Daí aconteceu o inevitável. O tempo passou e quase não percebi a porta do apto se abrindo. Não tinha me ocorrido a idéia de que o Norberto podia ter uma chave à mais com ele. Agora era tarde demais, quando me dei por mim Norberto e Mário já entravam sala adentro. No pânico não fiz nada, fiquei paralisada, nem sequer tentei me esconder ou tirar as roupas rapidamente. Logo que eles me viram eles começaram a me gozar e a perguntar, Nossa, mas o que é isso? O que você está fazendo assim? Comecei dando desculpas esfarrapadas, dizendo que era só uma curiosidade, que logo já ia tirar isso tudo mesmo, e tentei atravessar a sala na direção do corredor. Só que eles não me deixaram passar, Êpa, espera aí menininha, calma, vamos conversar um pouco. O curioso é que eles me barravam o caminho gentilmente como se eu fosse uma menina, como se eles não soubessem como fazer, me tocando apenas delicadamente pelos braços. Mais curioso ainda, eu reagia como tal, me sentia incapaz de forçar caminho face a dois rapazes. Ainda bem que não o fiz, certamente teríamos saído daquele registro e eu teria levado uma bela surra.
Então o Norberto me disse, Calma, gatinha, senta aqui (apontando o sofá), vamos conversar um pouco, de qualquer forma hoje a gente não deixa você tirar essa roupa. Me sentei, eles sentaram nas poltronas ao lado e fomos conversando, Escuta, não faz mal, a gente já tinha percebido que você gosta disso, não é novidade disse o Norberto. E como de qualquer forma você já está vestida assim, para nós seria legal termos uma menina com a gente, sabe como é? Numa boa, só para termos uma amiga, para a gente variar um pouco e se acostumar a tratar com uma menina. O Mário pensou um pouco e disse, É, é uma boa idéia, não fica com medo porque se você se comportar direitinho não contaremos para ninguém. Para nós vai ser legal, para você também já que você deve gostar de ficar vestida assim. E Norberto concluiu, E nem vamos te bater. Prometo. Fica fria, é só brincadeira. Fica tudo entre nós três.
Essa conversa foi me acalmando. Eles eram bastante gentis e os argumentos eram razoáveis, seria uma espécie de ensaio já que eles não sabiam como lidar com as meninas. E a promessa do Mário de não contar nada na escola e do Norberto de não me bater me fizeram começar a aceitar a idéia. Passado o susto, é claro que eu queria continuar vestida daquele jeito. O problema era o medo das conseqüências, de que se acabasse sabendo depois, apenas isso. Bem ou mal eles eram amigos meus, tudo podia ser vivido como uma simples brincadeira entre nós três e seria a ocasião sonhada de realizar as minhas fantasias.
Fomos conversando como se fosse algo natural, aos poucos fui adaptando um pouco a voz, assumindo a minha nova situação naquele apto. Me incomodava muito estar vestida daquele jeito e não usar uma voz mais feminina. Para mim era uma coisa ou outra, não dava para misturar. À medida em que fui ficando mais relaxada fui assumindo gestos e maneiras de me mexer e de falar mais femininos. Devagar, para não chocar muito, para me certificar de que eles estavam aceitando. Tudo se passou de forma natural, no final eu estava já bem mais à vontade e eles também. Creio que tínhamos todos o mesmo interesse de que aquela brincadeira fosse para a frente, isso ajudou muito.
Nos veio à mente de que já era hora de fazer o almoço. Era sempre o Mário quem cozinhava porque ele o fazia melhor. No entanto fui para a cozinha junto com ele, num automatismo de fêmea assumindo o seu papel. Como eu não sabia fazer muita coisa fiquei lá, tentando ajudar o Mário. Percebi que ele não sabia muito bem como me tratar, da mesma forma como ele não saberia como tratar uma menina por pura timidez. Ao mesmo tempo percebi que ele me olhava com outros olhos, me examinava com curiosidade e principalmente desejo, isso foi me deixando ainda mais feminina. Nos esbarramos sem querer e ele ficou vermelho, super sem graça. É curioso que antes eles não tinham o menor respeito por mim (me passavam a mão, etc.), agora só de ralar o cara já ficava vermelho de vergonha.
Isso me deixou mais à vontade e com menos medo, comecei a gostar da brincadeira e fui por a mesa já que eu não sabia mesmo fazer nada na cozinha. Foram várias idas e vindas entre a cozinha e a sala nas quais fiz o melhor possível para andar e me comportar direitinho: sempre rebolando (o que aliás é uma delícia com uma calcinha roçando no rego), com as mãozinhas balançando no ar, parando para examinar a arrumação da mesa com um dedinho na boca. E principalmente examinando com os cantos dos olhos a reação do Norberto, que fingia ler um livro mas me comia com os olhos. Não resisti a deixar cair no chão alguns talheres só para me inclinar bem, sem dobrar as pernas de maneira a arrebitar bem a minha bundinha. Coisas de fêmea com desejo de chamar a atenção, eles queriam uma menina em casa teriam de me agüentar então até o fim.
Almoçamos, foi muito gostoso e simpático. Eles me tratavam como uma menina que eles teriam acabado de conhecer, me faziam perguntas, falávamos de tudo um pouco. Eu disse que me chamava Paula (eu sempre quis me chamar “Paula”) e eles passaram a me tratar de “Paula”. Eu achando tudo uma delícia, uma fêmea paparicada por dois rapazes, enfim sendo Paula com toda a naturalidade.
Não saímos essa noite. Eu não poderia sair com eles vestida daquela forma e a curiosidade deles agora era eu. Ficamos batendo papo, a noitinha foi caindo, por falta de coisa melhor voltamos ao jogo de cartas. Aí a coisa começou a complicar um pouco. Com a bebida eles foram se liberando e o Norberto começou a ser mais atrevido. Jogávamos pôquer, ele inventou de que eles jogariam só entre eles e que a cada rodada eu teria de ficar no colo de quem ganhasse a rodada anterior. Não foi possível resistir, eu também já estava um pouco alta, lá fui eu no colo de um, no colo de outro. O Mário apenas me segurava pela cintura, já o Norberto ficava alisando as minhas pernas, a minha bunda. Eu não estava acostumada a aceitar isso numa boa embora fosse muito gostoso. Dava uns cutucões, me mexia, mas não tinha jeito. Depois relaxava e deixava as mãos do Norberto irem e virem pelas minhas coxas, as alisando por sobre a meia de nylon. A sensação me excitava demais e tive de tomar cuidado para não dar bandeira. Com a bebida fui perdendo o controle, quando ví já passava um braço em torno do pescoço do Norberto quando sentava no colo dele. Percebi que os dois tinham se entendido para me dar um porre, meu copo estava sempre cheio e eu havia bebido demais da conta.
Tentando resgatar o pouco que me restava de dignidade me levantei de um só pulo do colo do Norberto. Reclamei que estava com sono, que aquilo estava muito chato, protestei que já eram duas da manhã e que eu iria dormir. O Norberto estava com uma cara estranha mas rapidamente reagiu, Onde é que a gatinha pensa que vai? Nada disso, se a deixamos sozinha você vai tirar essas roupinhas. A única solução que vejo é um de nós dois dormir no teu quarto. Eu já ia protestar quando ele completou, Mário, par ou ímpar, quem perder passa a noite no quarto de Paula. Como “Quem perder”? Aquilo me deixou louca de raiva. Fitei o Norberto que imediatamente percebeu e, sorrindo, começou, Vamos lá, Mário, par ou ímpar. Par. Ímpar. E a besta do Norberto ganhou o par ou ímpar! Adorei, disse ao Mário, Vamos então, Mário, e já fixando o Norberto completei a frase, Você perdeu! E fui para o quarto rebolando o melhor que pude sem olhar para trás, imaginando a cara do Norberto e rindo comigo mesma. Comecei a me dar conta de que com a bebida a coisa tinha ido além do que o imaginado no início.