de tempo at� eles encurralarem os cinco e a� voc�s ter�o s�rios problemas. Acreditem, eu sei com quem voc�s est�o lidando, v�o embora enquanto podem. - E voc�, pai? Voc� vai ficar bem? � Draco disse com a voz rouca, seus olhos estavam h�bridos como se n�o houvesse �rbita neles � Voc� disse que eles te matam se descobrem que foi voc� que nos libertou, como eu posso saber que nada de mal vai te acontecer? - Eu sei me cuidar sozinho, filho � L�cio olhou confiante � N�o se preocupe comigo, se preocupe com voc� e os seus amigos. - Voc� promete que vai me encontrar vivo l� fora nem que seja para puxar a minha orelha e dizer que eu podia ter me sa�do melhor? - Claro � ele garantiu ainda olhando firmemente para o filho que retribu�a reciprocamente � Eu estarei l� esperando por voc�. - Mas Sr. Malfoy � Harry chamou � N�s n�o podemos ir sem antes buscar a Espada... - Esque�a, Potter � L�cio o ignorou � Fujam enquanto ningu�m deu pela falta de voc�s e... � ele tirou as varinhas de Draco, Harry e Almofadinhas e as entregou � Eu quase estava me esquecendo... Tomem! Voc�s v�o precisar! E L�cio inclinou seu rosto de um modo que somente Draco conseguia v�-lo: - E quanto � Srta. Weasley � ele sussurrou � ela � uma mo�a muito bonita, mas voc� deve tomar cuidado para evitar que ela fique nervosa. L�cio deu uma piscadela e Draco sorriu, depois a porta se fechou atr�s deles. ** ** Hermione saiu correndo atr�s de Rony, ela n�o podia deixar que as coisas entre eles ficassem desse jeito, quando ela saiu do Caldeir�o Furado Rony j� tinha desaparecido no meio da multid�o. Mione foi apressadamente at� a casa de Lupin, e viu quando os cabelos vermelhos flamejantes de Rony entraram seguido de uma forte batida da porta, ela se adiantou ainda mais. - Rony! � chamou ao p� da escada enquanto garoto j� estava na metade � Voc� tem que me ouvir, voc� n�o pode simplesmente virar as costas e sair como se eu tivesse feito a pior coisa do mundo! Rony parou e olhou com repulsa para Hermione. - Voc� realmente n�o faz id�ia do que voc� est� fazendo, n�o �? � e continuou a subir as escadas o mais r�pido que podia deixando a garota sozinha. - Rony! � Hermione disse num tom agudo � N�o � culpa minha! Eu estou confusa, agora se voc� quer dar um de est�pido e fingir que voc� � a �nica v�tima nessa hist�ria, O PROBLEMA N�O � MEU! Hermione parou de falar envergonhada ao ver que Lupin os estava esperando no segundo andar, e olhava serenamente embora intrigado para os dois que estavam com express�es enfurecidas estampadas em seus rostos. - Bom dia! � disse Remo cuidadosamente � Voc�s estavam brigando? - N�o, foi apenas uma discuss�o boba � disse Hermione aborrecida lan�ando um olhar de esguelha para Rony. - Tenho novas not�cias � anunciou � Dumbledore falou comigo esta manh�, o Conselho se reunir� numa floresta que fica perto da Mans�o Malfoy, todas as provid�ncias j� est�o sendo tomadas, Dumbledore colocou feiti�os de camuflagem no acampamento que foi montado e toda vez que algu�m que possua a Marca Negra tentar se aproximar vai sentir a sensa��o de que Voldemort o est� chamando e precisar� voltar rapidamente. - � o mesmo processo que foi usado na Copa Mundial de Quadribol no ano passado? � perguntou Hermione prestativa. - Basicamente sim � respondeu Lupin e sua testa se enrugou levemente revelando uma ponta de preocupa��o � No entanto, Alvo tamb�m me falou sobre algumas suspeitas que n�o s�o nada boas para Harry e nem para todos n�s. - Eu sabia! � exclamou Rony como se j� soubesse que Aluado iria falar isso inevitavelmente � O que aconteceu de errado? Eu disse para a Gina que era arriscado demais, mam�e vai me matar... - O que foi, professor? � disse Hermione urgentemente � � algo grave? Diz logo, voc� est� nos deixando angustiados... - Dumbledore est� convocando o Conselho a se reunir perto da Mans�o, porque ele tem duas grandes suspeitas � os olhares de Rony e Mione estavam vidrados nele � A primeira � que Voldemort esteja indo para a Mans�o, o cuidado sobre Harry ter� que ser redobrado, os planos de Voldemort ter�o que ser impedidos at� a �ltima conseq��ncia. E a segunda � Lupin respirou fundo e os garotos puderam notar o esfor�o que Remo fez para dizer estas palavras � Sirius n�o tem se comunicado com o Conselho h� um tempo consider�vel, Dumbledore acha que ele foi capturado e est� impossibilitado de dar not�cias. Os segundos se alongaram silenciosamente, ningu�m sabia o que dizer. A not�cia foi como uma rasteira inesperada e trai�oeira. Sirius era um amigo extremamente querido por todos e uma pessoa que tinha import�ncia inestim�vel, tanto quanto para Lupin e talvez mais ainda para Harry. Sirius era a fam�lia de Harry. Eles n�o podiam perder algu�m assim, n�o como se fosse f�cil e ignora-se o fato de que isso era completamente covarde. - Mas � s� uma suspeita, n�o �? � Rony perguntou na esperan�a de haver a possibilidade de Sirius estar salvo � Ele pode simplesmente ter decidido n�o se comunicar com Dumbledore porque n�o tinha nada de interessante para contar ou sei l�... - Como eu disse, Rony � Lupin soou mais exausto do que o normal � S�o apenas suspeitas, mas n�o devemos nos enganar... Hermione e Rony abaixaram a cabe�a tristemente. - Eu conhe�o o Almofadinhas, ele n�o vai deixar que acabem com ele t�o facilmente! Ah! Mas n�o vai mesmo... � encorajou Remo � Ele � esperto, sabe se virar sozinho... - Meu Deus! � murmurou Hermione de repente. Um pensamento desabou na cabe�a dela com a for�a de uma enxurrada de �gua fria. - Harry vai ficar sabendo que Sirius foi capturado, eu conhe�o o Harry ele vai tentar salvar o seu padrinho e vai se meter em mais confus�o... � ela disse inconsol�vel. A m�o tr�mula de Hermione revirava o bolso do casaco dela, ela tirou o rastreador. Com a habilidade de quem j� tem muita pr�tica ela apertou o bot�o do pequeno besouro aparentemente indefeso. - O que � isso? � indagou Lupin curioso. - � um rastreador que a Tathy fez para mim e para o Rony, com ele n�s podemos saber exatamente em que lugar da Mans�o os quatro est�o � explicou. No mapa da Mans�o Malfoy os quatro pontinhos intitulados como: Gina, Tathy, Harry e Draco estavam no por�o. - Infelizmente n�s n�o conseguimos ver se tem mais pessoas com eles � disse Hermione pensativa � Mas provavelmente n�o usariam o por�o para prend�-los, eu acho que eles est�o s�os e salvos. - Por�m n�o temos a mesma certeza em rela��o a Sirius � afirmou Lupin seriamente � Voc�s devem arrumar as suas malas, estamos partindo hoje mesmo. ** ** Quando Remo Lupin e os dois melhores amigos de Harry chegaram no acampamento tiveram uma sensa��o que nascia l� de dentro deles, que quase n�o podia ser percebida de t�o distante que ela vinha, a sensa��o de que as coisas iriam finalmente melhorar. A presen�a de Dumbledore era como se uma m�o amiga agarra-se firmemente a sua m�o e lhe desse seguran�a. Al�m disso, o que mais Hermione e Rony queriam era ter a chance de ficar perto de Harry, e por que melhor do que um acampamento a uma pequena dist�ncia a sua frente. A Mans�o era vis�vel, isso tamb�m contribu�a para a sensa��o de tranq�ilidade, como se poder assisti-la tamb�m pudesse garantir que eles podiam controlar o que acontecia l� dentro. Os dois sabiam que isso era bobagem, mas n�o importava se os fazia sentir melhor. Haviam cinco barracas, uma que ficava na parte central e era a maior de todas. Era nessa barraca que o Conselho fazia as reuni�es e decidia as medidas mais importantes. Na parte posterior � barraca principal estava uma biblioteca, cheia daqueles livros que certamente estariam na se��o proibida de Hogwarts por exigirem um n�vel extraordinariamente avan�ado na magia. Os homens ficaram divididos em duas barracas que ficaram ao lado oeste, e as mulheres como eram em menor n�mero ficaram com somente uma barraca do lado leste. As barracas eram num tom de verde queimado, livre de qualquer suspeita, perfeitamente trouxas na parte de fora. A vis�o das barracas deu a Rony uma s�bita lembran�a da noite em que ele, Harry e Hermione passearam no camping usado para sediar a Copa. Por�m essa viagem foi interrompida por Alvo Dumbledore que se aproximava sorridente. - Ol� � cumprimentou � Sejam bem-vindos! Voc� chegou na hora certa, Remo. Acabamos de receber uma mensagem de Sirius, ele conseguiu escapar e est� com os quatro num bom esconderijo. Tamb�m est� ciente da vinda de Voldemort, ele sabe que eles t�m que se apressar. Hermione ficou radiante, assim como Rony e Lupin que depois da not�cia se sentiram bem mais aliviados. - Ai! Eu n�o acredito! � ela disse dan�ando e num tom um pouco hist�rico � Que bom que eles est�o bem! - �, mais ainda temos muito trabalho pela frente � disse o diretor gentilmente fazendo um gesto para eles o acompanharem � Fiquem � vontade, se instalem para que possamos colocar a m�o na massa o mais depressa poss�vel, tenho certeza que a ajuda de voc�s ser� indispens�vel. V�rias pessoas diferentes transitavam entre as barracas, gigantes, alguns funcion�rios do minist�rio, bruxos jovens e alguns com mais experi�ncia, por�m todos tinham o mesmo objetivo e determina��o no olhar, e andavam com passos apressados sempre dispostos a cumprir o que Dumbledore lhes coordenava. - Professor, onde est� Hagrid? � disse Hermione sentindo falta do amigo. - Eu achei melhor que ele ficasse tomando conta de Hogwarts, o castelo � um lugar poderoso para ficar abandonado, e como ele � o Guardi�o das Chaves e terras da escola naturalmente n�o teria obje��es em ficar fazendo esse favor para mim � os olhos de Dumbledore por tr�s dos �culos de meia-lua encararam os meninos � Mas voc�s n�o est�o sentindo falta de outro professor? - Claro � respondeu Rony estupefato espichando a cabe�a para os lados tentando encontra-lo � Onde est� o prof� Snape com seus cabelos oleosos e seu p�ssimo humor? Dumbledore sorriu como se tivesse achado os coment�rios de Rony desnecess�rios, embora divertidos. - Severo n�o pode vir � explicou � A Marca Negra no bra�o dele continua ardendo, isso poderia revelar a nossa posi��o a Voldemort, porque essa marca � uma liga��o entre ele e seus antigos aliados. - Ele n�o faz falta nenhuma � sussurrou Hermione para Rony, num tom rancoroso. - Bem, e aqui nos separamos. Remo, suponho que voc� n�o ter� dificuldades em achar uma barraca para dormir � s� ir para o lado oeste e voc� encontrar� o alojamento dos homens, e eu vou levar a Srta. Granger para o alojamento das mulheres. - Nos vemos mais tarde, Alvo � Lupin se despediu e ele e Rony se adiantaram para o lado deles do acampamento. ** ** A tarde se arrastou e depois dela veio a noite. O c�u estava iluminado pelas v�rias estrelas que o enfeitavam, como se tivessem sido colocadas cuidadosamente por algu�m. A Lua era apenas um risco prateado que fazia papel de coadjuvante com os outros astros que dividiam o c�u esta noite com ela. Ap�s o jantar, algumas pessoas se reuniam para sentar em troncos que serviam de bancos para conversar. Os troncos eram modificados magicamente, o assento ficava em um declive feito milimetricamente, e era estofado. T�o confort�vel quanto sentar no sof� de casa, concluiu Hermione. E l� elas permaneciam por horas contando hist�rias antigas, grandes fa�anhas que a maioria n�o acreditava e riam muito, Hermione e Rony sa�ram com a barriga doendo de tanto rir. Mas agora todos j� haviam ido dormir, o acampamento ficou sombriamente silencioso, n�o se ouviam mais vozes e nenhum barulho sequer. Rony estava se debatendo em sua cama, ele virava para um lado e a posi��o parecia inc�moda ele virava para o outro e sentia que uma pontinha de qualquer coisa o cutucava, e assim passou um bom tempo tentando dormir sem resultado nenhum. Quando ele percebeu que n�o iria adiantar nada ficar se esfor�ando para dormir, porque na verdade ele n�o estava com sono, ele levantou vestiu suas roupas que estavam jogadas em cima da mala e decidiu andar pelo acampamento, como todos estavam dormindo ele poderia pensar melhor sozinho sem ningu�m para atrapalhar que ficasse fazendo perguntas. Ele pegou sua varinha embaixo do travesseiro e olhou para ela apertando seus dedos firmemente, pronto agora estava seguro. Rony foi caminhando e dando leves chutes nos galhos espalhados pelo ch�o ou nas folhas que ca�am casualmente das �rvores, o c�u estava realmente muito bonito parecia encantado, isso era mais um incentivo para deixa-lo acordado. Ele foi indo em dire��o � barraca principal. Quando ele estava se aproximando viu um vulto sentado nos troncos de madeira onde mais cedo eles haviam se reunido para conversar, n�o era muito grande, tinha longos cabelos ondulados que refletiam a luz prateada da Lua, as m�os apoiavam a cabe�a, quem quer que fosse estava muito pensativa. Sim, Rony tinha certeza de que era uma menina. Ele foi chegando perto dela tomando cuidado para n�o produzir nenhum ru�do. Quem ser� que al�m dele estava acordada �quela hora t�o pensativa? Era Hermione. Rony foi at� ela e sentou ao seu lado, Hermione ergueu a cabe�a ligeiramente surpresa: - O qu�... O qu� voc� est� fazendo aqui? � balbuciou. - Eu estive pensando melhor... eu acho que a gente deve conversar � ele disse envergonhado. - Voc� resolveu me ouvir? Voc� percebeu que voc� n�o tem nada a perder me ouvindo e que depois pode afirmar que n�o acredita em uma palavra do que eu digo, e sair sem olhar pra mim? � ela replicou aborrecida. - Eu sei que eu n�o fiz a coisa certa, mas � t�o irritante ouvir voc� falar desse Krum como se ele fosse o cara mais perfeito! � Rony se defendeu � Eu n�o sei o que fazer, eu gosto dele, mas eu sei que ele n�o � o cara certo pra voc�, Hermione! - N�o? � ela disse num tom baixo, ela estava fitando Rony ansiosamente � E quem �? - Voc� � a �nica pessoa que pode saber disso, mas n�o fique brincando com as pessoas que gostam de voc�, um dia elas cansam de esperar pacientemente e tudo isso acaba se virando contra voc�, eu n�o quero que isso te fa�a sofrer � disse carinhosamente, havia alguma coisa no modo de falar de Rony que revelava que ele pr�prio j� tinha se machucado muito com essas atitudes de Hermione. - Voc� sabe que eu n�o sei lidar com meninos � ela disse e seus olhos cor-de-mel pareciam espelhos que reproduziam cada ponto brilhante do c�u � Como eu podia saber que voc� queria ficar comigo se nem voc� sabia disso direito? - Como eu podia dizer para todo mundo que eu sempre fui apaixonado por voc� justo no momento em que eu te perdia para o Krum? � Rony respondeu infeliz. Hermione sentiu que ela estava olhando para Rony de um jeito est�pido, de menina boba e apaixonada, felizmente a escurid�o da noite pudesse esconder o rosto dele. Hermione conseguia ver apenas os olhos de Rony, suas pupilas estavam dilatadas, o olhar dele era mortal, como se pudesse derrubar todas as paredes envolta de Hermione, assim ela ficava totalmente exposta e indefesa. - Rony, nada � t�o f�cil assim. Por favor, me deixe sozinha. Rony olhou perplexamente para Hermione, ela estava t�o s�bria do que estava dizendo que o deixou assustado, foi como sufocar as esperan�as que ele tinha de ficar com ela. - Se voc� quer assim... � resmungou Rony e se levantou. �Se ela realmente gosta de mim como pode pedir para que eu v� embora e simplesmente me deixar ir?� Pensou. - Hei! � Hermione chamou � Espere, volte eu n�o quero que voc� v�, fique aqui comigo. Rony virou e olhou estranhamente para ela embora intimamente ele estivesse vibrando. Hermione deitou a cabe�a no ombro dele, enquanto Rony um pouco desengon�ado passava a m�o pelo cabelo dela. - Eu sei que n�o dever�amos estar aqui � ela disse com uma nota de culpa � Parecemos criminosos se encontrando na calada da noite. - N�s n�o marcamos um encontro, e quando eu vim pra c� eu n�o sabia que voc� j� estava aqui. - N�o? � indagou levemente desapontada. - Como eu poderia adivinhar? E al�m do mais n�o estamos infringindo as normas e nem fazendo algo t�o horr�vel? � Rony disse exasperadamente. - Eu sou uma pessoa muito ruim, eu estou enganando algu�m, isso n�o � justo. Rony segurou o queixo delicado de Hermione e a fez olhar para ele. - Justo? � ele repetiu t�o perto dela que ela sentiu um frio congelar repentinamente seu est�mago e se espalhar por todo o seu corpo e sentiu em quest�o de segundos o frio ir embora e um calor explodir dentro de seu peito e corar levemente as ma�as de seu rosto � N�o � justo o que voc� est� fazendo comigo... As palavras de Rony literalmente ecoaram no ar, Hermione ainda podia ouvi-lo sussurrando em seu ouvido. A Lua deixava sua chuva de prata banhar os dois, Rony estava t�o perto de hermione que se quisesse poderia se ver nos olhos dela, por�m ele queria ver al�m disso, ele queria olhar para dentro dela para conhecer os sentimentos da garota mais especial para ele, talvez assim ele pudesse induzi-la a beija-lo naquele momento. Hermione sentiu a respira��o fraca de Rony se aproximar cada vez mais at� desaparecer completamente se misturando aos l�bios quentes dela. Rony acariciou o rosto de Hermione, quase fazendo-a se atirar nos bra�os dele e esquecer de tudo, da �tica, da sua consci�ncia. - Eu n�o posso! � arfou Hermione afastando os bra�os de Rony � Eu tenho que ir. N�o, � melhor voc� ir, seu alojamento fica mais longe daqui � ela disse perturbada. - Hermione! � ele a fez parar de falar, a garota o observava atentamente � Eu vou respeitar o seu tempo e a sua decis�o. Eu n�o fa�o a m�nima id�ia do que voc� est� esperando, mas quando passar n�o esque�a de me avisar okay? Hermione mordeu o l�bio e balan�ou a cabe�a positivamente. Rony n�o parecia zangado, pelo contr�rio ele estava sendo muito compreensivo, e isso fazia com que Hermione quisesse lan�ar o Avada Kedavra nela mesma. - Boa noite � ele beijou a testa da garota e foi caminhando at� sumir da vista dela, deixando Hermione sozinha com seus pensamentos. ** ** - Eu realmente n�o entendo por qu� L�cio Malfoy nos ajudou � interrogou Gina at�nita � Quero dizer, ele era praticamente o segundo vil�o da hist�ria? - Na verdade � a voz rouca de Sirius soou tenebrosa � A vida de L�cio Malfoy parece ter se partido, e ent�o ficamos com duas partes distintas da vida dele. A do L�cio Comensal da Morte que todos n�s conhecemos, e outra que ficou esquecida no passado que nem mesmo voc�, Draco, j� ouviu falar. Os quatro olhavam intrigados para Sirius, n�o era preciso dizer uma palavra para saber que eles estavam ansiosos para ouvir a hist�ria. - Eu acho que j� est� na hora de voc� saber, Draco � o olhar de Sirius ficou negro como um beco sem sa�da � Mas seja forte, porque um passado desses pode confundir at� o bruxo mais s�bio. Draco sentiu suas sobrancelhas se enrugarem como se ele tivesse acabado de levar uma chicotada nas costas. ** ** |