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| Cap�tulo 11 - Desmaio |
Sirius sentiu o peso das botas de Macnair em sua t�mpora, sentiu o sangue escorrer e sua cabe�a latejar de dor. Ouviu o deboche distante e agudo das vozes dos outros Comensais da Morte, e um feiti�o o atingiu: - Impedimenta! � disse Avery � Assim � melhor, ele parece mais inofensivo. Nott e Rowseng foram levantar Sirius e Macnair deu mais um soco no est�mago de Almofadinhas, que quase o fez vomitar seus �rg�os. - Hei, pode chuta-lo, mas n�o o mate! � advertiu L�cio � N�o se esque�a que por enquanto precisamos dele vivo. Sirius tentou focalizar a imagem do Malfoy e os outros que o cercavam, mas ele tinha a impress�o que tudo rodava. Ainda tonto ele encarou L�cio que estava parado na sua frente, com uma express�o irritante de quem estava tendo o melhor dos entretenimentos. - Black, ainda tem for�as para ficar consciente? � perguntou com tom de ironia. Sirius olhou com �dio para ele e sua voz soou irreconhec�vel e rouca: - Eu tenho nojo de voc�, Malfoy! � e Sirius cuspiu para frente, mas o cuspe acabou caindo para o ch�o. - Realmente isto n�o foi nada gentil da sua parte � respondeu L�cio zangado � Voc� continua um est�pido e cheio de coragem, mas hoje voc� vai perceber que isso � in�til... Crucio! Sirius j� tinha experimentado essa sensa��o nos dias de terror de Voldemort, mas isso n�o aliviou nem um pouco sua dor, e a fez ser igual das outras vezes, ele tinha a impress�o que sempre era pior. O fogo rasgava dolorosamente seu peito, e Sirius tentava se manter forte mesmo assim, mesmo com suas pernas cedendo e sua garganta secando, em pouco tempo estaria faltando ar, e ele estaria agonizando, Sirius conseguia sentir isso. Seus ossos pareciam estar sendo esmagados e como se fosse apenas um abra�o forte de dor, tudo passou de repente, e ele pr�prio conseguiu ouvir seu esfor�o para puxar ar para seus pulm�es. - Sabe que �s vezes eu tenho que parar porque acho que voc� pode n�o suportar tanta dor e morrer a qualquer hora? � disse L�cio calmamente como se isso n�o passasse de uma divers�o para ele � Eu queria que voc� pudesse se ver agora, Black. Derrotado e fraco... Mas eu prometo n�o te machucar mais se voc� responder onde est� Harry Potter. - Eu n�o fa�o a menor id�ia � Sirius n�o sabia como as palavras ainda sa�am de sua boca, talvez fosse algo como a for�a da raiva � Eu n�o vim com Harry, eu vim sozinho. - H� h�! � riu cinicamente � Voc� quer que eu acredite nisso? Que o protetor de Harry Potter n�o sabe onde ele est�? - Eu estou me lixando para o que voc� pensa � Sirius mantinha o tom amea�ador � eu simplesmente n�o sei onde o Harry est� agora, e nem se soubesse eu lhe diria. - Essa sua ousadia � rid�cula na situa��o que voc� est�... n�o vai adiantar ficar se negando a responder minhas perguntas, Black � os olhos de L�cio estavam mais escuros que a noite � Vamos ver se isso refresca sua mem�ria... Veritas! A luz prateada atingiu Sirius e sem for�a para ag�entar mais um impacto suas pernas cederam, e ele caiu. Nott e Rowseng o seguraram, e agora em vez de queimar Sirius sentia como se n�o tivesse peito, seus pensamentos haviam sido abertos, seus segredos estavam vulner�veis. - Novamente, onde est� Harry Potter? Sirius n�o queria falar, ele quis lutar contra a vontade que o impulsionava, mas se tentasse resistir por mais algum tempo ele certamente n�o suportaria, e tudo que ele menos queria era se mostrar fraco na frente dos Comensais da Morte. E quando ele deixou as palavras sa�rem da sua boca a dor diminuiu intensamente: - Harry est� na Mans�o � ao mesmo tempo em que Sirius falava, ele se ouvia, isso era estranho. - Est� bem melhor assim... � se gabou � Uma das qualidades que eu mais admiro � a obedi�ncia, o Potter venho com voc�? - N�o, a �nica coisa que eu sei � que ele est� aqui tamb�m. L�cio deu alguns passos para o lado, murmurando palavras. Ele parou e apontou a varinha para Sirius. - O qu� exatamente voc� venho fazer aqui?!? Sirius sentiu o sangue subindo, L�cio Malfoy adorava se sentir o chefe, o dono da situa��o, e era assim que ele estava agindo agora, como se ningu�m pudesse vence-lo. Sirius desejou ter uma varinha em sua m�o ou que n�o tivessem tantos Comensais a sua volta, para que ele pudesse mostrar ao Malfoy quem realmente era o mais poderoso ali. Mas Almofadinhas ainda tinha uma pergunta para responder, ele se lembrou queo Veritas o obrigava a falar a verdade, por�m ele n�o podia revelar que havia sido mandando por Dumbledore e que j� sabia que a Espada B�lica estava ali, s� tinha um jeito dele conseguir se livrar do feiti�o. Sirius olhou para o lado com �nsia e vomitou, sujando todo o tapete. - Finite Incantatem! � disse Macnair � Chega! � melhor arrancarmos informa��es dele mais tarde e, contudo j� sabemos que o garoto Potter est� aqui. - Certo � falou L�cio vagamente � Levem-no para o primeiro quarto do corredor, ele � trancado por uma chave enfeiti�ada por mim � prova de qualquer feiti�o que ele possa tentar fazer, os calabou�os subterr�neos n�o s�o t�o seguros. - Precisamos avisar o Mestre que Harry Potter est� aqui, ele vai gostar da not�cia � comentou Macnair animado. - Possa deixar que eu mesmo cuido disso � ele lan�ou um olhar amea�ador � em breve Voldemort nos far� companhia. ** ** - O que Sirius pode estar fazendo aqui? � disse Tathy. - Lupin deve ter pedido para ele ficar de olho em mim...e ele acabou sendo capturado � Harry reclamou. - N�o se preocupe, Potter. Eu conhe�o meu pai, ele n�o ir� mata-lo enquanto o pr�prio Voldemort d� a ordem... e na minha opini�o ele vai tentar arrancar algumas informa��es dele primeiro, e � com isso que a gente deve se preocupar � disse Draco seriamente. - Harry, Sirius sabe que estamos aqui? E sabe o que estamos procurando? � questionou Tathy em tom de alerta. E de repente tudo se encaixou na cabe�a de Harry, porque eles n�o estavam interessados particularmente em Sirius, o alvo principal era ele... e como um presente Voldemort ficaria sabendo da atual localiza��o de Harry e dos seus planos. - Seu pai seria capaz de usar o Veritas, Malfoy? � a respira��o de Harry foi se tornando baixa. - � melhor voc� se acostumar com a id�ia dos Comensais da Morte saberem que voc� est� debaixo dos olhos deles, e que est� procurando a Espada � Draco ergueu as sobrancelhas � Eles definitivamente devem saber que voc� a quer... e finalmente, � agora que a hist�ria se complica, vai ser mais dif�cil destruir o talism�. - Eu sei � Harry estava com seu olhar decidido, ele fechou a boca como se quisesse engolir algo em seco � Mas a minha maior preocupa��o � Sirius, eu tenho que resgata-lo. - Simon n�o disse que ele foi pego no escrit�rio que d� acesso aos calabou�os? � complementou Gina com esperan�a � Ele pode estar l� ainda - N�o � t�o simples... � Tathy olhava para cada um com afli��o � agora eles j� sabem que n�s estamos aqui, e o que eles querem � exatamente que a gente v� atr�s do Sirius, n�o podemos cair em outra cilada. - Voc� tem raz�o... � Harry disse com relut�ncia e passou a m�o na cabe�a � Eu n�o vou simplesmente me acomodar e o Sirius que se dane! - Harry... � falou Gina hesitante � N�o estamos sendo previs�veis demais? - Eu n�o me importo, eu posso usar a Capa da Invisibilidade. - E eu vou com voc�, Potter � Draco se ofereceu prontamente pegando sua varinha � Se alguma coisa der errado eu posso distra�-los, afinal eu sou filho de L�cio Malfoy e jamais me aliaria ao bem! - Nem pensar � replicou Tathy � Chega de separa��es, principalmente nesse momento temos que ficar unidos... - Eu tamb�m acho � concordou Gina � N�s n�o somos um quebra-cabe�as para cada pe�a ficar espalhada em um canto da Mans�o, e se tivermos em quatro vamos ter mais probabilidade ao nosso favor. - Okay � disse Harry lentamente � E adianta discutir com voc�s? Gina e Tathy sorriram maliciosamente. - Potter, eu n�o quero ser estraga prazer, mas a sua Capa teria que ser tamanho GG para caber todos n�s � disse Draco � E eu acho que ali cabem no m�ximo duas pessoas, a gente n�o pode se arriscar mais � Draco olhou com uma express�o de quem sentia muito para as meninas � Esse � um motivo convincente pra voc�s? - Sinceramente eu tenho uma id�ia melhor � Gina colocou a m�o na boca como sempre fazia quando estava pensando em algo s�rio � Todos aqui tem absoluta confian�a em n�s dois, quer dizer, quando eles v�o desconfiar da gente se dissermos que est�vamos apenas procurando um lugar para ficarmos namorando � vontade? A Tathy e o Harry podem se esconder embaixo da Capa da Invisibilidade enquanto damos cobertura. - Hei, at� que voc� n�o � t�o m� em maquinar planos! � exclamou Draco e Gina sorriu em retribui��o. Harry e Tathy foram na frente, e Draco e Gina sa�ram de m�os dadas na retaguarda. A cada curva que eles viraram era uma nova expectativa para n�o encontrar ningu�m. Inacreditavelmente nem a passagem at� o escrit�rio quanto menos o pr�prio escrit�rio estavam tumultuados, quase que como magicamente eles n�o esbarraram em ningu�m e n�o tiveram nenhum problema, estava tudo t�o f�cil ao ponto de ficar estranho. Draco conferiu o corredor e esperou algum tempo para ver se havia algu�m escondido, mas tudo estava normal. - Podem sair � avisou Draco � eu quase poderia apostar que nada aconteceu aqui. Harry observou a sua volta. - Precisamos achar o Sirius � ele disse resumidamente e foi colocar a m�o no al�ap�o. - Espere! � gritou Draco com urg�ncia � Eu n�o te aconselharia a abrir a parte de fora do calabou�o sem ser um leg�timo Malfoy, meu pai aparitaria aqui no mesmo instante � Harry tirou a m�o cautelosamente. - Ent�o abra para que a gente possa passar! � pediu Tathy apressadamente. - Provavelmente Sirius n�o est� preso no calabou�o � afirmou Draco. - Como assim? O que voc� quer dizer com isso? � perguntou Gina desconfiada. - Passagem livre, ningu�m vigiando a entrada... toda essa liberdade est� parecendo mais uma cilada, mas se fosse j� teriam nos pego � explicou � Eu tenho certeza que o meu pai achou o calabou�o �bvio e inofensivo demais, talvez ele o tenha colocado num confinamento mais seguro. - Aonde? � indagou Harry num tom objetivo. - No primeiro quarto do corredor... vamos, eu sei aonde �. - Eu realmente espero que voc� esteja certo � disse Harry na mesma hora em que ele e Tathy desapareciam debaixo da Capa da Invisibilidade. - N�o esquenta, Potter � garantiu Draco firmemente � Eu sei o que eu estou fazendo. A fechadura do primeiro quarto de h�spedes era maior e era a �nica dourada, mas fora isso parecia perfeitamente normal, Harry e Tathy permaneceram usando a Capa, e Draco girou a ma�aneta. Nada aconteceu, ele girou de novo, estava trancada. - O qu� foi, Malfoy? � Harry percebeu que Draco estava surpreso � Voc� n�o consegue abrir a porta? - Infelizmente n�o � Draco odiava admitir que como todo mundo tinha algumas coisas que ele tamb�m n�o conseguia fazer � Essa porta n�o � comum, n�o est� enfeiti�ada como todas as outras da Mans�o... Harry suspirou apoiando seus cotovelos na porta, ele estava tentado pensar em algo �til para se fazer agora, ser� que Sirius estava consciente? - Sirius! � o som da voz de Harry saiu abafado porque ele estava falando muito pr�ximo a porta, por�m as batidas que Harry deu com os punhos fechados devem ter chamado mais a aten��o � Voc� est� a�? Draco e Gina decidiram vigiar os corredores sem questionar Harry, afinal Sirius representava muito para ele e no lugar de Harry qualquer faria a mesma coisa. - Sirius! � Harry chamou novamente. - Harry? � a voz melanc�lica de Sirius cortou o sil�ncio moment�neo � O qu� voc� est� fazendo aqui? - Eu fiquei sabendo que capturaram voc� e n�o podia te deixar sozinho, eu sei que os Comensais v�o voltar e v�o querer alguma coisa em troca de voc�, se j� n�o quiseram... � disse Harry daquele jeito teimoso e cabe�a-dura que s� ele poderia ter quando seus sentimentos falavam mais alto. - Os Comensais n�o s�o problema pra mim. � Sirius tentou tranq�iliza-lo � Harry, eles j� sabem que voc� est� na Mans�o, eles querem te pegar! - Isso tamb�m n�o � problema nenhum pra mim, Sirius � ele replicou no mesmo tom. - Escute, - Almofadinhas disse pausadamente � voc� deve fazer o que eu disser. V� at� o quarto de L�cio Malfoy e procure uma chave dourada, ele a encantou para trancar a porta desse quarto. - Eu tinha uma id�ia melhor, pensei em unir meus poderes com os do Malfoy e abrir esta porta � for�a. - N�o daria certo, Harry � a voz de Sirius falou do outro lado da porta � Estamos falando de um objeto encantado, e s� existe um contra-feiti�o para cada encantamento e � o pr�prio bruxo que o executou que o escolhe. Conclus�o, nada al�m da chave vai poder me tirar daqui. - E como � a chave? � pediu Harry. - � pequena, dourada e o cabo est� torto, voc� vai saber reconhecer quando v�-la � disse por fim Sirius querendo terminar definitivamente a conversa porque ele temia a chegada de um dos Comensais. O quarto de L�cio Malfoy ficava numa torre exclusiva, no lado oeste da Mans�o, era modestamente o maior e mais luxuoso aposento, de longe desbancava qualquer outro c�modo da casa. - E a pergunta que n�o quer calar �... � falou Harry categoricamente � Quanto ainda teremos que andar para chegar ao quarto de seu pai? - Eu pensei que voc� estava simplesmente querendo salvar seu padrinho � Draco deu de ombros � a dist�ncia entre a chave e o calabou�o � um pequeno problema. - Tanto dinheiro e uma Mans�o em que quando se est� num extremo � imposs�vel ver o outro, e nem ao menos t�m um elevador? � disse Tathy decepcionada dando uma �nfase de indigna��o no elevador. - Elevador? � perguntou Draco num tom de quem n�o fazia sequer a menor id�ia do que poderia ser aquilo, enquanto Gina contentou-se em encara-la com uma express�o estranha. - Esquece, isso realmente n�o importa agora. O quarto ou as cinco salas, a biblioteca particular e o closet que faziam parte dele tinham um aroma forte, cheiro de naftalina, como se as janelas raramente fossem abertas. Como n�o havia ningu�m, os quatro entraram. - N�o toquem em nada! � advertiu Draco. As palavras de Draco s� aumentaram a curiosidade de Gina, obviamente ela sabia que nada na Mans�o dos Malfoy era algo que fosse aconselh�vel tocar, principalmente objetos desconhecidos e com uma apar�ncia misteriosa, por�m exatamente isso a deixava terrivelmente atra�da por eles. A vontade de Gina estava se tornando incontrol�vel, Harry, Draco e Tathy haviam se dispersado pelo aposento � procura da chave, mas ressaltando que nenhum mexia em gavetas e portas. Gina escutou pr�ximo ao seu ouvido direito um rangido de porta e correu em dire��o dos outros para avisar que algu�m acabara de entrar. Harry, Draco e Tathy j� estavam na �ltima pe�a, que era onde ficava a cama imperial e pertences mais pessoais de L�cio e Narcisa Malfoy. - Temos companhia! � disse Gina sem f�lego tomando cuidado para falar baixo. Draco olhou desesperadamente � sua volta e abriu a porta de um arm�rio pequeno de madeira maci�a, que ficava encostado � parede do lado lateral da cama. - Dane-se a primeira regra de n�o tocar em nada � ele fez um gesto r�pido para que todos se escondessem ali � � nessas horas que devemos quebrar as regras... - Malfoy � falou Harry hesitante � voc� n�o acha que esse arm�rio � pequeno demais? - Potter � Draco empurrou Harry para dentro de uma vez por todas e com tom de superioridade falou � s� fa�a o que eu mando. Apenas fa�a. E qual foi a surpresa de Harry quando ele finalmente olhou para a porta do arm�rio e viu que ela era transparente. Ele franziu as sobrancelhas intrigado, pelo menos do lado de fora a porta era perfeitamente maci�a, era imposs�vel de enxergar qualquer coisa. Al�m disso, o tamanho do m�vel tamb�m o espantou. Interiormente ele era tr�s vezes maior, at� sobrava espa�o para os quatro. E de l� de dentro, como que atrav�s de um espelho eles assistiram L�cio Malfoy chegar at� o c�modo em que eles estavam. L�cio veio cambaleando, sua pele normalmente p�lida estava com tom amarelado e ele colocava uma m�o tr�mula sobre suas t�mporas, como se a sua dor se concentrasse em sua cabe�a, de alguma forma L�cio tentava se arrastar at� a cama, quando ele sentou na cama, Harry pode ver seu vis�vel esfor�o para respirar, Draco estava praticamente deixando o esconderijo se n�o fosse a m�o de Harry impedindo-o. L�cio estava delirando. - Narcisa... � ele resmungava � o que est� acontecendo? � L�cio sentiu uma pontada mais forte em sua cabe�a � Voc� e o Lord das Trevas...? N�o, ele enganou voc�... Narcisa meu amor, eu n�o acredito que voc� vai me apunhalar pelas costas desse jeito... Com um �ltimo respiro for�ado L�cio Malfoy desmaiou. Draco saiu imediatamente do arm�rio e correu para a cama. - Ele est� suando frio... � disse num tom preocupado. Tathy colocou sua m�o na testa de L�cio. - �... � ela constatou seriamente � seja l� o que for isso, seu pai n�o est� nada bem. No entanto, Harry estava incomodado com as palavras que L�cio tinha acabado de dizer antes de desmaiar, ele havia falado algo sobre Narcisa e Voldemort, e sobre ela o ter enganado. Pela rea��o dele, foi um choque ter percebido que Narcisa pudesse se juntar � Voc�-Sabe-Quem e que ele definitivamente n�o aprovava essa decis�o... e depois de todas essas perguntas surgiu uma que Harry achou que poderia ser a chave para resolver todo o resto... L�cio disse que n�o acreditava que Narcisa pudesse t�-lo apunhalado pelas costas daquele jeito, o qu� ser� que ela teria feito de t�o grave? Harry mordeu seu l�bio, pensativo, �tem alguma coisa muito errada nessa hist�ria, que eu saiba os Malfoys sempre tiveram liga��o com o mal, e naquele momento L�cio deu a impress�o de que ele e Voldemort n�o eram amigos, quem sabe at� inimigos�. Harry olhou para Draco que pegava no pulso de seu pai para verificar se ele estava tendo batimentos. - Vamos Malfoy, temos que pegar a chave e dar o fora daqui antes que seu pai se recupere e d� de cara com a gente � Harry disse firmemente, como se nem se importasse com a sa�de de L�cio, e isso era verdade. - Eu sei que voc� n�o gosta dele, e tem toda raz�o porque o meu pai � um imbecil, cretino que fica conspirando a sua morte. Mas acima de tudo ele � MEU pai, e eu n�o vou simplesmente deixa-lo sem ter a garantia de que ele vai ficar bem � replicou Draco com teimosia. - Ele vai ficar bem � garantiu Harry comovido e Draco lan�ou um olhar amea�ador � Okay, voc� sabe que eu odeio dizer isso, mas seu pai n�o vai ficar mal por causa de um desmaio, ele � muito mais forte do que isso. - Voc� sabe que isso n�o � normal, Potter � Draco olhava penetrantemente para Harry � Eu vou ficar mais um pouco, mas voc� deve pegar a chave e libertar Sirius. Harry ficou encarando-o, ser� que Draco realmente sabia o que estava fazendo? - Voc� tem certeza? � disse. - Tenho. � Draco estava firmemente obstinado � Sirius � sua responsabilidade e o meu pai � minha, ent�o trate de libertar Sirius que eu vou cuidar do meu pai, alguma coisa estranha aconteceu. Harry achou a chave dentro de uma gaveta, e ele, Tathy e Gina seguiram. ** ** Os tr�s j� estavam saindo da primeira passagem que levava at� o quarto de L�cio Malfoy quando repentinamente Gina falou: - Eu vou voltar. - O qu�? � Harry se espantou. - N�o vou deixar o Draco sozinho. Voc� n�o precisa de mim, Harry � enquanto dizia ela dava passos para tr�s � Boa sorte, e n�s nos encontramos depois. - Gina! � Harry chamou � � perigoso� voc� n�o pode se arriscar assim. O Rony n�o vai gostar nada disso. - Eu sei me cuidar bem � ela garantiu embora houvesse inseguran�a em seus olhos � V�o! E sem esperar mais um segundo ela virou de costas, e saiu correndo at� seus cabelos ruivos desaparecem na escurid�o. Harry jogou a Capa da Invisibilidade de lado e exclamou indignado: - Eu n�o acredito! � ele amea�ou correr atr�s dela quando Tathy o segurou pela camisa. Harry olhou perplexo para ela. - Deixe-a ir, Harry � afirmou Tathy � A Gina tem que fazer isto, entende? � importante para ela, e, al�m disso, tenho certeza que ela n�o � mais uma crian�a e sabe se cuidar sozinha. - Nem que eu saiba que � maior loucura que ela est� cometendo e tenho que ficar de bra�os cruzados? � retorquiu irritado. - N�o � justo voc� impedi-la de fazer o que ela acha certo � Tathy insistiu e depois num tom definitivo acrescentou � Muitas vezes na vida temos que arriscar, ir atr�s do que queremos, mesmo estando extremamente proibido voc� j� foi contra muitas regras, Harry. Agora � a vez da Gina, ent�o trate de se preocupar com o Sirius que est� precisando de n�s. ** ** Gina entrou no �ltimo aposento do quarto Malfoy, Draco estava sentado no ch�o com a cabe�a apoiada em seus punhos, muito concentrado e pensativo. L�cio ainda desmaiado continuou na mesma posi��o. Quando os olhos acinzentados de Draco se voltaram para ela, Gina viu que ele estava espantado por ela estar ali. - O qu� voc� est� fazendo...? � Draco indagou totalmente sem rumo. - Eu estou tentando fazer companhia para um menino insuportavelmente teimoso, ser� que eu posso? � Gina sentou ao lado de Draco e olhou diretamente para ele, Draco viu sua imagem mais s�ria do que a normal refletida. - Voc� deveria rever melhor quem voc� est� chamando de teimoso � ele disse � aposto que voc� n�o fica muito atr�s de mim. - Eu s� estou aqui porque eu n�o queria te deixar sozinho... � Gina olhou envergonhada para o ch�o e come�ou a brincar de estralar os dedos, embora ela n�o conseguisse estralar nenhum. Isso sempre acontecia quando ela ficava perto de Draco, uma sensa��o de impaci�ncia e ang�stia tomava conta sem que ela pudesse controlar. - Eu j� te disse o quanto voc� � maluca...? � Draco sorriu � Voc� sabe que talvez a gente n�o consiga voltar mais? - Eu n�o tenho medo disso � Gina garantiu firmemente � Comensais da Morte n�o me assustam quando penso na decis�o que eu vou ter que tomar em breve. - Por qu�? � Draco perguntou curioso. - Isso n�o � da sua conta, Senhor Misterioso � falou brincando � Eu tamb�m tenho meus segredos... - Voc� � completamente doida � repetiu Draco depois de uma pausa � eu ainda n�o entendi por qu� voc� voltou aqui? - N�o entendeu mesmo? � disse num tom intrigante. - Eu pensei que quem tivesse a miss�o de unir as fam�lias Malfoy e Weasley fosse eu � Draco retribuiu num tom divertido. - Muito engra�ado, eu nem acredito que isso passou pela sua cabe�a! Como voc� � convencido! � Gina exclamou perplexa � Eu fiquei preocupada com o seu pai, e voc� sabe que atravessando a Mans�o sozinho as suas chances de sobreviver se reduzem a quase zero. - Mas eu sou o filho do bra�o direito de Voldemort, nesse caso as minhas chances de sobreviver s�o muito maiores do que as suas, Weasley. - Isto n�o te impede de ser um traidor, e eu duvido que seu pai iria te poupar de algum castigo s� pela hereditariedade, muito pelo contr�rio � ela concluiu � Assim voltamos � estaca zero, e eu e voc� somos simples fugitivos. - Como voc� pode ter certeza que eles sabem sobre n�s? - Eu sei que seu pai deu ordem para que qualquer um que estivesse andando clandestinamente pela Mans�o fosse capturado e considerado suspeito. O que descreve bem a nossa situa��o. - Eu odiaria cruzar com o ex-Auror ou me deparar com algum amigo idiota do meu pai � Draco estava com uma express�o vis�vel de dor � Eu tenho experi�ncia pr�pria para dizer como � horr�vel quando eles querem maltratar algu�m. Gina olhou espantada para Draco, ela nunca podia imaginar que ele j� havia sido maltratado pelos Comensais da Morte. - N�o... � negou Draco como se pudesse ler os pensamentos dela � eu nunca sofri nenhum tipo de feiti�o vindo de um grupo deles, mas pode acreditar que eu j� vi, e voc� sabe que antes eu estava pouco me lixando para os outros, no entanto eu me lembro que cheguei a ficar com pena do cara. - � t�o ruim assim? � Gina falou insegura e pela primeira vez sentiu medo por estar sem Harry, ela sentiu como se estivesse sem prote��o. - N�o importa o quanto seja, porque nada vai acontecer a voc� � assegurou Draco e apegou nas m�os de Gina � eu prefiro acabar comigo mesmo antes de deixar algu�m tocar num fio de cabelo seu! Gina desabou no ombro de Draco. - Eu estou t�o cansada! � ela choramingou � � t�o injusto o que pode acontecer com o Mundo M�gico se a gente fracassar... eu estou assustada, eu nunca vi tanta Magia Negra assim antes. - Eu tenho certeza de que ningu�m aqui vai fracassar, eu n�o estou disposto a perder � a voz de Draco soou um tanto quanto prepotente, mas mesmo assim Gina sentiu que a coragem dele era verdadeira � Confie em mim, todos v�o ficar bem. Gina o abra�ou. Uma vontade de chorar foi crescendo dentro dela, mas n�o era a hora. Ela escondeu novamente seu rosto no ombro de Draco, a partir daquele instante n�o importava o que Harry Potter havia representado em sua vida, se perguntassem exatamente naquele momento ela n�o saberia nem responder quem era Harry Potter, j� n�o fazia sentido mais. E Gina sentiu uma estranha sensa��o de felicidade timidamente tomando conta dela, embora houvesse uma guerra t�o perigosa a sua volta. Isso era estranho, e mais estranho � que ela sabia reconhecer o que era isso. Quantas vezes Harry a tinha deixado com aquela alegria sem origem certa e que ficava reprimida s� para que ela pudesse saber de verdade o que significava tudo aquilo. Por�m Gina preferiu n�o pensar nisso e soltou do abra�o de Draco. - Eu confio em voc�, Draco � sua voz saiu meio rouca � Acredite, mais do que voc� possa imaginar. Draco olhou um tanto quanto pasmo para ela, como se o que ela tivesse acabado de dizer fosse alguma coisa verdadeiramente assombrosa. - Eu ordeno que voc� pare agora, Gina Weasley � ele falou um pouquinho soturno. - Com o qu�? � ela perguntou desnorteada pela express�o t�o grave de Draco. - De ficar me olhando desse jeito, isso me incomoda � ele explicou. No entanto para Gina n�o seria poss�vel atender o pedido de Draco, porque ela s� tinha aquele jeito de olhar para ele, e at� agora n�o tinha tido nenhuma oportunidade de ficar olhando para ele sem se sentir incomodada. Mas naquele instante foi diferente, a vontade de olhar para ele era maior. �Talvez eu esteja ficando alucinadamente maluca, sem d�vida, n�o me esfor�ar nem um pouco para desviar o olhar de Draco �, no m�nimo, estranho�. Ela pensou com um pouco de dificuldade, porque os olhos de Draco que tamb�m a encaravam a faziam perder o fio do pensamento, ela viu que as pupilas de Draco estavam bem dilatadas, quase s� havia um pequeno anel acinzentado dando cor aos olhos dele, Gina podia ver que ele estava exausto e apreensivo, mas l� no fundo ela conseguiu ver amor, um brilho anormal se misturava naquela �ris acinzentada. - Qual � o problema? � os olhos azuis de Gina n�o refletiam nada parecido com medo, eles estavam somente fixos nele, Draco achou que isso fosse pior do que um Veritas � Saber que eu estou olhando dentro dos teus olhos te deixa t�o fr�gil assim? - Eu n�o sou fr�gil! � reclamou Draco desviando olhar pela primeira vez � Eu s� fico gelado quando voc� me olha desse jeito. - Voc� n�o gosta? - N�o sei... � disse com muita sinceridade � Eu s� n�o estou acostumado com uma garota me olhando por tanto tempo, geralmente elas n�o se preocupam muito com isso! Gina ficou completamente at�nita, ela deixou escapar uma risada. Nunca em t�o pouco tempo um garoto havia conseguido deixa-la t�o indignada. Como Draco poderia estar insinuando que ela estava paquerando ele? - O fato de eu ter voltado n�o significa que eu tenho segundas inten��es com voc�! � Gina disse exasperada � Eu simplesmente vim te ajudar... Draco sorriu debochadamente. - E como voc� est� me ajudando... � com �nfase em como. Era esse tom de voz que Gina odiava, porque ela nunca conseguia saber o que ele realmente estava querendo dizer, por tr�s daquele jeito totalmente indecifr�vel. - Pare de rir! � ela reclamou com azedume � Eu n�o gosto quando voc� ri assim! E eu vou embora, porque eu n�o ag�ento mais as suas brincadeiras... E para falar a verdade, eu j� me arrependi de ter vindo aqui. � Gina levantou-se ligeiramente. - N�o! � Draco a puxou pela m�o e agora seus olhos pareciam muito s�brios � Mas eu n�o me arrependo de ter te encontrado aqui e voc� tamb�m n�o devia se arrepender. - Essa guerra � muito complicada pra mim, eu n�o devia ter vindo com voc�s, seria melhor se eu tivesse continuado em Hogwarts e... - Provado para o Rony que ele est� certo e voc� � uma criancinha e que ele sempre ter� que fazer as coisas dif�ceis por voc�! � Draco argumentou. - Talvez eu seja � Gina replicou � a mesma garotinha burra que sonhava em ir para Hogwarts, e que nunca conseguiu ter um namorado! Sou pat�tica quando se trata de relacionamento com o sexo oposto. Quero dizer, olhe para o meu hist�rico amoroso! - Eu n�o acho que voc� seja isso � disse Draco seriamente � Pra mim, voc� � a garota mais encantadora. Voc� n�o � como as outras, � diferente... � os bra�os de Draco envolveram a cintura de Gina � Voc� n�o gosta de mim porque eu sou herdeiro dos Malfoy e sou loiro... Como se levasse um choque Gina o soltou. - Eu n�o gosto de voc�, Malfoy � ela retrucou com firmeza. - Tudo bem � Draco virou-se e come�ou a fazer o caminho para fora do quarto que Gina havia feito antes. - E o seu pai? � perguntou Gina. - Voc� tinha raz�o, foi bobagem ter ficado aqui. � claro que ele vai sobreviver. Gina se sentiu angustiada, Draco virou as costas para ela e estava andando num r�timo acelerado corredor afora. Ela n�o suportava quando algu�m simplesmente virava as costas para ela e fingia ter esquecido da sua presen�a ali. Como Gina tinha as pernas mais curtas ela n�o conseguia acompanhar o passo de Draco. - Ei, espere! � ela pediu � Voc� devia ter tantas namoradas em Hogwarts, n�o sei porque voc� est� dizendo essas coisas pra mim. Agora foi a vez de Draco levar um choque e parar. Gina parou � frente dele. - Porque nenhuma delas � melhor do que voc�, ali�s, elas nem chegam aos seus p�s. - O que? Como voc� pode ter certeza disso? Voc� mal me conhece, e n�s nem nos beijamos direito... - Eu sei reconhecer quando tem uma garota que vale a pena perto de mim � Draco ajeitou um fio de cabelo dela que estava saindo do lugar � Voc� n�o � interesseira, eu j� disse, voc� � especial pra mim... - Eu n�o sei � ela tirou a m�o de Draco que ainda estava em seu rosto � Eu n�o quero que brinquem comigo, Malfoy! - Sabe qual � o seu defeito? � disse seriamente � Voc� � insegura demais, devia dar pelo menos uma chance de te mostrar que eu n�o sou esse cretino que voc� pensa. Draco n�o estava perto o bastante para conseguir se enxergar nos olhos dela, mas podiam ver que eles estavam cheios de um medo idiota de errar. Gina definitivamente n�o sabia o que fazer, uma for�a a impulsionava para beijar Draco, esse era o seu desejo verdadeiro, mas um medo a fazia parar. Draco apenas pegou na m�o de Gina: - Vamos temos muito que andar at� o quarto de Sirius, e n�o podemos ficar parando � disse num tom estranhamente calmo. ** ** O sol estava se pondo, e a escurid�o da noite j� tomava conta do c�u. Lupin escrevia num pergaminho algumas anota��es e freq�entemente consultava uma das pilhas de papel espalhadas por cima da sua mesa de escrit�rio. Rony e Mione entraram. - Lupin � Hermione disse num tom s�rio, no entanto como se fosse uma esp�cie de aviso � Eu e Rony decidimos nos juntar a Harry na Mans�o. Os pontos deles est�o se separando, isso vem acontecendo repetidamente. - E n�s tamb�m n�o concordamos com a id�ia de ficar aqui esperando que eles voltem e tudo acabe bem, n�o sei como o Harry pode ter achado melhor ir e nos deixar aqui, s� com esses rastreadores � Rony acrescentou enquanto suas sardas se acentuavam � Isso � rid�culo, eu n�o vou deixar ele se estrepar com o Malfoy l�! Lupin deixou os pergaminhos de lado e foi at� eles, com o olhar negro penetrante. - E eu n�o vou permitir que voc�s se exponham dessa forma. Quantas vezes eu terei que repetir que a vida de mais ningu�m pode ser colocada em perigo? - Eu t� cansado de saber disso, mas eu preciso resgatar a minha irm� � replicou Rony � Eu s� quero traze-la de volta. - E prof � Lupin, como voc� pode estar t�o calmo, antigamente voc� n�o permitiria que o Harry se metesse no meio dos Comensais da Morte... O que voc� sabe que a gente n�o? - Hermione, sempre esperta, realmente tem uma coisa que eu preciso dizer a voc�s � olhares curiosos ca�ram sobre Remo � Sirius os est� vigiando de perto, ele os proteger� se necess�rio com a pr�pria vida. Agora eu preciso explicar mais algumas coisas a voc�s. Ent�o porque n�o se sentam? Com um movimento da varinha, tr�s cadeiras apareceram. Igualmente intrigados e sem pronunciar uma palavra Rony e Hermione se sentaram. - Antes da noite em que os pais de Harry foram mortos e Voldemort desaparecesse, o terror reinava sobre o Mundo M�gico. Dumbledore, juntamente com bruxos poderosos e pessoas que se dispunham a lutar contra as atrocidades que Voldemort praticava formavam um Conselho. Com a amea�a da volta de Voldemort, esse Conselho voltou a se reunir, Sirius foi mandado por Dumbledore para proteger quem est� na Mans�o, e a ordem que eu tenho � a de n�o deixar voc�s sa�rem daqui de jeito nenhum, em breve Dumbledore vai nos chamar. Se Harry demorar para achar o talism� sozinho, n�s vamos entrar na Mans�o para ajuda-lo. - Eu estava pensando... Harry � um cara legal, e tem a Tathy que tamb�m � poderosa ao lado dele, mas Dumbledore n�o devia ficar esperando a desist�ncia do Harry para entrar em a��o, se eles invadissem a Mans�o e pegassem o talism�, tudo estaria acabado � falou Rony. - Os Comensais da Morte foram escolhidos pessoalmente por Voldemort, eles n�o s�o bruxos fracos que sem op��o decidiram segui-lo. Os Comensais foram selecionados entre os mais fortes, astutos e cru�is bruxos, qualquer bruxo que fa�a parte do Conselho pode morrer nas m�os de um poderoso Comensal. E assim como Dumbledore, eu acredito que n�s precisamos da ajuda de Harry, e n�o ele de n�s. Portanto, Ronald Weasley, temos que esperar a hora certa. - Est� bem professor Lupin, eu acho que eles est�o mais seguros com o Sirius por perto � disse Hermione compreensiva. - E voc�, Rony, entende que a Gina est� bem protegida, e que n�s temos que seguir as instru��es de Dumbledore para a nossa pr�pria seguran�a.Eu posso contar com a sua colabora��o? � perguntou Remo. - Claro � afirmou Rony � Vamos esperar a hora certa. - Bom, eu tamb�m vou estudar alguns livros l� embaixo. N�s n�o vamos mais te incomodar com esse assunto. - Espero que voc� n�o fique estudando at� tarde, Mione � advertiu o professor com um sorriso � A noite foi feita para dormirmos e descansarmos. - Igualmente � respondeu, se havia alguma coisa em que Hermione e Lupin eram id�nticos, era o jeito como eles mergulhavam nas p�ginas dos livros, e mal sentiam o tempo passar, e por muitas vezes passavam a noite e s� se davam conta disso quando o Sol surgia no horizonte e amanhecia � Boa noite � disse Hermione enquanto fechava a porta e era acompanhada por Rony. ** ** - Eu posso tentar esperar a hora certa, o que est� sendo muito entedioso para mim � disse Rony. - Obrigada por desprezar a minha companhia desse jeito � retrucou Hermione despeitada. - Voc� sabe que n�o � da sua companhia que eu estou reclamando. Mas voc� e o Lupin ficam vidrados nesses livros praticamente o dia inteiro, e eu n�o tenho paci�ncia pra ficar lendo como se esse monte de palavras pudesse traze-los de volta.Eu prefiro ir atr�s, fazer por mim mesmo, assim as chances parecem mais reais. - E ruins pra gente, em termos de n�mero, poder e estrat�gia � complementou com um sorriso � E j� que temos que ficar na teoria que tal voc� me acompanhar? - Claro, eu vou adorar ler esse livro de 2550 p�ginas com voc� � falou num tom animado. - � impress�o minha ou voc� est� debochando de mim descaradamente? � Hermione ergueu as sobrancelhas. - N�o, eu estou falando s�rio � seu olhar firme contrastava com o sorriso que escapava de seus l�bios � Vai ser um prazer, eu, voc� e ningu�m mais al�m dos livros... Hermione balan�ou a cabe�a perplexa. - Eu pensei que voc� j� tivesse parado com essa besteira de dizer que gosta de mim � ela falou secamente. - Voc� realmente acha que � besteira, Hermione? � disse em contrapartida � Ou voc� prefere acreditar que seja isso? - Rony, eu n�o estou aqui para tentar adivinhar se voc� est� dizendo a verdade ou se est� rindo de mim. Eu quero apenas ajudar o Harry, porque eu n�o ag�ento mais v�-lo sofrer. - E eu quero tanto isso que vou tentar acabar com essa maldi��o do meu jeito e do seu jeito tamb�m. � falou terminantemente e pegou um livro e enfiou seu rosto compenetrado nas p�ginas. �Como ela pode ser t�o teimosa?� pensou Rony, ele mal conseguia se concentrar nas palavras que estavam vagando em sua frente. �Ser� que ela n�o percebe que n�o e fingimento, eu estou sendo completamente honesto�. Eles continuaram por horas pesquisando e lendo v�rios livros, grossos e finos, uns com tanta poeira que fazia com que eles se perguntassem quanto tempo j� estavam ali. �s vezes o olhar dos dois se encontrava, e no mesmo instante que era m�gico tamb�m ficava vagamente perdido no ar. E numa dessas olhadas para surpresa de Rony, Hermione estava deitada sobre os livros dormindo. Rony sorriu, at� mesmo Hermione que estava t�o determinada a n�o desgrudar a aten��o dos livros, tinha sido vencida pelo cansa�o. Ele preferiu deixa-la ali descansando do que ajeita-la e acabar acordando-a. Ultimamente Hermione parecia um zumbi andando pela casa,tinha exaust�o em seus olhos e a cada passo que ela dava. Rony achou at� melhor que ela n�o tivesse resistido ao sono, como ela irritantemente costumava fazer quando estava disposta a algo, desse jeito ela poderia pelo menos descansar. Embora ele fizesse essa id�ia de Hermione, Rony sem notar era igualmente cabe�a-dura, e n�o dormiu durante toda a noite e s� acordou Mione muito tempo depois para tomar caf� com ele. - Ei dorminhoca! � sussurrava no ouvido de Hermione � J� amanheceu h� muito tempo, est� na hora de voc� acordar! Hermione abriu os olhos, para primeiro ver Rony e logo em seguida levar um susto: - O que est� acontecendo? � ela murmurou enquanto olhava atordoada para os lados � Eu n�o acredito que eu dormi! Ela bateu sua m�o na mesa. - Voc� n�o � de ferro, Mione. Chega uma hora em que a gente n�o consegue se esfor�ar mais. - Tudo bem � respondeu � Eu acho que voc� est� certo, eu dormi muito? � disse desnorteada. - S�o oito horas. Digamos que voc� dormiu dez horas! - Minha nossa! Nem eu consigo imaginar que eu pude dormir tanto! E voc�? � Hermione perguntou porque havia duas olheiras negras e profundas em Rony. - Eu n�o consegui dormir � falou confirmando as suspeitas de Mione � Fiquei com os livros � noite, mas n�o achei nada que possa favorecer o Harry. Hermione meio soturna ficou encarando Rony sem saber o que dizer. Ele estava com uma apar�ncia p�ssima, parecia que ele n�o tinha mais energia, que alguma m�gica o estava mantendo em p�. - Desculpe por ter deixado voc� sozinho � disse envergonhada. - Voc� n�o precisa pedir desculpas por isso! Eu vim te chamar para tomar caf� comigo no Caldeir�o Furado. - Claro! � Hermione sentiu seu bra�o dolorido por ter dormido em cima dele. Ela se espregui�ou � Vamos, voc� tem que comer antes que caia de t�o exausto. Os dois comiam torradas e tomavam uma x�cara de caf� fumegante. Havia poucas pessoas no Caldeir�o Furado pela manh�, algumas murmurando em mesas bem distantes de Rony e Hermione. De repente uma coruja grande e de olhos amarelos entrou pela porta estreita do bar, e ficou voando ao lado de Hermione. Ela pegou a carta presa na pata do animal, e imediatamente a coruja foi embora. Hermione abriu a carta, Rony que ficou observando tudo perguntou numa voz seca, embora j� soubesse a resposta: - De quem �? - Do V�tor Krum � Hermione olhou hesitante para Rony. - Voc� n�o contou nada para ele sobre n�s? Sobre o que aconteceu? � ele replicou perplexo. - Rony, eu... � Hermione come�ou a dizer, mas foi interrompida por um gesto brusco de Rony que se levantou da cadeira, praticamente jogando-a a um metro de dist�ncia. - Eu n�o posso acreditar que voc� est� pensando em continuar namorando esse... � Rony respirou fundo para controlar o imenso palavr�o que sairia da sua boca, e terminou -...B�lgaro gigante! - Eu j� disse que isso n�o � da sua conta � esbravejou Hermione com a voz aguda. - Eu sei � afirmou Rony com a raiva saltando fa�scas pelos olhos � Ali�s, eu j� devia ter entendido desde o Baile! N�o se preocupe Hermione, eu vou te deixar em paz. E sem deixar tempo para ela dizer nenhuma resposta, saiu batendo o p�. Hermione sentiu como se naquela hora ele estivesse esmagando e pisando em cima do cora��o dela. � Droga!� ela sentiu sua m�o amassando a carta de V�tor, ela tentou tomar o caf� que ainda estava quente, mas este havia se tornado dez vezes mais amargo. Hermione sentia pontadas no seu cora��o, como se Rony o tivesse massacrado, por�m ela sabia que a culpa n�o era dele, n�o desta vez. A carta de Krum dizia que ele estava morrendo de saudades e em breve terminaria o campeonato, assim eles poderiam passar as f�rias juntos, e que ele n�o via a hora disso acontecer. Tamb�m pedia que ela mandasse resposta, porque fazia muito tempo que ele n�o recebia uma carta dela. Com afli��o ela pensou na resposta certa, como ela poderia dizer a Krum o que ela realmente estava sentindo, Hermione n�o poderia fazer isto por carta, sua personalidade n�o permitiria, ela n�o estava preparada para terminar com Krum, ser sincera com ele. Era o que ela queria fazer, mas ainda n�o era o momento certo. ** ** Harry, Tathy, Draco e Gina passaram a noite numa das passagens desconhecidas da Mans�o, durante toda a madrugada os Comensais de dividiram em turnos de dois em dois para vigiar o quarto, eles n�o tiveram chance de fazer nada. Gina, Tathy e Draco dormiram, no entanto Harry ficou acordado esperando a hora em que ele pudesse resgatar Sirius, o que era imposs�vel enquanto eles estivessem vigiando a porta. Harry tinha perdido a no��o do tempo, apenas sabia que j� era dia, porque o Sol inundava os aposentos da Mans�o, os dois Comensais sonolentos precisavam ficar se cutucando para se manterem acordados, Harry n�o conseguia ouvir o que eles falavam e sentia dor de cabe�a quando tentava apurar os ouvidos para captar alguma palavra. Parece que os dois entraram em um acordo e rapidamente deixaram a porta livre. Era a oportunidade perfeita, n�o havia ningu�m para impedi-los. Harry sacudiu Draco: - Malfoy, chegou a hora, eles sa�ram! � chamou numa voz urgente esquecendo todo o sono que o tinha incomodado at� agora. Draco se recomp�s ligeiramente. - Eu vou chamar as meninas � avisou. - � melhor deix�-las dormindo, para a pr�pria seguran�a delas. Eu sei que elas n�o v�o entender se a gente explicar, mas depois elas acabam percebendo que foi com uma boa inten��o � disse Harry com a chave dourada na m�o, pronto para abandonar a passagem secreta. - Eu concordo com voc�, Potter � afirmou � Quando estivermos com Sirius, n�s voltamos para busc�-las. Quando deram o primeiro passo na dire��o da sa�da da passagem, a voz de Tathy os chamou a aten��o: - Quando voc�s estiverem com Sirius, n�s vamos fugir porque voc�s n�o ter�o que voltar para pegar ningu�m � disse firmemente, os olhares dela e de Gina reca�am duramente sobre eles � E nem pensam em nos deixar de fora, a gente n�o precisa disso. - Eu sinto muito � respondeu a voz definitiva de Harry enquanto ele pegava a varinha � Mas eu acho que voc�s devem ficar se alguma coisa sair errado � e apontou a varinha para as duas � Petrificus Totalus! Tathy e Gina ficaram com o corpo inteiro r�gido, sem poder se mexer e falar, suas bocas estavam completamente duras, mas Harry conseguia ver no fundo dos olhos verdes dela, que quando elas voltassem ao normal com certeza era melhor ele n�o estar por perto. - Me desculpe � ele disse para Tathy e os olhos dela apenas brilharam amea�adoramente. - Voc� leva a s�rio mesmo esse neg�cio de deix�-las paradas � comentou Draco, e cobriu as duas com a Capa da Invisibilidade. O corredor estava deserto, aonde os Comensais haviam ido? Isso n�o era problema deles, agora eles s� tinham que resgatar Sirius. Harry colocou a chave na fechadura e girou, foi t�o simples como apenas destrancar uma porta que estava a muito, muito tempo fechada. Sem poder acreditar que estava t�o perto de seu padrinho Harry abriu a porta, Sirius estava sentado no fundo do quarto, as roupas rasgadas e hematomas no canto do olho e da boca. A vis�o de Sirius machucado fez o sangue de Harry ferver, mas esta n�o era a prioridade. - Estamos aqui, Sirius � ele disse � Como eu prometi. O olhar vago de Almofadinhas, subiu desde os p�s de Harry at� a sua cicatriz, de relance ele viu Draco parado ao lado, mais p�lido do que o normal e o cabelo n�o t�o ajeitado como normalmente. - Harry!Ah, Harry! � exclamou Almofadinhas � Voc� conseguiu! Vamos, me ajudem a levantar. Harry e Draco apoiaram os bra�os de Sirius nos ombros deles, e com alguma dificuldade conseguiram levanta-lo. - Temos que sair daqui antes que os Comensais voltem � falou Harry. - Tinham Comensais do lado de fora? � indagou Sirius que n�o imaginava que estava sendo t�o bem espionado. - Sim � respondeu � te vigiando a noite inteira. - Vamos logo, eu conhe�o bem as passagens da Mans�o, isso nos d� alguma vantagem � disse Draco. - Eu jamais pensei que meu pr�prio filho pudesse usar da minha confian�a para me trair � era a voz arrogante de L�cio Malfoy que soava como o alarme final, estava tudo acabado. Draco olhou pasmo para a porta onde seu pai o encarava fixamente, os olhos cintilando maldade. Ele n�o sabia o que fazer, se soltava Sirius ou se simplesmente se matava antes que seu pai fizesse isso. - Vamos Draco, voc� sempre tem o que dizer � seu tom era calmo e c�nico, Draco estava totalmente em choque, como se sem a varinha L�cio tivesse lan�ado o Feiti�o do Corpo Preso nele. At� Harry ficou com medo, os olhos negros de L�cio estavam frios e assustadores � Eu j� temia que voc� tivesse se juntado ao Potter, voc� sempre foi fraco quando eu e sua m�e aplic�vamos algum castigo em voc�, mas voc� nunca sofreu a dor de algu�m que se junta a Dumbledore e a esse garoto. Harry congelou ao ver que L�cio entrava pelo aposento, e escorria uma gota de suor frio pela testa de Draco. ** ** |