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O
Porto está de parabéns pela espectacular campanha de promoção da
cidade na Europa e no mundo. Confesso a minha ingenuidade, nunca pensei
que o Porto tivesse capacidade de transformar um evento que não tem
nenhuma importância, num acontecimento do maior relevo para o
desenvolvimento da cidade e quiçá do país. Se é verdade que Portugal
é um país sem grandes recursos financeiros, não se pode dizer que não
tem inteligência humana em abundância.
Para
ser sincero, nunca gostei do Porto. A cidade não tem nada que me atraía,
nada que eu ame profundamente. Pelo contrário, quase tudo naquela cidade
me repele: a sujidade, a falta de civismo, o trânsito, a desorganização,
o seu aspecto pós-industrial, o clima nebuloso, os cheiros, a linguagem,
o sotaque, mais um sem número de predicados que poderiam ser utilizados,
mas que me abstenho de prenunciar.
Mas
agora tudo está a mudar! À habitual tendência despesista
lusitana, o Porto contrapõe um rigor orçamental apoiado nas suas
duas mais valias naturais: o espírito de
iniciativa das suas gentes e o rio Douro.
Com um espírito de
iniciativa louvável, o Porto põe em marcha uma inteligente
campanha de
promoção da sua cidade. Algo nunca visto! Promove-se a cidade como
capital europeia da cultura, mas não se refere qual é a cultura.
A estratégia é excelente! Cria-se assim no público, uma curiosidade mórbida,
que o vai instigar a visitar,
lá para a Primavera, a cidade. Todos vão querer saber quais foram as
sementes colocadas nos inúmeros buracos espalhados pela cidade. Na
Primavera se verá! Mas seja qual for o fruto desta espectacular e
original plantação, sem dúvida que a cidade terá muito mais espaços
verdes, tendo em conta o infindável número de buracos que o meu carro
percorreu na minha última, mas sempre rápida, passagem pelo burgo
invicto.
Mas o que mais
surpreendeu a Europa e o Mundo, foi o inteligente aproveitamento do rio
Douro. Desdenhando a política cultural da outra capital europeia
holandesa, o Porto impõe a sua contra-cultura e deixa que as cheias
inundem a cidade. Já estou a ver os rabelos cheios de turistas a subir a
avenida dos aliados. Foi uma grande jogada de antecipação! Assim os
turistas começam já a chegar no Carnaval! Não sei porque é que os
holandeses constróem diques? Até nos pequenos pormenores o Porto marca
pontos contra a sua rival holandesa.
Quando
os recursos financeiros são
escassos, há que saber aproveitar os recursos naturais. Para quê
investir os recursos financeiros a remodelar a área ribeirinha, de forma
a que o rio não galgue as suas margens todos os anos, se é possível
desviar esses recursos para áreas cruciais como o desenvolvimento e
bem-estar das gentes do norte: música, dança, artes plásticas, teatro,
cinema e a indispensável pirotecnia. É uma grande jogada estratégica e
que vai mudar para sempre a cidade invicta! Como tudo nesta cidade, a
cultura futebolisou-se.
Uma
das grandes figuras do Porto disse uma vez que o que gostava mais em
Lisboa era o caminho para o Porto. Afirmação que eu corroboro! O caminho
não é mau! o pior é quando lá se chega.
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