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.::Sistemas Políticos\Sindicalismo::.

Movimento de associações permanentes de trabalhadores (sindicatos) que defende melhores condições de trabalho e outros interesses comuns. De acordo com o relatório anual de 1997 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), do total estimado da mão-de-obra mundial, de 1,3 bilhão de trabalhadores, em 1995, 164 milhões são sindicalizados, o que representa 12,6%. Dos 92 países analisados, 48 apresentam uma taxa de sindicalização de até 20% e somente em 14 a taxa supera os 50%.
No período entre 1985 e 1995 houve queda na taxa de sindicalização na maioria dos países do mundo. Isso é explicado, entre outros fatores, pelo crescimento do neoliberalismo, que diminui as funções do Estado na economia e no gerenciamento de políticas de bem-estar social para a classe trabalhadora; e do desemprego, que desarticula os empregados diante da possibilidade da perda do trabalho. Existem ainda questões relativas ao avanço tecnológico e à globalização, que aumentam a concorrência internacional e eliminam postos de trabalho; e ao crescimento da economia informal, que deixa de exigir vínculos empregatícios. Por fim influem também os acontecimentos sócio-políticos de cada região. Na Europa Central e Oriental, por exemplo, houve queda de cerca de 36% nos índices de sindicalização. O principal motivo foi o fim da URSS e do regime socialista, que levou ao desaparecimento da garantia do emprego e do sindicalismo compulsório. Em contrapartida, o país que registrou o maior aumento na taxa de sindicalização foi a África do Sul (130%), com o final do regime de segregação racial (apartheid), que possibilitou o acesso dos negros ao mercado de trabalho.
DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO – O sindicalismo nasce no início do século XIX com a Revolução Industrial, mas o espírito associativo entre os trabalhadores existe desde a Idade Média, representado pelas corporações de ofício, que regulamentam o processo produtivo artesanal nas cidades. Os sindicatos, porém, não podem ser considerados uma evolução das associações medievais, pois defendem os interesses de trabalhadores assalariados que não detêm a posse dos meios de produção - condição surgida com o capitalismo industrial.
No início da produção industrial, os operários enfrentam péssimas condições de trabalho. As jornadas ultrapassam 15 horas, os horários de descanso e férias não são cumpridos e mulheres e crianças não têm tratamento diferenciado. Nas primeiras manifestações os operários depredam instalações fabris. Por volta de 1824 surgem associações de ajuda mútua e formação profissional, que passam a ter caráter reivindicatório.
A implantação do sindicalismo é um processo lento e marcado por conflitos. Para negociar, os sindicatos precisam, primeiramente, ser reconhecidos pelos empregadores como interlocutores dos trabalhadores. O principal instrumento usado por eles é a greve. Gradativamente conseguem redução da jornada de trabalho, melhoria de salários, proibição do trabalho infantil, limitação do trabalho feminino e direito de greve.
Inglaterra – - Os primeiros sindicatos (trade unions) surgem na Inglaterra, em 1838, influenciados pelas Revoluções Liberais e pelas idéias socialistas. Entretanto, o direito sindical só é reconhecido por lei em 1871. Em 1868, os sindicatos agrupam-se no Trade Union Congress (TUC), uma associação nacional de trabalhadores. No início do século XX, os grandes sindicatos criam o Partido Trabalhista para pressionar o Parlamento britânico na defesa de seus interesses.
EUA – Em 1869, na Filadélfia, nasce uma associação de trabalhadores, a Ordem dos Cavaleiros do Trabalho, que defende uma reforma geral da sociedade. Em 1886 surge a American Federation of Labor (AFL), agrupando sindicatos organizados por ofício. Em 1935 é formado o Congress for Industrial Organization (CIO), que organiza os trabalhadores das grandes fábricas. Em 1957, o CIO funde-se à American Federation of Labor, formando a AFL-CIO.
França – As primeiras associações francesas de trabalhadores sofrem severas repressões políticas após a Comuna de Paris, em 1871. Somente em 1884 uma lei autoriza o funcionamento do sindicalismo no país. Paralelamente aos sindicatos, desenvolvem-se as chamadas bolsas de trabalho, que servem como centros de formação profissional e agências de emprego. Em 1895 é criada a Confederação Geral do Trabalho (CGT), que até a I Guerra Mundial adota uma linha revolucionária inspirada no anarquismo. Após a guerra, a CGT segue uma linha mais moderada e próxima do socialismo.

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