Poesias by P@ulo Monti

Última atualização: 06/10/06

121 - Meio Tempo 131 - No meio da tarde
122 - Vazio 132 - O dia em que não escrevi
123 - Pequena Lembrança 133 - Despedida
124 - O Grande Amor 134 - Poesia
125- Poesia Branca 135 - Recorte
126 - Busca da mulher amada 136 - Amiga
127 - À Namorada 137 - Garotinha na chuva
128 - Pedaços 138 - Verão
129 - Da vida 139 - Tributo à Renato & seus Blue Caps
130 - Nada ter 140 - Passagens
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Meio Tempo
by P@ulo Monti

"... todo mundo tem a sua turma,
mas, um dia, você tem que se casar
E tocar a vida em frente."
Paul McCartney


Quando se está só
Tudo fica mais intenso:
As palavras se desarranjam
Tudo é reflexão.
As estações se confundem,
Dias menores,
Noites intermináveis:
Oito dias na semana!
Um cisne canta ao longe:
Don't let me down.

 

 

 

 

Vazio
by P@ulo Monti

Sinto falta de um bem,
Sinto falta de mim,
Sinto falta,
Sinto muito!

Navego na sombra,
Navego na tempestade,
Navego em tempos difíceis,
Navego,
Solitário!

Rasgo as cartas que não escrevi,
Rasgo a alma ao vento,
Rasgo a sombra do que fui,
E a esperança, perdida!

 

 

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Pequena lembrança ...
by P@ulo Monti
 

Anos dourados!
Quantas lembranças...
Não resisto a uma:
O adolescente apaixonado,
Ansioso nas esperas intermináveis (ela está quase pronta ...),
O nervosismo dos encontros (e desencontros também).
Com "boca-de-sino" badalei por aí ...
Calça Lee com tachinhas ...
Bolsa de couro pendurada no ombro
E uma rosa roubada na mão:
Afinal, tinha mais valor!

 

 

 

Poesia Branca
by P@ulo Monti

Quero a primeira lua da noite
Em minha janela.
Quero um verso verde,
Ou azul como o primeiro sorriso teu.
Quero uma estrela para enfeitar
Teu corpo
E, nela, a paz me dirá coisas, muitas coisas...
Quero a ti
Num tapete estrelado
Onde abriremos os braços
E o vento madrugada
Fecundará uma flor:
Uma flor branca como a flor encontrada.
Branca
Brancamente branca.

 

 

 

À Namorada
by P@ulo Monti

Coisas pequenas
Uma rosa, um sorriso no olhar,
Uma mão na outra,
Coisas pequenas e tão grandes!
Namorada.
Amiga, companheira,
Sinto a saudade da distância
Ainda quando estou contigo
E, quando ausente, o espaço se enche de ti, de teu olhar!
Namorada.
Quando a lua se debruça no meu coração
A lua me tráz teu nome
E vejo-me passeando contigo nesse raio de luar!
As estrelas formam uma rede
E, namorados, nos deixamos balançando no céu e no coração!
Namorada.
O mundo sempre teve namorados
E nós sempre tivemos o mundo:
Nosso mundo de sonhos,
De nossos corpos enamorados,
De nossas saudades cotidianas,
De amor brotando,
De sorrisos à-toa, à-toa.
Nosso mundo de namorados!
ah! Namorada:
Como te amonamoro!

 

 

 

Pedaços
by P@ulo Monti

Frio: 9ºC.
Na rua
E no peito.
Em rios distantes passo
Tão perto
Feito vento
Vago veloz.
Vejo vidraças vazadas:
Último refúgio do sol!
Pedaços de mim
Fora de lugar
Mosaico
Retrato
Fragmentos da vida
Deixada
Sugada
Exaurida.



 

 

Da vida
by P@ulo Monti

Esse amor
Perdido no tempo
Esse corpo
Longe da alegria
Esse sorriso
Apagado
Essa falta
De vida!
Essa dor
Contida
Essa lágrima
Explodida
Essa ardência
Dentro do peito
Esses dias
Em vão!
Essas noites
Solitárias
Essas coisas
Fora do lugar!

 

 

 

Nada ter
P@ulo Monti

Nada ter:
Como dar?
Nada ter:
Nem mesmo as lágrimas
De sangue
Derramadas em doloroso silêncio.
Nada ter:
A não ser a suave tristeza
De um tempo perdido no fundo da alma.
Nada ter:
Nem a si próprio.
Como a esperança:
Feito um carinho sem tempo para acontecer,
Tênue chama,
Tremulando ante a força do não ter.
Nada ter!
Nada esperar.
Nada almejar.
Nada mais,
Nunca mais!
Ter, apenas a lembrança
De um leve roçar de pálpebras numa cálida noite de verão
Quando, então,
Ser era maior do que ter!

 

 

 

No meio da tarde
by P@ulo Monti

Brota desde os fins do tempo
Gemido gutural, ancestral.
Outono em pleno verão!
Nuvens passeiam no cinza do céu.
Um pássaro pousa, indiferente, numa antena de TV.
Aprendo a voar!
Pra quê?
O quê você quer de mim?
O processo de criação está silente, amordaçado.
Bebo todas as lágrimas como quem morre afogado no meio da tarde.
Assim, assim ...
Não mais gemido,
Não mais estações,
Não mais pássaros,
Não mais você, não mais lágrimas.
Só um suspiro no meio da tarde.

 

 

 

O dia em que não escrevi

P@ulo Monti

 

O dia em que não escrevi

deixei-me ao sabor do vento suave
e das nuvens bocejando verões no céu!
O dia em que não escrevi
aconteceu uma faxina na alma:
sem tradução!
Só sentires ...

 

 

 

 

 

 

Recorte
by P@ulo Monti
 


Enquanto cai a chuva
Eu trabalho.
Fichas de controle, arquivo, etc.
"Bye, bye, Brasil ..."
Chico Buarque me leva
Em outras águas que não as da chuva.
- Cafezinho, sr.?
- Não enche!, quero dizer, não, obrigado. E dê-lhe protocolo, carimbo, data, etc.
Sobre minha mesa, nem uma única goteira!
E continua a chuva.

 

 

 

 

 

 

Garotinha na chuva
by P@ulo Monti
 


A chuva e a garotinha.
A garotinha e a chuva,
Cada qual mais pura.
No meio da tarde, a chuva.
No meio da chuva, a garotinha:
Pingos de pura vida!

 

 

 

 

 

 

 

 

Verão

By P@ulo Monti

 

 

É preciso tornar ácida a poesia:
Imprimir na dura pedra a lasca informe de nossos dias!
É preciso recompor a úmida desarmonia desses gatos de telhado!
Não há mais gatos de telhado.
Mas, esse mormaço todo - 37º à sombra -
Essa mornidão na carne
Esse halo quente e abafado
Isso tudo, gente, é verão!
E dá ganas de morrer afogado.

 

 

 

 

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