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By:homem das trevas

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CÂNCER DE MAMA

 

O câncer de mama é provavelmente o mais temido pelas mulheres devido à sua alta freqüência e sobretudo pelos seus efeitos psicológicos, que afetam a percepção de sexualidade e a própria imagem pessoal. Ele é relativamente raro antes dos 35 anos de idade, mas acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente.

 

Este tipo de câncer representa nos países ocidentais uma das principais causas de morte em mulheres. As estatísticas indicam o aumento de sua freqüência tantos nos países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas décadas de 60 e 70 registrou-se um aumento de 10 vezes em suas taxas de incidência ajustadas por idade nos registros de câncer de base populacional de diversos continentes. Tem-se documentado também o aumento no risco de mulheres migrantes de áreas de baixo risco para áreas de risco alto. Nos Estados Unidos, a Sociedade Americana de Cancerologia indica que uma em cada 10 mulheres tem a probabilidade de desenvolver um câncer de mama durante a sua vida.

 

No Brasil, o câncer de mama é o que mais causa mortes entre as mulheres. Em 1999, foram registrados 8.104 mortes decorrentes deste tipo de câncer. Dos 402.190 novos casos de câncer com previsão de serem diagnosticados em 2003, o câncer de mama será o principal a atingir a população feminina, sendo responsável por 41.610 novos casos.

 

Sintomas

 

Os sintomas do câncer de mama palpável são o nódulo ou tumor no seio, acompanhado ou não de dor mamária. Podem surgir alterações na pele que recobre a mama como abaulamentos ou retrações ou um aspecto semelhante a casca de uma laranja. Podem também surgir nódulos palpáveis na axila.

 

Fatores de Risco

 

História familiar é um importante fator de risco para o câncer de mama, especialmente se mãe e irmã foram acometidas na pré menopausa. Entretanto, o câncer de mama de caráter familiar corresponde a aproximadamente 10% dos cânceres de mama. A idade constitui um outro importante fator de risco, havendo um aumento rápido da incidência com o aumento da idade. A menarca precoce (idade da primeira menstruação), a menopausa tardia (instalada após os 50 anos de idade), a ocorrência da primeira gravidez após os 30 anos e a nuliparidade (não ter tido filhos), constituem também fatores de risco para o câncer de mama.

 

Ainda é controvertida a associação do uso de contraceptivos orais com o aumento do risco para o câncer de mama, apontando para certos subgrupos de mulheres como as que usaram contraceptivos orais de dosagens elevadas de estrogênio, as que fizeram uso da medicação por longo período e as que usaram anticoncepcional em idade precoce, antes da primeira gravidez.

 

A ingestão regular de álcool, mesmo que em quantidade moderada é identificada como fator de risco para câncer de mama, assim como a exposição a radiações ionizantes em idade inferior a 35 anos.

 

Detecção Precoce

 

As formas mais eficazes para detecção precoce do câncer de mama são o exame clínico da mama e a mamografia. O auto-exame das mamas também pode ser realizado, mas não desobriga a mulher a submeter-se ao exame clínico das mamas.

 

O Exame Clínico das Mamas (ECM)

 

Quando realizado por um médico ou enfermeira treinados, pode detectar tumor de até 1 (um) centímetro, se superficial. O exame deve ser realizado anualmente.

 

A sensibilidade do ECM varia de 57% a 83% em mulheres com idade entre 50 e 59 anos, e em torno de 71% nas que estão entre 40 e 49 anos. A especificidade varia de 88% a 96% em mulheres com idade entre 50 e 59 e entre 71% a 84% nas que estão entre 40 e 49 anos.

 

Um estudo canadense sugere que o exame clínico tem a mesma efetividade que o uso combinado de mamografia e exame clínico em mulheres de 50 a 59 anos. Além disso, um estudo americano apresenta uma taxa de detecção de câncer de mama maior quando somente a mamografia está alterada do que quando somente o exame clínico está alterado. Quando ambos estão alterados, a taxa de detecção quadruplica.

 

A Mamografia

 

A mamografia (mastografia ou senografia) é a radiografia da mama que permite a detecção precoce do câncer, por ser capaz de mostrar lesões em fase inicial, muito pequenas (de milímetros).

 

É realizada em um aparelho de raio X apropriado, chamado mamógrafo. Nele, a mama é comprimida de forma a fornecer melhores imagens, e, portanto, melhor capacidade de diagnóstico. O desconforto provocado é discreto e suportável.

 

Estudos sobre a efetividade da mamografia sempre utilizam o exame clínico como exame adicional, o que torna difícil distinguir a sensibilidade do método como estratégia isolada de rastreamento.

 

A sensibilidade varia de 46% a 88% e depende de fatores tais como: tamanho e localização da lesão, densidade do tecido mamário (mulheres mais jovens apresentam mamas mais densas), qualidade dos recursos técnicos e habilidade de interpretação do radiologista. A especificidade varia entre 82% e 99% e é igualmente dependente da qualidade do exame.

 

Os ensaios clínicos sugerem uma redução em 30% da mortalidade por câncer de mama em mulheres de 50 a 69 anos envolvidas em programas de rastreamento. Para aquelas com idade entre 40 e 49 anos, a literatura é controversa, mas aponta para uma redução da ordem de 23%.

 

O Auto-Exame das Mamas

 

Em relação ao auto-exame das mamas, sabemos que a sua sensibilidade global em países desenvolvidos é de 26% e decai com a idade; já a especificidade é desconhecida. A taxa de aderência é baixa e piora à medida em que o tempo passa, uma vez que as mulheres abandonam a prática do procedimento.

 

Essa técnica não parece ser eficiente para o rastreamento, e não há evidências de que contribua para a redução da mortalidade por câncer de mama. Entretanto, aceita-se o estímulo ao auto-exame das mamas nas mulheres brasileiras pelo fato de a maioria dos tumores serem de grande tamanho quando detectados. No entanto, o auto-exame das mamas traz consigo conseqüências negativas, como aumento do número de biópsias de lesões benignas, falsa sensação de segurança nos falsamente negativos, e impacto psicológico negativo nos falsamente positivos.

 

As Recomendações do Instituto Nacional de Câncer

 

O INCA realizou, em novembro de 2001, um Seminário Interno que gerou um consenso para a detecção precoce do câncer de mama:

 

• Oferecer exame clínico das mamas e mamografia anuais para mulheres entre 50-69 anos.

• Oferecer exame clínico das mamas anual para mulheres entre 40-49 anos.

• Oferecer exame clínico das mamas e mamografia anuais para mulheres a partir de 40 anos com risco aumentado (história familiar de mãe ou irmã com câncer de mama na pré-menopausa ou história pregressa de hiperplasia atípica ou câncer de mama).

• Não estimular o auto-exame das mamas como estratégia isolada, devendo ser incentivada a sua realização no período entre os exames clínicos das mamas.

 

Publicações mais recentes apontam para uma redução da mortalidade por câncer de mama da ordem de 23% quando mulheres da faixa etária de 40 a 49 anos são submetidas a programas de rastreamento mamográfico anual ou bienal.

 

 

(Fonte: Instituto Nacional do Câncer)

 

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