Em branco
[Jornal] [Cronica] [Entrevista] [Momentos] [Culinaria] [Contos] [Dicas ] [Informatica] [Saude] [Acervo] [Bate Papo]

copyright © 2006 PERDIDOS NA NET                                                                                                             design by TREVAS                   

[MSN] [Orkut] [Blog] [Contatos]

 

A BERGAMOTEIRA E O LOBISOMEM

Corria pelo Pedregal – distrito duma cidade pequenina, que de tão pequena, mal aparecia no mapa – que o Seu Candinho era lobisomem. Sabe como é lugar pequeno, tem sempre seus folclores, neste caso, Seu Candinho era a bola da vez, e assim foi sendo conhecido, o lobisomem do Pedregal. Confesso que não sei como o boato surgiu, ele era amigo de todos, gostava dum trago na venda, mas não a ponto de fazer bagunça como uns e outros, ia na missa, era alguém de certa posição na comunidade. Mas nada disso fazia espantar os boatos, e a criançada nascia ouvindo dizer que Seu Candinho era lobisomem. Só podia ser pelos seus ouvidos peludos, não imaginava outra hipótese, pois em mais nada ele lembrava um homem-lobo, cruel o suficiente para atacar os rebanhos, e assustar os pescadores.

 

Outra característica do Seu Candinho era o capricho – pelo que ouvia os lobisomens deviam ser muito relaxados – seu sítio era um dos mais bem cuidados pela volta. Por isso seu pomar chamava a atenção. Era farto e diverso. Tinha todo o tipo de fruta. Era maio, e o dourado da bergamoteira instigavam a cobiça da molecada. As árvores repletas de frutos, suculentos, e saborosos. Não tinha como resistir. Nem mesmo os boatos da identidade secreta do velho Candinho nos fazia recuar. Numa tarde destas, passadas, então se encorajamos, e a cerca de arame farpado não foi empecilho para um bando de uns cinco moleques. E como dizia meu falecido avô, “numa reunião onde tiver mais que um guri, nem o diabo chega perto”. Baseado nisso, o  Seu Candinho era pouca coisa, para a tentação que vinha das bergamoteiras.

 

Se espraiou um em cada galho. O chão começou amarelar das cascas caídas ao chão. Não sei como cabia tanta bergamota. Estava tão tranqüilo que chegamos esquecer onde estávamos, no pomar do lobisomem. Não preciso relatar a correria que foi quando o Seu Candinho anunciou sua chegada com seu assovio cantado – ele adorava assoviar – no pomar. Quando demos por conta estávamos pra lá do sítio do Seu Josias. Mais rápido que um raio descemos da bergamoteira, se arranhando pelos espinhos, cruzando o arame farpado, passando por buracos, até estarmos longe da vista do “lobisomem”, e em segurança. Confuso mesmo ficava o Seu Candinho sem saber porque a gurizada tinha tanto medo dele, afinal jamais se importaria pelas bergamotas.

 

Douglas Eralldo

Hosted by www.Geocities.ws

1