Chegando àquela hora em casa de manhã esperava uma bela bronca. Mas não, Rui era um rapaz que tinha acabado de entrar na faculdade e descobri nesse dia que ele tinha todos os direitos. Nem minha mãe nem meu pai perguntaram o que havia acontecido, devem ter imaginado que eu tinha arrumado uma namorada. Fiquei mals por enganá-los dessa forma aproveitando da ingenuidade deles. Fui direto para o banheiro, tomei um bom banho e depois fui dormir, escondendo bem a sacola no meu armário.
No dia seguinte acabei indo ver um médico. Nessa época íamos todos no mesmo médico, o Dr. Marcos, mas não fiz a besteira de ver este médico, procurei um gabinete bem popular no Largo de Pinheiros. Na consulta apenas lhe disse que eu estava com problemas de hemorróidas achando que ele me daria um remédio e pronto. Gelei quando ele me disse, Vamos examinar isso, rapaz. Ele me mandou tirar a roupa e ficar de quatro encima da cama do consultório. Eu me disse que ele era médico que nem me conhecia, que não haveria problema, e tirei toda a roupa. Na minha completa distração esqueci-me de que eu era toda depilada principalmente nas pernas e bunda. Ele viu aquilo, deu uma risadinha, pôs uma luva na mão e começou a passar de leve um dedinho no meu cu dolorido. Ele fazia de tal forma que não doía mas dava prazer, ele percebeu, tirou o pau dele para fora e disse, Você deve ter dado para um batalhão para estar tão arrombadinha assim, vem cá e chupa direitinho que eu cuido de você.
Como eu não tinha escolha dei uma bela chupada naquele pau gostoso. Era a primeira vez em que eu chupava um cacete completamente nua mesmo, enquanto eu chupava ele alisava minhas pernas e dava uns tapinhas na minha bunda lisinha, foi muito sensual, me sentia a própria bichinha. Depois que ele gozou ele me disse para eu me lavar e me vestir, foi super legal comigo, agiu como um profissional e me tratou corretamente. Começou com um grande sabão, me dizendo, que eu tinha de ter mais cuidado inclusive para não pegar nenhuma doença. Me deu dicas de como lubrificar corretamente, de higiene e me aconselhou a usar camisinhas quando com estranhos mesmo se eu não podia engravidar. Me deu um tratamento pela boca e uma pomada, me disse para não dar o rabinho por no mínimo 15 dias.
Já que eu estava em frente a um médico e falando abertamente aproveitei para lhe perguntar sobre hormônios. Ele me desaconselhou esse tipo de tratamento, me disse que se eu embarcasse nessa eu teria de me mudar de casa porque a minha família nunca aceitaria. Como o tratamento era caro e para toda a vida eu teria de arrumar um emprego, e o único emprego que existe para travesti é a prostituição. Ou seja, que eu terminaria ainda jovem na sarjeta. Ele me aconselhava a deixar de lado essa necessidade de me travestir, que isso só me criaria problemas, que na História da humanidade sempre houveram homossexuais e que eu poderia ser mais feliz assim. Aliás ele não quis me cobrar a consulta me dizendo que eu já lhe havia pago, que voltasse sempre, me dando uma piscadinha de olhos.
Fui à casa de Patrícia como prometido para lhe contar tudo, como sempre. Narrei o acontecido até quando o Paulo me largou nas Ciências Sociais, ela parecia toda empolgada. Depois lhe contei o resto como se fosse algo muito incrível que tinha me acontecido. Enquanto eu falava ela não disse nada mas percebi que ela foi ficando séria, de cara fechada. Quando terminei ela me deu um esporro, me disse que se fosse para criar uma vagabunda ela não teria investido tanto esforço, que ela não sabia mais quem era a Paula que ela gostava tanto, que ela tinha acreditado que Paula era uma menina como ela, não uma puta pronta para dar aonde for com quem for. Achei que ela podia ter razão, não tinha visto a coisa sob esse ângulo, mas por outro lado me incomodou que ela se metesse na minha vida. O rabo era meu, eu dava para quem eu quisesse.
Isso dito, me toquei o quanto me era cara a amizade com a Patrícia. A possibilidade de perder essa relação privilegiada de cumplicidade me fazia mais medo do que ter perdido o Nô, por incrível que pareça. Para tentar acalmá-la abri o jogo, contei o choque diante do espelho, da conversa com o médico, que eu mesma não sabia mais o que acontecia comigo, que eu só tinha a ela como amiga e que eu precisava de sua ajuda. Isso a fez mudar de registro, ela me abraçou e chorando ela me dizia, Paula, pobre Paula, o que nós fizemos, o que vamos fazer agora?
Depois disso tudo resolvi dar um tempo, o que não era coisa muito fácil. Cheguei a ir ainda uma vez à uma festa com a Patrícia. O Paulo também estava lá e logo veio ter comigo, reclamando que eu não tinha mais dado notícias. Pedi desculpas, fomos dançar e rapidamente estávamos a nos beijar de novo. Rapidamente Paulo deu um jeito de ficarmos à sós no fundo do quintal da casa, pôs o pau para a fora sem muitas cerimônias e queria que queria que eu chupasse ali mesmo. Não que eu não tivesse vontade, mas o jeito muito rápido dele me incomodava. Mas como já estava ali e também bastante excitada me ajoelhei e cai de boca, enquanto ele vigiava que ninguém aparecia. Logo ele gozou na minha boca, fechou a calça e voltamos para a festa como se nada houvesse acontecido.
Percebi que ele começou a me evitar então, puxei-lhe para o canto e perguntei-lhe o que estava acontecendo. Ele disse que nada, que tudo bem, que tínhamos transado mas que era só isso. Disse-lhe que também não era assim, que eu queria saber que apito ele tocava em relação à mim, que assim eu não queria. Ele riu na minha cara e me disse, Que isso, está doida? Se você quiser é assim, sei que você gosta, nessas você não tem nem do que reclamar. Já é muito que eu deixo você pegar no meu pau.
Aquilo me deixou tão mals que pedi à Patrícia para me deixar pegar as minhas coisas no carro, me troquei no banheiro e fui embora para a casa. Me dei conta dos anos luzes que me separavam agora do que eu tinha vivido com o Nô, do quanto aquilo foi único e sem retorno. Considerando também os conselhos do médico enfim caí na real, decidi por um ponto final àquela vida. Disse à Patrícia na semana seguinte de jogar todas as minhas coisas fora, deixei a barba e os pelos crescerem e cortei o cabelo, para não ter volta.