Um histórico revelador
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Prolegômenos
Um histórico revelador
A globalização da economia

A era republicana buscou entre outras coisas qualificar a política, que estava progredindo em termos filosóficos e ideais, pelos inúmeros casos de descontentamento que as famílias reais causavam, em suas atitudes quotidianas, muitas vezes carregadas de mau humor, como se governar fosse uma carga insustentável que tivesse sido colocada sobre os ombros do monarca, sem a sua permissão, que o tornava um escravo do trono, sem liberdade para gozar a vida, sempre a disposição de uma população ignorante, que exigia dele um sacrifício muito alto, e por isto, aos poucos, a sensação de desconforto foi aumentando no seio da população, que começava a duvidar da capacidade do rei de conduzir a política e a administração do reino, com os olhos voltados para o progresso que acontecia na agricultura e na indústria do país.

A medida que iam se multiplicando os meios de produção e se tornando mais intensa a atividade comercial, todos começavam a perceber que os laços de família do monarca com alguns reinos vizinhos, estabeleciam um mercado privilegiado onde a produção se escoava, sem que o produtor pudesse estabelecer condições de concorrência de mercado, porque sempre tinha alguém da família real intermediando os negócios, que fixava preços baixos e impostos elevados, e não tinha como escapar deste tipo de administração sem lesar os interesses da família real, que desta forma ia  provocando um descontentamento crescente, porque além de prejudicar os negócios, ainda tratava com desdém a todos os que buscavam o entendimento, quando não os mandava para o calabouço, criando uma elite comercial no reino, que muitas vezes manobrava o próprio rei e empobrecia o tesouro e o Estado.

A luta diária pela sobrevivência ia fortalecendo as camadas mais pobres da população, construindo núcleos inteligentes de cidadãos, que se reuniam para discutir os problemas profissionais e políticos, mas que acabavam sempre conversando sobre a necessidade de se ter um governo, que se voltasse mais para os problemas sociais e reduzisse o poder dos intermediários, causadores da marginalização cada vez maior das classes trabalhadoras, pela necessidade que tinha o produtor de reduzir ao mínimo o salário, para alcançar um pequeno lucro já que os preços reduzidos, para maior ganho do intermediário, e os altos impostos, quase inviabilizavam a produção, e todos corriam para as empresas ligadas ao Estado, onde as condições eram um pouco melhores e permitiam pequenas mordomias, esvaziando as empresas privadas, que tinham que se contentar com os operários menos qualificados, reduzindo ainda mais a sua capacidade de concorrer, num mercado onde mandavam apenas os amigos mais chegados do rei.

A história humana está cheia de exemplos de populações inteiras abandonadas a própria sorte, enquanto os amigos mais chegados do rei viviam nos palácios, festejando uma fartura que só existia devido ao recolhimento escorchante de impostos, achacando os que produziam, em nome da ostentação que viviam os apaniguados do reino, que só respeitavam os uniformes dos soldados, quando estes desembainhavam as espadas para derrubar um soberano e colocar outro no trono, e estas populações foram se organizando aos poucos até que surgiu um líder que gritou a palavra de ordem, mobilizando toda a sociedade contra o trono, no momento em que este se enfraquecia por esgotamento de sua necessidade social.

A palavra de ordem nem sempre parte de um líder equilibrado, e consciente das responsabilidades que assume ao indicar caminhos a um grupo revoltado e sem orientação, e a maior parte dos líderes sequer reflete sobre as condições emocionais que conduzem o pensamento, propondo soluções de emergência e condutas apressadas, encaminhando assuntos graves como se estivesse liderando uma torcida de futebol, e então a violência explode sem controle, iniciando um processo revolucionário, onde os que conseguem um pouco de equilíbrio e bom senso vão orientando os demais, que estão próximos, formando aos poucos um grupo que passa a liderar o movimento, sem muitas vezes se conhecerem muito bem, e isto abre oportunidade para um espertalhão, com boa dose de visão política, que assistia a tudo sem se envolver, para se aproximar sorrateiro e assumir o controle da rebelião, e se tornar o centro de decisões, passando a dirigir aquele grupo de líderes esvaziando o seu poder.

Por ironia, quase sempre o novo líder é alguém que gozava as mordomias do poder, e em cima do muro esperava a melhor oportunidade de mudar de lado, dando sempre a impressão de ser um grande defensor da nacionalidade, que quer concertar todas as injustiças sociais e estabelecer um estado de direito, onde os privilégios sejam abolidos e todos passem a ter iguais direitos perante a lei, mas o que se observa ao longo da história é que estes salvadores da pátria logo se afeiçoam ao poder, e passam a manobrar todas as forças políticas, conduzindo o processo de modo a se cercar de servidores leais, com os quais restabelece todas as regalias, só que agora defendidas pelo novo grupo, distribuindo aqui e ali algumas condecorações e medalhas, entre as lideranças populares que o ajudaram a se instalar no poder, e tudo volta a rotina, com a população abandonada, nas sarjetas da grande estrada em que desfilam triunfantes.

Quanto desrespeito a história poderia mostrar, se conseguíssemos ler nas entrelinhas das transições de poder, as razões das mudanças implantadas e as novas condições de vida das populações, após decorrido um pequeno prazo destas grandes, ou pequenas, revoluções sociais, pois por certo vamos encontrar com outros nomes e comendas, os novos líderes conduzindo do mesmo modo, pelo cabresto, o povo cansado de lutar e desejoso de paz e prosperidade, e não vamos aqui defender a acomodação de uma população apática, muito ao contrário, chegou a hora de se dizer basta a esta hipocrisia, e com o esclarecimento da sociedade através da educação individual e coletiva, como prioridade absoluta, para que a luta pelos direitos se eleve para um patamar mais racional, longe das pressões políticas subalternas, e mais de acordo com a cultura média da humanidade.

 
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