Crescente
integração das economias em um mercado global intensificada nas
últimas décadas do século XX. Os Estados vêm abandonando gradativamente
as barreiras tarifárias que protegem sua produção da concorrência
estrangeira e se abrem ao fluxo internacional de mercadorias e
capitais. Essa unificação tem sido facilitada pela revolução nas
tecnologias da informação.
A globalização é um processo antigo que remonta aos séculos XV
e XVI. Nessa época, os Estados europeus dão início à expansão
marítima e comercial, conquistando e explorando novos territórios
fora do continente. Outro grande salto na difusão do comércio
e dos investimentos é dado pela Revolução Industrial nos séculos
XVIII e XsIX. A interdependência econômica prossegue em ritmo
crescente até a quebra da Bolsa de Nova York , em 1929, sendo
retomada com intensidade no bloco capitalista após a II Guerra
Mundial. Com o encerramento da Guerra Fria, no fim dos anos 80,
inaugura-se um novo estágio da globalização: as trocas mundiais
incrementam-se ainda mais em virtude da adesão das ex-nações comunistas
à economia de mercado e ao fortalecimento dos blocos econômicos
regionais.
Expansão do Comércio – Estimulado pela queda de barreiras - decorrente,
em grande parte, das políticas liberalizantes postas em prática
pelo Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt) e, atualmente,
pela OMC –, o volume das trocas mundiais aumenta 12 vezes desde
a última guerra mundial. Para a próxima década é esperado um crescimento
anual em torno de 6%. A expansão do comércio tem superado o crescimento
da produção mundial. Segundo o FMI, entre 1970 e 1995 o volume
de dinheiro movimentado em trocas internacionais aumenta em média
5,8% ao ano, enquanto a taxa média anual de crescimento da produção
mundial é de 3,6%.
Explosão dos Investimentos – O crescimento dos fluxos de capital
tem sido ainda maior. Esse aumento se deve à maior abertura dos
países ao capital estrangeiro, à sofisticação do mercado financeiro
e à fantástica velocidade das transações, possibilitada pelas
inovações nas telecomunicações e na informática . Os investimentos
estrangeiros diretos - de longo prazo, usados, por exemplo, em
implantação de fábricas - foram de US$ 315 bilhões em 1995. Houve
um incremento de quase seis vezes em relação ao período de 1981
a 1985. Os mercados cambiais mundiais - onde se compram e vendem
moedas especulando com flutuações cambiais - movimentam diariamente
cerca de US$ 1,3 trilhão.
A migração quase instantânea do dinheiro fortalece o "capital
volátil", aplicações estrangeiras de curto prazo feitas no
mercado de capitais - os investidores convertem sua moeda forte
(dólar, em geral) em moeda local e compram ações na bolsa. Ele
é assim chamado porque, ao primeiro sinal de instabilidade econômica
ou política no país, é resgatado pelo investidor estrangeiro,
provocando uma crise - que pode alastrar-se para outras nações
em "efeito dominó" por causa da enorme integração das
economias mundiais. É o que ocorre em outubro de 1997, quando
as principais bolsas de valores do mundo despencam como reação
à queda de 10,41% da Bolsa de Hong Kong , um dos mais importantes
centros financeiros do mundo. O declínio generalizado das bolsas
mostra a instabilidade de um mercado financeiro globalizado, uma
vez que o desempenho das economias nacionais depende não só da
ação dos governos mas também - e cada vez mais - dos grandes investidores
estrangeiros. As nações emergentes com modelo de desenvolvimento
fortemente baseado em investimentos e financiamentos externos
são, em geral, as mais vulneráveis a esse tipo de crise.
Corporações Transnacionais – A globalização também é marcada pela
rápida difusão das corporações transnacionais pelo mundo. A cadeia
de fast food McDonald's, por exemplo, possui 18 mil restaurantes
em 91 países. Essas corporações exercem papel decisivo na economia
mundial. O Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) da ONU afirma
que, das cem maiores riquezas do mundo, metade são Estados e metade
megaempresas. Segundo o Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade
de São Paulo, as dez maiores empresas do mundo (Mitsubishi, Mitsui,
Itochu, Sumitomo, General Motors, Marubeni, Ford, Exxon, Nissho
e Shell) faturam juntas US$ 1,4 trilhão em 1994. Esse valor equivale
à soma do PIB de Brasil, México, Argentina, Chile, Colômbia, Peru,
Uruguai, Venezuela e Nova Zelândia.
As transnacionais implementam mudanças significativas no processo
de produção. Auxiliadas pelas facilidades na comunicação e nos
transportes, instalam suas fábricas em qualquer lugar do mundo
onde existam as melhores vantagens fiscais, mão-de-obra e matéria-prima
baratas. Com isso, os empregos diminuem nos países ricos - que
possuem altos salários e ampla rede de benefícios sociais trabalhistas
- e reaparecem em nações emergentes, como os Tigres Asiáticos.
E grande parte dos produtos não tem mais nacionalidade definida.
Um carro com a marca dos EUA pode conter peças fabricadas no Japão,
ter sido projetado na França, montado no Brasil e vendido no mundo
todo.
Revolução Tecno-Científica – A rápida evolução e a popularização
das tecnologias da informação (computador , telefone e televisor
) têm sido fundamentais para agilizar o comércio, o fluxo de investimentos
e a atuação das transnacionais. Em 1960, um cabo de telefone intercontinental
conseguia transmitir 138 conversas ao mesmo tempo. Atualmente,
com a invenção dos cabos de fibra ótica, esse número sobe para
1,5 milhão. Uma ligação telefônica internacional de 3 minutos
que custava cerca de US$ 200 em 1930 hoje em dia é feita por US$
2. O número de usuários da internet, rede mundial de computadores,
é de cerca de 50 milhões e tende a duplicar a cada ano, o que
faz dela o meio de comunicação que mais cresce no mundo.
Desigualdades – A expansão dos fluxos econômicos globais tem ocorrido
de forma desigual entre as regiões. Relatório da ONU mostra que
os países subdesenvolvidos, apesar de concentrarem 10% da população,
respondem por apenas 0,3% do comércio mundial. E mais da metade
das nações em desenvolvimento estão à margem dos investimentos
estrangeiros diretos. Segundo a Organização Internacional do Trabalho
(OIT), foram investidos US$ 84,2 bilhões nesses países (o total
mundial é de US$ 212,5 bilhões) em 1994. A Ásia recebeu 59,6%
dessa quantia, seguida da América Latina (25,5%) e da África (somente
3,8%).
De acordo com economistas, a globalização e a revolução tecno-científica
- responsável pela progressiva automação da produção - vêm provocando,
nas últimas décadas, o aumento do desemprego.