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Proposta da obra. Uma obra, para atingir os seus objetivos, precisa moldar as suas idéias numa base cultural mínima, que permita orientar os pensamentos dos leitores pelos caminhos da informação, criada sem subjugar, sem impor coisa alguma, pois somos livres e queremos a cada dia mais liberdade para exercer as obrigações da cidadania. É este o escopo desta obra, buscar a influência da cultura nas relações políticas da sociedade, fazendo reflexões ao longo da história, que são atuais, modernas mesmo, porque a essência humana mudou muito pouco nos últimos séculos, e todos temos responsabilidade diante da consciência íntima e do próximo, de nos esforçarmos um pouco mais na defesa dos valores éticos e sociais, que constroem a cultura de um povo, e modelam a política em sua mais ampla acepção. Estamos convencidos de ter dado o máximo do nosso esforço na busca de parâmetros culturais e políticos, que ajudassem a compreender um bocadinho mais os fenômenos sociais, que se arrastam pelos domínios da cidadania e da democracia mais pura, que defende a participação de todos com o que cada um tem de melhor, para instruir um processo íntimo de avaliação individual e coletiva da sociedade humana. Não estamos mais no domínio de reis e imperadores, mas as cortes continuam cercando as autoridades modernas, e isto é um perigo, porque a mordomia não pode exceder o dízimo mínimo que cada cidadão pode liberar do esforço do seu trabalho, e quando vemos os faraós modernos consumindo o soro que alimenta o povo desnutrido, sentimos a necessidade de falar palavras suaves, numa época distante da nossa, as verdades que poderiam nos levar a aborrecimentos se déssemos nomes atuais a elas, e não fazemos isto por covardia diante do inimigo maior de um país, que é a máfia que o explora, mas por respeito aos inocentes úteis que a acalentam. |