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Entre o passado e o futuro

                                                                   Por Odone Brocardo

O ocaso de uma geração não é o fim
De nada, pois se transforma em nova base de lançamento
De gerações futuras,
E quanto mais resistimos em compreender
O choro de uma criança, que renova a vida,
Mais encontramos o elo divino que transforma as criaturas
Para melhor,
E mesmo que tenhamos levado as nossas esperanças
Ao derradeiro testemunho do amor
Sem máculas, ainda precisamos renascer
No horizonte imaginário das ilusões
Terrenas, porque cá estamos para lembrar o caminho
Que trilhamos outrora, que nos fez tão felizes,
E do qual nos afastamos por distração
Na hora da escolha, que é cada momento de nossa vida
Livre,
E se perdemos o rumo, não foi por falta de avisos
Bem sinalizados, recomendando cautela,
Que encontramos nas estradas empoeiradas
Que passamos,
Nem das lembranças
Dos idos tempos, nas limusines luxuosas
Que nos transportaram pelo asfalto perfeito das rodovias
Terrenas, e se continuamos iludidos
Nas buscas fantasiosas que fazemos,
É porque ainda não aprendemos a respeitar
A renovação da vida, que nos mostra aqui e ali
Novas formas de interpretar os antigos sinais,
Que desprezamos na ânsia de nos libertarmos
Da tutela paterna, para caminharmos seguindo nossos instintos,
Que nos chamavam para a apreciação
Do mundo, do alto das nossas construções
Passageiras,
Que formam o patrimônio que alcançamos obter,
Na ilustre e penhorada conquista
Da ilusão, que nobre
Porque sadia, nos envereda
Pelos trampolins atraentes das piscinas
Vazias, como se não fossemos náufragos
Na impiedosa caminhada, que empreendemos
Desde quando nos afastamos do conteúdo
Secreto
Do nosso ser.

 

Hoje iludidos na fantasia do poder político,
Ontem na criteriosa busca do poder social,
E quem sabe amanhã, na quimera dourada
Do poder econômico, encontramos sempre
O que buscamos, pois cedo ou tarde, passamos
A porteira estreita, qual cancela
Esburacada
Que marginaliza o patrimônio, porque introduz a figura
Da limitação, com cercas esparramadas
Até o horizonte, para delimitar os currais
Onde vivem seres, como animais
Sem autoridade para pensar, marginalizados
Pela sombra das nuvens, que ameaçam
O viandante distraído na imensidão
Do cosmo mental,
Porque enraizado nas dobras do pensamento dominador,
Que se esconde nas ruelas estreitas e escuras
Da cidadela criminosa, onde os bandidos
São pensamentos, que armados de mil trabucos
Agridem as sombras, buscando fortalecer a indigência
Que penetra pelos postigos iluminados pela fraca luz
Ambiente, com o único fito de seguir o maldito,
Que ora nos portões da cadeia para encontrar ajudantes,
Em sua faina desmemoriada de permanecer
No poder, seja qual for a ordem que transgride
Para empunhar o sabre
Dominador, no encontro fatal da nobreza
Perdida, com a realeza conquistada no afã de engrandecer
O próprio hábito, como monge
Que confunde nobreza com pobreza só para fingir
Que segue o justo,
Enquanto aninha nos porões
Da inconveniência, todos os seguidores
Que se aventuram a desposar
Os seus princípios, letais, conquistados
Na efêmera e perigosa senda do poder.

 

Então se armazenam nos porões desocupados
Da inconsciência coletiva, o pior de todos
Os condicionamentos mentais, que reproduzem em cascata
Todas as ansiedades acumuladas, gerando os padrões
De cultura, que animam a ética a dar passos
A esmo, perdida na solidão
Do pecado, onde os cruéis diapasões
Marcam a cadência da desordem, influenciada
Pela nobreza incontida do atual patamar
Social, que estrela
Os mais deprimentes espetáculos, onde a injúria
Política campeia nas pradarias desertas, buscando
O conteúdo fatal da anarquia, depauperando
O Estado nas barbas brancas do ancião
Que paga a conta, descontando do seu mísero salário
O tributo, que irá preencher as lacunas
Do poderoso mercado persa, que negocia os tapetes
Mágicos por onde voam
Os mercadores em sucessivos esquadrões
Aliados, que se revezam nas piruetas
Que fazem para manter o poder
Do mancho,
E conduzir as manobras que obrigam o velho a rir
De tristeza diante da ignorância
Do passado, que não previu o surgimento destes ecônomos
Malditos, que estão depenando a miséria para sustentar
A bravura dos astronautas, que sacodem as choupanas
Descobrindo os barracos com o sopro
Do lobo, que para encher a pança esconde
Os tijolos e pedras nos armazéns
Externos
Que alojam os descamisados, lá onde até a pele do lobo serve
De abrigo, e não por falta
De aviso, já que hoje até a branca de neve conhece
As manobras sorrateiras da rainha
Malvada, que se transforma em bruxa para enfeitiçar
A plebe,
Sempre que o espelho mágico das pesquisas
A acham feia.

 

Passado e futuro nunca terão
Um encontro, enquanto os miseráveis que exploram
A miséria, como o moleque que tira
O doce da criança para dar de presente para a mãe
Gorda, que em troca o protege do choro que reclama
A injusta troca, porque fica lambendo os dedinhos
Enquanto se acalma, calando a boca
Para não apanhar,
E só quando a pobreza encontrar a beleza
Do estudo que a bruxa odeia, a plebe
Poderá saltar o fosso da esperteza
E buscar o caminho da mais valia, que hoje
Apenas serve de escudo para aparar os golpes
Da autocracia, que em nome da democracia enredam
No tribunal da falsidade todos os sonhos de liberdade
De um povo, atazanado pelo ideal
De igualdade, que ainda luta pelas promessas
Nunca satisfeitas, nas ilusões mal feitas
Da ironia empregada pelas lideranças
Do pecado, que destruíram o mercado
Para usar o pobre Estado como trampolim
Da demagogia, para ilustrar a consciência
Com a mais cruel demência, que faz do pobre
Um instrumento para agradar
A gorda, que devora todos os doces
Sempre esfomeada, a maldita,
Que acaba ampliando a desdita da sociedade
Que segue sem rumo, perdida no complexo titubear
Da nobreza, que num amplexo
Com a pobreza enfeitiça a pátria destruindo
A democracia, usando a sociologia
Para implantar a economia
Infame, que arrastou a nação pelo mangue lodoso
Da história, que se repete
Cíclica, conduzindo o presente como artefato
Do passado, para criar um futuro
Radiante que alegre a gorda
E a bruxa, no retorno insano aos bons tempos
Da escravidão.

 

O pesado corcel ainda relincha da fama
Entusiasmado, ele que não soubera adivinhar a grandeza
De cavalgar pelas pradarias, onde a liberdade
Alinhava os primeiros sentimentos de amor
À vida,
E conduz a igualdade mais pura
Que é trotar altaneiro pelos vales
E bosques, sem que a ruína da escravidão enclausure
As esperanças mais nobres, agora
Desperta do amargo torpor
Numa abrasante experiência, carregada de poder
Demoníaco, influenciado pelo gigante deitado
Na urna mortuária, critica o tempo
De não lhe ter dado a chance de vencer
O próprio horizonte na batalha decisiva
Contra o ocaso, como se o tempo
Fosse obra do espaço, e pudesse atender o descaso
Na manutenção do afilhado a frente da bandeira
Em frangalhos, toda remendada pelos rebotalhos
Que ajudaram a construir a desordem, pensando
Que dela uma nova ordem
Pudesse surgir,  mais favorável
Aos reclamos do grupo que odiava
A solidão, longe dos holofotes da glória
Que marcava a vitória solene
Do porvir,
E não se descuidem os críticos, que destes versos
Poderosos estão querendo servir esta infame
Violência, que atrasou o progresso
E travou a ciência.

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