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Meteor Scatter (MS).
Rolf_PY1RO      3 Feb 2005

  
Email transcrito de grupo vhf-dx,

"From:  <[email protected]>
To: [email protected]
Date: Thu, 3 Feb 2005 13:29:16 -0000
Subject: [vhf-dx] WSJT - JT6M

Pessoal,

atendendo a vários pedidos, segue abaixo um apanhado concentrado do WSJT, com enfoque no JT6M usado no Meteor Scatter (MS).

O WSJT é sigla para Weak Signal K1JT, e é gratuito, carregável do site do K1JT: http://pulsar.princeton.edu/~joe/K1JT , onde também se encontra todo o descritivo completo.

Dentro do WSJT você encontra várias modalidades de operação digital usadas para comunicação com níveis baixos de sinal. As modalidades mais interessantes para nós são as para reflexão pelas caudas de meteoritos "MS" (JT6M para 6m e FSK441 para 2m e acima) e JT65 para uso em reflexão lunar (EME). Mas isto não limita o seu uso para apenas MS e EME. Elas também podem ser extremamente úteis em qualquer outro enlace onde os sinais são muito fracos (Tropo, Ducting etc)

No entanto, as minhas experiências pessoais se limitam ao MS e EME. Acredito que de imediato o JT6M seja o mais interessante para os entusiastas de DX em VHF. O MS ocorre mais em 6m, tornando essa banda a predileta para essa modalidade. Comunicados acima de 1600 Km são possíveis e requerem pouco investimento em equipamento e antena. Basta ter um transceptor que opera em USB. Não há necessidade de potência. A antena pode ser uma yagi simples de poucos elementos (3 a 6), sem necessidade de elevação mecânica.

Além do WSJT você também deve instalar um programa que mantém sincronizado o seu relógio do PC com a hora universal, nós já veremos porque. Eu uso o "Dimension4" ou D4 que pode ser carregado gratuitamente de http://www.thinkman.com/dimension4/ e muitos outros lugares.

Outra coisa é a ligação entre o seu radio e o PC. Há inúmeras referencias na Web sobre isso e embora o circuito seja sempre basicamente o mesmo, a implementação varia dependendo do seu radio. Basicamente é necessário você ligar a saída de áudio do radio à entrada de MIC da placa de som do PC (com o pré da placa de som de 20dB habilitado) e a saída LINE OUT da placa de som com a entrada de áudio do radio. A terceira ligação é o PTT gerado pelo PC que controlará o PTT do seu radio. Para isso é usado uma porta serial do PC (conector de 9 ou 25 pinos). A ligação é exatamente a mesma usada para as outras modalidades digitais, mais antigas.

Uma vez tudo isso instalado, é só marcar combinar um sked com alguém, apertar o botão Auto is off no JT6M e esperar. O resto é feito pelo software. Este vai transmitir e receber em intervalos de um determinado número de segundos (ex: 15) e no seu parceiro de sked a seqüência é a oposta. Você já percebeu que os relógios TEM que estar sincronizados para isso funcionar, portanto aquele D4 ou equivalente é imprescindível.

No JT6M existe uma janela onde aparece tudo que o software está decodificando. Pode aparecer ruído, mas quando um meteorito cai no alcance das duas estações, uma seqüência contendo os indicativos das estações em sked aparece. Quem receber primeiro agora muda por um click a mensagem para a próxima na seqüência, que contem uma reportagem. Quando o outro recebe a reportagem, ele manda a sua reportagem e assim sucessivamente, até que o protocolo necessário para um contato válido, é concluído. As mensagens são padronizadas, bastando apenas você colocar o indicativo do outro. É provável que para um QSO completo sejam necessários vários meteoritos, de modo que um contato pode demorar vários minueto. As vezes um meteorito é tão "longo" que o mesmo pode sustentar a transmissão para vários câmbios.

Para você obter um 'feeling', eu estou anexando um arquivo real do meu primeiro QSO em MS. Para você ver como funciona, basta estar com o WSJT carregado, selecionar o Mode FSK441A, ir em File e selecionar o arquivo anexado no local onde você o guardou, e dar Open. No caso ainda não existia o JT6M. O FSK441A é muito parecido, mas não otimizado ainda para os 6m. Ao dar Open o programa decodificará numa fração de segundo o .wav e apresentará o resultado. Na linha verde do gráfico você vê nitidamente o pico do sinal recebido. Na janela abaixo você verá o texto recebida. Agora toque este mesmo arquivo com um REAL PLAYER ou equivalente e a poucos segundos do início você escutará um ruído curto de fração de um segundo que contém tudo aquilo que você viu decodificado. A característica em MS é que as transmissões são feitas em altíssima velocidade para aproveitar ao máximo a curta duração dos sinais ("pings"). O WSJT, em todas as modalidades, usa um sistema de codificação onde cada caractere/número tem associado uma freqüência de áudio específica dentro da banda passante do USB. Não existem mais os bauds do Teletipo nem os pontos e traços do CW!

Quem foi o culpado desse meu primeiro (e até hoje único) QSO em MS foi o Kleibe, PP2KR, de Goiânia, que me instigou tanto até que eu concordei em topar o teste. Na hora imaginei que fosse ser uma coisa chata, muito demorada, mas qual não foi a minha surpresa que depois de talvez uns 2 ou 3 ciclos já chegou o sinal dele e logo em seguida ele recebeu a minha resposta. O segredo é que apenas 1% de todos os meteoritos que entram na atmosfera terrestre, são visíveis, mas mesmo os bem pequenos, do tamanho de um grão de areia, são o suficiente para gerar caudas aproveitáveis. E não se esqueçam, meteorito cai durante as 24 horas do dia, não só a noite!

Pessoal, o assunto WSJT é muito abrangente, impossível de retratar aqui em poucas palavras, mas se algum de vocês decidir de tentar MS, estarei, com muito prazer, a disposição para ajudar com mais informações, na medida do necessário e dentro das minhas possibilidades.

Fte 73

Rolf - PY1RO"

 
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