Histórico:
Aos 19 de dezembro de 1912 teve
lugar a fundação e instalação da Universidade Federal do Paraná. Às
13 horas, no salão das sessões do Congresso Legislativo, reuniu-se a
Assembléia Geral dos lentes. Victor Ferreira do Amaral convidou Nilo
Cairo e Daltro Filho para que secretariassem a sessão. Na qualidade
de presidente da Comissão organizadora, Victor Ferreira do Amaral
teve a honra de dirigir a palavra aos presentes. Entre outras coisas
afirmou que já há muito sentia-se a necessidade da fundação de
cursos superiores no Paraná. O sonho de Rocha Pombo do final do
século, era uma realidade. A utopia do final do século XIX era um
fato consumado no primeiro quartel do século XX.
A comissão encarregada da instalação da Universidade foi
procurar a Câmara Municipal, a fim de obter desse legislativo o
terreno sito à Av. Iguaçu e que havia sido doado em 1892 a Rocha
Pombo, precursor da universidade. O terreno estava ainda baldio.
Mas, tal transação não se concretizou. A pressa dos fundadores em
adquirir terreno para a sede própria, dava-se ao fato de a sede da
rua Comendador Araújo ser muito acanhada e não ser adequada, desde o
início, para apresentar-se como sede da Universidade do Paraná.
Tendo o governo do Estado, através da lei n.º 1.284 de 27 de março
de 1913, doado à Universidade a quantia de 80:000$000 rs (reis por
ano letivo) para patrimônio, conseguiu a diretoria adquirir um
terreno sito à rua Carlos de Carvalho esquina com Visconde de Nácar
por 20:000$000 rs. A planta e a fachada foram entregues ao
engenheiro Beata de Faria.
Estava desta forma já contratada, por concorrência pública, a
construção da parte central da ala principal do projeto do edifício,
quando a Câmara Municipal de Curitiba fez doação para a edificação
do prédio universitário, de um terreno em ponto mais central, com
uma das faces para a rua XV de novembro, onde logo depois, a 31 de
agosto, foi lançada a pedra fundamental do edifício. A pedra
fundamental foi solenemente lançada pelo presidente Carlos
Cavalcanti.
A edilidade curitibana, juntamente com o prefeito Cândido de
Abreu, fizeram doação para sede da Universidade de terreno sito na
Praça Santos Andrade. Este terreno havia sido cedido pela
municipalidade, tempos atrás, para a construção de um moderno hotel,
o Grande Hotel. Na época, esse terreno era fronteiriço ao Palácio da
justiça. O projetista foi novamente o arquiteto militar Beata de
Faria. O projeto elaborado foi exposto ao público, na vitrine do
Louvre Curitibano.
A parte central do novo edifício foi contratada por 250
contos de réis e comissão de fiscalização, por parte da
Universidade, foi composta por Nilo Cairo, Daltro Filho e João
Moreira Garcez.
A propriedade da rua Carlos de Carvalho foi mais tarde
subdividida e vendida em lotes. Alguns deles passaram para a firma
Bergonese, como pagamento pela construção do edifício da Praça
Santos Andrade.
A praça Santos Andrade havia sido antes, durante e depois da
construção do edifício da Universidade, um depósito de lixo da
prefeitura. A partir desse ponto é que começavam os brejos e grotas
que terminavam no rio Belém. Em 1916, a Prefeitura ainda jogava o
lixo urbano naquelas paragens. O Centro Acadêmico enviou então ao
prefeito, correspondência solicitando providências.
Após a utilização de algumas salas no novo edifício, a partir
de 12 de abril de 1914, aos poucos as instalações iam sendo
acabadas, até que a 10 de junho de 1914 ficou instalada a
Universidade em sua nova sede.
(Extraído do Livro UNIVERSIDADE DO MATE - HISTÓRIA DA UFPR,
Ruy C. Wachowicz)
Construção:
A construção do prédio histórico começou em 1913, um ano
depois da fundação da UFPR. Projetada pelo engenheiro Baeta de
Faria, a obra consta de apenas um bloco de cinco andares e uma
cúpula central, com frente para a Praça Santos Andrade. A construção
ficou pronta três anos depois e era o orgulho da população. O prédio
imponente se destacava na paisagem de Curitiba.
Sete anos depois, em 1923, começa a construção das alas
laterais, conforme o projeto original. O setor direito fica pronto
em 1925 e passa a abrigar o curso de Engenharia. Já no ano seguinte
é concluído o setor esquerdo, que recebe o curso de Odontologia.
Novas ampliações são realizadas no lado direito e a inauguração
acontece em 1940. Em seguida são feitas mais obras na rua XV de
Novembro que ficam prontas em 1951, para atender o número de
estudantes que cresce a cada ano. Um ano depois novas obras no setor
direito, obrigam a demolição de parte da fachada lateral construída
em 1940.
É em 1954 que o Edifício passa a ocupar uma quadra inteira,
entre a Praça Santos Andrade, ruas XV de Novembro, Presidente Faria
e Travessa Alfredo Bufren. Mas, como as ampliações modificaram a
estética do prédio, é eliminada a cúpula coberta e uma nova fachada
é projetada com muitas colunas e ampla escadaria. A inauguração da
obra com 17 mil metros quadrados em estilo neoclássico, ocorre em
1955. Passados 42 anos o Prédio Central, que faz parte da história
de Curitiba, foi restaurado com a pintura original em amarelo ocre e
está sendo transformado em Centro Cultural da UFPR.
Em 1892 Rocha Pombo, político e historiador, na época
jornalista e professor, colocava no Largo Ouvidor Pardinho a pedra
fundamental da Universidade do Paraná. O projeto, no entanto, não
foi adiante. Motivo: o Movimento Federalista impediu a criação da
Universidade.
Foi aí que Victor Ferreira do Amaral, que era médico,
deputado e diretor de Instrução Pública do Estado, liderou a criação
efetiva da Universidade. Era chegada a hora. O Paraná não podia mais
esperar, pois se desenvolvia muito com a abundante produção de
erva-mate.
Em 1913 a Universidade começou a funcionar (no início como
instituição particular). Os primeiros cursos ofertados foram
Ciências Jurídicas e Sociais, Engenharia, Medicina e Cirurgia,
Comércio, Odontologia, Farmácia e Obstetrícia. Após ter fundado a
Universidade do Paraná, Victor Ferreira do Amaral - que foi seu
primeiro reitor - fez empréstimos e iniciou a construção do prédio
central, na Praça Santos Andrade, em um terreno doado pela
Prefeitura.
Quando tudo parecia que estava indo bem, começou a Primeira
Guerra Mundial e, com ela, veio a recessão econômica e as primeiras
dificuldades. Logo depois, mais problemas: em 1920 uma lei
determinou o fechamento das Universidades. O Governo Federal não
recebia bem as iniciativas surgidas de forma independente nos
estados. Mesmo assim, apesar de contraditório, o Governo criou a
Universidade do Rio de Janeiro.
Era necessário criar alternativas para evitar o fechamento da
Instituição. A forma encontrada na época para driblar a lei e
continuar funcionando, foi desmembrar a Instituição em faculdades.
Durante mais de trinta anos, foi uma longa luta para a restauração
da Universidade. Somente no início da década de 50 é que as
faculdades foram reunidas e formada novamente a Universidade do
Paraná. Para conseguir essa unificação, foi fundamental o apoio da
imprensa e da comunidade. Depois disso, veio a federalização. A
partir daí, iniciou-se uma fase de grande expansão.
Em oito décadas muita coisa mudou. Mudou também a
Universidade Federal do Paraná. Ela acompanhou as transformações
oriundas dos mais diversos setores da sociedade. A sua estrutura
física foi ampliada, assim como o número de cursos, alunos,
professores e funcionários técnico-administrativos. Não só de ensino
foi construída a história da UFPR: ela se voltou também para a
pesquisa e a extensão universitária. Com isso, muitos desafios
surgiram. Foi preciso mudar a mentalidade e as estratégias, pois
cada momento, cada dificuldade, exigia uma postura diferente,
corajosa. Assim, com luta, a UFPR chegou até os nossos dias.
Atualmente, a Instituição oferta no seu Concurso Vestibular 55
opções de cursos de graduação. Mantém 53 especializações, 31
mestrados e 14 doutorados. Para melhor administrar a Universidade,
ela foi dividida em seis pró-reitorias e nove setores.